Notas iniciais
Obrigada pelos comentários Gabi Jackson, Anna Clarke e Nat Campos! A Gabi pediu que eu fizesse uma breve recaptulação do capítulo anterior, então, aí vai: ´´Era o casamento de Katherine com o digníssimo Lorde Leonard. No meio da cerimônia, um ataque sulista começa. Ela e Danny vão procurar por Conor em meio a tudo isso.``

Um pandemônio se espalhava pelo castelo, em todas as alas, todos os cantos. Gritos, tiros, tudo preenchia a minha audição, enquanto eu e Danny seguíamos, ele atirando e me guiando pelos corredores depois de ´seguros`.

Pouco antes, eu havia arrancado o véu, a coroa, os saltos e também havia cortado toda a saia do vestido, para que melhor pudesse me mover.

Enquanto seguíamos em passos ocos pelos corredores, apenas ouvíamos os sons horrendos dos arredores. Então, quando Danny ia virar à esquerda, já com a arma a postos, eu o virei pelo braço em um movimento brusco.

—Danny...-sussurrei, e seus olhos azuis encontraram os meus.

—Eu estou... Estou com muito medo, apavorada...- terminei, fitando o chão. Então ele virou meu rosto para si.

—Você pode se arrepender agora de ter vindo atrás dele... Mas, imagine o quanto vai se arrepender se descobrir que desistiu dele? Conseguiria viver com isso?

E com os olhos cheios de convicção, ele respondeu por mim:

—Creio que não- e sorriu, voltando-se para o vão e atirando.

—Vamos- ele me chamou, e eu segui. Passando por um dos três mortos, paramos ao lado do quarto, que ainda respirava com dificuldade, e Danny ergueu. Ele era magro e baixo, tinha sido apenas baleado no ombro.

—O que está havendo aqui?- perguntou Danny, com a voz grave e séria.

—Um ataque sulista... Sulista, por favor, não me mate!...- implorou ele, e Danny o soltou.

—Seu rebelde era um sulista?!- Danny se virou para mim, pasmo e espantado.

—Não!- respondi, e foi então que um grito ecoou. Era agudo e cortante. Era Lily.

Danny e eu corremos em disparada pelos corredores, e eu me detive ao vê-la sendo arrastado por um homem pelos cabelos. Danny correu e deu-lhe um soco, e ele caiu duro no chão ao mesmo tempo que Danny se ajoelhava e abraçava Lily, enquanto ela chorava e soluçava. Cambaleei alguns passos para trás, tonta em pensar no que teria acontecido se não fosse Danny, e foi quando uma mão grande e pesada cobriu minha boca enquanto outra me puxava por trás pela cintura, de maneira violenta, e eu fiquei sem ar quando meus pés foram arrancados do chão enquanto o sequestrador dizia:

—Sabia que nos veríamos de novo, Majestade...

E logo fui jogada em um armazém, caindo de maneira dolorosa. A porta foi fechada com um estalo surdo em meio ao som de balas e gritos.

—Você estava morto!- arregalei os olhos e falei em um timbre quase inaudível.

—Nunca estive morto...- David começou a me rodear como um predador rodeia sua presa. Eu estava apoiada em meus cotovelos, havia torcido dolorosamente um pé e cortado o antebraço.

—Não se aproxime de mim- cuspi nele, mas David apenas riu.

—Como senti falta desse seu autoritarismo inútil e arrogante...- e foi então que, meio cambaleante e sentindo uma dor na coluna quase insuportável, fiquei de pé.

E então ele veio para cima de mim. Dei-lhe um gancho quase inútil, e ele me empurrou contra a parede, tentando prender meus braços, mas eu estava determinada e me debatia loucamente, e quando arranhei seu rosto, ele me soltou e se afastou um pouco. Foi então que escorreguei pelas paredes, tentando ir até a porta, mas David se abaixou e puxou meus tornozelos.

Eu caí de barriga no chão, quando estava a poucos metros da grande e pesada porta. Ele então me puxou para si, e enquanto eu gritava, ele cochichou:

—Ninguém poderá me impedir de nada agora, princesinha... – e foi quando comecei a arranhar seu rosto e tentar afastá-lo de mim, empurrando-o para longe e tentando virar seu pescoço, e então ele paralisou; seus olhos se arregalaram e a boca se abriu, ele se levantou de maneira lenta, cambaleando e tropeçando em seus próprios pés. Foi quando ele se virou, e vi uma sombra atrás dele, alta e forte...

—CONOR!- gritei, e ele deu um soco tão forte, mas tão forte em David que ouvi o som de algo se partindo, e ele foi jogado de lado, caindo no chão a metros de mim. Seu corpo então entrou em convulções leves, e sons de gemidos e choros roucos saiam dele.

Conor se abaixou a minha frente e segurou meu rosto com as duas mãos, muito próximo de mim.

—Katherine... Você está bem? Ele lhe feriu?...

Lágrimas brotavam em meus olhos, e eu sorri.

—Não poderia estar melhor- e em meio daquela escuridão e ruídos tensos, ele puxou meu rosto para perto, e nos beijamos de maneira lenta. Senti gosto de sangue na minha boca, mas não sabia se era meu ou dele... E realmente não me importava. O puxei para mais perto pelo pescoço, e quando nossos lábios se separaram, Conor, ainda muito próximo, vasculhou meu rosto com seus olhos dourados, e depois de alguns segundos, tocou o canto de meus lábios. Seu olhar se fechou.

—Foi ele quem fez isso?

Eu nem precisei responder. Ele apenas beijou meu rosto e se levantou, suspirou com pesar e disse:

—Eu sei que não é de seu agrado...- e Conor andou em direção à David, o ergueu pela gola de sua camisa e o jogou contra a parede. Foi então que vi que havia um longo punhal incrustrado em suas costas. Quando a faca entrou mais em sua carne, ele gemeu de dor e começou a cuspir palavras furiosas e confusas contra Conor.

—Você teve sua chance... E eu gostaria de dizer que sinto muito pelo que vou fazer... Mas não gosto de mentiras.

E foi então que ele arrancou o punhal das costas de David e cravou em seu peito, um grito rouco e baixo ecoou, e sua voz foi se esvaindo e se esvaindo... Até que seu rosto perdeu as emoções e endureceu, e Conor o ficou observando por alguns curtos segundos antes de vir até mim.

—Precisamos ir embora daqui, não é seguro- disse ele, ajudando-me a levantar.

—Estamos em meio a um ataque sulista dos mais radicais, sabiam que todos os diplomatas relacionados à Iléia estariam aqui hoje.

Ele apoiou meu braço em seus ombros, e quando me senti melhor, soltei-me dele e saímos juntos, deixando lá o corpo de David apodrecendo por fora como já havia feito por dentro.

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O lado de fora estava angustiantemente silencioso. O som de meus pés descalços faziam sons baixos. Conor, assim como Danny o fizera, ia na frente, verificando o caminho e eu o seguia depois. Ele não soltou minha mão em momento algum, e eu me sentia tão segura, confortada... Foi então que percebi que ele me guiava para o pátio de pouso.

—Para onde estamos indo?- perguntei, e soltei nossas mãos. Ele se virou para mim.

—Estar comigo é um perigo para você... Veja tudo o que aconteceu!

Deixei escapar o ar em um sorriso irônico e lágrimas brotaram nos meus olhos.

—Pense no que aconteceria se eu não estivesse com você! Eu teria sido... Sido- nem consegui terminar, e ele veio até mim rapidamente e levantou meu rosto, beijando o canto de minha boca. Comecei a chorar.

—Conor, não faça isso comigo, não me deixe, não me abandone! Eu morri todos os dias esperando por você, não era nada! – e eu solucei enquanto ele me abraçava e acariciava minhas costas com suas mãos grandes. Eu fungava e chorava, e ele estava lá... Foi então que ele pegou minhas mãos e as levou para a altura do seu peito largo.

—Venha comigo, vamos agora- Conor pediu docemente, tocando meu rosto. Eu sorri e ele me retribuiu com um sorriso caloroso.

Andamos em passos rápidos pelo palácio para chegar até a floresta, onde, segundo ele, usaríamos caminhos antigos e secretos, chegando ao mar, onde um barco pequeno nos esperava. Mas quando passamos pelo salão de jantar. Eu segui pela frente nesse ponto, e foi quando um chicote estalou no ar, e quando me virei, Conor estava curvado sobre si mesmo, e logo atrás, Lorde Leonard, com um chicote a postos exibia um olhar esnobe. A camiseta branca de Conor logo deu espaço a uma faixa vermelha de sangue.

—CONOR!- gritei, e ele se virou para mim. Mas logo que o fez, Leonard desembainhou sua espada e, não fosse por Conor usar seu antebraço como escudo, mais um rasco de sangue lhe cobriria o peito.

Corri para a mesa bagunçada e tirei de lá uma bandeja de prata. Leonard dispunha de duas espadas e um chicote de quase quatro metros, e Conor apenas de sua força.

—Seu rebelde nojento... – e foi quando me posicionei atrás dele e bati com força a bandeja na parte de trás de sua cabeça. Leonard se virou imediatamente com a espada erguida, e fez um corte horizontal que foi do meu ombro esquerdo até o direito, cortando entre o peito e o pescoço. Quando ia cair no chão, ele pegou meu pescoço com nojo em suas mãos e disse, bem perto de mim, mas alto o bastante para Conor ouvir.

—E pensar que quase me casei com você... Uma princesa imunda de um país ridículo, que abriu as pernas no meio do mato para a escória da sociedade.

Conor vinha com uma faca de carne erguida, e Leonard me soltou para evitar o golpe. A luta era injusta, as espadas de Leonard tinha quase o triplo do tamanho da única arma de Conor, e dessa maneira ele sofria mais cortes.

Meu peito sangrava e manchava de sangue todo corpete do vestido. Levei a mão ao corte, e mais e mais sangue escorria.

Uma mão pegou meu ombro.

—Katherine!- era Danny, e eu estava zonza demais para dizer alguma coisa... Apenas consegui murmurar e apontar debilmente para Conor, e ele me entendeu. Ainda ao meu lado, preparou a espada e se juntou a ele.

A visão ia perdendo o foco, e foi quando Lily chegou ao meu lado.

—Katie! Ah meu Deus, você, você!... – e ela se levantou e voltou rapidamente, com uma longa bandagem. Ali mesmo ela a enfaixou em meu peito rapidamente, impedindo que a hemorragia aumentasse.

Minha visão ganhou foco na parte em que preferia tê-la perdido. Leonard cravou a espada no peito de Danny.

—LEGER!- chorou Lily enquanto ele caia no chão. Conor e Leonard ainda lutavam, e foram se afastando pelo salão. Corremos até Danny.

—Danny... Danny! Danny, por favor!- chacoalhei seus ombros e o abracei. Chorava e gritava desesperadamente. Lily estava atrás de mim e chorava silenciosamente.

—Você disse que não me deixaria, Danny... Desculpe, ah, me desculpe!- solucei, e seu corpo estava tão frio e distante que tinha certeza de que ele não ouvira uma palavra sequer.

Então, o som de uma espada caindo no chão, e o baque de um corpo pesado quebrando a janela e alta do salão, indo para os jardins. Me virei, e percebi que Leonard pulava a janela, sendo que Conor fora quem caíra. Corri o mais rápido que pude até lá, subi nas costas do Lorde tentando o impedir, mas ele pegou meu braço e me jogou contra as roseiras magníficas e saudáveis que exalavam seu doce perfume, que se misturava hoje com cheiro de sangue e morte. Senti minha pele arder e cortar, mas quando vi a espada dele erguida na direção do peito de Conor, senti que não podia fazer mais nada.

Eu, pelo o menos, não podia.