O Réquiem de um Homem Morto
1 Eu devo encontrar a Morte
Com a vida já não mais me importo.
Qualquer sonho ou esperança
declaro como ilusório.
Por que deveria seguir com meu corpo,
se de estado de espírito me condeno um morto?
Por vezes paro pensativo
indagando sobre a vida,
em consequentes tentativas,
tantas falhas e cansativas,
de achar um caminho.
Respiro sem querer,
escuto sem querer,
vejo sem querer,
ando sem querer.
Repugnar qualquer ação
é apenas um ato em vão.
Barreiras que nos são impostas,
mal sabemos que são
provenientes de nossas costas.
Grades que sufocam o ar
e nos tiram espaço de se movimentar.
Dê-me um motivo para seguir,
há algum lugar para o qual devo ir?
Hoje só posso buscar
pela bela utopia que assenta distante,
que em um fechar de olhos
a contemplo em um instante.
Talvez em meu próprio tabuleiro
eu possa jogar xadrez.
Mudar o cavalo para cavaleiro
e exercer meu poder,
sem limites do que reescrever.
Mas não queria um mundo
do vazio oriundo.
Queria um único guia
quem me conduziria
a esta nova fantasia.
Não há quem diria
que aquele meu guia
ninguém menos seria
que quem me mataria.
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