O Que Somos
56 Capítulo 54
Capítulo 54
Bella mordia o lábio incessantemente durante o caminho para sua consulta com o Dr. Caius, já estava se acostumando com ideia de estar gravida e sabia que se o resultado fosse outro ficaria decepcionada, já amava a pequena criaturinha que provavelmente estava em seu ventre. Era o fruto do seu amor com Edward. O olhou vestido com seu terno e gravata, sentado ao seu lado no carro segurando sua mão e suspirou.
Teria que contar a seus pais que se casariam no domingo, eles não ficariam nem um pouco satisfeitos, como não daria tempo para nada iria fazer uma pequena cerimonia e em janeiro toda a comemoração pomposa que a vida que ele levava pedia. Tentou se concentrar em alguma desculpa para dar a todos e não conseguia chegar a nenhuma, sua mente sempre voltava para o momento presente.
–Pare de roer as unhas. – ele falou suavemente pegando sua mão errante. – Está tudo bem. Não precisa se preocupar.
–E se eu não tiver. – seus olhos lacrimejaram imediatamente.
–Se não estiver grávida, garanto que te deixo até o natal. – falou malicioso vendo o rosto de sua menina tornar um rosa adorável.
–Não duvido nada. – resmungou se infiltrando no seu abraço – Você parece ser insaciável.
–É só por você, garanto.
–Não sei não Sr. Cullen, afinal parece que o seu fôlego já é natural. – respondeu a sua brincadeira com um pequeno sorriso – Você conseguiu me cansar ontem. Ou foi hoje? Não importa, só sei que quando voltar pra casa vou cair na cama e dormir por dois dias seguidos.
–Comigo ao seu lado duvido que fique muito tempo adormecida. – sussurrou – Você adora me atacar futura Sra. Cullen. Se bem me lembro, nossa noite insone foi graças ao seu apetite insaciável.
Bella bateu em seu braço pela brincadeira, não era de todo uma mentira, bastava pensar em uma insinuação sobre sexo que seu corpo queimava de desejo.
O carro parou no estacionamento do luxuoso prédio que abrigava uma das muitas Clinicas Cullen. Edward a ajudou a descer e passou seu braço pela cintura dela colando seus corpos. Félix seguiu na frente para garantir que o caminho estava limpo e Garret estava a alguns passos atrás. O consultório estava vazio por causa das exigências que Edward tinha feito.
–Bom dia, Bella. Sr. Cullen – o médico os cumprimentou cordialmente mostrando as cadeiras para se sentarem – Faz algum tempo que não os vejo. Em que posso ajudar?
Bella gaguejou alguns dos sintomas que estava sentindo e os muitos testes de gravidez feitos com o mesmo resultado, o médico escutava com atenção escrevendo tudo na ficha dela no computador.
–Muitos desses sintomas são sim de uma gestação. Não tínhamos conversado sobre o resultado do exame dos dois, mas já os recebi e não apareceu nenhuma anomalia, pelo contrário, tudo parece estar perfeito. Para termos certeza da sua gravidez vou solicitar alguns exames para você, tudo bem?
Ela assentiu apertando mais a mão do noivo e pegou o papel que o Dr. Caius estendeu, era exame de sangue e urina. Podia fazer isso. Esperava que pudesse.
Foram bons quinze minutos para conseguir se aliviar naquele bendito potinho, mas por fim conseguiu. Edward tinha tentado entrar com ela no ambulatório, mas se negou veemente, se sem ele lá já tinha sido difícil com certeza se ele estivesse seria impossível. Entregou o pote para a enfermeira que a acompanhava e se sentou na cadeira estendendo o braço para aferir pressão e tirar a amostra de sangue. Nesse momento seu noivo entrou na pequena sala com as feições irritadas, parecia um menininho a que negavam entregar algum doce.
–Pensei que não me deixariam entrar mais. – resmungou segurando sua mão livre, sabia que Isabella não gostava de agulhas e o seu olhar assustado comprovava isso.
Tentou distrai-la quando a enfermeira introduziu a injeção em seu braço beijando suavemente seus lábios e funcionou porque em poucos segundos ela queria aprofundar o beijo se esquecendo da mulher alta e morena ao seu lado.
–Pronto. – a enfermeira de cabelos escuros sorriu para o casal apaixonado – Em alguns minutos sairá o resultado, podem esperar na recepção.
–Pare de roer as unhas. – a repreendeu pela enésima vez.
–Não estou roendo as unhas. – respondeu tirando o dedo da boca. – Vai demorar muito?
–Estamos aqui há dois minutos. – falou calmamente tirando a mão dela da boca novamente – Com certeza demora mais um pouquinho que isso.
–Eu sei. – suspirou olhando para o teto – Será que aqui tem uma máquina de salgadinhos?
–Deve ter uma no fim do corredor. Por quê?
–Salgadinhos de queijo. – falou esperançosa – Descobri que eles são deliciosos e me deixam menos ansiosa. Minha boca enche de agua só em pensar neles.
Ele riu do recente vicio por queijo e caminhou com ela pelo imenso corredor etéreo até a máquina de vendas, infelizmente para ele não tinha o salgadinho de queijo porque sua noiva murmurou vários xingamentos direcionados aos inventores das máquinas que não disponibilizavam salgadinhos, mas se contentou com uma barra de chocolate.
–Se sente mais calma? – perguntou depois que ela terminou de comer o chocolate.
–Não. Ainda quero o salgadinho de queijo em forma de bolinhas perfeitas, crocante e saborosas. – a descrição dela ao alimento o fez enrugar as sobrancelhas, com certeza aquele vicio repentino não era normal.
–Há quanto tempo você come esses salgadinhos?
–Algumas semanas. Estava com fome durante a tarde e os encontrei na máquina da sala de café, não tinha mais nada para comer e eles pareciam me chamar.
–Você poderia ter saído e comprado algo na lanchonete da empresa.
–Tinha muito trabalho pra ser feito e nada na lanchonete chamou minha atenção.
–Perguntaremos ao doutor se isso é normal porque me parece um daqueles vícios de gravidas.
Ela concordou voltando a roer as unhas, era um saco ficar esperando o resultado dos exames quando se queria saber logo o que tinha nele, pareceu uma eternidade que a enfermeira trouxe o envelope lacrado e entraram na sala. O médico leu o papel calmamente franzindo a sobrancelha brevemente e os colocou na mesa.
–Bom, o resultado foi o mesmo que já esperávamos. Parabéns, vocês serão pais.
O sorriso de Edward era tão grande que parecia rachar seu rosto, queria rodar Bella pela sala, mas se segurou apertando sua mão forte.
–Parece que alguma coisa o preocupa doutor. – Bella falou – Tem alguma coisa errada com o bebê?
–Não, pelos seus exames tudo está perfeitamente bem com você. – a acalmou – Vou realizar alguns exames com você para comprovar que o feto também está bem. Vá até aquela sala e troque sua roupa por essa.
Edward a observou caminhar até a porta atrás da mesa do médico e assim que a porta foi fechada se virou para o homem mais velho.
–Eu sei que tem algo errado, é melhor me falar.
–A pressão da sua esposa está um pouco acima do indicado, não significa hipertensão, mas é melhor manter estado de atenção, nessa fase todo cuidado é essencial. Vou examinar as condições uterinas para verificar a idade gestacional e tentar definir uma data de parto.
–Isso é um risco para ela e o bebê? – estava aflito em perder um dos dois.
–Não! – assegurou – A hipertensão nessa fase não é bom, mas Bella é forte e saudável, uma boa alimentação e bastante descanso vai resolver o problema.
Mesmo não concordando tinha que admitir que Isabella estava passando por muito estresse nos últimos tempos e mesmo que não estivesse grávida precisava começar a se alimentar melhor e ficar mais calma, faria o impossível para que isso acontecesse. Bella voltou para a sala com um bico, odiava vestir aquelas roupas, ainda mais na presença de Edward.
Dr. Caius foi apalpou seu abdômen medindo o crescimento uterino e depois pediu para que ela relaxasse enquanto realizava o ultrassom transvaginal, não havia sensação mais desconfortável do que aquela, ficar com as pernas abertas com uma sonda no seu corpo e o seu noivo mandão ao seu lado, como a vida para mulher era injusta.
Mudou sua atenção para o monitor ao seu lado, a tela escura e cheia de sombras não ajudava a melhorar sua ansiedade, focou sua visão em um ponto que a sonda parou e pode ver perfeitamente uma pequenina forma, como um caroço de feijão.
–Aqui está ele. – o médico falou por fim – O seu bebê está medindo 2,6 cm e está com cerca de 58 mm e 26 gramas, ele é bem grande para sua idade gestacional, você está com 11 semanas e cinco dias, conseguem ver esse pontinho aqui no meio?
Os dois moveram as cabeças visivelmente emocionados, saber que tinha uma pequena vida ali era uma coisa, mas vê-la tão claramente parecia que tornava tudo mais real ainda, Edward beijou a cabeça de Bella ainda olhando para o monitor e segurando sua mão, com certeza aquele momento era um dos mais felizes de sua existência.
–Tudo está perfeitamente bem com o feto. – Dr. Caius reforçou tirando algumas medidas – Podem notar esses movimentos? É ele movendo os bracinhos e as perninhas, com certeza será bastante peralta.
Terminando com o exame interno, retirou a sonda descartando o preservativo e as luvas, pegou o gel aquecido e colocou sobre a barriga de sua paciente voltando com outro aparelho o fixando contra seu baixo ventre. Logo um som forte e rápido encheu o ambiente. O coração dos jovens pais pareciam querer sair pela boca pelo enorme sentimento de amor que se apossou de ambos.
–Como disse, o seu bebê é forte e saudável. – terminou com a bateria de exames dando uma folha de papel para Bella se limpar e ir se trocar, depois de pronta ela voltou para o consultório e sentou ao lado do noivo – Vocês tem alguma pergunta?
–É normal o coraçãozinho bater tão rápido assim? – a voz de Bella ainda estava embargada pela emoção.
–Completamente normal, o coração dele precisa trabalhar mais rápido para a construção do corpo por isso é mais veloz. Se tudo contribuir a sua data de parto será entre os dias 25 ou 26 de junho, mas confirmaremos isso nos meses finais.
–Posso praticar exercícios?
–Sim, mas nenhum com impacto, eu aconselharia caminhadas para ajudar a circulação, natação, hidroginástica, ioga, coisas assim.
–Para casos com hipertensão. – Edward pediu ainda receoso – O que seria melhor fazer?
–No caso de sua esposa, não há a hipertensão, apenas o início de aparecimento, mesmo assim é bom diminuir o sal, gordura, sódio, estresse e aumentar o descanso e os exercícios para ajudarem na circulação, o primeiro trimestre é o mais importante, então todo cuidado é essencial.
–Isabella desenvolveu um gosto por salgadinhos de queijo. Isso também será cortado?
–Seria o ideal. – se virou para sua paciente – Se agora você tem mais vontade de comer queijo pode experimentar bolinhas de queijo caseiro que vai conseguir maior controle dos ingredientes.
–E quando bate aquela vontade súbita? – A verdade é que já adorava o salgadinho e só de pensar em abandona-los doía.
–Você pode comer, desde que não exagere. Tudo bem? Tudo deve ser feito com moderação.
Ela assentiu rapidamente com a cabeça, pelo menos não ficaria sem seus novos melhores amigos. Depois que o médico tirou muitas das dúvidas do casal, passou a receita com os medicamentos pré-natais, uma lista de livros que poderiam ser uteis e uma cópia da ultrassonografia, conseguiram sair mais calmos.
–Não quero ir trabalhar. – Edward sussurrou beijando a mão de Bella.
–Nós precisamos. – sussurrou de volta encostando-se a ele. – O mundo não parou.
–É tão surreal, mal dá para notar, mas aqui tem uma vida. – passou a mão por sua barriga – onze semanas e cinco dias. Nós o fizemos na Itália.
–Sim, no pomar. Eu andei pensando e lembrei que esqueci meu anticoncepcional no período em que ficamos separados, foi a primeira vez que aconteceu desde que comecei a toma-lo e já deu para perceber que esse ou essa pequena foi o sorteado.
–Sim. – sorriu ao se lembrar do seu pequeno presente se movendo na tela – Com certeza esse foi o escolhido. O presente divino.
Bella riu com a escolha de palavras que ele usou porque pensava exatamente igual, o seu bebê foi uma benção em sua vida, não tinha dúvidas de que ele foi premiado justamente para ela.
(...)
–O que você acha daquele modelo? – Esme perguntou ao vê-la trocar pela quarta vez o vestido de noiva.
As meninas aproveitaram o horário do almoço para irem fazer a escolha do vestido, era o quinto modelo que experimentava, mas ainda não parecia o certo. Tinha que contar a elas sobre o desejo de Edward, mas não sabia como fazer isso sem falar do motivo, queria esperar até o fim do primeiro trimestre para revelar a todos.
–Não gostei. – suspirou roubando a barra de cereal que Rosie comia e recebeu um olhar zangado – Vou dar uma olhada em mais alguns para ver se acho o perfeito.
–Qual modelo seria o “perfeito”? – Alice se sentou ao seu lado no sofá da boutique.
Bella pensou por algum tempo tentando imaginar algo que entraria nessa definição, na verdade, sua mente estava longe da escolha de vestidos ou flores.
–Não sei. – deu de ombros – Um que eu me sinta bonita, confortável, nada extravagante e o mais importante, que represente quem eu sou e como serei depois do casamento. Não uma socialite cabeça oca, que vai de festa em festa, mas a mulher que vai ser a companheira, amiga e amor de Edward.
As mulheres suspiravam com suas palavras, Isabella estava mais profunda nas últimas semanas, na maioria das vezes melancólica, mas agora com certeza demonstrava maturidade e um brilho intenso nos olhos.
–Trouxe mais um catálogo. – Renée entregou pra filha – Vamos ver se aí tem o “perfeito”.
Depois de folhear as páginas e não encontrar nada do que queria Bella bufou irritada, estava difícil encontrar alguma coisa que a agradasse, por fim se jogou de lado colocando a cabeça no colo de Esme. Ela acariciou seus cabelos pensando em alguma forma de ajudar.
–Já pensou em algum modelo em especifico? – pediu.
–Não. – resmungou – Talvez deva ir com um saco de farinha. Estou com fome. Vou procurar alguma coisa para comer.
Depois que ela saiu foi a vez de Renée suspirar frustrada.
–Eu sinceramente não sei o que ela quer.
–Apenas o modelo especial que vai marcar sua vida – Esme sorriu – Você se importaria se eu mostrasse o meu vestido para ela? Talvez ela se anime mais.
–Pelo contrário. – riu com o receio de Esme – Ela gosta muito de você, tá certo que algumas vezes tenho ciúmes, mas é bom vê-la tão feliz e confortável em volta de outras pessoas, nunca a vi assim antes.
–Ela é uma boa menina. Tem um coração de ouro.
–Bella é excelente. – concordou.
(...)
A tarde estava demorando uma eternidade para acabar, tudo o que desejava era ir para casa e cair na cama, precisava urgentemente descansar, estava em uma reunião urgente sobre as mudanças feitas no sistema central da empresa que Demetri a obrigou a presenciar, Edward estava na cabeceira da mesa de reuniões a olhando a todo o momento, não pode deixar de arquear uma sobrancelha pra ele e recebeu uma piscada e um pequeno sorriso.
Voltou sua atenção aos slides fazendo algumas anotações, disfarçou um bocejo e riscou o canto da folha cansada, provavelmente era o suco de maracujá que estava tomando que a deixava mais cansada do que já estava. Assim que a reunião acabou correu porta a fora para o seu andar, queria sair dali o mais rápido possível.
Felizmente não tinha nada de importante para rever, estava quase conseguindo sair do prédio, só mais alguns segundos o elevador chegaria e estaria a um passo de casa.
–Bells. – a voz de Jane a fez gemer.
–Sim – se virou.
–Acabou de chegar o e-mail dos russos da Sukhoi pedindo os detalhes do antivírus. – entregou os papeis na sua mão.
–Eles tiveram o mês todo para enviar a resposta da suspeita de fraude e vem querer solicitar algo agora? – leu a folha rapidamente – Idiotas, não vamos responder, primeiro vou conversar com o pessoal de relações públicas e marketing, mandar uma proposta para o Release Security e depois ver se os russos se tocam de que não existem apenas eles no mercado e que não confiamos neles.
Jane riu da estratégia, a RS era a maior concorrente da empresa russa que produziria a Ônix em larga escala, mas como apareceram diversas suspeitas sobre seu trabalho Bella queria contratar outra empresa para cuidar da segurança de dados.
Como de praxe antes de solicitar um novo contrato contataram a Sukhoi para que fossem informados do que poderia ter acontecido com o vazamento de informações confidenciais e desvio do dinheiro, esperavam uma resposta na semana anterior e só agora haviam retornado.
Não poderia deixar uma empresa que não confiava controlar todo o sistema interno da empresa, não era burra e sabia como o mundo dos negócios funcionava, um contrato importante se fosse exposto antes do tempo arruinaria vários setores envolvidos.
E com certeza James não estava trabalhando sozinho e todo o sistema anterior disponibilizado pela Sukhoi precisava de um pente fino, antes disso não deixaria nada nas mãos deles.
–Tem certeza? – quis confirmar.
–Sim. Nós temos o poder de escolha e devemos aproveitar disso. – o elevador chegou e não esperou para entrar – Faça um favor, marque um vídeo conferencia com a RS para depois das nove. Quero falar com o representante para ver o que eles podem nos oferecer. Por favor, envie um e-mail para o Edward informando essa decisão, depois eu converso com Demetri.
–Sim senhora. – riu voltando para sua mesa porque ainda tinha uma pilha de trabalho para resolver antes de ir para casa.
O carro estava parado no transito há mais de meia hora, não tinha mais o que fazer para tentar afastar o sono, já tinha parado para comprar alguma coisa para comer, por fim encostou a cabeça no banco de couro e fechou os olhos.
Edward estava inquieto na sala do apartamento, Isabella já deveria ter chegado e não havia nem sinal dela, discou novamente o número do celular e caiu na caixa postal, o de Garret dava a mesma coisa, não aguentava mais esperar, se eles não aparecessem em vinte minutos iria atrás.
Estava criando um buraco no chão andando de um lado para o outro, chega, já tinha suportado toda a preocupação que poderia. Pegou uma jaqueta de couro no closet e calçou seus sapatos, pegou seu celular tentando ligar no telefone de Isabella novamente sem sucesso. Irritado caminhou até a cozinha com passos duros.
–Félix! – chamou o segurança que estava de costas para ele e se virou rapidamente – Já conseguiu contato com Garret?
–Não senhor! Mas o carro está em movimento com rota para cá.
–Vou esperar por dois minutos. Se eles não passarem por essas portas nesse meio tempo vamos atrás deles.
Foi o prazo de fechar a boca e a porta da frente foi aberta por uma Isabella com o olhar inocente e um saco de batatas fritas na mão, sorrindo foi até ele e deixou um beijo casto em seus lábios, estava incrédulo. Ela tinha sumido por mais de meia hora sem dar qualquer notícia, não atendia ao telefone, o infeliz do segurança não atendia o maldito celular e agora ela aparecia como se nada tivesse acontecido.
–Onde você estava? – respirou fundo para controlar seu temperamento.
–Ficamos presos no trânsito – resmungou comendo uma batata – Meu celular acabou a bateria e o do Garret estava sem sinal.
–Será que não havia outra forma de me informar que estavam bem? Fiquei preocupado.
–Desculpe, da próxima vez faremos sinal de fumaça. – piscou pra ele.
–Isso não tem graça. – tirou o saco de batatas da sua mão e colocou no lixo – O médico te proibiu de exagerar na gordura.
Bella rolou os olhos para sua preocupação exacerbada, deveria ter imaginado que ele ficaria no seu pé por causa da gravidez, foi até ele e o abraçou.
–Você está bravo?
–Não. Só fiquei preocupado com vocês dois. – automaticamente sua mão seguiu para o ventre dela. – Quer tomar um banho?
–Sim, preciso urgentemente de descanso.
Sorrindo ele a pegou no colo e caminhou para o quarto. Depois do banho quente estavam deitados na cama com ele massageando seus pés, ambos em um silencio confortável pensando em nada, Bella estava quase adormecendo.
–Você tem que diminuir seu horário. – ele falou tranquilamente.
–Por enquanto eu estou bem com o trabalho – resmungou sentindo a mão dele subir pelo seu corpo. – Prometo que se me cansar demais eu diminuo.
Com um sorriso ele concordou, beijando suas coxas desnudas e a mordeu, Bella se contorceu querendo sair do agarre dele, mas foi impedida quando segurou firme em sua cintura, sua barriga já começava a aparecer e gostava da forma arredondada que criava.
–Edward, estou cansada. – protestou.
–Tudo bem. – falou por fim deixando um pequeno beijo em seus lábios, se arrastou para deitar ao seu lado e colou seu corpo ao dela – Durma, pequena.
Depois de garantir que sua menina estava dormindo tranquilamente a cobriu e apagou as luzes deixando a porta do quarto com uma pequena fresta, ainda precisava resolver alguns assuntos do trabalho e conversar com Garret, sua irritação com ele ainda não tinha passado. Chegou à sala e fez um gesto com a cabeça para que Félix e Garret o acompanhassem até seu escritório.
–Por que você não atendeu seu telefone hoje quando liguei inúmeras vezes?
O segurança engoliu em seco visivelmente, sabia que estava encrencado.
–Ocorreu um acidente entre a Broadway e a Quarta Avenida e estava tudo parado. – começou a explicar – O meu celular não tinha sinal e o da Srta. Swan estava sem carga.
–Isso não deve acontecer novamente. – disse sério – Se qualquer coisa sair do programado arrume uma forma de entrar em contato comigo ou Félix.
–Sim senhor. – assegurou – Não voltará a acontecer.
–Ótimo. Félix, já entrou em contato com o novo segurança?
–Já, amanhã cedo ele irá até o escritório para conversar com o senhor.
–Bom. Ele vai reforçar a segurança de Isabella. – passou a mão no rosto já imaginando a briga que arrumaria com Bella. – Ela está em um momento delicado que não pode se estressar e quero reforçar que faremos o possível para que isso aconteça. Alguma dúvida?
–Não senhor. – falaram em uníssono.
–Podem ir.
Assim que eles saíram Edward suspirou e ligou o computador começando a passar por seus e-mails, enquanto discutia alguns assuntos com um dos representantes das empresas na Inglaterra, estava quase terminando de trabalhar quando viu um dos remetentes e o abriu rapidamente. Releu pelo menos três vezes para ter certeza sobre o que estava lendo.
Seu maxilar tremeu e suas mãos se fecharam nervosamente, não podia acreditar nisso, desligou o telefone e caminhou até o quarto, Bella já estava de pé e sorriu pra ele, mas seu sorriso morreu ao ver a carranca no rosto dele.
–O que foi?
–Nada, pequena. – forçou um sorriso – Só alguns problemas no trabalho.
–É sobre a possível mudança da Sukhoi para a Release Security?
–Foi você quem projetou a mudança?
–Sim, por causa do prazo de produção e todos os acontecimentos recentes. – mordeu o lábio – A Sukhoi tem menos credibilidade para montagem de softwares seguros e o custo deles é maior, já vimos no que deu o último antivírus e não quero correr riscos.
–E você acredita que o fornecimento deles está comprometido? – suspirou pensativo — Por que não me perguntou antes de fazer isso? Esse não é um procedimento que se faça de uma hora para outra e sem autorização.
–Eu ainda não contatei a RS. – bufou irritada – Solicitei sim um vídeo conferencia com um representante para amanhã, mas ainda não falei com ninguém, assim como pode ver no seu maldito e-mail idiota. Se você tivesse lido ele até o final teria visto os benefícios que iriamos ter porque não importa a parceria com a Sukhoi, ainda teríamos mais prejuízos que benefícios.
Edward respirou fundo tentando conter seu temperamento para não iniciar uma discussão. Não faria bem a ela e muito menos ao seu filho se brigassem a todo o momento, ainda mais depois da manhã fantástica que passaram juntos.
–Só quero que você entenda, Bella, que essa negociação é importante para nós e não podemos assumir riscos no momento. – falou com calma.
–Está tudo pronto, Edward. Não quero entrar em uma guerra de poder, mas como você mesmo disse, há muita coisa em risco e temos que tomar cuidado com o que nos espera do lado de fora. Sei que não sou especialista em negociações como você, mas quero fazer o certo.
Sua voz fraquejou no final, não entendia como em um momento estava com raiva e no outro com uma vontade terrível de chorar.
–Amor, não estou te acusando de nada. Pelo contrário, vejo em você um grande potencial, uma jovem mulher brilhante e uma profissional incrível.
–Mas você ainda não confia no meu julgamento. – choramingou – Só queria fazer o certo.
Edward a encarou desesperado, não queria que ela chorasse. Sem um segundo pensamento a apertou em seus braços e beijou seu cabelo.
–Bella, não chore. Sei que sou um cretino, amor, mas não chore, por favor. Não sei o que fazer quando você chora.
–Só me abrace. – fungou baixinho – Nem sei por que estou chorando.
–Vamos esquecer sobre o trabalho, ele fica na empresa onde é seu lugar. Eu confio no seu julgamento, mas não vou aprovar nada sem antes passarmos por uma reunião, tudo bem?
–Sim, mas agora podemos jantar?
Ele sorriu beijando seus lábios brevemente, sentia que enfrentaria as mudanças de humor e a fome durante longos meses e mal podia esperar para estar com ela a cada dia.
Durante o jantar Bella ficou em silencio, estava com uma fome monstruosa, Heidi tinha mudado todo o cardápio por um saudável e estava delicioso.
–Você já falou com as meninas que vamos fazer a cerimonia no domingo?
–Não, hoje vimos o vestido e estava com muita coisa na cabeça.
–Entendo. – passou a mão pelo rosto – Amanhã vou conversar com o seu pai, quero, pelo menos, um almoço para comemorar. O que acha?
–Você decide, afinal foi você que fez questão de adiantar.
–Já que é assim, faço também questão de organizar tudo.
–Muitas coisas já estavam combinadas, é só entrar em contato com a organizadora... Melhor que eu mesma fale com ela.
–Por quê?
–Ela é um pouco atirada e não quero nem pensar nela perto de você. – ofegou irritada – De jeito nenhum.
–Está com ciúmes, pequena?
–Claro que sim. E se você gostar dela?
–Ninguém nunca poderia me chamar a atenção porque eu te amo.
–Mas ela é toda peituda e bonitona.
Seu olhar baixou para o prato enquanto seus dedos se retorciam nervosamente.
–Eu não quero ninguém, Isabella. A mulher da minha vida é uma baixinha de olhos verdes, cabelos castanhos e um gênio horrível.
–Ela é bonita.
–Mas é você quem carrega meu filho, meu anel e em alguns dias o meu sobrenome. Não quero que repita tais besteiras. Só há uma mulher na minha vida e é você. Sempre foi e sempre vai ser.
O sorriso dele fez com que Bella sentisse o ar faltar, eram raros os momentos que via aquele sorriso cheio de orgulho masculino e mistério, mesmo que seu tom de voz não permitia recusas e saía um pouco mais brusco.
Não sabia que seus hormônios costumavam mudar de um polo a outro com tanta rapidez, parecia que existia uma guerra emocional dentro de si.
–Não se preocupe que posso cuidar de tudo sozinho e do que não puder pedirei a Alice. Eu vou cuidar de você, pequena.
Não sabia se gostava do tom que ele usou, a expectativa desencadeava sentimentos estranhos no seu peito, mas deixaria para analisar tudo quando o visse o que ele planejava, com certeza seria algo surpreendente.
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