O Réquiem de um Homem Morto
2 Eu encontrei a morte... ela era bonita!
Notas iniciais
Que aquela era a Morte eu sabia,
apenas não sabia como,
sem saber de nada,
daquilo eu sabia.
Frente aquele edifício
estava o que poderia ser
uma pequena garota parada.
Tal garota, de todas, seria
a mais bonita que eu veria.
Aquela por quem fatalmente,
sem ponderar, me apaixonaria.
Loira dos reluzentes cabelos
brilhantes perante a luz lunar
refletindo toda a sua beleza
sobre meus olhos a eles fitar.
Quando desço os olhos
olho os castanhos olhos
vazios e sombrios
que me olhavam a alma.
Não poderia ser ela,
aquela quem me mataria.
Sem arma, intenção,
ação nem reação,
parada permanecia.
”Espírito que espreita às noites” -
Disse iniciando diálogo -
“Por minh‘alma está aqui,
disso compreendo,
mas acima de tudo não entendo,
o porquê dentre todos,
me escolheste!?”
“Mortal do ego de um deus” -
Com sua fina e linda voz me repreendeu -
“Compreendes como tua vida é escusada,
portanto não fiques aí baldado,
pois logo em seguida
o livrarei de seu fardo.”
“Certeza é que em minha vida
esperanças não são depositadas,
mas não é suficiente motivo
para subitamente findá-la.”
A tensão continuava,
se não se agravava,
no diálogo do morto
contrariando a Morte.
“Vide o hipócrita, implorando a vida.
Foste abençoado com uma
e a desperdiçaste.
Querer é poder, então
não podes negar
que sua alma, até
o último do sino badalar,
de ti irei tomar.”
“Se já carregas no destino
o caminha de minh‘alma,
então para réquiem
sem tom, sem letra,
vou lhe cantar.”
Ela ficar parada,
fora o suficiente
para que eu, contente,
pudesse continuar.
Agora imploraria à Morte
a minha vida, a vida
a qual nunca amei
como hei de amar.
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