Capítulo 11

Quando Bella aceitou trabalhar em Nova York nunca passou pela sua mente que iria se encantar de uma forma arrebatadora por um homem que seria totalmente o contrário do que procuraria em um cônjuge, ele era rico, bonito, encantador, entretanto era totalmente controlador e ciumento a um ponto de deixa-la sem fôlego. Era o seu primeiro dia de emprego e já começou com fortes emoções, balançou a cabeça pra dissipar a tensão e os pensamentos negativos que estavam em sua mesa e voltou a se concentrar na tela do computador e na tarefa que tinha que concluir para o dia.

Durante a reunião foi explicado melhor sobre o funcionamento da empresa e sobre o que queriam que fosse feito. Já tinha uma ideia de como funcionava o sistema de proteção geral, mas depois de um relatório gigantesco e dezenas de papéis que teve que assinar por causa do contrato de confidencialidade havia se perdido nas informações. Seu primeiro objetivo era identificar as portas de acesso e catalogar cada uma para ter o controle de informações positivas e negativas recebidas, era tanto trabalho que a máquina de café se transformou em sua amiga durante a tarde.

–Sabe que não precisa terminar todo o trabalho em apenas um dia, não é? — a voz de Jake a fez pular e desviar o olhar da tela do computador para perceber que quase todos já tinham ido embora.

–Perdi a noção de tempo — deu de ombros constrangida, era normal que quando começava a trabalhar em algo esquecesse tudo em volta.

–Percebi, então precisa de uma carona? — perguntou sem jeito.

–Obrigada, mas não é necessário ainda tenho que salvar alguns arquivos e passar em um lugar antes de ir pra casa.

–Claro, fica pra próxima, te vejo amanhã Bella.

Bella disse um tchau e tentou associar o motivo que aquela conversa pareceu tão estranha, não precisava de mais uma preocupação no momento. Salvou o trabalho que havia feito, pegou sua bolsa e foi embora, faltava pouco para as sete da noite e o fluxo de pedestres ainda era grande. Ao descer na sua estação caminhou lentamente olhando mais ao redor, quando percebeu o mercado não teve um segundo pensamento e se dirigiu para lá, sua prioridade no momento era comprar café o resto podia lidar depois, pegou mais algumas coisas que precisava e foi pra casa.

Pelo que pode perceber do prédio era que ele demonstrava ser muito tranquilo, ainda não tinha cruzado com nenhum outro morador. Ao adentrar o apartamento deixou todas as sacolas e a bolsa em cima da barra de café da manhã e foi direto para um banho quente, o cansaço físico que não teve foi compensado pelo mental, estava realmente exausta e o banho longo ajudou a clarear a mente. Outro de seus hábitos ruins era que quando estava nervosa não conseguia comer, foi assim durante o almoço e mesmo agora ainda parecia que existia um nó em seu estomago. Pegou o celular na bolsa e foi em direção ao jardim no terraço, após regar as plantas e flores se sentou no banco de madeira e olhou para o céu sem estrelas daquela metrópole iluminada, discou o número da casa de seus pais e esperou.

–Olha só se não é a filha desnaturada que não liga mais para seus pais. — teve que rir de Renée, ela era sempre exagerada.

–Mãe nos falamos mal tem dois dias.

–Faz muito tempo, já estou com saudades suas bebê.

–Também estou com saudades de casa, como está o papai?

–Aquele ali está na frente da tv, hoje tem jogo.

Bella não pode deixar de rir, seu irmão e ela sempre foram assistir muito jogo de baseball por causa de seu pai que era fanático pelo Redsox e sua mãe sempre implicou com isso, sempre afirmava que meninas não tinham que ficar vendo essas coisas.

–Fala pro papai que no jogo da final eu vou com ele ao estádio como nos velhos tempos.

Renée bufou como sempre quando o assunto entre a família virava sobre esportes, não conseguia entender como três pessoas tão diferentes poderiam ser extremamente similares como seus filhos e seu marido.

–Vou amar te ter em casa novamente, mas Charlie vai adorar ter com quem ir ao jogo.

O resto da conversa foi gasto com perguntas sobre a cidade, o emprego e as pessoas, falar com sua mãe sempre a deixava mais calma quando precisava de um guia. Quando se deitou praticamente desmaiou.

Dia infernal, foi o pensamento de Edward ao reler pela terceira vez o relatório de uma aquisição que estava fazendo e não conseguir lembrar de uma palavra sequer. Tudo isso por causa da sua discussão com Isabella, passou a mão pelos cabelos bufando, tinha-a julgado mal e quase a perdeu, se praguejou, estava realmente gostando dela talvez até mais do que seria saudável.

Ao fundo escutou seu celular tocar, já passava das nove da noite e ainda estava no escritório, só poderia imaginar que era Alice lhe enchendo por causa do casamento dela e ele seria o padrinho e tinha comparecido a poucos dos jantares do planejamento e ela sempre o cobrava por isso.

–Cullen. — falou formalmente.

–Menino, você pelo menos olhou no identificador quem era?

Não pode deixar de sorrir com a voz doce de sua tia.

–Tia Esme, acredite se tivesse olhado e visse que era a anã eu não teria atendido.

Esme riu com a brincadeira do seu menino, o viu crescer e correr com Emmett, mas depois que seus pais morreram ele nunca mais foi o mesmo, estava sempre fechado e inalcançável, só estudava e trabalhava, tinha perdido as esperanças de vê-lo feliz até saber que ele estava encantado por uma moça que seu filho e sua nora não diminuíram elogios.

–Ela quer você no jantar na sexta-feira, é melhor não contrariar suas ordens. Você só trabalha, precisa de momentos mais tranquilos.

–Tia, estou trabalhando para que ela consiga planejar melhor o casamento dela.

–Venha no jantar e traga sua namorada.

Por um momento ele ficou sem palavras.

–Eu não tenho uma namorada. — ainda, completou mentalmente.

–Pelo que sei você está apaixonado pela moça que vai trabalhar com você, a traga para nos conhecer antes que as meninas a arraste.

–É complicado, ela é especial, como uma força da natureza que não pode ser contida e aparentemente sou muito controlador pra ela.

–Filho, tenho certeza de que ela é especial para você estar assim, mas a convença a vir, você é um homem encantador não se esqueça disso.

Ao desligar o telefone teve certeza que lutaria por Isabella, lutaria pelo seu afeto e a teria custasse o que custar teria sua garota insolente.

Quando levantou na manhã seguinte o sol ainda não tinha nascido, se sentia mentalmente cansado e queria tirar toda a tensão acumulada das últimas semanas, tomou um banho rápido e vestiu uma calça de corrida e uma camiseta das empresas Cullen, Félix já estava de pé na cozinha na sua roupa de costume, terno e gravata pretos.

–Félix, irei correr no parque hoje.

O homem grande apenas acenou e se retirou para mudar seus trajes, conhecia seu patrão, durante os anos que trabalhava com ele aprendeu a ler suas expressões e sabia que ele não estava bem. Dez minutos depois eles estavam no Central Park e iniciavam uma corrida leve de início e aumentando gradativamente a um ponto em que o segurança teve que se esforçar para manter o ritmo, após um tempo retornaram até o apartamento.

Edward não estava muito mais calmo, ainda se sentia apreensivo sobre o comportamento de Isabella, afinal ela ainda poderia lhe socar e sair gritando. Não comeu muito no café da manhã e no caminho para o trabalho se concentrou em ler os documentos da aquisição de um vinhedo que desejava a meses e o proprietário sempre encontrava um motivo para não vender, se não fosse por Rosalie ainda estariam com esse problema. Ao parar em frente ao imponente edifício em que trabalhava e se direcionou ao elevador privativo, assim que apertou o botão para chamar o elevador sentiu os cabelos da sua nuca se arrepiarem, se virou lentamente sorrindo ao encontrar Sua menina com um vestido verde combinando com seus olhos, o cabelo solto caindo em ondas pelos ombros, suas bochechas rosadas e seus lábios fartos. Mal conteve um gemido e caminhou até ela parando a poucos centímetros.

–Bom dia Isabella. – sua voz saiu mais rouca que o normal.

Bella se arrepiou toda com aquele homem lindo a sua frente e com aquele sorriso perfeito que parecia ser somente dela. Durante a noite havia pensado muito, sabia que tinha muitos medos e traumas, mas quando estava com ele se esquecia de tudo e só havia ele, então percebeu que não deveria ter medo dos sentimentos que ele a fazia ter, deveria aproveitar e se desse errado saberia que tinha arriscado.

–Bom dia Edward. – ele sorriu brilhantemente com seu nome saindo daqueles lábios, mas se conteve.

Ao fundo percebeu que o elevador tinha chegado e a puxou pela mão até ele, assim que as portas se fecharam ele olhou para ela novamente e soltou um gemido baixo ao vê-la mordendo o lábio, com uma mão segurou em sua cintura e a outra passou o dedo pelo seu lábio o soltando da prisão que eram os seus dentes, não aguentando mais se inclinou levemente e a beijou suavemente, apenas lábios, primeiro sugando seu lábio inferior, depois o superior a ouvindo gemer baixinho e estremecer e seu corpo amolecer diante do seu, sem mais conseguir resistir infiltrou sua língua na boca dela encontrando a dela, a dominando, a amando com um beijo sôfrego, as mãos dela foram para os seus cabelos da nuca os puxando tentando colar mais seu corpo ao dele.

Quando cessaram o beijo Edward olhou no fundo daqueles adoráveis olhos, parecia que o tempo havia parado e só existiam os dois, ele deu um pequeno sorriso pra ela e ela o retribuiu sentindo suas bochechas corarem com a intimidade do momento em que estavam. Ficando na ponta dos pés deu um selinho nele e se afastou pra tentar desamassar seu vestido e domar o cabelo. Edward a observou durante todo o tempo, seu olhar percorrendo aquele pequeno anjo que parecia ter caído dos céus e que havia sido colocada logo em seu caminho. Ao olhar o pescoço percebeu que a pequena marca que tinha deixado no dia anterior estava disfarçada com maquiagem e passou a mão suavemente pelo local.

–Me desculpe por ontem, fui realmente um idiota com você.

–Eu aprendi que quando o passado passou é melhor deixar dessa forma e seguir em frente, então esqueça isso – ela falou suavemente acariciando aquele rosto que já tinha se afeiçoado.

As portas do elevador se abriram no andar dela e ela se pôs a caminhar, relutante em deixa-lo, quando ela já estava com metade do corpo pra fora ele segurou em sua mão a fazendo olhar para ele.

–Almoça comigo?

O sorriso no rosto da moça era apenas de felicidade e exultação como nunca sentiu antes, estava sem palavras, então apenas acenou seguindo o seu caminho e vendo as portas do elevador se fecharem para seguir em direção ao destino do homem que estava roubando seu coração em tão pouco tempo.

Paixão é uma infinidade de ilusões que serve de analgésico para a alma. As paixões são como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveriam viagens, nem aventuras, nem novas descobertas.”

Voltaire

Notas finais
Olá para todos... Não ia postar hoje, mas me deu a louca. Acostumem, de vez em quando tenho alguns surtos. Agradeçam a Argentum, que me deu um presente: Minha primeira recomendação - Que eu AMEI -, obrigada, te adoro. Voltando, agora as coisas começam a esquentar e os segredos vão aparecendo, não sei se é porque sou eu que estou escrevendo ou que minha imaginação é muito louca, mas é apenas prestarem atenção que vão entender. Ufa... Falei demais. Ahhhh sim, lembrei! Preciso de um Beta, alguém sabe de alguma boa pessoa que possa me ajudar? Vou ser muito grata. Agora terminei e como estou feliz essa semana vou postar outro capítulo na quinta. Bjos Kim