O RENASCER DA FLOR DE FERRO As Cinzas do Passado
31 O Nó Eterno
O céu sobre a Fazenda Nóbrega não poderia estar mais radiante. O aroma de maçãs maduras e jasmim flutuava no ar, misturando-se ao cheiro de terra fresca e festa. O chalé que Maurício construíra estava finalmente pronto, decorado com ramos de oliveira e flores do campo — as favoritas de Elena.
Não era um casamento de porcelana da Capital; era um casamento de ferro, lã e verdade.
No Quarto da Noiva
Jasmine terminava de prender o véu de Elena. O vestido não era de seda importada, mas de um linho finíssimo, com detalhes em renda que a própria Elena tecera nas noites de insônia.
— Você está deslumbrante, Elena — Jasmine sussurrou, emocionada. — Maurício não vai conseguir respirar quando te vir.
Elena olhou para o bracelete de prata em seu pulso, o presente de Maurício.
— Eu só quero que ele veja a mulher que eu sou, Jasmine. Sem fantasmas entre nós.
— Os fantasmas foram exorcizados naquele dia em que ele a defendeu — Jasmine sorriu. — Hoje, você não é apenas a noiva dele. Você é a alma desta fazenda.
O Altar sob a Macieira
Maurício esperava diante do padre, sob a grande macieira onde tudo começou e onde tudo, finalmente, se transformava. Ele vestia um terno cinza-chumbo, o cachecol azul que Elena lhe dera guardado como um amuleto no bolso interno.
Heitor aproximou-se do irmão, ajustando a flor na lapela dele.
— Nervoso, Martinez? Nunca te vi suar nem diante de um touro bravo.
Maurício soltou uma risada curta, os olhos fixos no início do tapete de pétalas.
— É um medo diferente, Heitor. É o medo de ser feliz demais. Eu passei tanto tempo no escuro que a luz dela às vezes me cega.
— Pois se acostume com o brilho — Heitor deu um tapa no ombro do irmão. — Ela está chegando.
A música começou. Elena surgiu ao lado de José, que a conduzia com um orgulho que transbordava. Quando os olhares de Maurício e Elena se cruzaram, o mundo ao redor emudeceu.
Os Votos
O padre proferiu as palavras sagradas, mas o momento em que os convidados prenderam a respiração foi durante os votos pessoais.
Maurício segurou as mãos de Elena. Suas mãos, antes gélidas e calejadas pela amargura, agora estavam quentes.
— Elena... Eu vivi muito tempo em um castelo de sombras, acreditando que o amor era uma condenação. Você entrou na minha vida não com delicadeza, mas com a força de uma tempestade que limpou o meu céu. Você me deu um tapa quando eu precisei acordar e me deu a sua mão quando eu decidi caminhar. Eu prometo ser o seu protetor, o seu sócio e o seu maior admirador. Este bracelete é o símbolo da minha linhagem, mas você é o símbolo da minha vida.
Elena sentiu as lágrimas escorrerem, mas sua voz não falhou.
— Maurício, eu não prometo ser a sua sombra, nem a sua memória. Eu prometo ser a sua realidade. Prometo tecer o nosso futuro com a mesma paciência com que teço a minha lã. Eu não amo o Duque, eu amo o homem que trabalha a terra e que aprendeu a sorrir de novo. O meu "sim" não é um contrato; é a minha alma escolhendo a sua, todos os dias, até que a terra nos receba de volta.
— Eu os declaro marido e mulher — anunciou o padre. — Pode beijar a noiva.
Maurício não hesitou. Ele a puxou pela cintura, um beijo que carregava toda a paixão represada e a promessa de um novo começo. Os convidados explodiram em aplausos, e Heitor assobiou alto, fazendo Jasmine rir.
O Banquete e a Celebração
A festa foi longa. Mesas fartas sob as árvores, vinho da melhor safra e música que fazia até os criados dançarem. Durante o brinde, Heitor levantou a taça.
— À nova Sra. Martinez! — gritou Heitor. — Que ela continue tendo a mão pesada para os erros do meu irmão e o coração leve para as nossas festas!
Maurício riu, abraçando Elena por trás enquanto observavam a alegria da família.
— Você ouviu o meu irmão, Sra. Martinez? — ele sussurrou no ouvido dela. — Ele acha que você manda em mim.
Elena virou a cabeça e lhe deu um selinho rápido.
— Ele não acha, Maurício. Ele tem certeza. E agora, vamos dançar? Ou o "urso rabugento" ainda tem vergonha de mostrar seus passos?
— Para você, minha senhora... eu dançaria até sobre as brasas.
Eles entraram no meio do círculo de dança, dois corações que encontraram a paz no lugar mais improvável: nos braços um do outro, onde o passado era apenas uma história contada ao pé do fogo, e o futuro era um campo fértil esperando para ser plantado.
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