Capítulo 5

Isabella estava apreensiva quando viu o enorme prédio que abrigava as Empresas Cullen, aquele era o tipo de edifício que esfregava em seu rosto que nunca teria dinheiro o suficiente para nem pisar no hall de entrada, após dar seu nome na recepção foi encaminhada a um elevador, qual parecia que não parava mais de subir, não que ela estivesse com pressa, ao contrario, estava adiantada quinze minutos, sua mãe sempre a ensinara a não se atrasar para compromissos e essa não seria a primeira vez, quando o elevador parou no último andar pode perceber a decoração serena que possuía, algumas paredes em cinza, em contraste com o branco ao redor, logo na saída tinha uma moça sentada que provavelmente seria a assistente do mandão autoritário, vulgo Edward Cullen, era uma mulher bonita que devia ter quase trinta em uma roupa social cor de gelo e o cabelo loiro preso em um coque bem feito, assim que saiu do elevador ela já veio em sua direção oferecendo agua ou chá, qual negou, seu estomago ainda estava um pouco embrulhado pelo nervosismo. Então a mulher bateu na grande porta de madeira em ao fim do pequeno corredor e logo depois pediu para que ela entrasse que estava sendo aguardada.

Ao contrário do corredor a sala era em tons escuros de um vermelho quase vinho, com preto e chumbo, bem medieval, na parede a esquerda havia uma estante cheia de livros do chão ao teto cobrindo toda a parede, na da direita duas portas fechadas e a sua frente uma visão de tirar o folego, duplamente, primeiro porque atrás da parede de vidro dava-se de frente ao Empire State Building, e logo atrás da mesa também de vidro um homem que mais parecia uma estatua de um deus grego, que estava de costas para ela, alto, forte com o cabelo desalinhado um uma cor de cobre e o terno que parecia ter sido feito especialmente para ele, mas nada a preparou para quando ele virou e a olhou, aqueles olhos verdes esmeraldas, o nariz anguloso e a boca perfeita, alguém disse alguma coisa sobre chefes gordos? Por um momento pode ler em seus olhos um sinal de reconhecimento. Sentiu suas bochechas corarem com o olhar que ele estava lançando a ela, simplesmente não conseguia desvendar o que aquilo significava.

Edward a olhava sem acreditar que a garota petulante era a mesma da lanchonete qual não conseguiu tirar da cabeça, agora estava com uma roupa social, de saltos e os cabelos soltos, o cheiro de morango a sua volta o fez arrepiar, então quando olhou novamente para seu rosto notou suas bochechas rosadas, queria morder aquelas bochechas naquele tom adorável, todo o seu corpo estava consciente do dela a sua frente, então voltando ao seu estado normal, ou quase, pigarreou.

–Senhorita Isabella Swan, é um prazer finalmente conhece-la. – disse com a voz calma.

Bella se sentiu estranha ao ouvir aquela voz rouca a chamando pelo nome, quase ninguém a chamava assim, sempre usavam seu apelido, mas esse gesto dele fez seu coração disparar.

–Devo dizer que o prazer é meu Senhor Cullen, afinal aposto que o Senhor já deve saber tudo o que precisa sobre mim. – disse com a voz firme que nem sabia de que lugar havia saído afinal sempre fora tímida na presença de estranhos.

Ele deu um sorriso torto comprovando que realmente ela era muito petulante, sua voz era calma e baixa, como uma canção de ninar, quando a cumprimentou em um aperto de mãos hesitante da parte dela, teve a impressão de que passou um choque por todo o seu corpo e se concentrou em seu membro, ela o olhou assustada e puxou a mão.

–Sente-se, por favor, Isabella. – puxou a cadeira para ela se sentar e foi em direção a sua do outro lado da mesa. – Deve estar curiosa pelo motivo que convoquei com você essa reunião.

Ela nunca se sentiu tão desconfortável em toda a sua vida, o homem a sua frente era simplesmente o mais bonito que já tinha visto, principalmente quando dava aquele sorriso torto, e quando sua mão tocou a dela então parecia que seu corpo iria entrar em combustão.

–Na verdade estou muito, afinal não é todo dia que uma estudante é convocada por uma das maiores empresas do país para uma entrevista com o chefe. – disse de forma sarcástica e sagaz.

Edward se viu obrigado a soltar uma leve e breve risada, essa garota de um metro e meio era abusada, dava pra perceber a distancia o desgosto de estar ali.

–Bem Isabella, já notei que você não gostou de ter sido... Convocada. – imitou a expressão dela – E não me importo que você seja uma aluna ainda, porque pelo que soube essa é sua última semana de curso e você tem experiência para criação de programas em extensão. Eu vi o que você criou com o Volturi e realmente foi muito bem pensado, é algo que inclui toda a sociedade em algo rotineiro como ir a um supermercado que às vezes pode ser difícil para alguém com deficiência visual e em parceria com diversos comerciantes você conseguiu integrar isso. Esse foi um dos principais motivos que a chamei aqui.

Bella não pode deixar de corar com o elogio e retorceu as mãos em seu colo, ela nunca se acostumara a receber e realmente não os queria, não se considerava um gênio ou um prodígio como muitas pessoas diziam, mas sim esforçada, não queria ser uma estatística de mais uma mente perdida, queria salvar as pessoas, salvar o mundo, ver que ainda existia coisas que valiam a pena do lado de fora da sua porta.

–Eu entendo, sei que Aro me recomendou. – a simples menção do nome de outro homem saindo pela boca dela o fez fazer uma careta, poderia parecer loucura, mas queria somente o seu nome naquela boca vermelha – E sei como esta difícil hoje em dia encontrar alguém com o mínimo de criatividade onde todos já partiram para a violência, mas eu não tenho interesse em nenhum projeto no momento, já tenho alguns meus que me ocupam a mente, eu fico muito grata mesmo que fez tudo isso, porém não posso aceitar.

–Você ainda nem ouviu qual era o meu projeto. – falou com a voz firme não deixando margem a discussão. – Quanto aos seus projetos tenho certeza que poderia conciliar com o seu trabalho, afinal terá uma equipe trabalhando nisso e você teria toda a verba necessária para assuntos pessoais, a empresa cuidaria de tudo o que fosse necessário e sem falar nos benefícios que temos.

Ela bufou um pouco com a arrogância dele, ele pensava que poderia ter tudo nas mãos ao seu controle, apesar de quê o que ele estava oferecendo parecia muito vantajoso, deu uma olhada na folha que ele passou pra ela eram os benefícios, o salario era além do que poderia conseguir em outro local, moradia, convenio médico direto com as clínicas Cullen, o horário de trabalho era mais que perfeito caso quisesse fazer algum curso, qual a empresa auxiliaria, era tudo perfeito, realmente não tinha como uma pessoa em plena saúde mental recusar assinar um contrato com ele.

–Senhor Cullen, fico lisonjeada com o que esta me oferecendo, mas quando escolho trabalhar senhor não é só por causa do dinheiro e dos benefícios. – disse humildemente devolvendo pra ele o papel.

Ele sorriu novamente, coisa que ele descobriu poder fazer nos últimos minutos, ela era fascinante, deveria ter pensado melhor que os gênios são atraídos pelo trabalho que vão realizar e não o que podem receber, afinal desde o inicio dos tempos é assim.

–Entendo, o meu projeto Isabella é um antivírus completo com poucas taxas de erro e que poderia bloquear até uma doença simples caso o funcionário espirre na tela do computador. – disse sorrindo pra ela. – Nos últimos quatro meses houve setecentas tentativas de invasão no sistema e devo dizer que pelo menos setenta por cento passaram pela primeira porta 40 por cento chegaram à segunda, então percebemos que estamos desatualizados e que um hacker mais... inteligente poderia ter acesso ao nosso sistema interno, por isso você esta aqui.

Após falar pra ela sobre um pouco do assunto notou como os olhos dela brilhavam em curiosidade, como uma criança que se conseguir vencer o desafio ganhará um premio no final.

–Você quer renovar todo o seu sistema para um antivírus mais potente?

–Sim, não entendo muito disso, mas foi isso que o meu técnico disse. – repassou a informação.

–Eu acho que você esta errado. Não é necessário criar um antivírus mais potente, pelo que você me disse essas invasões só ocorreram porque sabiam aonde procurar, normalmente é pelo site da empresa ou associados, entretanto o que seria mais viável pelo tamanho da sua companhia era uma espécie de ônix.

–Ônix? Como o carro? – perguntou confuso.

–Mais ou menos, ônix é uma pedra que tem como objetivo proteger, então seria melhor criar uma camada protetora para os principais acessos, e um retorno em casos suspeitos ou sem um código de acesso pré-definido a áreas isoladas.

Ele entendeu o que ela queria dizer, ela queria em vez de criar uma muralha que poderia ser quebrada ou pulada iria construir uma espécie de parede invisível para confundir invasores com uma única porta que só quem é autorizado poderia entrar. Seu sorriso se tornou maior ao perceber que o tempo de reação dela para criar uma alternativa ao problema que ele tinha foi mínimo.

–Você poderia criar isso. Eu tinha uma ideia do que poderia fazer, mas a sua é mil vezes melhor, você conseguiria construir isso?

–Nada é impossível, poderíamos criar um demo para um sistema único e isolado que se for comprometido não terá grandes consequências e depois implantar aos poucos em toda a empresa. – Bella já estava se entusiasmando com a ideia, Edward era um homem inteligente que conseguia seguir sua linha de raciocínio facilmente e até criado a hipótese de ela realizar o projeto. No final tinha que admitir que ter vindo para Nova York não foi uma coisa ruim afinal.

“A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltara ao seu tamanho original”.

Albert Einstein

Notas finais
Desculpa pela demora pra postar, queria agradecer a todos que comentaram, realmente vocês me incentivaram a continuar, muito obrigada. Espero que gostem do cap. bjos