O Que Somos
30 Capítulo 29
Capítulo 29
Quando Bella entrou na empresa na segunda-feira parecia que todos a olhavam, não se sentia confortável com esse escrutínio, era estranho e desconfortável. Saber que tinha sido capa de revistas ao lado de Edward era uma coisa, mas comprovar que todos os seus colegas de trabalho também tinham visto era constrangedor. Assim que sentou em sua mesa respirou fundo, teria que criar uma forma de ignorar os olhares que recebia. Edward tinha ido viajar e só voltaria na quinta-feira, então estava mais desanimada do que o normal.
–Hey Bells. – Sorriu para Jake que estava parado em frente a sua mesa – Como foi o fim de semana?
–Oi Jake, foi bom e o seu?
–Normal – deu de ombros – Hoje é aniversário do Joan e vamos sair pra beber uma cerveja depois do turno, você vem?
–Não sei, tenho que analisar um monte de coisas ainda, nem sei a que horas sairei daqui hoje.
–É uma pena, queria muito que nos acompanhasse, se mudar de ideia me avisa. Seria muito bom ter a sua companhia.
Ela concordou com a cabeça e observou ele sair, Jake era um cara legal, mas de uns tempos pra cá tinha notado que ele a mandava algumas cantadas e a convidava demais para sair, gostava dele como amigo e não queria perder sua amizade, mas não tinha jeito, teria que se afastar dele, já tinha problemas demais com o ciúmes de Edward para adicionar mais um a lista.
As horas demoraram a passar, sempre se sentiu bem com o trabalho, mas naquela segunda-feira só queria que Edward voltasse logo de Denver, não aguentaria muito tempo longe dele. Se jogou de cabeça no trabalho, iria aproveitar o tempo livre e adiantar tudo o que tinha para fazer, na quinta iria para casa passar o feriado de independência, e não poderia deixar nada pendente.
Edward estava inquieto na sala de reuniões da Cullen em Denver, nunca tinha se importado de ir viajar a trabalho, mas deixar Isabella em outra cidade depois dos dias que tinham passado doía muito e daria um jeito para que isso não voltasse a acontecer, já havia deixado ordens expressas com Garret para ficar de olho nela, conhecia Bella e sabia que ela dispensaria o segurança na primeira oportunidade que tivesse.
Na primeira semana após a festa havia uma multidão de jornalistas na porta de seu prédio e dezenas de matérias nas revistas especulando sobre seu romance, para sua namorada era assustador lidar com aquelas pessoas desconhecidas sabendo que existia a possibilidade de alguma delas poderia machucar ou prejudicar sua menina. Viu um dos advogados entrar na sala e nem se deu ao trabalho de cumprimenta-lo, quanto mais cedo concluísse suas tarefas ali mais rápido estaria com sua pequena. Queria chegar a casa antes que ela viajasse para a casa dos seus pais para irem juntos, afinal precisava urgentemente passar uma boa imagem para seu sogro.
Passou o dia em torno de papeis e contas tentando não ligar para ela de cinco em cinco minutos, bufou irritado olhando para o celular, discou o número dela, mas desligou, ela ficaria irritada se ele cedesse as suas preocupações. Tinha prometido se controlar.
No fim do dia, Bella se arrastou para fora do prédio, estava cansada e com cólicas, só queria um banho e cair na cama, na verdade queria um corpo quente ao lado do seu para aquecer suas costas, estava morrendo de saudades dele e nem fazia dez horas que se viram. Cumprimentou Garret com um aceno desanimado e pediu para que ele parasse na farmácia, aproveitaria para comprar seu anticoncepcional.
Saiu do banheiro correndo ao ouvir seu celular tocando.
–Oi tigrão. – falou arfante.
–Oi pequena. Tá tudo bem aí?
–Sim, é que eu estava no banho e vim correndo para atender.
Ele riu imaginando suas bochechas rosadas com o exercício.
–Sinto sua falta.
–Também sinto a sua, muito. – suspirou – Como estão as coisas aí?
–Bem, na medida do possível, se tudo der certo vou chegar antes de você viajar.
Ouvir o som de sua voz fez Bella conseguir dormir bem melhor durante a noite, era difícil passar os dias no apartamento dele sozinha, a distância era muito dolorosa, mas Rosie sempre estava com ela, até mesmo Emmett almoçava com ela todos os dias, tinha ido jantar na casa deles, era bom sair nesses momentos para tentar manter sua sanidade, Edward também não estava indo muito bem, na verdade já tinha lhe falado que queria enforcar alguns dos advogados daquela filial porque a cada dia aparecia mais trabalho para ser feito e seus planos estavam atrasados.
–Bella? – uma voz doce à fez levantar a cabeça do computador. Esme. Estava a evitando desde que Edward tinha revelado sobre Mel.
–Oi Esme. – tentou não parecer constrangida – O que faz por aqui?
–Vim te chamar para almoçar. – olhou em volta vendo que o andar estava quase vazio – Você pode?
–Uhm, claro.
Bella pegou sua bolsa e saiu com Esme, se sentia envergonhada pela situação, mas não sabia como agir, saber que ela via em si a filha que tinha perdido a assustava, não gostava dessa situação, era muito estranha e constrangedora. Depois de todos os anos passados nunca sequer imaginou que seus pais poderiam ser amorosos e compreensivos como os Cullen, sempre os enxergou como monstros inumanos e continuaria assim, nada e nem ninguém mudaria isso.
O restaurante estava cheio, mas não foi preciso Esme nem mesmo dar o nome para a recepcionista, a hostess as levaram para uma mesa nos fundos em frente a um jardim bem cuidado, depois de fazerem os pedidos um silencio incomodo cai na mesa.
–Já sabe quando Edward volta?
–Ele ia vir hoje, mas apareceu um problema e talvez amanhã ou na sexta.
–Que bom. – Esme a olhou torcer as mãos e suspirou – Aconteceu alguma coisa?
–Não. – se apressou em dizer, era uma péssima mentirosa – Não aconteceu nada, por quê?
–Você está me tratando diferente Bella. Não saímos mais para almoçar, você não foi com Edward jantar conosco no sábado e não retorna minhas mensagens. Eu te fiz algo?
–Não Esme, você não me fez nada. É só que... Que... Merda.
Esme a olhou feio e Bella corou envergonhada por ter falado um palavrão.
–Desculpe – pediu – É que Edward me contou sobre... Mel.
–Ah... – A mulher mais velha corou e olhou para suas mãos, estava visivelmente envergonhada – Você deve me achar uma irresponsável por deixar minha filha ser tirada de dentro da minha casa.
–Não, nunca acharia isso – tentou verbalizar seus pensamentos – E mesmo que pensasse não faria diferença porque não é da minha conta, mas é que... Que... Ele me falou que você a vê em mim.
Esme não sabia o que dizer, a verdade é que desde a primeira vez que ouvira Isabella algo dentro dela já tinha a adotado.
–Bella... Eu nem sei o que dizer. Só que vocês teriam a mesma idade e meu bebê sempre foi inteligente e curiosa, quando conheci você não pude evitar imagina-la aqui. Sei que acha isso estranho, mas já amo como minha filha, meu coração me fala isso.
–Esme, isso não é certo. – passou as mãos pelo cabelo – Eu também tenho um carinho muito forte por você e pela sua família. Os amo. Me afastei porque não acho certo o título de sua filha, eu nunca usurparia esse lugar, não é justo com a memória dela.
–Eu sei... Eu sei... – pegou a mão dela – Nem sei como me sinto porque durante os últimos anos sempre senti falta de Mel, mas assim que você entrou nas nossas vidas esse sentimento diminuiu, não digo que ele desapareceu e nem que você ocupa o lugar dela é apenas que não é o mesmo desespero.
–Eu entendo, Edward faz o mesmo comigo – sorriu fraco – Minha infância não foi fácil, eu... Tive alguns... Problemas e ele está sendo muito importante na minha... Recuperação. Entendo como você se sente e peço desculpas por ter me afastado, foi infantil da minha parte, deveria ter conversado com você..
–Tudo bem e fico feliz em saber disso.
As duas sorriram cumplices e engataram uma conversa mais leve, no fim foi bom esclarecer as coisas com Esme, Bella a adorava e não queria ter que se afastar das pessoas que tinha aprendido a amar. No final da tarde olhou para o computador vendo que todas as suas tarefas tinham sido concluídas no prazo, juntou suas coisas e olhou para o relógio, teria que terminar de arrumar suas malas antes de pegar o avião para Boston. Seu namorado tinha praticamente ameaçado a amarrar no avião da empresa, mas foi firme e bateu o pé, não queria esses benefícios, então pegaria um voo comercial. O ‘Dois de Paus’, não iria, coisa que agradeceu profundamente, já bastava seu pai, seu irmão e Edward para querer guardá-la em uma redoma de vidro.
O voo estava lotado, como imaginou e surpreendentemente a primeira classe parecia calma, como era as sete da noite a maioria dos passageiros estavam cochilando em suas poltronas exaustos pelo dia de trabalho, mas ela não tinha conseguido pregar o olho, antes de voar mandou uma mensagem para Edward para informar que estava no avião. Pouco mais de uma hora caminhou até a saída do aeroporto, havia falado com sua mãe que chegaria apenas na noite seguinte e sabia que Gabe não tinha dia certo para chegar.
Assim que o taxi parou em frente a casa azul de dois andares e cerca branca sorriu para si mesma, sentia falta daquele lugar, até o ar parecia ser outro. Caminhou pelo pequeno caminho de pedras em direção a porta, eram quase nove da noite, provavelmente seu pai ainda estava acordado vendo algum jogo. A porta se abriu e foi ela quem teve uma surpresa, seu irmão mais amado estava na porta com seu sorriso característicos, o cabelo negro grande caindo nos olhos azuis, a barba mais rala do que o normal. Ele a abraçou tirando do chão e a rodando, fazia mais de dois anos sem se verem, tinha sentido muita falta dele. Seu companheiro de confidencias e melhor amigo.
–Formiguinha, como é bom te ver. Senti tanto a sua falta. – a apertou nos braços.
–Gabe. Pensei que ainda não tinha chegado. – bateu no braço dele quando a soltou.
–Era você que só chegaria amanhã.
Puxou sua mão para dentro gritando seus pais como se o mundo tivesse acabando.
–Ô MÃE! PAI! VENHAM AQUI, ANDA!
–O que é isso menino, aonde tem fogo... – sua bronca morreu ao ver sua filha. – Bella.
Renée a abraçou forte tentando perceber se algo estava fora do normal, como sentia falta de sua menina, Charlie também chegou na sala praguejando que seu filho não conseguia manter a boca fechada no momento do seu jogo. Ao ver sua filha a agarrou tirando-a do chão.
–Bells, é muito bom te ver, essa casa tá muito silenciosa sem você.
Bella riu sabendo o quanto seu pai odiava quando ela ligava o rádio em suas bandas de rock, algo que aprendeu com seu irmão. Se grudou nele, tinham tanta coisa para conversar ainda.
–Filha por que veio hoje? – Renée estava curiosa.
–Já tinha adiantado o trabalho e consegui um voo. – sua mãe lhe lançou um olhar como se perguntasse se Edward tinha permitido – Sem palavras sobre isso.
–Venha cabeção, me fale mais sobre o seu trabalho e esse tempo todo longe de nós.
Ele a puxou pela mão para a cozinha colocando vários pratos de comidas diferentes em sua frente, desde a primeira vez era assim ele a queria engordar de qualquer forma, ele falou sobre o lugar, as pessoas, os pacientes, dava para perceber de longe o carinho que tinha pelo trabalho. Seus pais estavam na sala de tv e provavelmente não queriam ser interrompidos. Era constrangedor pensar que eles ainda namoravam mesmo depois de tantos anos de casados.
–Mas e o seu? – mordeu um bolinho – Mamãe disse que tem um namorado.
–Sério?
–Sim, ela disse: Se comporte ou te acerto depois. – imitou a voz da mãe rindo.
–É melhor mesmo, eu gosto dele e... Ele é legal.
–Só legal? – fez uma careta de desgosto – Não gostei dele.
–Ele me pediu em casamento. – falou vendo a boca dele se abrir em choque.
–Sério? – puxou a mão para ver o anel – Caramba Isabella. Que anel, será que não tinha uma coleira menos chamativa na loja?
Ela riu e o beliscou.
–Você é o primeiro que eu disse, queríamos falar com o papai primeiro, fazer tudo certo. – sorriu – Edward gosta realmente de mim e eu o amo muito.
–Edward? Edward Cullen? – ela aquiesceu – Não sei não, pelo que sei ele é bem mais velho que você e é o seu chefe, mas prometo que não deixo o papai atirar nele. Bater pode né.
Ela riu o abraçando mais forte, foram longos dois anos longe de suas piadas, tinha certeza que se um dia ele conhecesse Emmett os dois se dariam muito bem.
–Também tenho uma novidade. – ela esperou ansiosa – Resolvi voltar pra casa, consegui um emprego. É um hospital público, mas vou ficar mais perto de vocês, senti muita falta disso tudo e prometi não me afastar muito e cuidar de você. Mas sinto como se não cumpri minha promessa.
–Para com isso. Eu consigo me cuidar sozinha, aquelas pessoas precisavam mais de você. – bateu com o ombro nele, não queria pensar no assunto – Me ajuda a concertar minha pick-up amanhã, ela quebrou... De novo.
–Claro. Como nos velhos tempos? – estendeu a mão.
–Como nos velhos tempos. – apertou a mão firmando a cumplicidade que tinham.
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Edward odiava voos comerciais, mas não tinha jeito, como o avião da empresa estava em NY demoraria a chegar a Denver e depois ir para Boston, então decidiu poupar tempo e resolveu ir de lá mesmo. Teve que aguentar uma mulher gigante ao seu lado dormindo no seu ombro, um menino mal criado chutando sua poltrona a madrugada toda e um bebê chorando a plenos pulmões, o que não fazia por sua mulher.
Quando o avião finalmente pousou encontrou outro desafio, encontrar um carro para alugar, por conta do feriado não sobrou nenhum e os táxis demoravam uma eternidade para chegar e quando apareceu um livre quase abraçou o motorista, o transito também estava infernal, parecia que o mundo estava contra ele durante essa semana, só isso poderia explicar o inferno que estava passando longe de sua pequena. Assim que o carro parou em frente à residência dos Swan estava perto da hora do almoço, deu uma gorjeta a mais para o taxista por ter aguentado durante todo o caminho o barulho irritante do seu pé batendo contra o chão do carro.
Tocou a campainha da casa e uma mulher alta de olhos azuis e cabelos loiros o olhou admirada, se mudou nos pés desconfortável pela forma em que ela o olhava.
–Boa tarde, Sra. Swan.
Renée pareceu acordar do transe que estava e piscou tentando encontrar sua voz.
–Boa tarde. Posso ajudá-lo?
–Sim, sou Edward Cullen. – a cumprimentou brevemente.
–Oh meu... Claro, entre, por favor.
Ele foi praticamente arrastado para o interior da casa pela mão, olhou em volta procurando Bella, mas não tinha nem sinal dela.
–Não se preocupe que Bella está com Charlie e Gabriel, daqui a pouco eles chegam, quer aproveitar para se limpar Sr. Cullen?
–Me chame de Edward, por favor. E sim seria muito grato.
Ele a seguiu escada acima olhando as fotos no caminho, Bella estava na maioria delas, muitas delas estava séria e as demais com um pequeno sorriso tímido, não se surpreendeu muito ao vê-la de óculos em todas. Ela era adorável.
–Você pode ficar com Bella, duvido que ela queira que você fique em outro quarto. – abriu a porta do quarto para ele.
–Muito obrigado Sra. Swan.
–Nada de senhora, apenas Renée, afinal você já é da família. – ela disse emocionada – Tem toalhas limpas no armário embaixo da pia, sinta-se em casa.
Edward agradeceu novamente e fechou a porta do quarto, ele era surpreendentemente arrumado, as paredes verdes com pôsteres de algumas bandas de rock, e de baseball, duas paredes tinham estantes cobertas de livros, a cama de casal com uma colcha branca milimetricamente arrumada e poucas fotos na mesinha de cabeceira a mostrava com um sorriso gigante com a vara de pesca e um peixe na ponta cercada pelos homens Swan.
Entrou no banheiro para um banho rápido, olhou no espelho e passou a mão pelo rosto analisando se tirava a barba que estava grande ou não, optou por deixa-la como estava. Voltou para a sala procurando a dona da casa, a encontrou na cozinha cantando uma música estranha em frente ao fogão. Ela se virou para uma pirueta e o viu olhando sentiu seu rosto queimar, não imaginava que ele se banharia tão rápido.
–Está há muito tempo aí?
–Acabei de chegar. – sorriu tentando tranquiliza-la – Aonde eles foram?
–Arrumar a lata velha que chamam de carro. – falou. – Aquele pedaço de sucata já deveria estar morto a muito tempo, mas Bella insiste que ela ainda tem concerto, então Charlie e Gabe tentam arrumar pra ela.
A mulher olhou desgostosa ao ver seu marido entrar pela porta da cozinha sujo de graxa e despenteado, com certeza tinha entrado na brincadeira com as crianças.
–Oi amor. – deu um selinho na esposa olhando o tempo todo para o homem na sua cozinha. – Quem é você?
–Edward Cullen, chefe Swan – estendeu à mão, o homem de bigode fez uma careta, mas a apertou. – É um prazer finalmente conhece-lo.
–Pra mim também. – sua voz saiu forçada, o que fez Edward sorrir.
–Me larga, pareço um saco de farinha sendo carregada assim. – a voz abafada de Bella o fez olhar para fora.
–Fique quieta saco de farinha, esse é o seu castigo por ter me sujado.
Gabriel entrou na cozinha com Bella sobre os ombros sorrindo e com o rosto cheio de graxa, seus pais já estavam acostumados com aquela cena, mas para Edward ver sua mulher rindo e sobre o ombro de outro homem não era uma cena feliz.
–Opa, temos visita? – o homem questionou e tirou Bella dos ombros.
–Edward? – questionou alegre tentando arrumar sua camiseta que um dia tinha sido branca.
–Olá Isabella.
Bella não sabia como agir, parecia que não se viam há anos, tinha sentido tanta falta dele que não pode se conter, pulou no seu pescoço beijando seus lábios, percebeu que ele respondeu um pouco nervoso e se afastou lembrando que se esquecera de seus pais ali. Riu nervosa e se afastou dele notando que a graxa que tinha em seu rosto e roupas foi passada para ele.
–Senti sua falta. – falou baixinho. – Por que não avisou que chegava hoje, teria ido te buscar no aeroporto.
–Também senti a sua pequena. – seu olhar amoleceu e a abraçou. – Queria te fazer uma surpresa.
–Edward esse é o Gabe. – apontou para o homem que a trouxe nos ombros – Gabe esse é o meu Edward.
Seu irmão fez uma pequena careta, mas não disse nada, apenas o cumprimentou brevemente indo se limpar para o almoço, ela puxou o namorado pela mão até o seu quarto, ainda precisava de um bom banho.
–Quando chegou? – perguntou tirando as roupas dentro do banheiro.
–Há meia hora. – trocou de camisa – O que estavam fazendo?
–Arrumando minha pick-up, ela é antiga e quebra toda hora. – explicou, sua voz abafada pelo som do chuveiro – Depois do almoço te mostro ela.
–Parece que seu pai e seu irmão não gostaram de mim. – falou observando o pequeno corpo debaixo da água, sentiu seu membro dar sinal de vida e se obrigou a pensar no pai dela no andar debaixo.
–Não se preocupe com eles, são apenas ciúmes. Eu nunca trouxe ninguém pra casa. Não quer tomar banho?
–Muito, mas não podemos. Pelo menos não agora.
Ela fez um bico e saiu nua do banheiro em direção a ele, tinha sido a pior semana da sua vida passar longe dele.
–Por favor, amor. – o abraçou pelo pescoço sentindo a barba dele em seu rosto – Senti tanto a sua falta.
–Bella não faz assim. Eu também senti a sua falta pequena, mas se seu pai ao menos imaginar o que estamos fazendo aqui ele me caça com sua arma.
Ela riu e o beijou com paixão sentindo seu corpo acordar para o dele, sentiu a cama em suas costas e sorriu contra os lábios dele, as mãos fortes a apertando e acariciando, moveu as suas para a camisa dele abrindo os botões, acariciou o peito musculoso e assim que tocou no botão da calça bateram na porta.
–Isabella, o almoço está servido. – a voz de Charlie fez Edward levantar rápido e arrumar suas roupas.
–Tá bom pai, já estamos descendo. – falou irritada caminhando para o closet, colocou um shorts branco e uma camiseta azul. – Venha, antes que invadam o quarto.
Bella deveria imaginar que Edward conquistaria sua família com um sorriso, sua mãe já tinha caído nas graças dele e seu pai e seu irmão após o almoço já pareciam amigos de anos conversando na varanda da frente sobre esportes. Homens!
–Seu pai gostou dele, por mais que não demonstre. – disse terminando de guardar os pratos no armário – Ele viu que você não para de sorrir quando ele está por perto.
–Edward me faz feliz. – olhou a mulher mais velha e mordeu o lábio – Pela primeira vez sinto que pertenço a algum lugar, a alguém... Ele me fez enxergar o tamanho do amor que tenho por vocês.
Renée fungou, nunca tinha ouvido a filha falar de amor tão abertamente, ela era sempre reclusa e reservada, muitas vezes mal falava, tinha demorado quatro anos para lhe chamar de mãe e agora ver sua pequena menina ali tão mudada só poderia ser grata a aquele homem. Queria ter a filha mais perto, mas agora conseguia ver que o lugar dela era com ele.
–Pare de me fazer chorar. – limpou os olhos.
–Desculpe – riu – E você o que achou dele?
–Simplesmente lindo, encantador, ele parece um príncipe. Dá pra perceber porque está tão apaixonada. Se você deixar ele eu pego pra mim.
Bella riu jogando o pano de prato que secava as louças na mãe.
–Vou ir até o centro, preciso falar com Angie e resolver alguns problemas.
Saiu na varanda escutando os rapazes conversarem sobre novos jogadores do time de baseball, quando a viram pararam de falar como se fosse algum tipo de segredo que não queriam compartilhar com ela, revirou os olhos.
–Vou dar uma saída. – avisou caminhando até a pick-up vermelha parada em frente a garagem.
–Aonde você vai? – Edward questionou
–Vou ver Angela, uma amiga, não demoro.
–Nesse pedaço de sucata?
–Não chama ela assim porque tem sentimentos.
–Esse carro provavelmente vai morrer no meio do caminho.
–Não vai nada. Ela é forte. – piscou pra ele e lhe deu um selinho, entrou no carro dando partida, o barulho do motor estridente o fez contar até dez para não perder a paciência com ela e a trancar no quarto, aquele pedaço de sucata era pra ter sido jogado fora há muito tempo.
Voltou para a varanda depois que o carro virou a esquina, aproveitaria que ela não estava para conversar com o sogro. Queria resolver muitos dos problemas que o inquietavam naquela viagem.
–Sr. Swan, será que podemos conversar um pouco a sós?
–Claro. Venha até meu escritório.
Seguiu o homem de bigode casa adentro até pararem em uma porta aos fundos da escada, respirou fundo ao sentir o cheiro de couro do lugar e ver os diversos livros espalhados por lá, Charlie sentou atrás da mesa de madeira escura e fez um gesto para ele tomar um acento a sua frente, Edward estava inquieto demais para conseguir se sentar.
–Bom, não sou de fazer rodeios – começou – Eu amo a sua filha, amo mais do que qualquer coisa ou pessoa.
–Percebi isso pelo seu olhar, acredite em mim que esse é o único motivo que te aturei aqui. Minha filha é uma garota excelente, mas ela tem limites e alguns problemas, espero que entenda isso. Não quero ser obrigado a tomar uma atitude.
–Sei disso. Ela me contou sobre tudo. – revelou
–Tudo o quê?
–Sobre o abandono, os abusos, a adoção... Tudo – passou a mão pelos cabelos – Ela me disse que não conseguiram encontrar o homem que fez aquilo com ela... Eu tenho os meios necessários para encontra-lo, para fazê-lo pagar pelo que fez, peço a sua ajuda para isso.
Charlie ficou mudo por alguns minutos, demorou quase dez anos para Isabella confiar nele e se abrir, mas com aquele estranho foram apenas algumas semanas, não pode evitar passar a mão pelo bigode com ciúmes, foram anos tentando encontrar apenas uma pista sobre o desgraçado, vários favores cobrados, sentia que devia isso a aquela pequena menina assustada e ferida.
–Como você pode encontra-lo?
–Acredite em mim Sr. Swan, tenho o pessoal mais bem preparado para fazer isso, já entrei em contato com alguns amigos e só precisam de informações mais precisas – respirou fundo – Não queria quebrar o sigilo que criou para o caso dela, não quero fazer isso sozinho, o senhor é o pai dela, a ama. Podemos fazer isso juntos.
–Tudo bem, infelizmente você está certo. – admitiu a contra gosto, pegou o telefone em cima da mesa e discou um número – Newton, preciso que pegue um livro no meu escritório... Sim... Na estante da esquerda... Vermelho, grande com a faixa preta. Esse mesmo, traga o mais rápido possível.
Desligou o aparelho e olhou para o homem a sua frente, nunca em sua vida imaginou tendo essa conversa, era estranho.
–Meu assistente vai estar aqui em alguns minutos, espero estar fazendo o certo e pelo amor de Deus, me chame de Charlie me sinto velho com você me chamando o tempo todo de senhor.
–Já que é assim, Charlie queria fazer outro pedido. Bella concordou em ser minha esposa, queríamos sua benção.
–Me chame de Sr. Swan.
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