Capítulo 23

Como tinha deixado isso passar despercebido?

Bella se refazia essa mesma pergunta há horas. Leu e releu relatórios, cruzou dados, investigou no sistema e não teve dúvidas: havia alguém ali que sempre desativava as proteções da empresa. Não sabia o porquê, mas poderia dizer como. Nem mesmo o café descia mais pelo seu estomago. Estava nervosa. Nunca teve que lidar com esse tipo de acontecimento antes e não esperava encontrar isso logo ali.

–Não vai pra casa hoje?

Como todos os dias, na hora de saída, Jacob foi até a sua mesa. Isso estava se tornando um ritual entre os dois.

–Não agora. – levantou a cabeça da montanha de papeis para analisar que estava em sua mesa – Tenho que terminar uma coisa ainda.

Ele não queria deixá-la sozinha ali, mas sabia que de vez em quando aparecia trabalho extra e, como ela era responsável pelo projeto, não discutiu e foi embora. Ela enterrou a cabeça nas mãos, teria muita investigação para fazer se quisesse descobrir o que estava ocorrendo afinal. Voltou para os papéis e quando ergueu a cabeça e olhou no relógio viu que já se passava das dezenove e meia. Com certeza Edward não ficaria feliz com isso, mas sabia que ele provavelmente também estaria no prédio, já que não havia dezenas de mensagens e nem de ligações perdidas. Resolveu subir e ficar com ele, era melhor do que ficar batendo a cabeça na mesa sem conseguir ter nenhuma resposta.

Só faltava mais um telefonema e seu dia terminaria e aí poderia voltar para os braços da sua menina. Se antes de ela revelar seu passado já era difícil largá-la, agora então era quase impossível. Durante o dia gritou ordens a torto e direito tentando diminuir o estresse da incapacidade de poder fazer qualquer coisa. Não poderia ir atrás dos registros sobre a adoção dela, porque como menor tem o sigilo protegido e o pai dela é juiz da vara da infância, seria melhor conversar com ele, como um colega advogado havia instruído. Estava frustrado e pela primeira vez em anos queria bater em algo para acalmar o monstro que estava em seu interior.

Tinha liberado sua assistente e, como de costume, provavelmente só estaria ele, os faxineiros e os seguranças no prédio. Quando escutou a batida na porta pensou que seria Maria a moça que sempre limpava sua sala.

–Pode entrar Maria. – falou rude e sequer levantou a cabeça dos papéis – Já estou de saída.

–Eu devo ter ciúmes dessa Maria? – a voz irônica de Isabella o fez levantar a cabeça tão rápido que quase teve uma vertigem.

–Pequena, você deveria já estar em casa há muito tempo.

–Não me respondeu. – ela fez um bico que fez ele se sentir obrigado a se levantar da mesa e ir até lá.

A abraçou pela cintura gostando do contato do corpo dela com o dele, a suavidade da sua pele, o seu cheiro. Apenas aquele gesto acalmava toda a turbulência e o monstro que estava em seu interior. Beijou seu bico a ouvindo suspirar e passar as mãos pela suas costas até seus cabelos, infiltrando a língua na sua boca e sugando os seus lábios. Deixou que ela tomasse o controle do beijo, queria que ela o dominasse da forma em que desejasse.

–Você ainda não me respondeu. – falou ofegante quando se separaram – Quem é Maria?

–A faxineira – ele sorriu com a mostra explicitas de ciúme.

–Ah....

Ele riu baixinho e acariciou suas bochechas que estavam rosadas e quentes, beijou seu rosto a puxando para sentar em seu colo na sua cadeira. Ela se aconchegou mais a ele encostando seu rosto no seu pescoço, estava cansada e o conforto que os braços dele ofereciam era muito tentador para apenas descansar por um tempo.

–Gosto de te ver de óculos. – os ajeitou nos olhos dela.

–Odeio usá-los.

–Não deveria, você fica linda com ele, fica sexy. Qualquer dia desses podemos utilizá-lo nessa sala com aquela sua saia apertada e curta. – sorriu safado ao ouvi-la arfar — O que ainda está fazendo aqui?

–Tenho que terminar de fazer algumas análises de dados e adaptar os códigos para iniciar o sistema. – ela resmungou sem se mover.

–Entendo, vou colocar mais pessoas para te ajudar. – a cabeça dela se ergueu quase imediatamente. – Não quero que fique exausta.

–Edward, não precisa. Esse é o meu trabalho e eu consigo dar conta – opôs – Você mesmo me disse quando propôs o trabalho que as Empresas Cullen eram grandes e que tinha muitos associados. Já tem gente o suficiente trabalhando comigo, não quero privilégios por ser sua namorada.

Bella percebeu que ele não gostou pela forma em que o corpo dele se enrijeceu, mas não deixaria que ele a beneficiasse apenas porque ela era a sua namorada, duvidava que se fosse outra pessoa ele faria isso.

–Tudo bem – disse após alguns minutos – Vamos embora, já passou da nossa hora a muito tempo.

Eles saíram pelos corredores vazios calmamente e em silencio. Edward estava exausto, não queria discutir com ela ainda porque teriam uma longa conversa após o jantar, estava tentando preparar um argumento para que ela não pudesse fugir quando apresentasse as mudanças que teria de fazer. Passou as mãos pelos cabelos prevendo que teria uma dor de cabeça iminente.

–Quer tomar banho primeiro? – perguntou quando entraram no seu apartamento.

–Sim, quero tirar o cansaço do dia.

Ele a acompanhou até o quarto garantindo que ela iria se banhar e, quando ouviu o barulho da água caindo, começou a tirar lentamente suas roupas. Seus pensamentos estavam todos nela, na realidade sobre como ajudá-la. Passou as mãos pelos cabelos, frustrado. Desejava que ela entendesse que faria até o impossível para protegê-la. Entrou no banheiro e viu seu anjo lavando os cabelos. Apressou-se até ela grudando o seu peito nas pequenas costas a ajudando lavar o cabelo, gostava quando o cheiro dela se prendia em seu corpo.

Depois do banho a ajudou se secar e a se vestir, eram apenas pequenos gestos que enchiam seu coração de amor por aquele homem. Já haviam criado o ritual diário de jantar juntos, não queria quebrar isso, mas não sabia como dizer a ele que não tinha fome, talvez fosse pela quantidade de café que tinha tomado ou o cansaço do dia, não sabia se conseguiria fazer a comida descer.

–Você está bem? – Edward questionou após vê-la brincar com a comida e não colocar nada na boca.

–Sim, só não estou com fome. – deu de ombros empurrando o prato.

–Precisa se alimentar – a repreendeu levemente – Aposto que não comeu nada durante a tarde.

Ela fez uma careta que denunciava sua culpa e percebeu que ele também não tinha comido muito, já havia notado que ele parecia preocupado e apreensivo desde que deixaram o escritório, porém não queria pressioná-lo sobre o que estava acontecendo. Umas das primeiras coisas que aprendeu observando-o era que quando ele ficava assim era melhor esperar que abordasse o assunto no melhor momento. Uma parte sua sabia que aquele comportamento tinha muito a ver com o seu passado.

–Queria te mostrar algo. – Ela olhou para o pé dele que batia incessante no chão em um gesto de nervosismo.

Ele tirou uma revista da People e a entregou, na capa estava falando sobre o casamento de Alice, a foto era dos noivos saindo da igreja com grandes sorrisos, não entendeu e começou a folhear as páginas sem procurar nada especifico, até ver uma foto dela e Edward dançando e outra dos dois se beijando. As legendas eram simples: “O solteiro mais cobiçado de NY foi fisgado pela linda morena que não saiu do seu lado durante todo o evento. Será que teremos mais um casamento na família Cullen?”. Em uma nota mais abaixo resumia o seu relacionamento, mas nada muito absurdo, apenas descrevendo que o amor estava vivo na família Cullen. Sentiu seu rosto queimar e colocou a revista em cima da mesa, não sabia o que dizer. Se uma revista respeitável tinha escrito uma nota sobre seu relacionamento com certeza as de fofocas baratas estavam publicando absurdos.

–Essa é apenas uma das muitas notas que saíram nas revistas. – ele respirou fundo pegando sua mão e a levando aos lábios. – Antes você não estava exposta a eles, mas a partir de agora a imprensa vai ficar em cima de você, de nós. Não só a imprensa, qualquer pessoa que queira me prejudicar, agora todos sabe que eu tenho um ponto fraco e preciso proteger você de tudo isso.

–Eu não sei Edward. – mordeu o lábio – Nunca quis isso sabe? Ser famosa ou conhecida.

–Pequena, eu sei, mas uma hora ou outra iria acontecer... Queria te dizer que Garret vai ficar permanentemente conosco.

Ela gemeu baixinho de desgosto, há alguns dias haviam discutido sobre isso. Realmente discutido. Não queria ninguém seguindo os seus passos, mal tinha aceitado que Félix a acompanhasse em alguns momentos, imagine um estranho. Isso estava fora de cogitação.

–Se for pra mim eu não preciso.

–Isabella, você é tudo o que eu tenho e vou proteger você. Você querendo ou não.

Ela soltou a mão da dele e começou a andar de um lado para o outro, visivelmente nervosa. O entendia, mas não aceitaria o que ele estava impondo. Caramba, nem mesmo o seu pai faria isso, porém Edward era um maníaco por controle e tinha Síndrome de Autoridade, já deveria ter se acostumado com essas crises.

–Não preciso de alguém me seguindo. – falou quando parou a sua frente.

–Ele não vai seguir você. Vai apenas garantir que fique segura.

–Por favor – o beijou suavemente nos lábios – Não preciso de ninguém para me manter segura, sei cuidar de mim mesma.

Os pequenos beijos dela estavam quase o distraindo. Quase.

–Sinto muito, Isabella, mas não vou voltar atrás. – Segurou o pequeno rosto que estava com um bico adorável. – Sua segurança é a coisa mais importante pra mim. Eu te amo e não vou dar margens para te perder. Além disso, Garret não vai ficar andando atrás de você como se fosse um cão de guarda, prometo.

Não tinha como negar nada para ele, já era fraca quando ele a mantinha assim tão perto e ainda mais agora que confessava que a amava, aceitou seus beijos com devoção puxando os seus cabelos. Estava pendurada nele, ainda sentia o gosto fraco do vinho na língua dele contrastando com o seu próprio, o que a deixava louca.

–Eu não quero que nada te aconteça. – colou suas testas – Me deixa cuidar de você?

–Mas você já cuida. – viu seus olhos esmeraldas escurecerem, provavelmente de irritação, e suspirou, não tinha como fazê-lo mudar de ideia – Tá, tá, tá, mas ele não vai ficar muito em cima de mim.

–Apenas eu fico em cima de você, amor.

As pernas dela fraquejaram e ele riu a puxando para se sentar ao seu lado no piano. Começou a tocar uma melodia suave, fazia algum tempo que não tocava, ainda mais uma melodia alegre ou que expressasse amor como tentava mostrar a ela naquele momento. Sentiu-a ajudá-lo a tocar beijando-o na bochecha, seguindo sua canção.

Quando se deitaram ela adormeceu quase imediatamente, mas Edward não conseguiu pregar os olhos. Seus pensamentos ainda o atormentavam e assim que caiu no sono seus sonhos foram rodeados por uma pequena menina, de cabelos cacheados e olhos verdes assustados, perdida no meio de uma floresta pedindo para ajudá-la. Acordou assustado com aquele sonho. Não deixaria que Isabella fosse machucada novamente, cuidaria dela, a amaria e a protegeria com sua própria vida se fosse necessário. Apertou mais o corpo dela contra o seu a ouvindo ofegar baixinho e se aconchegar mais ao peito dele.

–Te amo Edward. – sussurrou baixinho adormecida.

Ele sorriu e a beijou enterrando seu nariz nos cabelos chocolate voltando a dormir um pouco mais calmo depois dessa confissão.

Notas finais
Olá pessoas, Queria agradecer pelos comentários, amei todos eles. Só pra constar que eu não tenho desejo de morte para a Tanya, apenas queria arrastar a cara dela no asfalto. Só isso. Terça-feira é meu niver Uhuuuuu, tô ficando velha!!!! :(, enfim me deixem alegre e comentem, favoritem e recomendem que eu posto mais um ou dois capítulos durante a semana. Só isso por hoje. Bjos. Kim