Notas iniciais
Queridos, paixões da minha vida. Esse capítulo é dedicado a todos que estão comentando, que me apoiam e em especial a ClaudiaMonteiro35. Obrigada.

Capítulo 59

Carlisle se sentia em um espiral de sentimentos confusos, parecia estar em uma realidade paralela qual observava sua própria vida passar diante dos seus olhos e não tinha controle algum dos acontecimentos. Seu direito de decisão parecia ter sido arrancado de suas mãos a força e agora dependia de terceiros, terceiros esses que não conseguia decidir se eram bons ou ruins.

Não sabia há quanto tempo estava sentado na sala olhando para as chamas da lareira do seu escritório, talvez mais de três ou quatro horas. Quando saiu da casa do sobrinho havia dirigido por horas sem nenhum caminho em foco, seu celular tocou durante a noite toda e não fez questão de pega-lo, precisava ficar longe de tudo por alguns segundos, colocar seus pensamentos em ordem e decidir o que poderia fazer.

Ao passar pelo portão de casa percebeu estar sozinho e foi direto para seu escritório, as diversas fotos da família nas estantes e em cima de sua mesa não o acalmaram, pelo contrário, ao se dar conta de que sua princesinha tinha perdido tantos momentos com eles o deixou revoltado e toda a decoração foi ao chão em segundos junto com um grito sufocante. Um pedido de socorro a qualquer pessoa que poderia ajuda-lo a entender o que afinal estava acontecendo.

Sentia o peso da impotência por ter fracassado com sua família, há muito tempo fez a promessa de encontrar sua filha, revirou meio mundo e nem uma notícia apareceu. Seu irmão provavelmente sabia de algo, pois, estava indo atrás de James em Chicago, mas morreu antes de conseguir explicar sobre o que se tratava e depois dessa nenhuma pista foi esclarecida, não até James gritar para todos que havia assassinado sua filha, seu irmão e sua cunhada. Nada se compararia a dor que sentiu naquele dia, ao desespero que o dominou, teve que ser forte por sua família, mas agora não conseguia mais.

Não Conhecia a história de Isabella ao todo, sabia que era adotada e sofreu abusos quando criança, mas a profundidade do que Esme havia revelado em poucas palavras o derrubaram. Desde a primeira vez que a viu sentiu um carinho pela moça, no entanto, nunca tinha nutrido o sentimento de que ela fosse sua menininha, manter a esperança em algo que não era real não parecia saudável, seria loucura, ainda parece loucura.

Sentiu lágrimas escorrendo pelos seus olhos e as forçou pararem, não podia deixar que seu sentimentalismo tomasse a frente e o dominasse, precisava ser racional, precisava de uma prova concreta e de evidencias reais. Sem dúvidas, Charlie Swan poderia lhe dar as informações que precisava, ele deveria esclarecer tudo o que tinha acontecido e como.

Resignado se jogou no sofá com a última lembrança que tinha da filha, um desenho desforme da família completa, era quase insuportável olhar para aquela imagem, se lembrar da época em que eram uma família feliz e completa.

–Pai?

Não ousou levantar a cabeça, não queria parecer fraco diante dos filhos.

–Pai, precisamos conversar.

Emmett entrou no escritório desviando dos cacos de vidro, não entendia o que estava acontecendo com seus pais, sua mãe se trancara no quarto e não falava com ninguém e agora seu pai se mostrava tenso e distante de uma forma que nunca havia presenciado.

–Me deixe sozinho, Emmett, por favor.

–Me conte o que está acontecendo. – pediu se aproximando dele – Eu quero ajudar você e mamãe, mas se não nos falam nada como iremos fazer algo?

–Eu preciso resolver isso sozinho. – apertou a mão do filho – Ao menos por agora, quando tiver certeza, prometo que falo com você sobre tudo.

–Você não está sozinho. Somos uma família e devemos enfrentar qualquer coisa que seja juntos.

O homem mais velho deu um sorriso triste para o filho e encarou as chamas da lareira.

–Como você reagiria se te contasse que temos uma pista de Melanie?

A boca de Emmett foi ao chão e tratou de reunir seus pensamentos rapidamente.

–Acho que ficaria aliviado... Apreensivo... Feliz.

–Nós temos uma suspeita importante sobre sua irmã. Algo que nos diz que ela está bem mais perto do que imaginávamos.

–Então, ela estaria viva? – Carlisle assentiu – Mas James disse que a matou e pelo olhar dele eu não duvidaria, aquele homem é louco.

–Ele não a matou, Emmett. Ele a torturou fisicamente e psicologicamente. Se minhas suspeitas estiverem certas em breve sua irmã estará conosco.

–Se você sabe onde ela está por que não vamos até lá. Faremos um exame de DNA, temos que fazer qualquer coisa para descobrirmos.

–Eu queria que fosse tão simples assim, mas prometo que farei de tudo para resolver esse quebra-cabeça. Se essa menina for a nossa Mel, ela voltará para onde nunca deveria ter saído e os responsáveis por tê-la levado irão pagar.

Resignado, o grandão concordou ainda em choque.

–Tudo bem, confio em sua palavra. Mamãe está no quarto, vá ficar com ela, acho que ela precisa de apoio agora, todos sabemos como ela sofreu e ainda sofre com tudo isso. Se não fosse por Bella, não sei o que seria dela.

–Sim. Realmente Isabella tem sido um anjo em nossas vidas.

Um anjo que havia sido devolvida para seu lugar de direito. O destino se encarregou de trazê-la de volta e ele cuidaria para que não saísse mais.

–Tome um banho quente e durma um pouco. Amanhã conversamos sobre isso porque quero estar presente em tudo o que descobrir.

Com um aceno contido ele se levantou seguindo o caminho para o quarto que dividia com a esposa, como no fatídico dia ela estava deitada encolhida em um canto da cama. Não entendia como um dia maravilhoso tinha acabado assim, logo quando não existiam mais esperanças.

–Ela é a nossa menininha. – Esme resmungou quando a porta se abriu.

–Existe uma chance, querida.

–Eu sempre senti que ela era, mas não queria criar uma ilusão. Hoje ela me chamou de mãe, meu coração bateu tão forte, Carl. Eu quero tanto a minha menininha de volta, quero abraça-la com força, prendê-la nos meus braços.

Ele suspirou e se deitou a abraçando forte.

–Liguei para Eleazer e pedi para fazer uma investigação sobre a adoção de Isabella, preciso que alguém de fora descubra o que aconteceu, depois, quando ela e Edward voltarem da lua de mel, conseguirei um modo de solicitar o exame de DNA.

–Claro. – se virou e deixou um beijo suave em seu rosto – Eles deram a ela o que eu não tive, estiveram com ela em todos os momentos e eu não. Perdi tanta coisa da vida dela e mesmo que hoje estivesse com ela durante seu casamento, ainda não parecia que tudo estivesse completo, não estava no lugar certo.

–Calma, amor. Calma. – esperava obter respostas o mais rápido possível porque com a raiva que estava derrubaria o mundo para descobrir tudo – Dessa vez não irei falhar com você e muito menos com nossa princesinha, prometo, darei minha vida para que isso aconteça.

–Eu só a quero de volta dentro dos meus braços.

–Vamos ter a nossa Mel de volta. Eu cuidarei de tudo.

–Eu acredito nisso, Carl. Nunca duvidei da sua palavra.

Aquelas palavras doeram, ele sabia que havia falhado no seu dever como pai e marido. Tudo seria mais fácil se tivesse cuidado melhor da sua família, mas agora que existia a chance de resolver tudo não fracassaria.

~//~

–O seu pai está bem?

Emmett olhou para a esposa e a ajudou tirar o vestido, tudo ficava difícil por conta do tamanho de sua barriga proeminente, principalmente agora que estavam na reta final de sua gravidez.

– Pra falar a verdade acho que não. Ele estava estranho e o escritório dele destruído, nunca o tinha visto tão devastado... Não desde...

–O desaparecimento da sua irmã?

–Sim. E incrivelmente dessa vez é a mesma coisa, mas parece que teremos boas noticias.

–Descobriram alguma coisa?

–Meu pai tem uma pista de que Mel possa estar viva e bem perto de nós. Ele não me disse muita coisa e foi evasivo quando tentava aprofundar o assunto.

–Se isso for real, talvez só quisessem ficar sozinhos para tentarem colocar as peças no lugar, afinal, todos precisam de um pouco de espaço. Deixe-os por alguns instantes, eles são grandes o suficiente para lidarem com seus problemas.

–Não quando se trata da minha irmã caçula. Meu pai e Mel eram muito próximos, mais do que eu e Alice poderíamos nos tornar juntos. Um era à sombra do outro e quando aquilo aconteceu uma parte do meu pai também se foi, ele nunca mais sorriu verdadeiramente.

Emmett suspirou abraçando a esposa e deixou um beijo em seus cabelos.

–Durante todos esses anos eu pensava nela, em como as coisas seriam diferentes de ela tivesse crescido conosco, tenho medo que meus pais se decepcionem caso essa suspeita não dê em nada ou se ela não nos aceitar.

–Tenha fé, Emm. Você tem que acreditar que existe uma possibilidade, mesmo que pequena. Carlisle e Esme precisarão de você e Alice para passar por essa tempestade. Sei que não será fácil, mas somos uma grande família e isso é o que importa.

–Quando nossa menina nascer não vou deixar que nada aconteça a ela. Irei protegê-la com a minha vida.

–Eu sei disso, ursão. Você será um excelente pai.

Com um sorriso tranquilo acariciou sua barriga, era difícil que sua garotinha se mexesse, ela era muito calma e eram raras as vezes que chutava, deveria ter puxado a família de Rosalie, porque na sua todos eram agitados.

–Gostou do casamento?

–Sim. Bells estava linda e Edward parecia muito feliz consigo mesmo, ainda mais porque não teve que arrastar Bella pelos cabelos para a caverna mais próxima.

Emmett riu imaginando a cena. Seria bem típico de seu primo fazer isso, ainda mais com aquela baixinha teimosa a quem tanto amava.

–Quem diria que meu maninho irritante estaria casado em tão pouco tempo.

–Pois é. – se sentou na penteadeira tirando as joias – Até os maus humorados amam.

–E amam de uma forma diferente. Eu não sei o que seria de Edward sem a Bella. Os dois se completam, eu sempre pensei que ele nunca se casaria e esperaria eternamente por Mel.

–Talvez o papel de Bella tenha sido amenizar a dor em que a família vivia. – disse suavemente – Desde que conheço vocês, nunca vi todos tão em paz como agora. Esme tem um sorriso brilhante, Carlisle está mais calmo, Edward se abriu, descobrimos o tipo de cobra que James era e agora temos uma pista sobre sua irmã. Isso não pode simplesmente ser obra do acaso.

–É porque não é. Isabella tem algo que ajudou a todos e se pudesse escolher sobre como seria a minha irmã, gostaria que fosse como ela.

–Inteligente, sagaz, alegre, engraçada e teimosa como uma mula, assim como todos os Cullen. – fez uma careta – Não me surpreenderia se descobríssemos que teimosia faz parte dos genes da família.

O grandão riu do seu comentário e beijou sua cabeça, não via logo a hora de segurar seu bebê no colo a acalentá-lo, sendo teimosa ou não, cuidaria da sua bebê, precisaria de ajuda para lidar com todos os marmanjos que iriam cair em cima dela. Talvez devesse comprar uma arma.

–Acho que deveríamos pensar nos nossos futuros filhos. – comentou.

–Por quê? Essa ainda nem nasceu e já está querendo me engravidar de novo?

–Sim. Vamos precisar de muitos meninos para cuidar de você e da nossa menina. Pelo menos uns cinco.

Rosalie apenas riu, seu marido nunca tomaria jeito, seria sempre um crianção no corpo de homem.

–Caso não encontremos Mel, gostaria de dar esse nome pra nossa menina. Você se importa?

–Claro que não, Emmett. Melanie é um lindo nome e muito significativo para todos, caso não a encontremos esse será sim o nome da nossa filha.

Sua felicidade começava a ficar completa, se sentia leve e curado, livre da culpa que carregava durante tanto tempo, esperava que tudo desse certo no final, oraria para que isso funcionasse e lutaria o quão fosse necessário caso necessário.

~//~

–O Dr. Cullen estava estranho. – Gabriel comentou jogado no enorme sofá do apartamento de seus pais com seu menininho no colo brincando com os botões da sua camisa – Ele saiu da festa correndo e parecia que tinha chorado.

–Ele me pediu para ver uma foto de Bella quando criança e praticamente desabou no chão quando a viu. Não entendi nada até agora.

–Bella comentou comigo que eles perderam uma filha. Talvez ver a foto dela em uma idade similar o abalou. Eu não sei que faria sem o meu campeão aqui.

O homem mais velho deu um sorriso condescendente ao filho e acariciou os cabelos do neto, amava aquele menino, também não sabia o que faria se tivesse perdido algum dos filhos, apenas a ideia disso causava um frio na espinha.

–Eles se apegaram muito a ela. Renée tem um ciúme monstruoso de Esme ao vê-la com sua irmã, não sei o que a motiva, mas toda vez que Bells a abraça, sua mãe quase espuma pela boca. Eu tive que segurá-la um dia desses.

O médico riu imaginando a cena, deveria ficar um pouco mais de tempo com seus pais em Nova York para ver sua mãe fazer isso. Renée era um amor de pessoa e nunca se exaltava com ninguém, foram raros os momentos em que ergueu a voz para os filhos e imagina-la com ciúme de outra pessoa por quem Bella tinha algum carinho devia ser cômico.

Desde que adotaram sua irmã, ela se tornou o xodó da família, a pessoa que todos deveriam proteger e amar. Renée nunca tinha lutado pela atenção da filha porque Bella não se deixava aproximar de ninguém, as únicas pessoas mais próximas eram da sua família e pouquíssimos amigos.

–Cullen já ligou para avisar se chegaram bem?

O melhor era mudar de assunto, se sua mãe os pegasse rindo dela se dariam mal e não tinha mais idade para ficar de castigo.

–Não e nem vai ligar. Nesses dias eles vão ficar incomunicáveis, Edward quer que Bella relaxe e aproveite por maior tempo possível a calma e tranquilidade longe dessa cidade.

–O que tanto ele quer esconder?

Charlie deu de ombros tirando os sapatos, não diria sobre seu futuro neto, essa era uma noticia que Bella e Edward deveriam dar e não ele.

–Ele percebeu que sua irmã está sobrecarregada. – comentou – Tem tido pesadelos, anda mais irritada e na defensiva, as crises de asma aumentaram.

–Faz tempo que Bella não tem uma crise. Ela está bem?

–Agora está. Esse tempo vai ajuda-la a se livrar do estresse.

–Assim espero. – resmungou intrigado — Eu deveria fazer algo assim para Maggie, leva-la para um lugar só nosso, longe de tudo e todos.

–Sempre é bom aproveitar o tempo que temos.

Ambos ficaram em silêncio, presos em seus próprios pensamentos. Para os homens Swan não eram necessárias palavras, pai e filho se conheciam muito bem para entender os gestos.

–Vão dormir na sala?

Renée sorriu ao vê-los cochilar no sofá. Os três homens da sua vida.

–Não, querida, estávamos apenas conversando.

–Claro. – direcionou um olhar incrédulo ao marido — Gabe, coloca o menino na cama, filho.

–Já vou, mamãe. Boa noite aos dois.

–Boa noite, meu filho.

Com um sorriso tranquilo no rosto deixou seu filho no quarto que seus pais prepararam para ele e o beijou no rosto apreciando seu sono inocente. Mesmo que Daniel não tivesse seu sangue não havia dúvidas de que era seu filho e o amava.

–Você está com o pensamento tão longe.

A voz doce de Maggie o fez sorrir imediatamente. Como algum dia pensou que indo para o outro lado do planeta conseguiria esquecê-la? Como pode ser tão tolo?

–Eu não sou muito emotivo. – a abraçou depois que se deitou – Mas o casamento de Bella me fez imaginar o nosso.

Ela sorriu e deitou a cabeça em seu peito, adorava quando ele falava esse tipo de coisas.

–O nosso também será perfeito, a nossa maneira.

–Eu sei, quero algo especial.

–Será especial, desde que estejamos no altar.

–Não faltaria por nada, querida.

–Não parece ser isso que o incomoda no todo, Gabriel. Me diga o que é, quem sabe não posso ajudá-lo?

Com um suspiro a apertou em seus braços tentando ordenar seus pensamentos.

–Estou com um mau pressentimento.

–Como assim?

–Não sei explicar, mas sinto que vem uma tempestade monstruosa a nossa frente, um furacão que vai destruir muita coisa.

–Eu nunca entendo quando você usa metáforas, Gabe. – protestou – Seja mais especifico, amor.

–Acho que sei quem são os pais de Isabella e não consigo analisar se isso vai causar mais danos que benefícios pra ela.

Agora tudo fazia sentido. Com a mente mais calma conseguia colocar seus pensamentos em ordem e analisar tudo o que estava acontecendo com mais facilidade. Não entendia como as coisas aconteceram, mas sabia que estava certo, sua hipótese parecia muito concreta para ser apenas uma coisa ao acaso.

–Deve ser apenas uma coincidência, afinal, fazem mais de quinze anos que seus pais a adotaram e naquela época não tinham pistas, por que teríamos agora?

–Eu sei e espero mesmo estar errado, mas algo grita dentro de mim que não estou e esse sentimento me assusta. Não quero que minha irmã se magoe, e principalmente que a machuquem novamente.

Maggie sempre tinha sido sua melhor amiga e confidente, desde o ensino médio, ela era dois anos mais nova que ele, mas mesmo assim a amizade entre eles era forte.

Já trabalhava no hospital universitário quando ela confessou que estava grávida do namorado idiota e abusivo, não gostava dele, sempre tinha dito que não era bom o suficiente para ela, mas como já não adiantava falar nada, simplesmente deixou para lá.

Foi um choque se ver com ciúme de uma pessoa que nunca havia enxergado como mulher, do nada queria que ela e aquele bebê fossem seus. Ela dizia amar o ex-namorado e não iria se meter em sua vida, deu apoio durante a gestação, ajudou a encontrar um bom emprego e assim que soube que o cretino havia se alistado no exército se sentiu mais calmo, não suportaria vê-lo maltratando uma mulher e uma criança.

Depois da morte do infeliz em campo, havia se declarado pra ela e pedido para assumir Daniel, mas ela negou retribuir seus sentimentos e pediu para que não a procurasse mais. Com o sentimento de rejeição ao máximo, decidiu auxiliar a força médica da ONU e se viu em meio a um caos em guerras civis, naquele momento era o mínimo que poderia fazer para tentar reconstruir um pouco do seu orgulho.

Tinha abandonado sua família por ela, deixado seu orgulho de lado, estranhamente foi o melhor tempo que poderia ter, porque ali, naquele inferno aprendeu a dar valor para tudo o que havia conseguido e tinha decidido que quando voltasse não iria mais atrás dela, não imploraria pelo seu amor. No entanto, isso não tinha acontecido.

Na noite em que chegou e saiu com alguns amigos da faculdade se viu preso em um bar movimentado com diversas mulheres ao se entorno, mas nenhuma era a morena, esguia, de olhos negros apaixonantes. Não adiantava negar que sempre fora apaixonado por ela e ao sair daquele lugar sufocante e trombar com ela na rua, abriu um sorriso em seu rosto.

Ela havia explicado que não queria dizer realmente tudo o que foi pronunciado naquela noite, que se sentia ferida pela perda do ex e depois da sua mudança havia admitido para si mesma que criara um sentimento muito forte por ele.

Sua irmã adorou a novidade, como sempre, tudo o que acontecia com um, o outro ficava sabendo, compartilhavam de muita cumplicidade e adorava isso, ela o apoiou com seu relacionamento e o induziu a dar um ponto final em tudo isso, e, foi o que fez, não se arrependia de nada porque agora em seus braços tinha a mulher da sua vida.

–Vai dar tudo certo, Gabe. – garantiu – E caso Bella se machuque você vai estar com ela para ajuda-la, ela sabe que pode contar com você pra tudo.

Sim, ela podia. Esperava que não fosse necessário a sua intervenção, não permitiria que nada e nem ninguém fizesse mal as pessoas que amava.

(...)

Disputa de guarda sempre era difícil, ainda mais quando os pais queriam a criança apenas para fins lucrativos, assim como acontecia agora. Um menino de dois anos, herdeiro de uma grande fortuna, sofrendo com a separação dos pais e a disputa pelo dinheiro que lhe pertencia. Era uma lastima ver esse tipo de situação e tentar encontrar uma forma de ver o seu bem estar acima dos interesses dos pais.

Charlie deu a sentença final da guarda passando integralmente para a mãe e os advogados combinariam agora as visitas agendadas. Essa parte sempre queria evitar, não gostava de ver como falavam de uma criança como se estivessem tratando de negócios.

Seu dia estava calmo demais, desde que se mudara para Nova York tinha presenciado um único momento assim e o temia, desde novo aprendeu que quando as coisas estavam muito tranquilas é porque vinham tempestades a vista.

No fim da tarde se arrastou até sua casa cansado e faminto, uma das poucas coisas que o aliviava era saber que sua menininha iria voltar hoje. Não podia acreditar que ela havia de fato se casado, era tão nova e inocente, esperava não ter que dar um fim no Cullen, porque se fosse preciso o faria sem peso algum na consciência, como pai era sua obrigação zelar pelo bem estar da filha e do neto.

–Renée, cheguei.

Como sempre sua esposa sorriu e o abraçou na entrada do apartamento.

–Como foi seu dia?

–Bom, na medida do possível.

–Sério? – questionou incrédula.

–Não. Foi terrível, não conseguia me concentrar e não via logo a hora de chegar em casa.

Renée olhou bem para a expressão cansada do marido e o sentou no sofá ajudando-o a tirar os sapatos, esse sempre tinha sido um gesto de carinho que compartilhavam desde o namoro e adorava fazer isso por ele. Adorava cuidar dele e dos filhos.

–Edward ligou avisando que estão chegando e virão jantar aqui.

–Isso é ótimo. – sorriu – Sinto tanta falta daquela pirralhinha que ainda é difícil de acreditar que ela se casou mesmo.

–Não fique assim. – fez uma voz de criança sentando em seu colo – Ela sempre será sua menininha, só que agora terá mais alguém para protegê-la.

Claro. Ele não era inocente o suficiente para acreditar que o Cullen apenas acalentava sua filha, sabia muito bem de onde vinham os bebês e por mais que estivesse nas nuvens por saber que seria avô ainda queria bater no infeliz por ter tomado tantas liberdades com Bella. Não entendia o motivo de os filhos crescerem tão cedo.

–Quando eles chegam?

Era melhor mudar de assunto do que ficar pensando nas liberdades que o imbecil tomava com sua menininha.

–As oito.

–Vou tomar um banho então, ver se desperto um pouco.

–Vai lá, amor.

Suspirando viu o marido ir em direção ao quarto, ele precisava de descanso, mas era difícil convencer aquele bigodudo a tirar férias. Ele amava o trabalho e acreditava que poderia salvar o mundo tomando uma decisão certa, sabia que o mundo não era possível, no entanto, a vida de uma criança inocente sim.

Revisou se tudo estava pronto para o jantar e colocou a mesa, ainda faltavam alguns minutos para as oito e aproveitou o tempo para terminar a salada. A campainha tocou e pensou em ir atendê-la, mas Charlie gritou que iria, então apenas deu de ombros.

Estava concentrada em picar o tomate quando o barulho de algo quebrando chamou sua atenção, largando tudo o que estava fazendo correu para a sala encontrando seu marido sendo agredido por Carlisle Cullen. Por poucos segundos ficou sem reação, até que Gabriel se interpôs entre eles tentando apartar a briga.

–Eu vou matar você.

–Você está louco? – seu marido rugiu se afastando dos punhos do médico – O que deu em você, Carlisle?

–O que deu em mim? – questionou exausto, mas ainda lutando contra o agarre de seu filho – Eu percebi que o homem que eu acreditava ser integro e honesto foi um dos culpados pelo desaparecimento da minha filha.

–Peraí, o que? Como assim?

–Isabella é minha filha. – rugiu tentando voltar a ataca-lo – Você não cumpriu a obrigatoriedade de procurar por parentes vivos dela quando a adotou, não se preocupou em saber se ela tinha uma família, uma família que estava destruída com seu desaparecimento e ignorou duas malditas leis.

Charlie ficou paralisado, não esperava por aquela acusação. Se lembrava perfeitamente do que o médico falava, quando decidiram adotar Isabella ainda existia o risco de descobrirem que os pais dela eram drogados abusivos e simplesmente não poderia permitir que voltassem a machuca-la.

Seu amigo de faculdade era juiz em Seattle e assinou os papeis que permitiam a adoção, no início estava um pouco relutante, mas depois de explicar as condições que havia encontrado sua menininha concordou com seu pedido.

–Como você pode ter tanta certeza que ela é sua filha? – Renée perguntou caminhando até o marido e segurando sua mão.

–Pela sua marca de nascença. Se Esme não a tivesse visto, nunca saberíamos.

Ele estava com raiva dos Swan. Não. Raiva era pouco, estava com ódio deles, talvez um que se igualasse ao que sentia por James. Queria destruí-los, desejava que eles sentissem na pele o que ele sentiu por mais de quinze anos.

Tantos anos de perda, de luto e sua filha agora estava próxima a eles novamente.

–Eu não quebrei nenhuma lei. – encontrou sua voz – Procuramos pelos parentes, mas não havia ninguém, não apareceu uma única pessoa para reclamar a guarda.

–Não fez porra nenhuma! – ele procurou pelo chão a pasta branca que Eleazer havia lhe entregado mais cedo e jogou no juiz – Tenho todos os documentos que comprovam que você não fez esforço nenhum para procurar minha família.

–Então os apresente na Ordem dos Advogados. – gritou não contendo seu temperamento, estava cansado desse homem o acusar. – Entre com um processo criminal contra mim. Solicite uma averiguação. Você se acha no direito de vir até a minha casa e gritar comigo por ter adotado minha filha, mas não sabe de nada o que há por trás disso. Não sabe nada sobre mim.

–Eu sei que se não fosse por você ela estaria em casa comigo agora. – avançou para ele e foi detido por Gabriel novamente – Não teríamos passado por metade dos sofrimentos que passamos. O desespero de não saber se ela estava viva ou morta, se estava com fome ou frio. Você fala como se ela fosse sua filha, mas não o é! Isabella Swan nunca existiu porque sempre foi Melanie Cullen.

–O bom doutor sempre quer estar certo. – riu sem humor – É fácil apontar o dedo para os outros quando não se sabe o que aconteceu. Pare de deixar seu ego falar mais alto e presta atenção na verdade.

–Do que está falando?

–Você sabe como eu encontrei Isabella?

Sua voz era irônica e não tentava esconder isso.

–Não importa como você a encontrou e sim que deveria ter devolvido minha filha para mim.

–Isso importa sim, é o fato mais importante e que seu relatório não mostra. Espere um pouco.

Com um puxão se livrou do agarre da esposa e caminhou até o seu escritório mexendo na gaveta que era trancada a chave. Sempre manteve o relatório policial da noite em que encontraram sua menininha. Parou por alguns segundos olhando a foto dela com Renée no natal em cima da mesa, não deixaria que aquele homem gritasse com ele e levasse sua filha para longe, não depois de todos esses anos. Ele não tinha esse direito.

Voltou à sala e colocou o arquivo em cima da mesa de centro se jogando no sofá, não tinha forças para mais uma disputa.

Com as mãos tremendo Carlisle leu folha sobre folha do relatório, dava para perceber que era o original por ainda ter o carimbo da delegacia de polícia e a folha envelhecida.

–Isso aqui só prova que a encontraram na beira da estrada. Você ainda foi conivente, cumplice de um sequestro e receptor de menores e será isso que vai estar escrito na sua ficha quando for preso.

–Você acha que eu sou um sequestrador? – riu sem humor – Meu filho encontrou uma menininha pequena, ferida, machucada e traumatizada em uma noite de inverno chuvoso que fazia quase dois graus, sentada ao lado de uma rodovia. Ela estava com frio e toda molhada, quando a peguei não conseguia parar de chorar, apenas ele a acalmava. Se você realmente acredita que sou um monstro, então você é um pai relapso que deixou sua filha ser tirada de dentro de sua casa, uma casa que provavelmente estava cheia de seguranças. Você quer saber por que não procurei por familiares? Foi simplesmente por causa disso.

Com um gesto mecânico o entregou as fotos dela na noite em que foi resgatada.

Carlisle engoliu um grito de horror. O rosto do seu pequeno anjo estava ferido, com diversos cortes, inchado e roxo em algumas partes. Pelo relatório médico conseguiu ler algumas partes mais importantes, traumas em suas costelas, hematomas nos braços, pernas e costas. Não conseguia acreditar que alguém fosse capaz de fazer isso com uma criança.

–Não poderíamos correr o risco de ir atrás da família dela e eles voltarem a agredi-la. Não permitiria que isso acontecesse novamente. Se quer me processar vá em frente, mas saiba que eu faria tudo do mesmo jeito novamente se assim fosse necessário.

–Sei que está revoltado, Dr. Cullen. – Gabriel se pronunciou pela primeira vez – Mas no momento o que ambos precisam é acalmar os ânimos, agir com a cabeça quente não vai beneficiar nenhum lado agora. Até porque, temos que pensar em Isabella também, em como ela vai se sentir com tudo isso.

Droga, não tinha levado por esse lado. Sabia que ela amava sua família, via Esme como sua mãe, então com certeza, ficaria feliz em saber que tudo isso era verdade.

–Ela vai nos apoiar. – disse firmemente – Melanie, voltou para casa. Para sua família que é aonde ela pertence. Com certeza eu vou processá-lo e nunca mais se aproximarão da minha filha.

Enxergando vermelho Charlie saltou acima de seu corpo fazendo com que ambos caíssem no chão em uma luta corporal, tentando extravasar a raiva e o rancor pelas palavras ditas ali.

–Pai. Para com isso.

Gabriel puxou o pai pelo braço o afastando de Carlisle antes que destruíssem a sala de sua mãe.

–Pelo amor de Deus, Charlie, se acalme.

–Você não vai nos afastar da nossa filha. Você não tem todo esse poder.

–É o que veremos. Só para que se lembre: Ela é minha filha, é o meu sangue que corre por suas veias.

A porta da sala se abriu e seis pares de olhos se viraram para Bella que estava com um sorriso, sendo abraçada por Edward. Sorriso esse que morreu ao ver que a sala do apartamento dos seus pais estava com a mesinha de canto quebrada, o vaso preferido de sua mãe estilhaçado e seu pai e Carlisle desgrenhados como se tivessem brigado.

–Está tudo bem? – questionou hesitante.

–Sim. Eu e o Dr. Cullen tivemos apenas um desentendimento. – tentou sorrir, mas falhou.

–Tio, o senhor está bem?

–Sim... – com um pequeno sorriso caminhou até Bella e a abraçou forte, não contendo suas lágrimas.

Sua filha estava em seus braços novamente, não poderia soltá-la.

Bella olhou confusa para Edward que deu de ombros tentando entender o que se passava ali.

–Eu preciso falar com você. – disse depois que a soltou e notou que os Swan seguraram o fôlego. – É urgente.

–É que nós... Acabamos de chegar... Pode ser amanhã?

Com um suspiro resignado assentiu deixando um beijo em sua testa.

–Claro. Com certeza, minha filha.

Confusa Bella o viu sair porta a fora e olhou para os pais com a boca aberta. O que diabos estava acontecendo ali?

–E então? Será que alguém pode me explicar o que aconteceu?

–Papai e o Dr. Cullen tiveram um pequeno desentendimento sobre ideias divergentes. – falou rápido fazendo pouco caso – Você sabe como o sangue Swan é quente.

Sua irmã não precisava saber disso assim tão rápido, ela tinha acabado de voltar da lua de mel e não precisava de todo esse estresse em cima dela por enquanto. Se seus pais não conseguiam manter isso dela, ele mesmo cuidaria para que tivessem certeza de que aquilo era verdade e depois contaria tudo.

Edward lhe lançou um olhar questionador e varreu o cômodo, parando nos papeis em cima da mesa de centro, queria entender o que se passava ali, saber o motivo de todos estarem mentindo para eles. Nem que tivesse de enquadrar seu cunhado na parede ainda hoje, saberia o que estava acontecendo. Ou não se chamava Edward Cullen.

Notas finais
Olá, amores. Demorei, mas voltei. Esse capítulo foi trabalhoso, grande e complicado. Vimos como a família está lidando com os confrontos que virão e ainda tem muita coisa para acontecer, o confronto de Carlisle e Charlie, já deu pra ver que as coisas não vão ficar bonitas por um tempo e resta saber como cada um lidará com a novidade. Pessoal, queria agradecer a todos os comentários e o apoio, é muito importante pra mim, como disse lá em cima, esse capítulo é totalmente dedicado a ClaudiaMonteiro35, adorei o comentário e amei a recomendação. Bom, não tenho mais nada pra falar não. O próximo capítulo será a lua de mel do nosso casal, achei mais importante colocar os pensamentos da familia primeiro, agora voltamos a eles. Nos vemos nos comentários. Beijos Kim