O Raio e a Luz

3 Capítulo 3 - O ex-Comensal da Morte


Notas iniciais
Nesse capítulo explorei a ideia plantada por J.K. na cabeça de todos os potterheads de que Draco Malfoy sempre teve sentimentos românticos por Hermione. Espero que gostem! Bjs

* Harry’s POV*

— Consegue acreditar nesse lugar? – Hermione disse com os olhos brilhando, assim que McGonnagall os deixou a sós no dormitório dos monitores-chefes. Harry ainda não tinha largado a mão dela. Era tão bom sentir o calor da mão dela e seus dedos entrelaçados. Tanto quanto pegar o pomo numa partida de Quadribol, Harry não pôde evitar a comparação.

— Vamos ver os quartos? – Ele perguntou enquanto soltava a mão de Hermione e se aproximava da porta do seu quarto.

— Claro. – Hermione disse se separando de Harry e caminhando em direção à porta da direita.

Harry girou a maçaneta dourada, decidindo mentalmente que não colocaria um feitiço com senha na porta de seu quarto. Não via sentido em fazê-lo, considerando que era Hermione que dividiria o dormitório com ele. Ele não se importaria se ela entrasse em seu quarto, inclusive, a ideia lhe trazia um sentimento muito bom, que ele não conseguia decifrar direito.

O quarto de Harry tinha uma cama de casal no centro, uma janela à esquerda, um guarda roupa de duas portas, um baú em frente à cama e duas mesas de cabeceira. Os lençóis e as cortinas eram vermelhos escuros. Era simples, não muito espaçoso, mas definitivamente melhor que o quarto que estava acostumado a dividir com outros três estudantes nos dormitórios da Grifinória.

Na parede da direita havia um espelho de corpo inteiro e uma porta. Harry caminhou até ela e a abriu. A porta dava para o banheiro que ficava entre seu quarto e o de Hermione. Harry entrou no banheiro, o observando. Um banheiro comum como qualquer outro, exceto que além do chuveiro, que ficava dentro de um box de vidro transparente, havia uma grande banheira, o que seria ótimo para relaxar depois dos jogos de Quadribol, Harry pensou.

O banheiro tinha três portas. Uma dava para o quarto de Harry, outra para o salão comunal que dividiam e a terceira para o quarto de Hermione, Harry deduziu, e nesse momento Hermione abriu a porta, entrando no banheiro.

— Oi. – Harry disse sorrindo, ao que ela retribuiu.

— Vejo que você já encontrou nosso banheiro. – Hermione disse se aproximando dele e observando o banheiro.

— Já vou avisando. – Harry começou cruzando os braços. – A banheira é minha em dias de Quadribol. — Hermione o olhou perplexa e com uma sobrancelha levantada.

— Harry James Potter, quem é que te deu benefícios quanto à nossa banheira? – Ela disse rindo e lhe dando um tapa no ombro. Harry contornou a garota e caminhou em direção à porta do quarto dela, entrando num quarto que era uma réplica do seu, porém com a janela à direita e com lençóis e cortinas num tom dourado pálido.

— Harry! Você tem um espelho de corpo inteiro?! – Harry ouvir Hermione protestando de dentro do quarto de Harry, e observou que o quarto de Hermione de fato não tinha nenhum espelho à vista. – Lamento informar, mas se você vai ter benefícios para usar a banheira fique sabendo que vou usar seu espelho. – Ela disse atravessando as portas do banheiro e voltando para seu quarto, perto de Harry.

— Fique à vontade. – Harry disse sorrindo para ela. – Vou desfazer minhas malas. – Ele disse voltando para seu quarto. Hermione acenou para ele e foi desfazer suas malas também.

*Manhã seguinte* *Draco’s POV*

Draco deixou o Salão Comunal da Sonserina ajeitando sua gravata verde e prata do uniforme e caminhou tranquilamente pela primeira vez em muito tempo pelos corredores de Hogwarts.

Seu último ano em Hogwarts tinha sido cinza. Draco havia se tornado um Comensal da Morte, apesar de nunca ter desejado se tornar um. Mas ele sabia que não teria escolha quando a hora chegasse. Para a segurança de seus pais e de si mesmo, ele havia aceitado a responsabilidade e o fardo que o Lorde das Trevas havia lhe incumbido. Ele deveria matar Dumbledore e implantar o armário sumidouro na Sala Precisa, formando uma passagem para que os Comensais invadissem Hogwarts.

Ao contrário de Lúcio Malfoy, Draco sentia grande admiração por Dumbledore, e reconhecia que ele era um dos bruxos mais poderosos que já vagou na Terra. A última coisa que desejava era ser o responsável por sua morte. Confrontá-lo pessoalmente seria idiotice, considerando que Draco tinha apenas dezesseis anos na época, e se comparado em destreza e habilidades mágicas com Dumbledore, não representava a menor ameaça.

Mas Draco tinha a vantagem de conhecer uma série de feitiços e encantamentos das trevas, o que permitiu que enfeitiçasse Cátia Bell para que entregasse um colar amaldiçoado ao diretor. Quando essa tentativa falhou, ele se sentiu ao mesmo tempo aliviado e preocupado. Ele sabia que isso tinha lhe ganhado algum tempo, mas também sabia que irritaria Voldemort.

Pouco tempo depois ele envenenou uma garrafa de hidromel que Slugorn daria de presente a Dumbledore, o que também havia falhado. Draco sabia que poderia contar com a ajuda de Snape, mas se tinha alguém que Draco detestava mais que Voldemort naquele momento, esse alguém era Snape.

Ele sempre tinha admirado o mestre de Poções e diretor da Sonserina, mas quando soube que Snape era um Comensal da Morte, passou a desprezá-lo. O que era irônico, considerando que Draco também tinha se tornado um pouco tempo depois. Mas ele era incapaz de aceitar a ideia de alguém que alguém ser tão duas caras. Como era possível que Snape tivesse conquistado plena confiança de Dumbledore enquanto agia nas suas costas, servindo a Voldemort desde o princípio. Draco não teve tempo para pensar em uma nova tentativa para assassinar Dumbledore. A hora tinha chegado. Os comensais tinham usado a passagem estabelecida entre a Borgin e Burkes e a Sala Precisa, e Draco não teria escolha a não ser enfrentar Dumbledore.

Ele tinha sido capaz de desarmá-lo. Dumbledore nem sequer parecia lutar. Draco não foi capaz de mata-lo. Snape se encarregou disso, e nos meses que se seguiram a vida de Draco se transformou em um inferno. A Mansão Malfoy havia se transformado em um covil dos Comensais da Morte, e Draco viu todo tipo de atrocidade acontecer no lugar que costumava ser seu lar. Assassinatos, tortura.

Tortura. – Draco se lembrou de quando Hermione havia sido torturada por sua tia bem na sua frente. Naquele momento ele havia decidido mudar de lado na guerra. Ele sempre havia sentido algo por Hermione Granger, mas o fato de ela ser filha de trouxas tornava impossível que ele se relacionasse com ela.

Mas Draco não conseguia ficar longe dela, a implicando desde o primeiro ano como forma de expressar sua frustração por não poder mostrar como se sentia verdadeiramente em relação a ela. Era uma sangue-ruim, e Draco havia sido ensinado a desprezar bruxos sem descendência mágica.

Com a idade e o amadurecimento, ele passou a implicar menos e menos com Hermione. Não eram mais crianças, afinal de contas. Vê-la ser torturada quase acabou com ele, e ele teria amaldiçoado Belatrix naquele instante, mas sabia que ela era consideravelmente mais poderosa que ele e Hermione, e os dois acabariam mortos.

Quando os Comensais chegaram à Hogwarts, carregando o corpo de Harry, Voldemort tinha dado aos estudantes e professores do castelo uma escolha. Misericórdia em troca de se juntarem a ele. Lúcio tinha o chamado naquele momento, mas Draco não se moveu. Ele não lutaria mais ao lado de pessoas capazes de ferir inocentes como Hermione. Mesmo que isso custasse sua própria vida. Ele lutou ao lado da Ordem, e nunca se arrependeu de sua escolha.

Quando a guerra acabou, ele foi julgado por ser um Comensal da Morte, e recebeu o perdão do novo Ministro da Magia, considerando as circunstâncias de suas ações. Seus pais haviam fugido, e Draco se encontrou sozinho na Mansão Malfoy durante as férias, somente ele e os elfos domésticos, os quais ele não maltratava mais. Não precisava mais agir para agradar seus pais, ou Voldemort, ou quem quer que fosse. Era livre para finalmente agir de acordo com seus ideais e opiniões.

Agora, de volta à Hogwarts, ele sentia vontade de correr atrás de deus desejos mais profundos. Hermione Granger, para ser mais preciso. Não importava se ela o rejeitasse, o que ela provavelmente faria, considerando a forma como ele a tratou durante todos os anos de Hogwarts. Mas Draco não tinha mais nada a perder. Seu orgulho pouco importava. Ter estado tão próximo da morte de fato mudava as pessoas, Draco pensou consigo mesmo, enquanto caminhava até o Salão Principal para o café da manhã.

Draco queria uma oportunidade para falar com ela. A lista de coisas pelas quais tinha que se desculpar era maior que sua consciência gostava de lembrar. Draco esperava ter várias oportunidades para falar com ela depois disso. E fazer outras coisas além de falar.— Ele pensou com um sorriso no canto da boca. Não importava o que tinha acontecido antes da guerra. Não importava se ela fosse filha de trouxas ou de Merlin, Draco iria atrás dela. Isto se ela não estivesse envolvida com Weasley, o que ele suspeitava que tivesse acontecido depois da guerra.

Draco achava difícil de compreender qual era o problema com os dois amigos, Potter e Weasley. Hermione sempre esteve ao lado deles, os apoiando em toda a série de apuros que enfrentaram ao longo dos anos. Era uma pessoa brilhante, inteligente, além de uma garota muito, muito bonita. Isso além dela os ter ajudado com os estudos durante todos os anos. Draco desconfiava que eles não seriam capazes sequer de se formar em Hogwarts sem a ajuda da garota, que por sinal era a única pessoa com notas melhores que as suas, ano após ano. Apesar de tudo, nem Potter nem Weasley pareciam demonstrar interesse nela, se envolvendo com garotas como Chang e Lilá Brown. Patético.— Draco pensou.

Será que eles achavam que garotas como Hermione davam em árvores? Pois ele certamente não pensava da mesma forma. E estava disposto a mostrar a ela.

Draco passou pelas portas do Salão Principal e correu os olhos pela mesa da Grifinória enquanto caminhava em direção à mesa de sua casa. Hermione estava sentada ao lado de Potter, e se virou para olhá-lo quando ele entrou no Salão. Draco olhou profundamente em seus olhos castanhos e deu um sorriso discreto para ela, ao qual ela retribuiu. Hermione era capaz de perdoar até mesmo o mais cruel dos homens. Graças a Merlin.— Ele pensou enquanto se sentava para o café da manhã.