O Que Somos
39 Capítulo 37
Capítulo 37
O caminho até o apartamento dele nunca foi tão silencioso antes. Edward estava se contendo para não gritar com ela, não podia acreditar que ela tinha ido se encontrar com o Black nas suas costas, ainda mais distraindo Garret para isso, será que ela não percebia todos os riscos que corria ao fazer tamanha idiotice, não tinha consciência que apenas em saber que ela foi atrás daquele verme dava ganas de se livrar do imbecil de uma vez por todas?
Sem se conter apertou forte o volante acelerando o máximo que poderia. Ao estacionar o carro abriu a porta pra ela e caminhou até o elevador a um passo atrás para garantir que ela não fugiria correndo.
–Vem comigo. – a puxou para o escritório pelo braço com passos rápidos e duros, assim que entraram trancou a porta e se serviu de uma dose de uísque. – O que você foi fazer naquela delegacia atrás do Black?
–Fui conversar com ele. – o observou esvaziar o copo e se servir de mais uma ainda de costas para ela – Eu e ele éramos amigos e queria entender o que aconteceu. Você não me contou nada e pelo menos ele disse alguma coisa.
–Ele quase te violentou. – cuspiu quase gritando – Foi isso que aconteceu, se eu não tivesse chegado ele teria conseguido fazer isso e agora você vai lá visitar aquele animal na cadeia? Se escondi algo de você foi para protege-la.
–Eu precisava saber os seus motivos. – tentou explicar – Sou grata a você por ter chegado a tempo, mas eu tinha que saber o que estava acontecendo, é a minha vida afinal.
–Sua vida. – ele estava caminhando como um animal enjaulado – Sim Isabella é a sua vida que eu luto para manter. Eu coloquei aquele cretino lá, me diga o que você quer fazer?
–Eu não sei, não tenho ideia do que fazer. – sua voz falhou no final – Só acho que ele não queria fazer o que fez e entendeu a gravidade do que aconteceu, ele está sendo agredido lá e sabe-se mais o que fazem com ele.
–É o mínimo que Black merece – falou indignado por ela defende-lo – E você não vai retirar a queixa. Eu não vou permitir que faça tamanha idiotice, já basta ter o perdoado.
–Não vai permitir? É a mim que ele prejudicou, sou eu quem deve tomar essa decisão e você me deixou de fora durante todo o momento, nem se importou com a minha opinião, em me perguntar o que eu achava sobre tudo isso – não pode conter sua irritação – E ao contrário do que você chama de idiotice, eu vejo como compaixão, e, não Edward, eu não o perdoei. Se agora eu sei de alguma coisa é porque fui falar com ele, você nem ao menos tentou me explicar nada e ainda espera que eu fique sentada enquanto você me controla como se fosse um brinquedo?
Ele caminhou lentamente até ela parando a sua frente, dentro de si uma raiva tão forte tomava conta por ela defender o homem que ia estupra-la se não tivesse chegado a tempo, algo em seu interior sabia que não deveria ter bebido porque não acabaria bem, sua mente gritava para que se distanciasse e esfriasse a cabeça.
–Me escute. Jacob Black não vai sair da cadeia. Eu não vou deixar que isso aconteça nunca. Entendeu?
–Você é quem não entendeu. – mordeu o lábio nervosa – Posso até mesmo não retirar a acusação, mas opressão para que ele não consiga uma fiança é demais, eu nunca fui a favor desse tipo de coisas e não vou ser agora porque estou com você. Justiça é o correto, mas não dessa forma, não dependendo do poder de um sobrenome, acima de deveres éticos. Isso não é quem eu sou ou como deveria me comportar.
–Tudo o que fiz foi para proteger você. Será que não pode pelo menos aceitar e ser grata?
Bella sentiu os olhos arderem e seu lábio inferior tremer, tinham um impasse muito grande ali, muito maior do que suas discussões anteriores, elas pareciam tão bobas diante do que estava acontecendo.
–Se é o que você quer. Muito obrigada Edward, mas isso não muda nada da maneira como você pensa e como deseja que eu aja.
Suas palavras foram o estopim para ele, cansado daquilo tudo jogou o copo de cristal na parede e a viu pular a sua frente.
–Sabe Isabella, acho que você só quer fazer isso porque deseja o Black – o veneno escorria em cada uma de suas palavras – Você o queria não é mesmo? Eu não deveria ter interrompido. Não deveria ter ido atrás de você em momento nenhum. Não deveria ter misturado trabalho com relacionamento e me envolvido com...
As palavras pararam, mas o conceito do que ele queria dizer rondava pelo imenso cômodo e ambos notaram o sentido.
–Diga Edward: Alguém como Tanya? Que iria traí-lo?
O corpo de Bella se paralisou e sua voz saiu estranhamente calma, quando Jacob a ofendeu o tinha agredido com um tapa, mas com Edward não poderia fazer isso, não tinha coragem, mordeu o lábio sentindo suas lágrimas caírem.
Ele era um bom jogador, um que conseguia expor todas as fraquezas das pessoas em suas faces, conseguia manipular tudo e a todos que estivessem a sua volta, se afastou dele com o coração doendo, não daria certo, ele não a escutava e não aceitava sua opinião, um relacionamento não funcionava assim, onde um mandava e outro obedecia, pelo menos não tinham se casado, não estava gravida dele, era mais fácil dessa forma, era o melhor. Secou suas lágrimas e sorriu tristemente.
Edward percebeu a besteira que falou no momento em que as lágrimas de Isabella caíram e agora depois que a raiva saía do seu corpo conseguia enxergar que ela estava fazendo isso porque acreditava que as pessoas poderiam ser salvas e mudar, acreditava que a justiça deveria ser feita, mas sem nenhuma influência de poder, assim como tinha feito para que o Black continuasse na cadeia e que pagasse pelo que tinha feito.
Por vezes havia dito que ela precisava parar de ver os pais biológicos como monstros, mesmo com todas as evidencias contra eles e agora ele mesmo tentava conter sua natureza e mudar sua maneira de agir.
Passou a mão no rosto cansado, sem saber como começar a pedir desculpas, queria abraça-la, mas assim que deu um passo pra frente ela deu dois para trás sorrindo tristemente. Seu coração congelou com aquele gesto.
–Não... Bella... Desculpa...
–Não posso. – falou em um fio de voz – Não agora. Não dessa vez. Você não me escuta e obviamente... Não me conhece.
Era doloroso para ela fazer essas palavras saírem da sua boca, parecia que tinham cacos de vidro descendo por sua garganta enquanto tentava controlar o choro.
–Bella, por favor, me deixe...
–Não... – o interrompeu cansada – Não precisamos de explicações Edward. Todo esse tempo juntos poderíamos ter tido mais companheirismo, mais confiança. Já não dá mais.
Ele tentou se aproximar dela, Bella colocou a mão no peito dele o impedindo de avançar mais e negou com a cabeça.
–Preciso de um tempo. – limpou os olhos – Tenho que pensar e não vou conseguir aqui, vou voltar para o apartamento no Queens.
–Não. – pediu desesperado – Não precisa sair daqui. Aqui é sua casa também.
–Aqui não é minha casa, nunca foi. Eu preciso disso, dessa vez eu preciso... Preciso ficar longe de você.
–Não. Bella, eu não posso viver sem você. Você é minha vida! Antes você prometeu que não me deixaria.
–Antes você não tinha me chamado de vadia. – sussurrou magoada.
Ela se sentou no sofá que estava as suas costas colocando a cabeça nas mãos tentando pensar, era demais pra ela, parecia uma enorme bola de neve descontrolada, tudo acontecendo em pouco tempo atropelando o que quer que estivesse em seu caminho, destruindo tudo.
–Eu te amo Edward, mas não consigo mais conviver com toda essa pressão... – sua voz estava estrangulada pela dor – Não consigo viver com todo o ciúme e a falta de confiança. Preciso me distanciar, ver algo além desse castelo de areia que criamos em cima do desconhecido.
Droga, nunca poderia ficar longe dele, amava mais aquele idiota do que deveria ter deixado, mais que a si mesma. Iria se casar com ele, pelo menos esperava por isso. Primeiro precisava pensar. Seria o melhor para os dois. Já bastavam todas as decisões equivocadas que tinham tomado no meio do caminho em seu relacionamento.
–Por favor... Por favor... – implorou – Eu preciso sair pelo bem de nós dois.
–Eu preciso de você Bella... Não vá.
–O que você precisa é pensar. Todo esse sentimento avassalador nos atropelou e precisamos ver tudo o que está acontecendo de outro ângulo.
–Você não entende... Vou morrer sem você.
–Você sobreviveu muito bem sem mim antes. – por mais que tentasse segurar, sua voz saiu amargurada.
–Antes não sabia como era o seu amor... Não faz isso comigo... Não me abandone.
–Não estou te abandonando... Estou fazendo o que é melhor pra mim e nesse momento é ficar longe de você... Eu... Eu te amo, mas não suporto mais tudo isso... Me dê esse tempo... Por favor Edward...
Ele relutantemente assentiu grudando as suas testas a abraçando, chorando com ela, tinha conseguido ferrar com tudo, tinha estragado tudo com a pessoa que mais amava porque ela era compassiva e pensava nos outros mais do que em si.
Parecia que aquele momento durou para sempre, desejava que fosse eterno, depois de um tempo sentiu o corpo dela amolecer e percebeu que ela estava dormindo ainda soluçando, a pegou no colo e foi para o seu quarto, essa provavelmente seria a última vez que a teria na sua cama a abraçou forte nem se importando em tirar suas roupas tudo o que precisava era mantê-la em seus braços e não pensar no amanhã.
O sol bateu no rosto de Edward o fazendo gemer baixinho, novamente sua cabeça doía, passou a mão pela cama procurando Bella, orando para que tudo fosse um pesadelo, mas a ausência dela o fez ver a verdade. Se levantou relutantemente indo diretamente para o closet, parte das roupas dela não estavam mais ali. Respirou fundo tentando manter sua sanidade intacta. Tomou um banho rápido e se vestiu totalmente de preto, estava de luto essa manhã. Heidi o olhou com compaixão ao servir o café.
Durante o caminho até o escritório permaneceu em silêncio olhando para o transito ao seu lado.
–Félix, quero que Garret ainda fique de prontidão para proteger a Srta. Swan – pediu – Não importa o quanto ela negue ele não vai deixa-la sozinha.
–Sim senhor.
Pararam em frente ao prédio e ele colocou os óculos escuros subindo diretamente para sua sala, não disse uma palavra para sua assistente, fez apenas um gesto para que ela o seguisse e falasse seus compromissos para o dia, se enfiou de cabeça no trabalho para tentar respeitar os limites que Bella estava colocando entre eles, pelo menos por enquanto.
Para Bella ficar naquele lugar em que tudo lembrava ele era um eterno sacrifício, desde o primeiro dia ali estava em contato com ele e não ter mais essa ligação era demais, quase como uma tortura lenta e maligna.
Todos notaram que algo estava errado com ela, mas mantiveram suas perguntas para si mesmos, Jane a observou durante todo o dia e garantiu que ela ao menos comesse um lanche na hora do almoço. O fim do dia foi o mais difícil, saber que não iria mais pra casa com ele. Doía tanto encontrar com Garret e seguir um caminho que já nem se lembrava mais de como fazer. Se despediu do segurança e entrou no prédio, pelo menos tinha Red com ela, o alimentou e foi tomar um banho.
Não tinha fome, não tinha forças... Não tinha nada.
“A dor nos faz tomar decisões erradas. O medo dela também. ”
House
Fale com o autor