O Que Somos
28 Capítulo 27
Notas iniciais
Capítulo 27
–Tanya.
Não podia acreditar no que estava vendo. Como aquela maldita tinha conseguido entrar ali, ela não tinha vergonha na cara mesmo, se grudou mais no corpo de Bella tentando a proteger daquela víbora.
–Olá Edward.
Sua voz lhe dava nojo, assim como tudo nela.
–O que faz aqui? – sua irritação era visível em sua voz. – Você não foi convidada.
–Meu pai não pode vir, então eu vim em seu lugar. – o sorriso cínico não saiu do seu rosto – Não vai me apresentar sua amiga?
–Ela é minha mulher Tanya. Você não é bem vinda aqui, já disse para não vir em qualquer lugar em que eu esteja.
Ela riu como se ele tivesse contado uma piada, o Edward que ela conhecia não tinha mulheres fixas e estava gostando de provocá-lo.
–Mulher... Então ela não é mais uma das suas amantes prostitutas? Cuidado com ele menina, Edward Cullen não costuma brincar de casinha por muito tempo e com certeza ele não é o tipo para romances.
Edward avançou nela, mas Bella se interpôs na frente de seu corpo, tinha apenas observado a conversa, porém aquela mulher era realmente muito atrevida de ir ali a insultar em um local que não tinha sido convidada a permanecer.
–Não que seja da sua conta porque não é, mas o que fazemos de nossas vidas privadas apenas nos desrespeita e se ele tinha amante quando estava com você é provavelmente porque não foi capaz de mantê-lo satisfeito e você bem deve saber que ele é insaciável, então não nos compare. – a boca da loira se abriu em espanto – Quanto a essa coisa de menina, pode até ser pela minha idade ou minha aparência, mas minha mentalidade nos mostra que sou bem mais mulher que você poderia ser algum dia. Uma coisa que talvez não tenham te ensinado é que quando você não é convidada não deve aparecer, é o mínimo de um bom comportamento e modos de etiqueta, então peço por gentileza que se retire.
A voz de Bella era baixa e segura, seu olhar nunca vacilou do da mulher mais alta que a olhava com raiva, dessa vez não se deixou intimidar, não poderia fraquejar, deveria apenas manter sua mente como se isso fosse um desafio de xadrez e não desistir e muito menos chorar. A mulher saiu de lá batendo o pé e empurrando quem entrasse no seu caminho, Bella também queria sair daquele lugar, mas seus pés estavam presos no salão ainda em choque com suas próprias palavras e antes que tivesse chance de escapar um homem parou a sua frente, ela sentia que o conhecia de algum lugar e isso não era uma coisa boa, seu sexto sentido apitou furiosamente enquanto ele a olhava com um sorriso no rosto, seus olhos azuis com um sentimento que a fez engolir em seco, ele tinha uma cicatriz na testa que passava por seu olho esquerdo que a assustava.
–Edward, sempre que o vejo está em problemas com mulheres rapaz.
Sentiu o corpo do seu namorado que ainda estava colado ao seu se enrijecer.
–Não tenho problema algum James, nunca tive.
O homem loiro riu com facilidade, o estomago de Bella se revirou com aquele som, não gostava disso, tudo dentro de si a mandava correr para o mais longe possível, não deveria estar ali, não pertencia a aquele lugar.
–Essa deve ser Isabella.
–Sou. – ela o cumprimentou com um aperto de mãos e sentiu sua cabeça pulsar.
–Isabella, esse é James Hunter, ele é diretor de gerencia interna e um amigo da família.
Ela apenas acenou com a cabeça ainda com aquele sorriso estranho, aquele homem dava arrepios, não gostou dele, fez uma nota mental para permanecer o mais longe possível, após alguns momentos ele foi chamado por uma mulher morena e se viu relativamente sozinha com Edward. Precisava respirar, murmurou que iria ao banheiro e não esperou uma resposta dele, andou o mais rápido possível que os seus saltos permitiam. O banheiro estava vazio, se olhou no espelho e percebeu que estava pálida, lavou o rosto e a nuca tentando normalizar sua respiração, não queria pensar nas palavras ferinas da mulher e nem daquele homem, talvez se conseguisse passar pela noite pensaria melhor. Refez a maquiagem e saiu para o salão.
O número de pessoas ainda era grande, conversando, bebendo, rindo. Não se fazia parte disso, era completamente diferente deles, sentiu seu peito se apertar, pegou uma taça de champanhe com o garçom que passava e a bebeu em um gole, trocando por outra, não sabia quando tinha começado a mascarar seus problemas com a bebida, fez uma careta e devolveu a taça intocada, era melhor que isso. Caminhou até a varanda e sentiu o ar frio em contraste com seu corpo quente, precisava respirar um pouco.
Edward a observou passar entre as pessoas apreensivo, sentia falta de Alice para lhe aconselhar sobre o que fazer porque sabia que Rosie não tocaria no assunto, ela já tinha declarado que sempre estava do lado de Bella, não importasse o motivo. Queria enforcar aquela vadia da Tanya por acabar com a sua noite, estava tudo indo tão bem.
–O que Tanya queria dessa vez? –Esme perguntou calmamente.
–Me caluniar para Isabella – bufou irritado e bebeu mais um gole de uísque – Ela insinuou que eu tinha amantes quando estava com ela.
Sua tia sabia que ele não tinha terminado ainda, sentia a inquietação dele em todo o seu redor.
–Ela teve a cara de pau de vir aqui e falar que eu a traia e a chamou de prostituta, a maldita.
–Você já conversou com Bella sobre Tanya?
–Não. – suspirou e passou a mão pelos cabelos inquieto – Eu não tive coragem, ela foi a pior humilhação da minha vida tia, não queria que Bella soubesse disso.
–Você deveria contar, ela está curiosa e com essa mulher falando ao redor não vai ajudar muito.
–Eu sei, queria agradecer por ter levado Bella para casa hoje, sei que não é o seu caminho.
O rosto de Esme se avermelhou, Isabella não tinha ido com ela.
–Ela não foi comigo, ela pegou um taxi, disse que tinha um compromisso.
O maxilar de Edward se endureceu e se obrigou a contar até dez, por que ela não podia seguir pelo menos um maldito pedido que fizesse, sentiu seus pés batendo contra o chão em um gesto de nervosismo, respirou fundo tentando se manter calmo. Deu um beijo de despedida na tia e na sua cunhada e foi em direção a varanda, Bella estava olhando para baixo, sabia como ela detestava altura, então isso não era bom.
–Vamos? Já está tarde.
Ela se virou percebendo que a voz dele estava contida e seu olhar mais frio do que o polo norte no inverno. Aquiesceu e foi se despedir da família dele. Durante o caminho de volta nenhuma palavra foi trocada, ao menos se tocaram, ambos presos em pensamentos. Obviamente não imaginavam que a noite fosse acabar dessa forma.
Ao entrarem no quarto Bella foi direto para um banho, se deixou cair no chão do banheiro, não deixaria que seus temores vencessem dessa vez e também não queria confrontá-los. Era ridícula mesmo, uma medrosa. Irritada consigo mesma se enrolou no roupão e caminhou até a cozinha, precisava de algum remédio para dor de cabeça.
Edward estava sentado no balcão com um copo cheio de liquido âmbar, ela podia jurar que era uísque apenas pelo cheiro, não disse uma palavra sequer e procurou pela caixa de medicamentos que ficava no armário em cima da pia.
–Os remédios estão na prateleira de cima.
Seu corpo se colou ao dela para pegar a pequena caixa que ela não alcançava e colocar em cima da pia.
–Obrigada. – sua voz mal passou de um sussurro incomodado pela sua presença tão próxima.
–O que fez à tarde? – questionou rodando o liquido do copo.
–Saí com Esme e Rosalie, você sabe disso. – seus corpos ainda estavam próximos, podia sentir o hálito quente em sua nuca.
–Depois disso Isabella. Não se faça de tola porque sei que você não é.
Ela se virou na esperança que ele falasse que aquilo era uma brincadeira de mal gosto, ELA tinha ouvido da ex dele que ELE mantinha amantes e que provavelmente faria o mesmo com ela, a chamou de prostituta e aquele idiota ainda tinha a cara de pau de desconfiar de seus passos?
–Eu pedi para você chamar Garret ou pedir para Esme te trazer, mas você pegou um taxi.
–Você está desconfiando de mim?
–Só quero saber, apenas isso.
–Sua ex joga na minha cara que você tinha amantes e sou eu quem leva toda desconfiança?
–Eu nunca tive amante alguma. – sua voz saiu rígida, inflexível – Não sou esse tipo de homem, nunca fui e não vou ser.
–Que ótimo pra você, então por que ela acredita que você tinha?
–Ela é uma louca Isabella.
–Sério? Não notei o tamanho do censo de possessão que a prende. – falou com sarcasmo – Me fale por que vocês terminaram?
–Isso não importa.
Ela ficou calada por algum tempo o olhando, absorvendo suas palavras. Merda, ela tinha confiado a pior parte de sua vida a ele e aquele cretino nem ao menos poderia verbalizar o motivo do termino de um relacionamento e ainda por cima a chamava de tola. Negou com a cabeça soltando um riso sem humor, era realmente uma idiota. Caminhou até o quarto com ele em seu calcanhar.
–Confie em mim, você não vai querer saber dessa merda toda. – falou a seguindo.
–Eu sempre confiei em você Edward. – sentiu seus olhos molhados, caminhou até o seu lado da cama e pegou um saquinho azul. – Abra.
Ele abriu o laço do saco e virou em sua mão, um relógio de bolso prata era o que o seu pai sempre carregava, suas iniciais estavam na capa e quando abriu viu uma foto dos dois juntos ela beijava sua bochecha e ele ria alegre, se lembrava desse dia, tinha uma cópia da foto na tela do seu computador, recordava que algumas noites atrás tinha confidenciado a ela que ainda mantinha o relógio velho de seu pai guardado e que qualquer dia mandaria arrumar e colocaria uma foto dos dois nele.
–Bella... – tentou dizer, mas ela o cortou.
–Feliz aniversário. Foi isso o que fui fazer. Vai querer ver o horário na nota fiscal? – disse sem animo algum. – Eu vou para o outro quarto.
Ela tinha se vestido rapidamente com uma calça de moletom, tênis e o agasalho de Harvard, seus olhos verdes estavam brilhantes, precisava pensar um pouco, ficar um pouco longe dele, ele era ciumento ao ponto de sufoca-la e não seria capaz de tomar uma decisão com ele ali na sua frente, o dia já tinha sido longo demais para dar conta. Tirou o anel de noivado do dedo e colocou no criado mudo. Era muito cedo para ter tomado aquela decisão e mal se conheciam.
Edward estava apavorado, essa era a verdade, sentia que a perdia, sabia que se a deixasse ir ela não voltaria, a conhecia o suficiente para ver isso nos olhos dela. Quando ela caminhou para a saída ele parou entre seu corpo e a porta.
–Me deixe passar Edward – pediu, já estava no limite de sua sanidade.
–Não, por favor, me escute.
–Já te escutei uma vez, já chega.
–Tenha misericórdia Bella, apenas escute.
–Me deixa sair.
–Se for preciso irei te amarrar na cama para que me escute. – estava cansado e sua voz saiu mais brusca do que pretendia.
Ela não o olhou, era uma tola e fraca ainda por cima.
–Me desculpe, não queria te ofender. – respirou fundo e a empurrou para dentro do quarto fechando a porta – Realmente não queria e não estava desconfiando de você. Eu juro.
A sentou na cama e puxou uma cadeira que estava no canto para se sentar na frente dela, segurou suas pequenas mãos frias e as levou aos lábios, não sabia como verbalizar tudo o que passava por sua cabeça, era muita coisa e muitos sentimentos ao mesmo tempo, se sentia pressionado e sufocado, mas não poderia parar, se não falasse a perderia. Ela tinha confiado nele, então poderia fazer isso por ela também. Olhou para o anel ao seu lado, o pegou e respirou fundo.
–Minha vida era perfeita. – começou – Meu pai era o presidente da empresa, ele adorava aquele lugar e eu também, sempre que podia estava ao lado dele, trabalhando com ele eu ficava mais tempo com ele lá do que em casa. Quando estava com sete, tia Esme engravidou, ela já tinha o Emm e Alice... O bebê era uma menina... Seu nome era Melanie, Mel. – Ele sorriu com a lembrança do pequeno bebê de olhos claros, cabelos escuros e pele rosada que não soltava o seu dedo por nada. – Ela era muito importante para mim, cresci a protegendo, a mimando e assustando os outros meninos que se aproximavam dela e eram muitos.
Bella não pode evitar rir o imaginando amedrontar outros garotos, ele e Emmett. Ele sorriu e segurou sua mão mais forte.
–Eu amo Alice como se fosse minha irmã, realmente, mas Mel era diferente, Alice parecia ser mais forte, mais decidida, mas Mel era ingênua e vulnerável eu tinha a sensação que deveria protege-la a todo custo... Ela tinha quase cinco anos quando... Tinha uma festa na casa dos meus tios, não lembro sobre o que era... Em um momento estávamos correndo no jardim com Emm e no outro ela tinha sumido, como fumaça. – ele respirou fundo – Ela desapareceu de dentro de casa cercada de pessoas e seguranças. O sequestrador nunca entrou em contato, foram os piores dias de nossas vidas, eu me culpava, Emm se culpava, meus tios se culpavam. Eu estava com ela, deveria tê-la protegido.
–Não foi sua culpa – ela o abraçou sentando em seu colo – Você era uma criança também, você e Emmett.
–Sei disso hoje... Quando completaram dois meses do desaparecimento meus pais e eu iriamos fazer uma viagem para Chicago, mas eu queria ficar com meus tios, queria estar por perto caso eles tivessem alguma novidade. Naquela noite um policial bateu na porta, mas não era por causa de Mel e sim para avisar que o carro dos meus pais tinha saído da pista e caído em um barranco. – ela o apertou mais forte – Foi a pior época da minha vida. Perdi as pessoas que mais amava, o mundo era tão injusto, eles não mereciam morrer, meus tios não mereciam ter perdido Mel. Não merecíamos aquilo tudo.
–Sei como se sente. – ela falou baixinho, ele passou o braço pela sua cintura e colocou o rosto na curva de seu pescoço.
–Estudei muito a partir daí, queria dar orgulho aos meus tios, aos meus pais, a Mel... Era um viciado em trabalho, só trabalhava e estudava não queria saber de mais nada... – parou um pouco para respirar e reorganizar seus pensamentos — Teve uma festa da empresa, normalmente não as frequentava, mas tia Esme me ameaçou e então conheci Tanya, ela é filha de um amigo de Carlisle, nos aproximamos, as coisas aconteceram de uma forma que até hoje não compreendo. Um belo dia ela chegou pra mim e disse que estava grávida, eu presumi que o filho era meu, afinal estávamos... Envolvidos. A pedi em casamento e formalizei tudo como deveria ser. Tenho que confessar que não mudei meus hábitos de trabalhar muito, pelo contrário ficava ainda mais no escritório, não queria a presença dela, tive que viajar para verificar algumas propriedades, mas decidi voltar mais cedo.
Bella não sabia se queria continuar a ouvir, já era o suficiente, ela melhor do que ninguém sabia como os fantasmas do passado poderia prejudicar o presente, tentou lhe dizer isso e foi calada com um beijo cálido, agora que tinha começado iria até o fim.
–Quando entrei no meu apartamento, escutei gemidos, pensei que ela estava passando mal – ele riu sem humor – Ela estava embaixo do meu melhor amigo desde o colegial, gemendo chamando o nome dele na minha cama. Os interrompi, bati tanto nele que o infeliz precisou de uma cirurgia reconstrutiva, não foi pela traição em si, mas por eles fazerem isso debaixo do meu teto e como não poderia encostar nela a deixei lá com ele. Rompi qualquer laço com a família dela, disse que quando a criança nascesse iria solicitar um teste de paternidade e se fosse meu filho ele iria ficar comigo.
–O bebê era seu? — seu tom era hesitante, não sabia o que esperar.
–Ela abortou. – Bella soltou um som de protesto e segurou seu rosto para olha-lo – A maldita abortou. Era uma vida Bella. Poderia ser um pedaço meu.
–Sinto tanto Edward.
–Não sinta.
–Peraí, você colocou aquele segurança atrás de mim porque acha que vou fazer o mesmo que ela? Que vou te trair? – perguntou magoada.
–O quê? Não, nunca. Coloquei porque te amo e quero te proteger, nunca as comparei, nunca mesmo. É que depois daquilo eu me fechei em mim mesmo, porque mesmo que aquela pequena vida não tivesse o meu sangue eu já o tinha amado. Me tornei frio, distante, intocável... Aí precisava de alguém para trabalhar pra mim, alguém no mínimo competente, Aro me indicou uma jovem mulher brilhante e excepcional que apesar da pouquíssima idade tinha um currículo invejável. – viu o rosto dela corar e sorriu – Pessoalmente pedi para ela fazer uma entrevista, não poderia deixar um incompetente não a contratasse, ela recusou, tentei de novo e de novo, algo dentro de mim pedia por essa menina, então ela aceitou fazer a bendita entrevista, pensa em uma menina teimosa, cuidei para que ela ficasse bem e segura em sua visita.
–Você cuidou do motorista, hotel e tudo mais? – pediu surpresa e ele apenas assentiu beijando seu nariz arrebitado.
–Sim, apenas em ouvir o seu nome já me sentia alegre, entusiasmado. No dia em que chegou sai do escritório com fome, já estava tarde, então caminhei até uma lanchonete e vi um pequeno anjo de olhos verdes e cabelos castanhos que gosta de camisetas de bandas de rock garantindo a mãe que estava bem. – ela se lembrou na hora da sensação de que alguém a estava observando – A deixei ir porque ela parecia jovem e inocente demais para mim, qual não foi a minha surpresa ao encontra-la no meu escritório na manhã seguinte, tinha passado a noite em claro pensando nela e em como eu fui covarde por não ter pedido o telefone ou o nome dela.
–Era você na lanchonete? – ele concordou – Senti como se houvesse alguém me olhando, mas quando me virei não tinha ninguém.
–Me apaixonei por você naquele momento. E quando te vi na minha sala se negando a ter qualquer coisa comigo ou com a empresa eu tive que ser um tanto... Persuasivo. – Ela bufou com indignação com certeza essa não era a palavra que usaria para ele. – Te conquistei, te fiz minha de corpo, alma e mente. Consegui que aceitasse se casar comigo. A verdade é uma só Isabella, eu te amo, você apareceu na minha vida para me salvar, minha eterna luz não mais tão distante. Essa luz que vejo em você é a que me guia pela escuridão.
Ela segurou o choro, a vida não tinha sido fácil para nenhum dos dois, ambos tinham problemas, deficiências e com certeza muito medo.
–Sei que me acha controlador demais, mas tudo o que faço é pensando em você e no seu bem estar eu confio em você, muito. Mas se perder você não vai haver motivos para que eu sobreviva mais. Prometo que vou maneirar nisso, mas não posso ceder completamente.
–Eu preciso de espaço Edward... Entendo que não quer me perder, mas me prender também não é a solução, não sou feita de vidro, sei me virar. Posso aceitar que o ‘Dois de Paus’ me acompanhe em alguns momentos, mas tem coisas que é demais.
–Eu sei, me desculpe pelo meu comportamento. Eu amei o presente, foi o melhor que eu já ganhei e muito atencioso também. Vou carrega-lo sempre comigo no bolso interno do paletó. Bem em cima do meu coração.
Ela riu e se aconchegou nele beijando em cima do seu pomo de Adão, aquele era o seu lugar preferido no mundo todo, no colo dele, simplesmente esquecia todos os problemas quando estava ali. Ele aproveitou o momento e deslizou novamente o anel por seu dedo.
–Não tiveram notícias de Mel?
–Não, a polícia perdeu a esperança depois de alguns anos. Encontraram alguns indícios que ela provavelmente teria sido morta.
–Deve ser difícil para Esme e Carlisle.
–Muito. – beijou seus cabelos – Esme vê Mel em você.
–Eu não quero isso Edward. – sua mente estava em alerta.
–Por que não?
–Você não entende – se levantou e começou a caminhar pelo quarto inquieta. – Meus pais não me amavam, na realidade me desprezavam, e Esme, ela é bondade pura, uma ótima mãe... O tipo de mãe que qualquer mulher quer ser um dia... Não posso fazer isso com ela... Simplesmente não posso dar para ela essa fantasia, se ela fosse minha mãe duvido que tivesse passado pelas mãos daquele monstro. Ele nunca teria sequer se aproximado de mim.
–Bella, me escute – a segurou pelos ombros parando seus passos – Não sabemos nada sobre seus pais biológicos, eles podem ter pensado que estavam fazendo o melhor para você ou então como Mel foi tirada deles, você mesma fala que Ele era um monstro, então qualquer opção é válida.
–Há a opção de que ele fosse meu pai Edward. – sussurrou – Tinha alguns momentos em que ele me forçava a chama-lo assim, mas eu me negava, sentia no fundo que ele não era e então apanhava mais.
Ela se negava a aceitar a possibilidade que seus pais poderiam ser bondosos, seu lado racional concordava veemente com ele, mas o seu sentimental era outra história. Uma bem diferente, cheia de dor e abusos, não queria pensar naquilo. Percebeu quando ele começou a tirar suas roupas, mesmo não tendo nenhum tipo de chamado sexual seu corpo se aqueceu com essa possibilidade. Ele ainda estava com a roupa da festa, sua gravata vermelha frouxa no pescoço e alguns botões da camisa abertos.
–Edward? – o chamou enquanto ele desamarrava seus tênis, ele olhou sem parar o que estava fazendo – Faça amor comigo. Me faça esquecer tudo. Me faça ter apenas boas lembranças dessa noite.
Ela nunca tinha sido tão direta quanto ao sexo antes, tinha vezes em que ela tomava a iniciativa sim, mas dessa vez parecia ser algo a mais, queria mostrar a ela como poderia confiar plenamente nele, que nunca seria capaz de machuca-la. Terminou de tirar os seus sapatos e os jogou para longe subiu seu corpo tirando o moletom do seu caminho mostrando os seios perfeitos, os acariciou levemente a ouvindo suspirar.
–Vamos fazer uma coisa nova hoje, então se você não gostar é só pedir que eu paro. – sua voz era como veludo negro, cheia de promessas.
Sentiu seu corpo ser colocado no centro da cama, ele depositou pequenos e leves beijos em sua orelha, queixo e pescoço. Suas mãos não a tocaram em momento algum, se perguntava o que ele estava aprontando.
Se afastou dela tirando a gravata e a sentou na cama, seus olhares juntos a todo momento, sem se desviarem, as pequenas mãos foram para os botões na camisa dele os tirando um a um, não pode deixar de beijar seu peito, adorava o sabor de sua pele, ele gemeu baixinho e afastou, pegou a gravata novamente e vendou seus olhos.
–Basta uma palavra que eu paro tudo bem? – ela assentiu ansiosamente e se deitou na cama.
Edward saiu da cama e tirou a calça pacientemente, olhou para o pequeno corpo no centro de sua cama e respirou fundo, caminhou até o banheiro e pegou um óleo de massagem que tinha ganhado de Emmett, nunca pensou que o usaria, retornou ao quarto e sentou na cadeira que ainda estava no mesmo lugar, aplicou um pouco do óleo na mão e pegou seu pé esquerdo e sorriu quando ela se encolheu de surpresa, massageou a sola do pé pressionando os dedos na medida certa, amava quando ouvia os pequenos gemidos que ela soltava. Revezou com os pés e subiu as massagens para os tornozelos e joelhos.
Estava tão arfante quanto ela, seu corpo se contorcia com os carinhos, o fato de não poder vê-lo aumentava a intensidade dos seus sentidos, sua respiração estava falha e arfante, suas mãos presas nos lençóis com força o cheiro do óleo que ele passava em seu corpo era afrodisíaco fazia sua mente flutuar.
–Eu amei o seu vestido, você era o único anjo naquela festa. – sua voz estava rouca. – Você é a única mulher para mim.
A mão dele subiu para os braços e ombros, descendo para os seios os apertando e passando para sua barriga, ela saltou colocando suas mãos nas dele, estava muito excitada com apenas aqueles carinhos e sua voz.
–Edward...
–Quer que eu pare?
–Nunca... – forçou sua voz a sair – Quero você dentro de mim.
Soltou a mão direita da dela e a tocou provando sua umidade, brincando com o seu centro.
–Tem certeza?
–Por favor... Por favor...
Sem mais um pensamento se infiltrou entre suas pernas, ergueu seu quadril e a penetrou em uma única investida, as mãos dela arranharam fundo suas costas, colou seu peito com o dela e manteve o peso do corpo nos antebraços ao lado da cabeça. Os dentes dela prendiam firmemente o lábio inferior que ele fez questão de sugar. A conexão entre os dois era indescritível, surreal, simplesmente a melhor sensação do mundo. Ela circulou suas pernas no quadril dele esfregando suas pélvis. Sentia a respiração quente e ofegante se misturar com a sua enquanto ele sugava seus lábios para depois investir a língua em sua boca começando a se mover de forma lenta e sincronizada, uma de suas mãos acariciando a lateral do corpo cheio de curvas a apertando.
–Você é tão linda – sussurrou em seu ouvido, seu rosto estava vermelho – Amo essa cor em você...
–Oh Meu... – ela gemeu quando ele começou a se movimentar mais rápido e forte – Por favor... Não pare.
–Nunca... – prometeu sentindo seu membro ser esmagado – Tão apertada.
Ele tirou a gravata dos olhos dela e encostou suas testas para ver sua fisionomia enquanto atingia seu clímax, a sentiu vir com força com um gemido rouco enquanto seu corpo se arqueava em sua direção sibilando uma versão incoerente do seu nome e a seguiu poucos segundos depois, seu corpo caindo molemente em cima do dela, o nariz em seu pescoço apreciando o cheiro de sexo, o cheiro dela e o dele.
–Te amo Bella. – falou depois de um tempo sem se mover – Sexo de reconciliação é muito bom.
Ela riu baixinho acariciando os seus cabelos mais bagunçados do que o normal.
–Com certeza, mas eu prefiro quando não temos que brigar.
–Eu sei pequena, também me sinto assim. – suspirou e mordeu seu ombro – Me sinto mal quando brigamos, não sabia se você ia me deixar hoje.
–Só precisava pensar, colocar meus pensamentos em ordem. Você é muito intenso e aquela vadia não ajudou.
Ele deitou e puxou o corpo dela para cima do seu peito beijando o anel de noivado.
–Eu sei, não quero pensar nela. Não quero pensar no mundo – a beijou sem dar chances para objeções, sugando seus lábios e apertando seu corpo. – Vamos passar todo o final de semana nessa cama.
–De novo? – ela perguntou surpresa, não fazia nem cinco minutos. Ele sorriu e a puxou para cima do seu quadril fazendo notar a evidencia do seu desejo por ela.
–Pra você. Sempre.
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