O Recomeço
10 Apenas Mais uma Manhã na Toca
Notas iniciais
Como de costume, Ron foi acordado pelos gritos da mãe, dizendo que o café da manhã estava pronto. Ainda se sentia cansado, já que não tinha conseguido dormir direito. Quando levantou, porém, viu que Harry não estava em sua cama. Achou estranho, ele nunca levantava antes, mas provavelmente já deveria ter descido. Depois de escovar os dentes e se vestir, Ron foi até as escadas e teve uma agradável surpresa.
— Bom dia! — disse Ron, se abraçando em Hermione, que já estava se dirigindo a cozinha.
— Ai que susto, Ronald! Bom dia pra você também — respondeu Hermione, dando um selinho no namorado. — Agora me solta que alguém pode ver!
— A gente devia contar duma vez! Não aguento mais isso — reclamou Ron.
— É verdade, mas de qualquer jeito a gente não vai sair se agarrando pela casa! — disse Hermione, rindo.
— Bem que você queria, né? — brincou Ron, enquanto finalmente soltava sua namorada.
— Vamos descer logo, idiota — respondeu Hermione, levemente corada.
Ainda não acreditava em tudo aquilo que estava acontecendo. Ela e Ron, felizes. Era seu primeiro namorado sério e, surpreendentemente, tudo corria bem. A tanto tempo ela pensava em como seria ficar com Ron, pois o medo de estragar a amizade era grande, mas sempre soube que havia algo a mais ali. Era muito diferente de Harry, por exemplo. Por falar nisso, esperava que ele e Gina se resolvessem logo. Até achou meio suspeito não encontrar Gina na sua cama quando acordou, mas ela só devia ter levantado mais cedo.
— Bom dia, pessoal! — disse a Sra. Weasley quando viu Ron e Hermione chegando. — Onde estão Harry e Gina?
— Achei que ele já estivesse aqui embaixo — respondeu Ron, surpreso.
— Achei que ela já estivesse aqui embaixo — respondeu Hermione, ainda mais surpresa.
Nesse momento, todos da cozinha se olharam. Jorge, o Sr. Weasley e a Sra. Weasley pareciam preocupados. Ron começou a juntar as peças e já ficou irritado. Hermione, ao entender o que aquilo poderia significar, abriu um largo sorriso.
— Por Merlin, onde eles estão? — perguntou a Sra. Weasley, muito preocupada. — Será que Harry foi embora de novo?
— Duvido, ele teria avisado — respondeu o Sr. Weasley. — Além do mais, por que Gina iria junto?
— Por que o sorriso, Hermione? — questionou Jorge, que já não estava entendo mais nada.
— Se eles não desceram, não estão na casa. Devem estar lá fora. Ah dessa vez eu mato o Harry! — disse Ron, já saindo pela porta da frente.
— Ron! Espera! — implorou Hermione, enquanto seguia ele para fora da casa. — Se você fizer algo idiota, EU te mato!
Os outros três membros da família, tentando entender o que estava acontecendo, seguiram Ron e Hermione pelos terrenos da propriedade.
— Ron! Deixa eles em paz! Você nem sabe se eles estão aqui! — tentou mais uma vez Hermione.
— Ah eu sei onde eles estão! Mas quem caralhos o Harry pensa que é? Sumir com a minha irmãzinha no meio da noite e não falar com ninguém! — disse Ron, agora muito vermelho. — Ali estão! Sabia!
Agora mais perto, naquela mesma árvore que Ron e Hermione gostavam de ficar, podia-se ver um casal dormindo abraçado. Harry e Gina dormiam tranquilamente. Quem pudesse ver aquela cena, certamente invejaria a serenidade que o semblante dos dois apresentava. Infelizmente, os gritos de Ron e Hermione acordaram os dois.
— Ah acordaram agora, que lindo! — disse Ron, chegando perto do casal.
— Ronald! O que você tá fazendo? — gritou Gina, já entendo tudo. — E por que a mamãe, o papai e o Fred tão vindo também? Porra.
— Ah desculpa Gina, não vi que eles estavam vindo — disse Hermione, enquanto Harry e Gina se levantavam. — E desculpa pelo seu irmão, é um idiota. A gente desceu pro café da manhã e vocês não estavam lá. Todo mundo ficou preocupado.
— Por Merlin! O que é isso? — perguntou a Sra. Weasley. — Harry e Gina, por que vocês dormiram aqui, juntos? E por que você, Ronald Weasley, está com esse humor todo?
Logo depois de dizer essas palavras, alguns pontos foram se ligando nas cabeças da Sra. Weasley, seu marido e Jorge, mas ninguém tinha certeza de nada. Aquilo não era algo que imaginavam. Por um tempo, todos ficaram quietos se olhando, esperando que Gina ou Harry dissessem alguma coisa. A caçula da família não viu escolha, não tinha mais por que mentir.
— Mãe, lembra quando eu te disse que namorei um garoto no quinto ano, mas era complicado? — perguntou Gina, tentando parecer decidida.
— Você namorou? — disse o Sr. Weasley, perplexo.
— Por Merlin, não aguento ouvir essas histórias da Gina com namorados! — disse Jorge, indignado.
Hermione, já percebendo para onde aquilo iria, começou a sorrir de novo, enquanto Ron parecia ainda mais emburrado. Harry, nervoso, não disse nada. Confiou cegamente em Gina, torcendo pra que ela pudesse evitar que ele fosse morto pelos seus irmãos e pelo seu pai.
— Sim, filha. Claro que eu lembro — respondeu Molly.
— Então, era o Harry — disse Gina, agora segurando a mão do namorado. — E, pelo visto, agora nós voltamos.
Nesse momento, o Sr. Weasley se apoiou em Jorge. Não acreditava no que estava ouvindo. Sua garotinha, a única que tinha, namorando Harry Potter. Jorge fechou a cara, assim como Ron, enquanto também demonstrava perplexidade. A Sra. Weasley parou um pouco, precisou de um tempo para processar aquela informação e agora tudo fazia sentido. Aqueles devem ter sido os segundos mais longos da vida de Harry. Não duvidava que qualquer um ali puxasse a varinha e o mandasse para outro país com um “Estupefaça”.
— Não acredito! Essa é uma das melhores notícias que eu já recebi na minha vida! — disse a Sra. Weasley, dando um abraço de quebrar ossos nos dois. — Minha filha e Harry! Claro, faz todo o sentido! Por isso que vocês estavam estranhos. Por que não me disseram antes?
— Bom, nós voltamos ontem — respondeu Gina, aliviada que pelo menos a mãe estava feliz. — E sobre o quinto ano, era muito complicado, não sabia como as coisas iam ficar.
— Pera aí, se eles namoraram no quinto ano, você sabia disso, Ron? — perguntou Jorge, ainda perplexo.
— Sim, falei que não era certo, mas não me ouviram — respondeu Ron.
— Ótimo trabalho como irmão mais velho hein! — disse Jorge, agora irritado também com seu irmão.
— Calem a boca vocês dois! Vocês não mandam na minha vida! Eu já tenho DEZESSEIS anos! Posso namorar quem eu quiser! — berrou Gina, indignada.
— Mas Gina, esse seu namorado do quinto ano... não terminou com você? — perguntou a Sra. Weasley, sedenta por detalhes.
— Não foi porque eu quis Sra. Weasley — disse Harry, querendo se explicar rapidamente. — Achei que era muito perigoso pra ela, com Voldemort e tudo mais. Achei que ele iria atrás dela.
— Resumindo: ele foi um idiota, mas já perdoei — disse Gina, ainda não aceitando muito bem a justificativa do namorado.
— E ele ainda terminou com ela! Perfeito! — disse Jorge. — Por isso que ela veio toda triste nas férias aquele ano.
— Ai Jorge! Ele já explicou! E muito bem — agora era a vez da Sra. Weasley berrar. — Vocês não têm nada a ver com a vida amorosa da sua irmã! Você e Ron! Além do mais, até parece que não conhecem o Harry! Como se ele fosse algum tipo de arruaceiro.
Jorge e Ron ainda estavam um pouco inconformados. Harry achou que era uma boa ideia que ele falasse agora.
— Jorge, Ron, eu entendo que vocês queiram proteger sua irmã mais nova, eu faria o mesmo — começou Harry. — Mas é como a sua mãe disse, vocês me conhecem. Eu nunca faria nada pra machucar a Gina. Ron, você lembra de quando eu e ela namoramos, você aceitou de boa na época. E você, mais do que ninguém, sabe porque eu tive que fazer tudo o que eu fiz. Eu amo a sua irmã e vou ser o melhor namorado possível pra ela.
— Ah, pra que esse discurso todo? — reclamou Gina. — Como se a gente devesse algum tipo de satisfação pra eles.
Harry olhou para Gina com seriedade e ela entendeu o que ele precisava fazer. Ron e Jorge se olharam e, mesmo ainda um pouco contrariados, mostraram um semblante mais amigável. Hermione gritou de felicidade, por dentro.
— Tudo bem então, Harry — disse Jorge, não acreditando nas palavras que estavam saindo da sua boca. — Mas você sabe, né? Se fizer ela sofrer, você já era.
— Não esperaria nada diferente, Jorge — respondeu Harry.
Dessa vez ele olhou para Ron, que lançou aquele mesmo olhar da Salão Comunal da Grifinória: Se não tem jeito... Agora só faltava o Sr. Weasley, que estava quieto. Até Molly olhou pra ele com apreensão.
— E você, pai? Não vai dizer nada? — perguntou Gina, com um pouco de medo.
— Bom, sinceramente é difícil aceitar que a minha garotinha cresceu e está namorando — disse Arthur. — Mas são coisas que não adianta lutar contra. E se tem que ser alguém, não conheço homem melhor que Harry.
— Obrigada papai! Sabia que você ia entender — disse Gina, abraçando o pai e visivelmente muito feliz.
— Claro, mas uma coisa tem que ficar bem clara — respondeu o Sr. Weasley, agora muito sério. — Não quero mais vocês saindo por ai de noite sem avisar e, por favor, evitem muito...contato em casa. Ah e Harry, fique esperto. Faço das palavras do Jorge as minhas.
— Muito obrigado Sr. Weasley. Sério — agradeceu Harry, que agora sentia ter um peso a menos nas costas.
Gina não acreditava que tudo estava bem. Achou que seria mais difícil convencer todos, principalmente o pai. Pelo jeito, ela não era mais vista como uma criança, o que também era um alívio. Porém, tinha uma coisa que ainda precisava fazer. O seu irmão não ia se safar por ter acabado com um dos melhores sonos que ela já teve.
— Além do mais Ron, você por acaso gostaria que eu te enchesse o saco por causa de você e a Hermione? — perguntou Gina, tentando manter a cara séria quando via a reação dos dois.
— O que? Ronald, você e Hermione estão juntos? — perguntou a Sra. Weasley, esperançosa.
Ron e Hermione se olharam nervosos, os dois totalmente corados. Não era assim que pretendiam contar a novidade. O ruivo já imaginava na sua cabeça milhares de maneiras de esganar a sua irmã. Já Hermione, por mais que não quisesse contar a novidade daquela maneira, até se sentiu um pouco feliz em finalmente se livrar daquilo. Harry se segurou para não ter um ataque de riso.
— Bom, é — respondeu Ron, tímido.
— Que notícia maravilhosa! — disse a Sra. Weasley, dando aquele mesmo abraço em seu filho e Hermione. — Desde quando isso? Por que não disseram antes? Confesso que eu já esperava isso ao um tempinho.
— Um tempinho? — disse Jorge. — Esses dois tão a anos se enrolando pra namorar. Finalmente maninho! As pessoas faziam apostas pra saber quando vocês iam ficar juntos desde o seu quarto ano, eu acho. Devo ter ganhado muito dinheiro com essa notícia.
— Fazem algumas semanas. Não sabíamos como falar — disse Ron, ignorando o irmão. — Obrigado por contar Gina, agradeço a gentileza.
— De nada, Roniquinho! Sempre um prazer ajudar — respondeu Gina, tirando sarro do irmão.
— Meu filho com Hermione Granger! Que orgulho — disse Molly, que não podia estar mais feliz. — Trata ela direito filho. Não faz bobagem que igual ela não tem.
— Obrigada Sra. Weasley — disse Hermione, corada, mas agora sorrindo. — Pode ficar tranquila que eu me cuido com ele.
— Valeu pela confiança, mãe! — disse Ron, sarcástico.
— Fico muito feliz por vocês filho, já era hora — disse Arthur, também sorrindo. — E escute sua mãe, trate ela bem.
— Sim, pai — respondeu Ron.
— Como esse dia começou bem! Só notícia boa — disse a Sra. Weasley, que agora parecia a mulher mais feliz do mundo. — Vamos voltar para casa. Hoje vai ter café da manhã, almoço e janta especial! É um dia para comemorar, vamos!
Assim, todos foram voltando felizes para casa. Harry caminhou ao lado de Ron, enquanto Gina estava mais atrás com Hermione.
— Você sabe que vou cuidar bem dela, né? — perguntou Harry, falando com seu melhor amigo.
— Eu sei cara — admitiu Ron. — É coisa de irmão mais velho, você sabe. Mas realmente, não conheço homem melhor que você pra ficar com ela.
— Valeu, cara — disse Harry, agora muito mais aliviado.
Enquanto isso, Hermione e Gina também falavam sobre tudo o que acabara de acontecer.
— Sei que você fez só pra irritar o Ron, mas obrigada — disse Hermione. — Não queria mais ter que esconder isso da família toda.
— De nada! Sempre que meu irmão for muito bobão, pode chamar — respondeu Gina, rindo.
— Obrigada, tenho certeza que ainda vou precisar — disse Hermione, também rindo. — E você e Harry? Quero saber tudo!
— Ah foi pura sorte, mais tarde te conto o que aconteceu — disse a ruiva, com um sorriso no rosto.
Então, todos voltaram para casa. Ninguém acreditava em tudo que tinha acontecido em apenas uma manhã. A felicidade da Sra. Weasley contagiou todos, que aproveitaram muito bem o dia. Harry ainda estava se acostumando com toda aquela situação. Claro que já tinha sido feliz antes, principalmente na Toca e em Hogwarts, mas aquele momento era diferente. Não parecia real. Harry às vezes até pensava se tudo era um sonho ou se algo ruim iria acontecer em seguida. Aquela paz e uma visão do futuro eram coisas novas pra ele. Ainda tinha medo que coisas ruins aparecessem. Não seria tudo aquilo uma calmaria, antes da tempestade?
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