O Recomeço
12 Capítulo Onze
Os preparativos para o casamento estavam deixando todos enlouquecidos, mas principalmente em especial uma pessoa, Kimberly tinha crises de choro a cada meia hora. Com o nascimento dos gêmeos, tudo ficou sobre Elizabeth: empresa, casamento, Kimberly. Tudo! Ela estava quase surtando prontamente com tantas coisas em sua cabeça. Nas raras ocasiões que ficava sozinha com sua boa taça de vinho, questionava-se: como pessoas ficam felizes com casamentos relâmpagos? Um casamento necessitava de preparos, de ao menos um ano para organizar muitas coisas. Isso era algo para mais questionamentos em sua mente tão confusa e intensa.
Muitas taças de vinhos, músicas que foram indicadas por John, e Elizabeth não sabia como resolver as crises que Kimberly tinha a respeito do seu bolo de casamento; algo que para ela, deveria ser uma conversa franca entre os noivos. Harry era um doce, mas isso era um problema, algumas vezes não deixava com que tivesse um certo posicionamento em relação a Kimberly e suas decisões confusas; tudo que ela precisava naquele momento era de alguém para tomar decisões, o seu noivo, não a sua melhor amiga. Elizabeth deu à ideia do bolo red velvet, algo peculiar para um casamento, mas um pouco moderno em sua visão ampla. Também conseguiria alcançar o lado rústico londrino de Harry, a sua doçura também; perfeito para trazer um pouco de referência a cor tão marcante dos fios de Kimberly. Claro que Kimberly deu gritos de alegria ao ouvir o conselho da amiga, aceitando prontamente aquela escolha impressionante. Uma coisa a menos, Elizabeth pensou.
Lista de convidados, buffet, vestido para a noiva, madrinha, damas. Tantas coisas, quando foi que Elizabeth entrou em um triângulo amoroso? Seria um pouco de egoísmo ela querer férias de tudo aquilo? Não encontrava tempo para descansar. Não tinha tempo para amar John, sentia falta das tardes ao lado dele. Das vezes que fugiam do mundo inteiro para irem ao bosque deles. Sentia até mesmo falta das sessões de fotos, dos filmes que viam juntos, das piadas bobas de John. Sentia falta das doses de coragem que ele lhe proporcionava diariamente. Como estava amarrada naquele homem, como ele conseguiu envolvê-la naquele amor tão incrível. Naquelas vezes, Elizabeth conseguira entender porquê Kimberly estava tão nervosa para o seu casamento, ela só queria tudo perfeito. Tudo bem, era compreensível nesse caso.
Elizabeth e John conseguiram dar uma escapada de toda aquela loucura do casamento, inclusive da Potere, para irem na Caffè Benevolo II alimentar o vício em cafeína. Também para verem pessoas andando para cima e para baixo; queriam sentir o ar puro de Verona, apreciar as flores, o céu. Sentir como aquele frescor era único, viver com calma por um tempo.
Os olhos de Elizabeth brilhavam ao sentia o cheiro daquele delicioso café renovando sua alma. — Você sabe como me acalmar, Phill.
— Eu te conheço — ele disse, sendo convencido. — Mas, estou com medo de provar esse creme — John moveu a colher, espalhando as raspas de chocolate.
Elizabeth riu, segurando sua mão para parar de mover a colher. — Não pode espalhar, a graça está em você sentir o chocolate, depois o creme com o café. Prove! — ela olhou fixamente para John.
Aqueles olhos verdes pareciam obrigá-lo, ele não poderia resistir. Sentia-se fraco diante deles, isso era péssimo. Que merda, ele pensou. Sua teoria de cremes estava indo para o ralo, pois já estava provando aquele café com creme e raspas de chocolate. Fechou seus olhos para tentar apreciar a cremosidade daquele líquido, era interessante em sua perplexidade. Ele ergueu as sobrancelhas por longos segundos, mas não fez questão de retirar a xícara nenhum instante dos lábios.
Elizabeth virou um pouco a cabeça, analisando aquela cena para tentar descobrir se ele estava gostando ou odiando o misterioso creme. — Então...? — ela questionou, sorrindo.
Ele havia tomado todo café, não sobrou absolutamente nada. Deveria ser um bom sinal, então.
— Interessante, eu acho — ele disse, indeciso. — De todo modo, acho que vou precisar de mais duas xícaras para me certificar se vou aprovar ou não.
Elizabeth riu, balançando a cabeça. — Você amou, Phillip — ela disse, bebericando um pouco do café e fechando os olhos.
— Não, eu estou dizendo que preciso de mais duas xícaras para entender os meus sentimentos em relação a esse café.
— Hummm... — ela ruminou. — Está bem, vamos pedir mais duas xícaras.
Mais duas xícaras de café, mais olhares penetrantes de Elizabeth e, claro que, reações inexpressivas de John. Aquele café realmente era bem cremoso, o chocolate estava derretendo em sua boca cada vez que entrava em contato com aquela mistura tão cremosa e levemente açucarada. Era realmente instigante.
— Então, sr. Armstrong? — ela questionou, com sarcasmo.
Ele levantou o indicador, suspirando. — Bom, acho que cheguei à conclusão de que esse café é como você.
Ela franziu a testa, rolando os olhos e rindo. — Como assim, Phillip? Eu pareço com um café?
— Eu tenho uma teoria interessante. Posso? — ele disse, mordiscando um pedaço do cupcake de chocolate.
— Por favor.
— Esse café é como você. Na primeira xícara você acha interessante, só isso — ele disse, erguendo as sobrancelhas. — Então você precisa chegar um pouco mais perto, você precisa provar um pouco mais. Hummm... — ele ruminou. — Você prova a segunda xícara, então você passa a apreciá-lo, está ficando mais do que apenas interessante, não é? — ele sorriu ao ver Elizabeth assentir e rir. — Porém, na terceira xícara é onde tudo muda, você começa a vê-lo de uma maneira diferente, porque ele começa a te confortar por dentro. Você sente a sua essência, o seu sabor de todos os jeitos possíveis, e aí a coisa mais impressionante e surpreende acontece... você passa a amá-lo. Pois é, eu amei esse café com creme.
Por um momento Elizabeth ficou paralisada, John havia dito que a amava, então? De um jeito peculiar ao lhe comparar com um café? Ela estava confusa, estava com medo de perguntar e não ser absolutamente nada disso, mas ela tinha certeza dos seus sentimentos por ele. Os dias longe fizeram com que os seus sentimentos ficassem ainda mais concretos, então não havia dúvidas. Agora era a hora certa para dizer que amava John? Talvez, ela estava em pânico. Não sabia como fazer isso.
Fez-se silêncio por um longo tempo.
Os pensamentos de Elizabeth estavam quase sendo ouvidos por todos ao redor. John estava olhando com aqueles olhos azuis como se estivesse esperando por algo, como se estivesse esperando para ouvir um “Eu também, John.”. Não queria obrigá-la a nada, mas, ele também estava esperando por isso, aparentemente.
Qual é, Elizabeth? Dose de coragem. Seja corajosa. Você precisa disso. Você tem vinte e seis anos, passou por tantas coisas. Por que suas pernas estão bambas? Por que suas mãos estão suadas? Por quê? Você não pode ter voltado ao colegial tão rapidamente assim. Ela pensou em tudo isso em poucos segundos. Ah, como Elizabeth tinha o dom de tornar momentos bons em momentos catastróficos.
— Você me ama, Phillip? — Elizabeth murmurou, suas mãos estavam suadas e trêmulas em seu colo.
John assentiu, sorrindo. — Eu amo você, Dean. Sei que a metáfora do café foi ridícula, mas achei apropriado no momento — ele disse, dando de ombros.
Os olhos de Elizabeth ficaram umedecidos. A velha mania de chorar como uma criança, ela pensou. — Eu amo você — Elizabeth levantou de sua cadeira e imediatamente aproximou-se de John. — Por que demorou tanto para me dizer? — ela não demorou para sentar-se sobre o colo dele.
— Eu nunca amei alguém como amo você, Elizabeth. Eu não sabia a hora certa para dizer isso, acho que sou complicado nessas coisas de amor — ele suspirou, rindo. — Você sabe que estamos em uma cafeteria, e estão nos olhando, né? — ele realmente disse aquilo fascinado com a Elizabeth.
Ela deu de ombros. — Não podem me julgar por estar apaixonada. Ainda mais quando estamos na terra mais romântica do mundo, justamente no lar de Romeu e Julieta, em Verona.
Elizabeth beijou John naquele mesmo momento, esquecendo-se que estavam em uma cafeteria, a luz do dia. Como os dois estavam apaixonados, aquele beijo exalava amor aos quatro cantos da Caffè Benevolo II, como também de Verona. Tinha tanto amor, desejo e descobertas por ali; eles sabiam doar-se um pelo outro todos os dias, não havia falta, não haviam cobranças. Elizabeth estava seguindo sua vida, John estava descobrindo um outro lado do mundo que nenhuma viagem conseguira lhe proporcionar. Tantas descobertas estavam sendo importantes para eles, bastava recomeçar um dia após o outro.
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