O Que Somos
53 Capítulo 51
Capítulo 51
Bella esperou muito pelo novo dia que Edward prometeu e ele não tinha aparecido, pelo contrário, tudo tinha piorado, o assunto: James, se tornou restrito.
A polícia estava o investigando, mas não tinham provas reais para condená-lo pelos assassinatos, pelo menos ele passaria um bom tempo na cadeia por causa das fraudes, não era o bastante, mas por ora era o suficiente vê-lo preso, enquanto não encontravam evidencias contra ele sobre isso.
Parecia um milagre conseguido manter o escândalo longe da imprensa, tudo isso graças a centenas de liminares e advogados. Esme aparentemente mostrava estar melhor, o seu sorriso tinha voltado aos poucos e a cada dia parecia mais verdadeiro, por causa disso tudo passava mais tempo com ela, sua mãe sempre reclamava, mas não poderia deixar Esme sozinha.
Infelizmente, nem tudo estava progredindo. Edward havia se afundado no trabalho com a desculpa de investigar as contas da empresa, sempre saía antes de ela levantar e ia dormir depois que já se recolhia. Seu celular sempre tocava de madrugada e ele se negava a dizer o que estava acontecendo. A cada dia que o observava com mais atenção percebia que algo estava errado e não conseguia mais suportar toda essa situação.
–É sério, você tem que procurar um médico! – A voz de Jane a fez sair do transe que estava se acostumando.
Incrivelmente suas náuseas não passaram, pelo contrário, pareciam piorar a com o tempo, nada parava em seu estomago, provavelmente permanecia com a bactéria e se não bastasse as náuseas, diversas vezes teve tonturas e um quase desmaio, foi preciso que Demetri a amparasse.
Precisava ir ao médico para pegar uma receita, o pior é que não tinha tempo para nada, mal conseguia respirar sem que aparecesse algum problema para resolver, era muita pressão, estava a ponto de explodir ou fugir para longe gritando como uma louca.
–Qual é Bells, não precisa chorar só porque eu mandei você procurar um médico. – As variações de humor da amiga estavam acabando com ela, nem era preciso uma bronca que Bella se acabava em lágrimas.
–Não sei o que está acontecendo comigo. – fungou – Tô com medo de procurar o médico e não gostar do que ele tem para me falar.
Jane abraçou sua companheira e secou suas lágrimas.
–Se você não for até ele como vai saber o que tem? – perguntou o obvio.
–Eu sei disso. – limpou os olhos.
–O Sr. Cullen ainda não percebeu?
–Não. Ele tem estado ocupado demais para perceber qualquer mudança em mim. – sentiu mais lágrimas caírem – Tudo pra ele agora é o trabalho, nem consigo mais ver nele o homem por quem me apaixonei, não entendo para que rumo nosso relacionamento está seguindo, provavelmente para o fundo do poço e sem escalas.
Inferno, ela queria subir no andar da presidência e bater naquele homem, sua amiga precisando de cuidados e atenção e ele lá apenas trabalhando. Bella já havia relatado que ele estava diferente e distante, ainda mais agora que sua assistente era outra, temia que eles tivessem um caso, por mais que soubesse que ele nunca trairia a amiga, fazê-la acreditar também era como querer que um burro empacado andasse.
–Tenta comer essas bolachas. – estendeu algumas bolachas agua e sal para ela junto com um copo de agua.
Relutante Bella as fez descer pela garganta sentindo menos tontura e náuseas. O dia foi longo e duradouro, parecia que não iria se acabar nunca, desejava muito a sua cama, parecia que carregava um peso imenso nos ombros e não conseguia mais continuar com ele ali.
Estava difícil aguentar as brincadeiras dos meninos, seu humor inconstante estava difícil de suportar até mesmo para ela e eles não ajudavam, suas brincadeirinhas infantis e desconexas a levavam ao limite.
–Chega com esse jogo Seth e volta a trabalhar porque se a Demo do projeto não estiver em minha mesa eu vou garantir que os seus dedos não estejam em suas mãos. – falou irritada.
–Puxa Bells, pra que tudo isso?
–Já faz horas que estou pedindo isso e você continua de brincadeira, então volte logo ao trabalho antes que eu tenha que colar você na mesa.
–Eu já estou terminando. Faltam poucos códigos agora.
–Termine o seu trabalho. – sibilou entredentes – Preciso dessa Demo na minha mesa até o fim do dia, então você finaliza o seu trabalho e me entrega ou você não vai sair daqui.
–Tudo isso é TPM? – resmungou baixo, mas Bella escutou.
Que moleque petulante, como se atrevia a comentar sobre sua TPM... Por um momento ficou muda e depois pálida, não era possível. Era?
Correu até sua mesa e pegou um calendário fazendo algumas contas mentalmente. Como isso pode acontecer logo agora? Sentiu as náuseas voltarem e forçou a descer, não tinha tempo para isso, precisava ser forte e colocar sua mente no lugar. Estava se desesperando quando Paul chegou ao seu lado desviando sua atenção.
–Preciso resolver um problema. – arrumou suas coisas – Se Demetri perguntar por mim diga para me ligar.
–Está tudo bem?
–Não sei.
O caminho de elevador nunca durou tanto. Precisava falar com Edward urgentemente, não conseguiria esperar até chegar em casa, seus pés batiam ansiosamente no chão de metal até que as portas se abriram no último andar. A nova assistente mais dada que a anterior não estava em sua mesa, Srta. Malory era uma mulher loira em seus vinte e poucos anos dos peitos grandes que não fazia questão de esconder, a odiou no primeiro momento em que se viram e o sentimento foi reciproco.
Nem se importou em bater na enorme porta de madeira e entrou dando de cara com a vadia loira debruçada na mesa de seu noivo praticamente expondo seus seios para ele.
Suas mãos coçaram para bater a cabeça do cretino naquela mesa, estava se matando de dúvidas e o imbecil ficava ali olhando os peitos da safada. Limpou a garganta e ambos a olharam, a vadia com um sorriso de satisfação, que faria questão de tirar a tapas, já o idiota parecia confuso.
–Podemos conversar? – perguntou nervosa.
–Sinto muito Bella. – ele disse cansado – Tenho uma reunião em cinco minutos.
–É importante. – retorceu os dedos e mandou um olhar irritado para a vadia que saiu da sala fechando a porta atrás de si.
–Não tenho tempo agora.
–Caramba, Edward. – bufou irritada – Eu não subiria até a Cova se não o fosse.
Ele ergueu a sobrancelha para suas escolhas de palavras.
–Eu não tenho tempo para as frescuras do casamento. – falou frio.
–Frescuras? – sua voz saiu nitidamente magoada – Foi você que insistiu nesse casamento seu... Quer saber? Deixa pra lá, já que seu trabalho e sua assistente são mais importantes.
–Chega com o drama, Isabella. – pediu irritado – Se você não percebeu eu estou tentando trabalhar.
–Espero que seu trabalho te aqueça a noite, Edward.
Ela queria tacar qualquer coisa na enorme cabeça dele, mas se segurou, mordeu o lábio quando uma lágrima escorreu pelo seu rosto e saiu pela porta mais rápido do que um raio murmurando um ‘cretino’ baixo, pelo jeito não podia contar com ele. Nem sabia porque tinha ido até ali se ele nem se lembrava dela.
Edward se praguejou no mesmo momento em que Isabella saiu, estava tentando colocar controle no enorme sentimento de possessividade que tinha por ela, ao mesmo tempo em que lidava com a investigação sobre James e suas ameaças à vida dela que tinham aumentado desde que tinha sido preso.
Seu celular não parava de receber mensagens com ameaças, na maioria das vezes sua mente ficava nublada de preocupações e para se acalmar precisava correr durante horas. Toda noite enquanto ela dormia, ele sentava ao seu lado para observá-la.
Queria explicar tudo para ela, mostrar que seu distanciamento emocional era para protegê-la, precisava ser frio para pensar melhor, mas parecia que quanto mais tentava lidar com isso criava um efeito totalmente ao contrário, estava a magoando mais.
Irritado passou as mãos pelo cabelo e puxou alguns fios. Iria atrás dela e se desculparia pelo seu comportamento, arrumaria uma forma explicar tudo o que estava acontecendo, havia prometido que seria sincero com ela e só agia erroneamente, ela tinha razão, Edward Cullen, realmente era um cretino.
Bella encontrou com Garret na saída do prédio, estava irritada e confusa, no momento tudo o que queria era sumir, desaparecer para qualquer lugar seguro, escutou o telefone tocar e viu o nome de Edward no visor, desligou o aparelho e entrou no carro, sempre tinha se virado sozinha e não seria diferente dessa vez.
–Para onde, senhorita?
–A farmácia mais próxima. – murmurou limpando os olhos.
O segurança a observou pelo espelho retrovisor antes de dar partida no carro, os olhos dela estavam vermelhos.
–A senhorita está bem?
Bella deu de ombros não encontrando o seu olhar.
–Eu não sei, Garret. – sussurrou – Eu não sei.
O transito infernal contribuiu mais para a inquietação em seu peito, era uma cientista, gostava de experimentos, mas amava mais ainda as provas e não ter algo concreto em suas mãos a deixava ansiosa e apreensiva, não pode evitar roer as unhas, uma camada de suor frio se formou em sua testa e suas mãos tremiam levemente.
Entrou na farmácia gigante e seguiu direto para o corredor que precisava, pegou pelo menos dez testes de gravidez, não queria ter dúvidas, aproveitou e comprou duas barras de cereais e uma garrafinha de agua com gás para ver se as náuseas diminuíam.
O menino do caixa olhou para suas compras com as sobrancelhas franzidas e murmurou o valor a ser pago. Com tudo o que precisava em mãos pediu para que o segurança fosse o mais rápido possível para o apartamento de Edward.
Passou pelas portas duplas da sala e nem se deu ao trabalho de cumprimentar Heidi, foi direto para o banheiro trancando a porta e se sentou no tapete felpudo que tinha no meio do cômodo abrindo as embalagens. Suas mãos estavam trêmulas e estava suando, ainda existia um nó gigantesco em sua garganta que não descia. Leu rapidamente as instruções e tratou de fazer xixi nos diversos potinhos, deveria esperar de cinco a quinze minutos. Aproveitou para tomar uma ducha quente e lavou os cabelos sem pressa, tinha medo do resultado.
Edward gritou algumas ordens, estava a ponto de jogar alguém do topo do prédio, não conseguia falar com Isabella, seu celular dava desligado, com certeza ela estaria no mínimo chateada com ele, ainda não entendia o motivo de se comportar como um idiota logo com ela, a pessoa que mais amava no mundo, discou o número de Garret e soube que ela tinha passado em uma farmácia e agora estava em casa.
Já sabia que ela estava passando mal, notava quando saia da cama para vomitar e que se alimentava mal, queria tê-la arrastado para o hospital antes, tinha quase certeza que a bactéria estomacal poderia ter voltado, era um tolo por não tê-lo feito antes. Arrumou suas coisas e saiu ignorando sua assistente, daria um jeito naquela mulher atirada amanhã, não suportava mais suas insinuações, iria demiti-la hoje, mas como estava preocupado com sua noiva deixaria para cuidar disso depois.
Chegou ao seu apartamento em tempo recorde, atravessou a sala jogando sua pasta no sofá.
–Heidi, você viu Isabella? – perguntou ao ver sua governanta sair da cozinha.
–Ela ainda não saiu do quarto, senhor.
Agradeceu e foi atrás dela, fazia mais de meia hora que ela tinha chegado em casa, estava estranhando isso, no seu íntimo um sentimento inquietante gritava que havia algo errado. O quarto estava arrumado e as coisas dela em cima da enorme poltrona de camurça no canto, a luz do banheiro estava acesa por debaixo da porta. Primeiro ele bateu e depois tentou a fechadura a encontrando trancada.
–Bella, você está bem?
Ao escutar a voz sufocada pela porta Bella saiu do transe que estava ao olhar para todos os palitinhos que confirmavam a mesma resposta para sua pergunta não feita. Não tinha voz para falar com Edward.
–Isabella. Abra a porta. – a cada chamado do noivo sua voz parecia mais ansiosa. – Abra a porta ou eu vou arromba-la.
–Estou indo.
Sentindo seu corpo voltar a responder seus comandos juntou todos os testes jogando os copinhos no lixo e colocou os palitinhos dentro das caixinhas procurando algum lugar para escondê-los.
–Eu não estou brincando, Isabella. Abra logo essa porta.
–Já vou. – gritou tentando ganhar tempo
Olhou ao redor do banheiro tentando encontrar um lugar para deixar os testes, seu coração queria sair a força pela boca, suspirando abriu a última gaveta do gabinete, garantindo que a sacola ficasse no fundo.
–Te dou três segundos para destrancar a porta antes que ela caia.
Rapidamente jogou agua fria no rosto, amarrou mais forte o roupão na cintura e destrancou a porta quando ele já estava no número dois.
–Pronto – falou ríspida – Precisava de todo esse escândalo?
–O que aconteceu que você não me respondeu e não abria a porta? – questionou irritado.
–Estava no banho. Por quê? Não posso? – ergueu a cabeça em desafio.
Ele travou a mandíbula e apertou as mãos forte, aquela menina atrevida estava o tirando do sério e nem reclamar poderia porque ela estava com a razão.
–Por que travou a porta? Nunca fez isso antes.
–Porque queria privacidade para tomar banho. – falou como se fosse obvio – Quer ver se tem alguém lá dentro? Fique a vontade, afinal o apartamento é seu.
–Não me provoque, Isabella. – sua voz saiu como uma ameaça rouca e deu um passo em sua direção.
–Não estou te provocando, imagina se eu faria isso com o Grande Edward Cullen. – ironizou – Não seria capaz de chegar a tanto.
–Me deixa explicar o que aconteceu, Bella.
–Não, Edward. – suspirou – Você sempre acha que explicações são o suficiente. Vou aproveitar que cheguei mais cedo e vou dar uma caminhada com Red no Central Park.
–Vai fugir?
–Não. Eu vou pensar, quando conversar com você quero estar com a cabeça fria porque se falarmos agora não chegaremos a lugar nenhum.
–Se você realmente acha isso, Bella.
–Eu não acho nada, Cullen. – respirou fundo tentando encontrar as palavras certas – Passamos por muitas coisas, Edward e fizemos isso sempre juntos, mas agora... Agora eu não conheço mais o homem que está na minha frente. O homem que você se tornou e não sei se gosto dessa nova faceta, por isso preciso espairecer, mais tarde definiremos o que iremos fazer com o nosso relacionamento. Agora não.
Não deu margens para réplicas e entrou no closet colocando uma calça de moletom, seu agasalho de Harvard e tênis, estavam no outono e o clima já tinha esfriado consideravelmente, com certeza precisava de ar fresco para colocar a mente no lugar.
Seu cachorro corria alegre em direção aos outros animais, caminharam por alguns minutos e depois se sentou embaixo de uma arvore com ele. Necessitava pensar, todos os testes tinham dado resultado positivo, conhecia a margem de erro e já apresentava todos os sintomas, deveria ter notado antes quando seus seios estavam mais sensíveis, seu apetite voraz e seu ciclo atrasado. Pelas suas contas o seu pequeno bebê tinha sido concebido entre sua viagem e aniversário.
Merda. Tinha esquecido de tomar o anticoncepcional. Com toda a confusão com Edward essa era a última coisa em sua mente.
Não fazia ideia de como lidar com isso, não conseguia ao menos analisar se estava pronta para ser mãe, Edward queria ser pai, pelo menos, antes de se separarem ele queria, depois que se reconciliou nunca mais tocaram no assunto, principalmente agora que ele praticamente a ignorava.
Sabia que tinha sido dura com ele, precisava falar tudo o que estava preso, a verdade é que não suportava mais viver em uma corda bamba, não tinha forças emocionais para isso, precisava de certezas, mesmo amando Edward ainda temia cometer um erro e agora não era apenas ela e não colocaria seu filho nos possíveis problemas que poderia se envolver.
Lágrimas inundaram seus olhos e as forçou a descer, não deveria ficar triste, uma vida era sempre uma alegria, mesmo estando assustada ao ponto de morte, teria que encontrar uma forma de dizer a ele, só não sabia como e muito menos quando.
Estava a ponto de hiperventilar com tantas informações, em menos de um ano sua vida havia mudado completamente, nenhuma das suas promessas de ano novo tinha sido concluída e muito menos se aproximaram dos acontecimentos recentes. Conhecer Edward e sua família foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, depois o noivado, o ataque de Jacob, a separação, reconciliação, James e agora a gravidez.
Droga, queria vomitar. Era muita informação para uma cabeça só.
Sentia uma vontade enorme de fugir para longe, tentar encontrar um lugar de paz e tranquilidade, mesmo que fosse temporário, mas não era capaz de deixar Edward, havia feito um juramento para si mesma de que nunca iria deixa-lo e ainda mais, Esme precisava dela agora, precisava do seu apoio e presença. Teria que ser forte e suportar a pressão, não sabia se conseguiria, mas era essencial que aprendesse a lidar com todas essas emoções.
–Tem certeza que está bem, Srta. Swan?
Forçando um sorriso para Garret, Bella encarou o nada, fez um gesto para que ele tomasse o lugar ao seu lado e com relutância o homem sentou.
–Estou com medo. – confessou.
–Não precisa. – como sempre a voz do segurança saiu firme – Meu trabalho é protegê-la e o Sr. Cullen está providenciando que todos fiquem bem. Ele é um bom homem.
–É! – quanto a isso não podia discordar – Você é casado?
–Sim, senhora. – sorriu minimamente – Há dez anos.
–Como consegue conciliar seu trabalho com o casamento?
–Minha esposa trabalha na Cullen com Laurent. – explicou – Ela também tem uma rotina longa.
–Entendi.
Bella ficou em silencio observando como Red corria tentando pegar um esquilo pequeno, depois de cansado trotou até ela e colocou a cabeça nas suas pernas pedindo carinho.
Tinha anoitecido a pouco quando voltou a entrar no apartamento dele, seu celular estava perdido em sua bolsa e não se importou em pega-lo durante sua caminhada, até porque Garret nunca saia do seu pé e mesmo não confessando, se sentia mais segura com a presença dele.
Seu noivo estava com as feições irritadas, sentado no sofá com um jeans e camiseta. Seus olhos verdes chegavam a faiscar enquanto a mirava, não deu atenção e foi colocar comida para Red no seu cantinho e depois procurar alguma coisa rápida para comer, sua boca enchia de agua ao pensar no cereal de chocolate que tinha em algum lugar por ali, mexeu no armário até encontra-lo e devorou duas tigelas cheias com leite.
–Está melhor?
–Não. – foi sincera.
–Será que podemos conversar?
Edward não queria discutir, pedia apenas uma oportunidade para expor os motivos de afastá-la, não tinha forças e nem vontade de entrar em uma guerra naquele momento. Ela se virou para ele com os olhos ansiosos e assentiu se sentando no banco que tinha atrás do balcão.
–Me desculpe, Bella – pediu visivelmente arrependido.
–Pelo que exatamente?
–Por ter me comportado como um idiota egoísta. – suspirou – Não queria te ver sofrer.
–Então por que o fez?
–Eu estava com medo. – revelou – Quando James expos que havia matado meus pais, me senti vulnerável e enxerguei que você era a única pessoa que tinha me sobrado e que se eu a perdesse nada mais faria sentido... Tive medo desse sentimento e achei que se me afastasse um pouco conseguiria enxergar com mais clareza, iria controlar essa gigante necessidade que tenho de você e infelizmente te magoei no processo. Alguém estava me ligando e mandando mensagens ameaçando você, precisava... Preciso saber quem é, quero protege-la, tenho todos os meios, mas quando se trata da sua segurança parece que estou impotente com ambas as mãos amarradas.
–Eu também tenho medos Edward. – protestou – Você deveria ter confiado em mim, conversado comigo, mas não. O grande Edward Cullen, gosta de agir por si só, não consegue compartilhar. Como eu posso me tornar sua esposa se sempre retornamos a mesma questão.
–Sei disso. Sei que sou um idiota e não é a primeira vez que noto ou que me dizem, eu queria compartilhar isso com você, mas não sabia como dizer sem que passasse minhas preocupações para você. – suas mãos puxaram o cabelo frustrado – Caramba, você não dorme direito, não se alimenta corretamente, suas crises de asma pioraram.
O rosto de Bella corou, pensava que ele não tinha notado tudo isso e suas palavras mostraram ser ao contrário, ele estava ciente de muitas coisas.
–Não podia te deixar mais estressada do que está. Que tipo de marido seria eu se a deixasse preocupada enquanto eu tenho todos os meios de te proteger?
– O marido ideal. – bateu com o punho no balcão – Porque se fosse para me estressar ou passar por qualquer um desses sintomas queria fazer com você e não sozinha, mas você se afastou de mim... De nós.
–Isabella, eu nunca iria prejudicar sua saúde, também tenho trabalhado demais, ficado mais tempo no escritório do que antes.
Claro que ele tinha, ela via isso todos os dias, sempre simpático com a assistente que se expunha para ele, e, frio e distante com ela.
–Você foi atrás de sua assistente peituda? – perguntou receosa.
–O quê? – estava muito surpreso com essa pergunta, nunca iria atrás de outra mulher. A única para ele era a menina de olhar triste a sua frente.
–Se você foi eu te peço que me fale logo Edward. Não suporto mentiras.
–Eu nunca fui atrás de nenhuma outra mulher. – segurou a mão dela – Só existe você para mim. Meu mundo gira em torno de você. Minha mente e meu corpo só estão conectados a você.
–Não parece – puxou a mão, estava mais que magoada com ele, estava decepcionada – Ela fica toda encurvada na sua mesa mostrando os peitos e a bunda, o que você espera que eu imagine? O que você pensaria se eu fizesse isso com Demetri? Aí para ajudar você se exclui e não me toca mais, isso não me mostra que sou o centro do seu universo.
–Anjo. – diminuiu sua voz, era um imbecil de marca maior – Eu nunca olhei para a Srta. Malory. Te juro. Estava com medo de perder você e acabei trocando os pés pelas mãos. Me desculpe.
–Desculpas às vezes não são o suficiente, palavras não curam o que ações criaram. – Bella respirou fundo – Já não suporto mais isso, não consigo segurar mais tudo o que está acontecendo fora do meu controle e nem sei mais se quero passar por tudo isso.
–O que você quer dizer com isso? – questionou alarmado, não gostava do tom de voz que ela usou.
Ela não podia responder agora, sua mente ainda estava cheia com tudo o que descobriu em apenas um dia, estava cansada demais para pensar, não tinha condições de tomar qualquer decisão naquele momento.
–Preciso dormir um pouco. – se levantou caminhando para o quarto – Estou exausta Edward. De tudo.
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