O Rebelde

7 Ideias Suicidas


´´Após ter a filha dada como morta, a rainha America Singer Schreave tem uma parada cardíaca e se encontra em estado grave na UTI de Angeles´´

–O que?! Quando fui dada como morta!?- perguntei, segurando o choro.

Darcy e Isaac trocam olhares tristes e Conor me passa outro jornal.

–Um dos homens que a perseguiram foi encontrado e deu depoimento. Como eu disse, eles fazem qualquer coisa para atingir a Monarquia...- então ele me passou a folha, mas meus olhos já estavam embaçados e eu não conseguia ler nada, então, Isaac continuou:

–Ele já foi condenado e será executado.

–Sua mãe vai ficar bem- disse Oliver, os olhos escuros e consoladores.

–Eu... Eu quero ficar um... Um pouco sozinha...- disse, com dificuldade. Todos trocaram olhares tristes e se retiraram um a um: primeiro Darcy, depois Isaac. Oliver me deu um beijo na bochecha e pulou da cama. Então sobrou Conor, os olhos indecifráveis, olhando dentro dos meus. Ele tocou minha mão.

–Conor... Eu queria...Ficar sozinha...- disse, a voz me delatando. Estava prestes a chorar.

Ele então se levantou e se retirou, mas antes de fechar a porta, virou o rosto em direção ao meu, os olhos âmbar examinando minha alma.

Depois que a porta se fechou, chorei, chorei como nunca. Minha mãe pode morrer a qualquer segundo, eu fui dada como morta... Não era mais nada. Sentia um nó em minha garganta, algo que me sufocava e se tornava cada vez maior e maior... Eu não aguentava mais aquilo. Peguei um casaco grosso e saí correndo em direção a floresta. Corri o mais rápido que pude, principalmente depois de ouvir uma voz rouca e fraca e passos atrás de mim. Passei por uma campina e subi um morrinho pequeno, quando cheguei lá, gritei e me joguei no chão, deixando tudo vir a tona... Depois de secar os olhos, vi que a uns dez metros de mim, estava um desfiladeiro, muito convidativo por sinal. Esse seria o jeito? Seria assim que a herdeira de Iléia terminaria?

A uma semana, a ideia de me jogar de um penhasco seria condenada por mim mesma. Eu nunca aprovei o suicídio, mas eu aprendi desde cedo que não devemos julgar. Não sabemos da situação de cada um nem de seus motivos, e vendo pelos meus, a ideia não me parecia mais tão absurda. Eu já estava dada como morta mesmo, que diferença faria?

Dei um passo e mais um, agora apenas quatro passos me separando do abismo. Eu não sentia medo, e isso era estranho. Respirei fundo: um passo. Agora, um pé. A noite estava fria e úmida, com neblina cobrindo o chão, mas o céu, a lua e as estrelas estavam brilhantes e iluminavam tudo com um brilho fantasmagórico e angelical ao mesmo tempo, e eu me sentia observada por elas, espectadoras distantes e frias, indiferentes e passivas quanto a minha decisão.

Um pé para fora do abismo e algo me segura e me puxa para trás. Penso ser a morte, mas não a imaginava com formas humanas ou com braços fortes. Sinto o chão batendo em minhas costas de forma forte, mas bem menos do que eu esperava. E então, eu fico sem ar e sinto algo sobre mim, mas de repente o peso diminui, como se ele se sustentasse, e eu abro os olhos e vejo um par de pedras de ouro flutuando em uma face morena e cabelos escuros.

–No que você estava pensando?- pergunta ele, a voz ao mesmo tempo acusadora e acolhedora.

–Em acabar com tudo isso de uma vez- digo, lágrimas brotando novamente. Então ele colocou a mão esquerda debaixo de meu pescoço e me ergueu a medida que sentava de joelhos e eu chorava, me acomodou em seu peito e eu joguei os braços ao redor de seu pescoço, enquanto ele sussurrava palavras ternas para mim. Senti-me estranha por isso, por me abrir com ele dessa maneira, mas com ele, com seus olhos cor de âmbar, era como se eu não conseguisse esconder nada, mesmo que eu tentasse. Me sentia acolhida e segura, de uma maneira que nem mesmo meu pai, tio Aspen ou Danny conseguiram a minha vida inteira. De alguma maneira, sua presença, sua voz e até mesmo seu cheiro tinham esse efeito calmante sobre mim. Senti as lágrimas cessando e a vontade – ou necessidade – de chorar acabou. Ele então afastou meu rosto de seu peito e me disse, quase um sussurro, e tive a impressão de ele mesmo não querer fazer isso:

–Temos de ir... Aqui não é seguro.

Fiz que sim com a cabeça e ele me ergueu em seus braços fortes. A noite era fria e seu corpo quente, um contraste do qual me senti tímida ao admitir apreciar. Mesmo com esse turbilhão de emoções e um cansaço súbito, me mantive acordada. Mas ele não me levou para o meu quarto, e sim para outro lugar; como estava escuro, não pude ver nada, mas senti Conor me deitando em uma cama grande e macia, tirando meus sapatos e me cobrindo. Depois adormeci.

Sonhei novamente que era Titânia, e estava novamente ao lado de meu Oberon. A diferença era que, desta vez, eu pude ver o rosto dele e seus lindos olhos, que eram como pedras preciosas douradas, que ganhavam ainda mais destaque em sua pele morena. Prendi a respiração e meu coração pareceu bater mais forte quando levei minha mão ao seu rosto e ele sorriu, e eu me senti mais amada do que pensei ser possível.