Capítulo 76

Florença sempre foi uma cidade muito bonita, seu chão carregado de história que perpetuavam desde o inicio de sua existência, os inúmeros mitos e as obras de arte quais a classificaram como o berço do renascimento, as ruas pequenas de pedra, as casas antigas, as pessoas hospitaleiras.

Bella amava tudo aquilo, adorava que aquela cidade foi escolhida por seu marido para irem quando reatou seu relacionamento, qual lhe rendeu um maravilhoso fruto e prova de amor qual carregava em seu ventre, e agora, poder compartilhar isso com sua família completa parecia um sonho.

Haviam enfrentado mais de oito horas de um voo transatlântico, o atraso de Edward e a demora para liberação da pista em Nova York por conta do tempo hostil, mas olhar de cima para a costa italiana a fazia esquecer de tudo, inclusive o mistério envolto no sumiço do marido, que até agora a enrolava para esclarecer.

Seu olhar volta e meia era atraído para ele que cochilava tranquilamente ao seu lado, seu rosto pacifico e calmo, a mão direita segurando firmemente a sua e a esquerda posicionada acima do seu estomago, foram raras as vezes que conseguia despertar antes dele e vê-lo tão calmo não se enquadrava no perfil do magnata controlador e rígido que conhecia tão intimamente.

Obvio que sabia sobre os problemas de estresse dele, era sua mulher, o conhecia melhor que ninguém e todos os acontecimentos com James e sua família o havia desgastado, sua postura dominante demonstrava isso, seu sorriso o entregava, assim como seus gestos protetores a ela e seu filho.

Queria mostrar a ele que era forte, que conseguia lidar com seu passado, provar que aquilo não mais a abalava, contudo, seria uma mentira, Bella não tinha superado o passado, temia James mais do que poderia confessar a qualquer um e Edward via isso nos seus olhos, lia em sua alma.

O passeio para Florença foi uma forma tanto de fugir do frio cortante de Nova York quanto tentar esquecer a ameaça evidente que viviam todos os dias com aquele monstro a solta e com possíveis cumplices o ajudando. Não fazia ideia de quem em sã consciência ajudaria um homem louco a realizar um plano de vingança contra os Cullen, somente uma pessoa que tivesse algum tipo de problema contra eles.

Sua mente corria tentando encontrar uma conexão entre o crápula e qualquer outro doente, o que se tornava quase impossível quando Edward não permitia que tivesse acesso aos dados da investigação e mesmo que ela tivesse invadido o servidor da empresa tudo ainda parecia longe de ter um fim.

Edward resmungou calmamente ao seu lado e por reflexo segurou a respiração para não acordá-lo. Seus dedos eram suaves quando acariciava os dele. Suas mãos fortes pareciam machucadas e alguns havia hematomas visíveis em seus dedos. Seja lá o que ele andou treinando com Emmett e Gabriel durante a manhã tinha o machucado.

Gabe sempre foi protetor com ela, desde que era uma menininha magrela e tímida ele a protegera e cuidara para que outros meninos não se enfiasse em seu caminho, Emmett também nutria o mesmo espirito de anjo da guarda e desde que descobriram que ela na realidade era Melanie o sentimento dos dois se multiplicara a níveis alarmantes. Se antes já encrencavam com seu marido essa rixa piorara.

Eles treinavam juntos na academia do casarão três dias na semana, o único em quem podia confiar para não machucar Edward era Jasper porque se dependesse dos dois trogloditas ficaria viúva em breve, durante os treinos de luta todos saíam com machucados e escoriações e nessa manhã se superaram. Eles tinham saído com a desculpa de treinarem na academia da empresa e voltaram com cara de culpados e extremamente silenciosos, além de atrasados para pegarem o avião.

Agora isso também não importava, todos estavam ali, em segurança. Os meninos jogavam vídeo game no fundo do avião, até seus pais entraram na causa; as meninas fofocavam sobre as compras que iriam fazer e os lugares que passeariam.

No inicio compartilhara de toda aquela vontade de bater perna, mas conforme seu filho se mexia, sabia que o peso da sua barriga, os pés inchados e o mau humor diário a impediria de fazer isso.

—Chegamos?

A voz rouca de Edward causou um reboliço em seus hormônios atacados, ainda mais acompanhado por aquele sorriso de lado que a deixava com as pernas bambas.

—Sim, o alarme para apertar o cinto acabou de soar.

—Conseguiu dormir um pouco?

Ela negou com a cabeça e se esticou na poltrona para deitar a cabeça em seu ombro.

—O pequeno Edward está agitado e o fuso horário dele já iniciou para o europeu.

Edward riu acariciando seu ventre inchado.

—Ele foi feito na Europa, você queria o quê?

—Que ele fosse um pouquinho compassivo e permitisse que a mãe dele descansasse enquanto ele não nasce porque ela já começa a ficar estressada.

Ele se inclinou até sua orelha e mordeu o lóbulo, lambendo em seguida.

—Eu posso te relaxar mais tarde.

Seus cabelos da nuca se arrepiaram e ela apertou sua mão com mais força.

—Eu... agradeceria. – sussurrou com a voz tremula.

—Poderia começar fazendo uma massagem nos seus pés. – murmurou rouco – Depois nas suas coxas, passaria óleo de jasmim em sua pele, tocaria com cuidados suas costas, seu pescoço... os seios. Então os tomaria na boca com cuidado, veneraria seu corpo.

Passos foram ouvidos atrás deles e Bella tentou se ajeitar na cadeira, mas ele colocou a mão sobre sua perna impedindo qualquer movimento.

—Edward, temos...

—Desceria meus beijos para sua barriga – continuou sem se importar com o que fosse que ela quisesse dizer — e um pouquinho mais abaixo, eu te lamberia de baixo acima, sugaria seu clitóris, te penetraria com meus dedos, faria você desmaiar de prazer nos meus braços.

Ela arfou e fechou as pernas, friccionando as coxas, seu rosto corado e os olhos brilhantes em expectativa.

—E vai fazer o que mais?

—Vou fazer você gozar tantas vezes que esquecerá seu próprio nome.

—Prontos para o pouso, casal?

Bella corou e forçou um sorriso para Emmett, o Empata Foda do ano.

—Prontíssimos. – garantiu com um sorriso constrangido – E vocês?

—É obvio, quero caminhar por entre aquelas parreiras, respirar um pouco de ar puro porque desconheço como ele deve parecer depois de tantos anos em Nova York.

O casal riu da feição sonhadora do grandão. Emmett com suas covinhas seria adorável em qualquer situação, ainda mais quando parecia tão em paz consigo mesmo.

—Como foi o treino essa manhã?

Os dois ficaram pálidos e Bella ergueu uma sobrancelha sabendo que alguma coisa muito errada acontecia.

—Por que vocês estão com essa cara?

—Gabriel chutou a bunda do seu marido duas vezes. – o grandão respondeu sorrindo – Ele para se vingar chutou a minha.

—Aquele estranho só tem a cara de pacifista porque conseguiu me enganar bem.

Bella mordeu o interior da bochecha e concordou com a cabeça.

—Gabe e eu lutamos karatê, mas eu era desastrada demais e desisti, ele treina até hoje.

—Isso explica.

—Sim, explica muita coisa.

Ambos suspiraram aliviados quando o alerta para apertar o cinto soou. Seu irmão correu para o seu lugar e Edward abriu um sorriso inocente se espreguiçando.

—Eu não vou gostar de saber o que aconteceu, não é? – questionou se afastando dele.

—Nem um pouco. – concordou calmamente – Você nunca gosta das minhas decisões.

—Não quando elas me manipulam para aceitar suas vontades.

Ele fez um barulho com a boca e pegou sua mão a apertando e deixando um beijo demorado em seus dedos.

—Nunca te manipularia para aceitar qualquer coisa, se você não aprova eu aceito sua opinião, apenas não falarei sobre isso para não preocupa-la, ainda mais no seu estado.

A boca dela foi ao chão por breves segundos.

—Meu estado?

—Você está gravida do meu filho, Isabella.

O avião deu um solavanco quando tocou no solo, os olhos verdes agua nunca desgrudando do esmeralda, ela queria bater com a cabeça dele naquele encosto de plástico, quem sabe assim ele deixaria de ser um idiota machista.

—Gravidez não é doença. – sibilou entre dentes.

—Concordo plenamente, porém, decidi que os problemas ficariam na América e não os traria até você agora.

Bella mordeu o lábio inferior e soltou o ar dos pulmões com força.

—Eu espero que não tenha sido nada grave porque sou capaz de te fazer dormir no quarto de hospedes até o bebê nascer.

Ele riu suavemente e se inclinou até deixar um beijo em seu pescoço.

—Não se preocupe porque não fiz nada demais, ok?

—Vou confiar em você, Cullen.

—Conto com isso, pequena.

Bella suspirou olhando para a imensidão verde que desprendia a sua frente, dezenas e dezenas acres de terras verdes, parreiras que desprendiam o maravilhoso cheiro de frescor e uvas. Sua janela estava aberta, o ar frio restaurando seus sentidos.

Como tinha sentido falta da tranquilidade que aquele lugar emitia, parecia anos desde sua visita, desde aqueles dias tanta coisa havia acontecido, nem se sentia a mesma pessoa. Garrett dirigia calmamente pela estrada de cascalho. Edward segurava sua mão totalmente concentrado nos e-mails que lia em seu celular, estava curiosa com o que ele foi fazer de manhã com os rapazes, sentia que não era apenas um treino e essa duvida a incomodava profundamente.

Mariza os recebeu na porta da casa estonteante, puxando Bella para um abraço forte e inesperado, aparentemente todos sentiam imensa vontade de abraça-la desde que engravidara.

Não foi fácil acomodar tantas pessoas dentro da mesma casa, como o quarto principal era seu Bella subiu deixando para trás as discussões sobre quem iria ocupar qual quarto.

Seu corpo estava dolorido e o bebê havia se movido, de modo que, seu pequeno corpinho pressionava seu pulmão esquerdo e ficava difícil respirar bem. Era tão bom deitar em uma cama macia e poder fechar os olhos por alguns minutos.

O clima sul europeu não estava tão frio, era perfeito para descansar sem precisar de aquecedores ligados ao máximo, a lareira do quarto estava acesa dando um ar aconchegante, as chamas laranjas tilintavam junto com o suave som da madeira queimando.

—Vai dormir com essa roupa, Sra. Cullen?

Sem forças para se mover apenas assentiu procurando uma boa posição para dormir.

Ela escutou os passos do marido no carpete antes do seu corpo ser tirado do colchão para seu casaco ser retirado, um gemido satisfeito escapou dos seus lábios quando sua calça seguiu o mesmo caminho.

—O que acha de um banho antes de dormir?

—Não quero. – resmungou dengosa.

—Como desejar.

O cobertor grosso foi depositado sobre seu corpo.

—Te amo, Edward. – sussurrou antes de cair no sono.

Edward sorriu e beijou seus cabelos, o doce cheiro de morangos em suas narinas. Não se sentia em paz há muito tempo e essa sensação parecia até estranho, adorava isso. Certo que não duraria para sempre, mas, pelo menos, nos dias que ficassem ali não seria necessário se preocupar vinte e quatro horas com o perigo que os rondava.

Ver o rosto da sua esposa adormecida, em paz, sem nenhum resquício de tensão. Amava aquela menina mais que a si mesmo, tudo o que fazia era por ela, trocaria sua vida pela a dela, mesmo que agora não fosse mais necessário.

Bella despertou com o crepúsculo, o sol esplendoroso se pondo atrás das montanhas verdes de Florença.

Seu marido estava longe de ser visto, seu bebê, enfim, voltara a seu local correto, não diria que conseguia respirar perfeitamente, mas o alivio era indescritível.

Um banho quente e longo expulsou a preguiça do seu organismo. Colocou um vestido de manga longa que ressaltava sua barriga, ao se olhar no espelho não pode deixar de soltar um risinho, seus peitos pareciam querer saltar do decote e sua barriga enorme simplesmente se enquadrara a seu corpo.

No andar debaixo um jazz clássico ressoava pelas paredes de pedra por toda a sala, o cheiro amadeirado de pinho cobria a casa inteira, como se fosse natal.

Carlisle a encontrou no último degrau da escada com um enorme sorriso.

—Olá, estranha.

—Oi, pai.

—Conseguiu descansar, querida?

—Sim, o pequeno Edward já está no fuso horário daqui.

—Isso é excelente, finalmente esse menino se acalmou.

O homem a puxou para seus braços.

—Dance comigo?

Um sorriso espontâneo cresceu em seu rosto e se deixou embalar, Carlisle dançava maravilhosamente bem, sabia conduzir, fato que Bella agradeceu porque somente Edward havia conseguido fazê-la se soltar.

—Sempre quis dançar com você. No seu aniversário de quinze anos, formatura, no seu casamento.

—Eu nunca gostei de dançar, – confessou baixinho – muito menos de aniversários, Charlie e Renée faziam questão de ter pelo menos um bolo, nada mais, na minha formatura eu estava mais interessada em computadores e projetos, mas no meu casamento dançamos juntos.

Ele a rodou pela sala suavemente, seus passos sincronizados.

—Não foi a mesma coisa. – fez uma careta – Tem uma lacuna que nunca será preenchida e isso machuca.

—A mim também, às vezes imagino como seria minha vida se tivesse crescido com você e Esme. Acho que não teria feito metade das coisas que já fiz e não seria a mesma pessoa.

—Continuaria sendo uma mulher maravilhosa.

Os últimos acordes da musica tocou, com um rodopio ele a apertou mais forte beijando sua testa.

Ouviram aplausos e fizeram uma mesura simples. O rosto da moça tingido de vermelho por ter sido flagrada, assim como um enorme sorriso que se recusava a sair do seu rosto.

—Faz tempo que não vejo um show tão bom. – Alice comentou indo até a irmã e o pai – Vocês fazem um par muito bonito.

O médico puxou a filha mais velha para seu lado beijando seus cabelos.

—Os Cullen são excelentes dançarinos. – se gabou.

—Sim e muito modestos. –Esme brincou encostada no quadril de madeira que separava a cozinha da sala – Pensei que com a idade você começaria a usar da modéstia um pouco mais, pelo visto me enganei.

—Nenhum Cullen sequer passou perto da fila da modéstia, mãe. – Emmett zombou – Somos irresistíveis demais para isso.

—E sem noção também. – Edward o repreendeu com a sobrinha no colo – Ainda bem que a mãe de Liv é a Rose, assim ela vai aprender a não seguir sua conversa fiada, não é coisa linda?

A pequenina sorriu dando risinhos doces e infantis, seus olhos azuis brilhando enquanto as mãozinhas gordas tentava pegar o cabelo de Edward.

Bella foi até eles e pegou Liv beijando seu pescoço, arrancando mais risos da bebê, adorava o cheiro de bebê e o calor de um ser tão inocente em seus braços.

—Certo, pé de valsa e Senhor modéstia, estou com fome e vejo que a discussão de vocês irá longe, então se me dão licença irei comer.

—Conseguiu descansar bem?

Direcionou um sorriso ao marido e beijou brevemente seus lábios.

—Maravilhosamente bem. Nosso bebê reconhece o lugar em que foi concebido.

—Esse é o meu menino.

—Ele está se tornando um rapaz mais bem comportado, — acariciou sua barriga – o que é estranho pra ele, já que nem me deixar respirar estava.

—Isso é bom. Que tal darmos um passeio?

Seus olhos brilharam com a expectativa de saírem sozinhos naquela linda cidade.

—Aonde?

—Pela campina, talvez, fazer um piquenique, uma caminhada, algo do tipo.

—Seria maravilhoso, porém só conseguiremos fazer isso amanhã.

Ele apertou sua cintura e sorriu piscando um olho.

—Essa noite quero curtir você em frente à lareira no nosso quarto. Podemos conversar um pouco como um casal jovem comum.

—Estamos longe de sermos comuns, Edward. – o advertiu suavemente.

—Exatamente por isso.

—Então jantaremos lá em cima e só conversaremos?

—Faremos o que desejar, esposa.

No restante da tarde, Bella fez questão de conversar com todos, Charlie e Renée haviam ido até a cidade em um passeio romântico, ficava feliz por ambos, seus pais não viajavam muito por medo de deixa-la sozinha e saber que finalmente estavam se curtindo sem nenhuma intervenção a fazia imensamente feliz. Gabe e Maggie seguiu o exemplo, mas com Dan, eles tinham ido conhecer as catedrais históricas, visitar alguns pontos turísticos. Edward, Emmett, Jasper e Carlisle, determinados a conhecer mais da propriedade saíram com um dos capatazes para ver a plantação de uva, vestidos de calça jeans e camisa xadrez pareciam peões, o que arrancou diversos risinhos das meninas e brincadeiras sobre seu estilo de vestimentas.

Em determinado ponto, todos foram para algum programa e apenas ela e Alice permaneceram sentadas na varanda da frente, observando o vento bater nas árvores e ultrapassar as montanhas. Durante a noite a lua cobria grande espaço das terras e criava uma imagem linda qual qualquer fotografo se mataria para ter.

—Como está meu sobrinho?

Bella riu e acariciou sua barriga, seu pequeno sapinho mal se movera desde que chegaram, o que para ele era muito estranho e pra ela um alivio.

—Calmo demais, nem se parece com o meu filho espevitado.

Alice riu e colocou a mão na barriga da irmã querendo que seu sobrinho se movesse.

—O tempo passou tão depressa, ainda me lembro de quando foi à casa dos nossos pais com Edward. Parece que foi ontem.

—Já pra mim parece que foi uma vida. – confessou suspirando – Nunca imaginaria que meu namorado me levaria de volta para casa, literalmente.

A fadinha suspirou e mordeu o lábio encarando o nada por um longo tempo tentando encontrar as palavras certas para aquele momento. Desde que descobriram sobre Bella queria conversar com ela, contudo, nunca encontrava o momento certo.

—A culpa é minha que você saiu das nossas vidas, só minha.

Surpresa, Bella encarou a irmã mais velha, sua boca levemente aberta e quando percebeu isso tratou de fecha-la.

—Por que diz isso, Allie?

—No dia... – limpou a garganta tentando se livrar do nó que se formou – No dia em que foi sequestrada estava tendo uma festa na casa do vovô e da vovó.

Suas sobrancelhas franziram lembrando de que Edward falara sobre algo assim quando discutiram no aniversário da empresa, quando, finalmente, tinha dito sobre seus medos e sobre a vadia, corrigindo, Tanya Denali. Contudo, não havia pensado muito nisso, até porque, agora tinha seus pais biológicos, sua vida estava completa, não precisava revisitar seu passado.

—Você vestia um vestido azul celeste, a saia rodada com renda branca. – ela sorriu com a lembrança – Parecia um anjo com o cabelo cacheado, um sorriso enorme e alegre... Rufles estava ao seu lado, sempre te protegendo, como se fosse um segurança, aquele cachorro babão.

Flashes passaram por seus olhos como se fossem um filme, imagens distorcidas, pessoas sem rosto, tudo tão rápido e desfocado que sua respiração se suspendeu ao se lembrar de um cachorro marrom enorme, seu pelo parecido com Red, mas totalmente diferente, maior e forte, ele era alegre e protetor, a lambendo, dando conforto, com ele apareceu um garoto de sorriso fácil e covinhas, os olhos azuis marcava sua feição, assim como sua risada correndo atrás do cachorro sujo por um jardim enorme e florido, o sol fazendo parecer com um comercial dos anos oitenta. Então uma menina se juntou a ele, uma menina pequena de cabelos negros e vestido branco, uma menina que a abraçava e contava histórias em frente à lareira enquanto se deitava no tapete com o cachorro, uma menina que lhe entregava seu urso de pelúcia preferido para que não tivesse medo do escuro e lhe falava sobre duendes e fadas, que garantia que não havia nenhum monstro no seu armário.

A percepção disso tirou o ar dos seus pulmões, aquilo era impossível.

Nunca tivera nenhuma lembrança da sua infância. De onde viera aquilo?

—Naquela noite brincávamos no jardim de esconder. – por trás do nevoeiro que era sua mente conseguiu escutar a voz de Alice – Eu e você estávamos atrás de uma arvore, a arvore em que você e Edward sempre usavam para escapar dos nossos pais.

Uma macieira!

Um menino de cabelo cobre sorriu enquanto riscava alguma coisa na arvore com seu novo canivete, concentrado na sua missão.

—Essa é nossa árvore, Mel. – falou sorrindo de lado – Ela eternizará o que sentimos um pelo outro.

Ela sorriu quando viu um E&M gravado, aquele garoto seria seu príncipe encantado.

—Rufles latiu e por instinto você o chamou... Ele pulou em mim e sujou meu vestido de lama. – Alice parecia inconsolável, lágrimas escorriam por seus olhos, mesmo assim, Bella não conseguia se mover para ajudar a secá-las – Eu estava tão chateada, tão irritada por aquele cachorro ter estragado meu vestido novo e favorito que falei coisas horríveis. Mamãe me encontrou na cozinha e não se importou com isso porque era uma brincadeira de crianças e realmente era, não tinha importância nenhuma, mas naquele momento eu só via como ela te amava mais. Você era a filha mais parecida com ela, a esperta, a pequena inteligente com resposta pra tudo, a preferida do nosso pai e eu disse a pior coisa que poderia... Disse que gostaria de não ter uma irmã, queria você desaparecesse e advinha... Você desapareceu naquele dia.

“Vou te levar até o seu pai. Vou te levar até o seu pai. Vou te levar até o seu pai. Vou te levar até o seu pai.”

Aquelas palavras bateram tão forte que Bella se levantou de rompante, seu estomago estava embrulhado e sentia um aperto no peito que não sabia identificar, jamais sentira algo minimamente parecido.

“Não corra, pequena raposa!”

“Ninguém se preocupa com você por isso está aqui comigo.”

Suas mãos foram até sua cabeça tentando parar com a voz sombria que ressoava ali, mas ela só parecia aumentar.

Seus pais não te amavam por isso te entregaram a mim. Esqueça-os. Eu sou o seu pai agora.”

—Bella, você está bem?

Seus olhos não conseguiam focar em nada, suas lembranças mescladas pelo terror que passou com aquele monstro e a recente conversa com Alice. Nada parecia fazer sentido.

Os olhos frios e ameaçadores daquele homem a encarando sem nenhum tipo de sentimento enquanto a via chorar de dor e fome naquela cabana no meio do nada, suas palavras ferinas reforçando a repulsa de seus pais por ela, a fazendo crer que era indigna, que merecia aquilo. O ódio dele refletido em cada surra, até que a mulher de cabelo vermelho a ajudou a sair dali, a mesma mulher que nunca fez nada para impedi-lo antes a ajudara.

O frio da chuva, o vento cortante que batia sobre sua pele, a dor quase insuportável no estomago, a fraqueza, o medo, mais medo do que qualquer outra coisa. As cobras tatuadas em seus braços saltando até ela enquanto tentava escapar daquele lugar. Enquanto tentava escapar dele.

Foi capaz de escutar seu nome ser chamado antes que a escuridão a tragasse para suas profundezas.

Notas finais
Olá amores. Primeiro de tudo queria me desculpar. Não sei como vocês não me mataram. Demorei uma eternidade para conseguir conciliar minhas ideias para a fic com o texto e mesmo assim deu um trabalho enorme. Para quem acompanha O Desafio já sabe que minha vida está no meio de um tornado e não tenho conseguido encontrar muito tempo para escrever. Tenho dezenas de ideias e pouco tempo, essa é a infelicidade de qualquer autor. Queria agradecer a todos pelo apoio e compreensão, vocês tem sido fantasticos nessa empreitada, queria agradecer a cada um de coração. Espero que tenham gostado do capítulo. Beijos Kim