GLADIUS ANIMÆ: CANTO I – PHOENIX

Em dias já esquecidos, antes que o Sol brilhasse no Mundo Material Inferior, havia, acima do Oceano que dá cor ao Firmamento, a Luz; numa Terra Sem Fim onde as montanhas se ergueram ao Paraíso; do Fogo Divino eram feitas e brilhavam sem se apagar. Sob a luz das montanhas nasceu uma Fênix, a primeira de sua raça. Tal como os mortais fariam algum, pensava, sentia e ansiava; odiava e destruía. Foi assim até ser subjugada e usada como uma ferramenta nas guerras de seus jovens senhores. Privada da liberdade e dos céus de onde fazia chover fogo, a Fênix esperou pacientemente, até que os Cavaleiros se mudaram para uma Terra Abandonada, descendo das montanhas quando as luzes do mundo se enfraqueceram.

Da ruína e das trevas a ave se ergueu, em seguida mergulhou dos céus até o Mundo Intermediário, trazendo consigo fogo, enxofre e a morte. Os Três Mundos porém, eram por direito domínio dos mortais e, cobiçando sua majestade, arrancaram-lhe brutalmente a carne e penas de seus ossos, roubaram sua luz… em glória, Excalibur reluz.


GLADIUS ANIMÆ: CANTO II – EXCALIBUR, PRIMA

Em éons já esquecidos, quando houve Bellum Stellarum – a Guerra das Estrelas – um dos grandes astros caiu desde o Paraíso e adentrou no tempo, Astron atravessou o Mundo da Luz e pousou no Mundo Médio envolto em chamas. Sua chegada ergueu pó e fumaça as alturas, obscurecendo os céus. Fragmentos de suas vestes brilhantes, se espalharam pelo mundo intermediário e foram cobiçados. Isto aconteceu antes que houvessem homens para testemunhar o funeral da glória de Astron. Muitas gerações caminhariam e seriam mortas por feras antes que o Reino de Cristal fosse revelado. O sangue dos homens acendeu um brilho oculto sob a terra, algo que lhes deu força para niciar Bellum Draconicum – a Guerra dos Dragões.

Perto do final da guerra, Excalibur, ainda em carne, osso e luz, caiu com estrepto sobre os reinos jovens dos homens. Em sua descida desastrosa, um abismo se formou e revelou a glória de Astron e fragmentos das vestes da estrela foram empurrados e afundaram ainda mais, percorrendo tanto por terra quanto pelo Oceano Subterrâneo, até chegarem ao firmamento de um mundo inferior e ali ficaram presos, incrustados em seu Oceano Celeste: preciosas joias por onde a luz dos mundos superiores penetra até o degrau mais baixo da criação.

No Mundo Acima das recém-formadas Estrelas, uma lâmina se ergueu da morte, ela, e apenas ela conhecia o segredo do Reino de Cristal, das cinzas do domínio dos homens, ela o revelou.


GLADIUS ANIMÆ: CANTO III – NOCTAVOTUM, PULCHRA

Ainda haviam alguns dragões expirando fumaça no Mundo Médio quando as lâminas da alma foram forjadas para se oporem ao Reino de Cristal, entretanto, apenas duas permaneceram fiéis a seu propósito. A quarta espada se tornou, ao mesmo tempo, egoísta e refinada demais para se sujar em batalhas e, por isso, sua luz não diminuiu. E somente quando Bellum Lucium– a Guerra de Luzes – já havia terminado, é que fora entregue a um portador, a guerreira selvagem e bela como uma serpente que paralisa seus inimigos com o olhar; adornada com os símbolos tribais, tinha pele tão negra como a noite mais escura, ainda que a mesma parecesse tão clara como o dia, se comparada ao seu coração.

Com prazer ela recebeu Vorpal; com paciência, refinou-se em combate; com graça, prevaleceu; e, em soberba, assassinou os alquimistas que forjaram as antigas lâminas, para que jamais houvesse outra que se assemelhasse a sua beleza; todos deveriam amá-la ou temê-la.

Aqueles longos cabelos na cor do ébano se tingiram de dourado com o sangue dos portadores assassinados. Noctavotum porém, jamais empunharia lâminas sem classe, tampouco as permitiria a novos portadores, assim, apenas ela governou os quatro reinos, mantendo-os em paz e em trevas enquanto duraram seus dias.


GLADIUS ANIMÆ: CANTO IV – DRACONES IMPERFECTI

Após as trevas, o Mundo Médio se dividiu e mais uma vez as duas lâminas foram empunhadas equilibrando os poderes. Tomando o sangue do último nobre, Ascalon tornou-se a mais afiada e o equilíbrio pendeu para o Trono Congelado. Nyxia era, externamente, o perfeito oposto de Noctavotum, a tirana de outrora, tinha porém, um coração era igualmente preenchido de trevas e desejo de sangue, recebendo o título de Tɛnɛbravotum, a mais bela de seu tempo, aquela que entregou o próprio sangue a luxúria e a deturpação da carne.

O domínio dos dragões retornou, ainda que,diferente do passado,os nobres não voassem mais pelos céus senão, apenas arrastavam-se pelo poeiracomo vermes famintos. O sangue vermelhoos transformou em meras sombras que atocaiavamanimais e crianças. Somente quando testemunhou a vil raça que ajudara criar beber o sangue de todos os que lhe eram preciosos, é que o arrependimento perturbou as trevas daquele coração.


GLADIUS ANIMÆ: CANTO V – INTERFECTRIX DRACONUM

Vermes desprovidos de propósito multiplicavam-se em buracos e cavernas: bosques, outrora verdes e repletos de vida e canto de pássaros, foram silenciados, e as árvores tornaram-se negras e frias com a tristeza de se nutrirem com os cadáveres dos inocentes. Répteis desformes, nascidos da perversão foram chamados de Dragões unicamente por terem sido trazidos a vida a partir de sangue nobre, tão Imperfeitos quanto abomináveis. Longe da Terra Congelada, abaixo do Sol Eterno, uma Elite de cabelos escarlate caçava-os por vingança, Aquila, a Matadora de Dragões.

Durante a criação do Reino de Cristal e a extinção do Mundo Médio, Aquila arrastava-se para fora de um dos ninhos, após tê-los chacinado, sem saber que muitas colônias ainda existiam ao redor, e o cheiro do sangue os atraiu para fora; teria morrido ali mesmo, não fosse a chuva fria de Ascalon.


GLADIUS ANIMÆ: CANTO VI – ULTIMUS PORTANS

Excalibur retornou e, em sua fome, devorou bilhões de vidas. Mas, mesmo um mal tão terrível como este, é apenas outro instrumento nas mãos do Criador e, depois de cumprir o propósito para o qual foi permitido seu retorno, uma punição foi decretada. A lâmina se recusou a desistir e planejou fugir para o mundo material inferior. Seu intento era derrubar os Cristais do firmamento até a Terra e criar um segundo Reino de Cristal.

Mais uma vez, as duas Lâminas da Alma se uniram para detê-la e um novo portador para Bar-Jônica foi escolhido no Mundo Inferior. Por terra e mar, ela cortou e ao seu punho chegou. Esta não foi a primeira Lâmina a tocar este mundo, duas já haviam sido forjadas na Terra: a responsável por fazer o mar se elevar e engolir as praias, e sua irmã, culpada por derreter o gelo do mundo e alimentar as Águas Antigas.

Com o sacrifício daquela que poderia se equiparar à lâmina viva, a luz de Excalibur se enfraqueceu, permitindo que o destino fosse adiado por um simples punho…

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.