Notas iniciais
Capítulo dedicado a Suzana Dias que me deu a ultima recomendação do ano e que eu simplesmente amei. Esse foi um maravilhoso presente. Obrigada. E também a Mandinha que em tão pouco tempo já está no meu coração, te adoro.

–Acho que temos uma conversa pendente.

–Concordo.

As duas mulheres se encararam por diversos minutos, ignorando o barulho de conversas e as pessoas caminhando ao redor do luxuoso restaurante. Ambas sabiam que aquele encontro definiria uma trégua entre suas famílias, assim como suas felicidades, afinal, os dois piores cabeças duras, que eram seus maridos, tinham conseguido se entender.

Depois de tomarem seus lugares a mesa e fazerem seus pedidos, um silêncio incomodo caiu sobre a mesa, nenhuma delas sabendo como começar a falar o que precisava ser dito.

Esme apertou as mãos no colo e suspirou .

–Me perdoe pela forma que agi com você e com Charlie. Acho que ao saber que a minha Mel não estava morta, que a perdi por uma vida toda me apavorei e troquei os pés pelas mãos. Eu e Carlisle nos perdemos no meio do caminho e nos equivocamos muito.

–Se a culpa fosse apenas sua isso seria bem mais fácil, todos nós temos uma parcela de culpa. – Renée bufou um pouco arrumando uma mecha do cabelo — Acho que eu sempre soube que Bella era sua filha.

A declaração surpreendeu Esme.

–Vocês juntas tem uma sincronia perfeita. Desde a primeira vez que nos encontramos quando vim para vê-la senti que vocês duas tinham essa conexão, mas pensei... Não sei o que pensei.

–Quando Edward a levou até minha casa para apresenta-la a família senti uma conexão muito intensa por aquela menina, era como se o meu coração voltasse a bater depois de dezesseis anos, eu a amei como uma filha, a amei como a menininha que tinha perdido.

Sua voz falhou no final e se viu obrigada a olhar para longe, tentando em vão afastar as lágrimas.

–Eu entendo, Esme. Não posso imaginar a sua dor ao perder sua filha. Eu sou mãe também e coincidentemente amamos a mesma menina, queremos o seu bem.

–Você fez um trabalho incrível com Bella, ela se transformou em uma mulher fantástica e tudo graças a sua família.

Renée suspirou e apertou a mão da outra mulher, compreendia suas ações, seus medos e inseguranças.

–Ela se parece com seu marido. Tanto eu como Charlie notamos que ela tem o mesmo gênio forte e personalidade difícil.

Esme riu e secou suas lágrimas, desde que sua filha nasceu e a pegou no colo soube que Mel seria uma pequena miniatura do seu marido, mesmo tendo as suas características físicas as comportamentais todas foram herdadas do pai.

–Quando ela era pequena o seguia por todos os lados... Pareciam imãs, ela o imitava em tudo, acho que foi por isso que Carlisle agiu de forma descontrolada, ele se culpou por não ter mais seguranças na festa, por não ter encontrado Mel, depois quando soubemos sobre James ele também acreditou que havia falhado em não ter visto os sinais, só... só é difícil pra ele.

–Estão sendo dias difíceis para todos, Isabella foi muito madura e admiro que ela tenha tido a capacidade de conseguir lidar com isso melhor que nós.

–Admiro muito a força dela, aposto que deve ter agido assim por todo o tempo, não é?

–Me lembro de uma vez que saímos para pescar. Ela e Gabriel pegaram o barco e foram para o lago sozinhos. Gabe caiu do barco e estava se afogando, Bella também não sabia nadar, mas pulou na agua e encontrou uma forma de leva-lo até a superfície. Ela tinha nove anos, era tão pequena e obstinada. Isso não foi só a forma como eu e Charlie a criamos, essa característica dela veio de vocês, assim como a força e a determinação.

–Me alegra saber que fizemos um trabalho em conjunto. É uma tortura sentir que perdi minha filha, contudo só em saber que ela foi tão bem cuidada, tão amada, me conforta. Mesmo que Isabella não se sinta como... Como se fosse a minha Mel, eu ainda a amo muito e isso não vai mudar independente de nada.

Renée apertou sua mão mais forte e fungou baixinho.

–Se soubesse que aquela menininha tinha pais que a amavam teria a devolvido, Esme. Juro que o teria feito, mas não podemos mudar o passado, só nos resta mimar esse menininho que virá.

Esme sorriu pensando no neto, mal podia esperar para que ele nascesse.

–Sim, esse menino será o mais mimado que já se conheceu.

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Bella suspirou alegre enquanto aproveitava o calor da lareira e o cheiro de livros. Nunca amara tanto sua casa como agora, ainda mais depois da sua curta temporada no hospital, só de pensar naquele lugar estremeceu. Depois que o médico assinou sua alta, Edward lhe deu uma bronca gigantesca sobre tirar o cinto de segurança. Ele sabia que se ela estivesse com o cinto seus ferimentos seriam bem piores, mas também poderia ser um desastre caso a batida fosse frontal.

Seu braço ainda incomodava um pouco e seu corpo mostrava alguns hematomas, nada grave, contudo bem preocupante quanto a sua situação de gestante, o que resultou em outra discussão com seu marido por conta do cuidado obsessivo que ele maninha por ela.

Jane e ela trabalhavam em localizar James, na realidade, mais Jane do que ela. Sua amiga quase surtava ao vê-la em frente ao computador tralhando, então se resignava a mostrar os pontos principais do programa e comer enquanto conversavam.

A segurança dentro do terreno do casarão havia aumentado gradativamente, chegava a ser sufocante ver tantos homens gigantes de terno, mas não ousaria ir contra essa decisão, seu marido já tinha problemas o suficiente para dar mais uma dor de cabeça pra ele.

–Eu não fazia ideia de que Nova York tinham tantas câmeras de segurança.

Sua mente estava tão longe que tinha se assustou quando Jane cutucou seu ombro.

–Ainda bem que tem. Não faço ideia do que faríamos se não tivéssemos uma chance de localizar aquele homem.

–Você acha que ele está tramando alguma coisa?

–Tenho certeza. James é um inconsequente, um louco. Sinto que ele está mais perto do que imaginamos e essa possibilidade me dá um gosto ruim na boca, não me deixa ter paz.

–Por onde vamos começar?

Bella pegou o mapa da cidade e riscou os primeiros pontos próximos a penitenciaria.

–Vamos começar aqui.

O sistema funcionava rapidamente rastreando rostos e fazendo combinações, mas para Bella aquele tempo durou a eternidade, precisavam apenas de uma única imagem para que Laurent cuidasse do resto.

No inicio queria encontrar aquele monstro, mas depois do acidente, percebeu que sua vida e a do seu bebê eram mais importantes e abriria mão facilmente de lidar com isso, todo o estresse qual a rodeava e que fazia mal ao seu filho e a si mesma.

–Quais são as chances de termos uma combinação?

–Depende muito de como ele mudou nos últimos meses, se tem rugas, a cor dos olhos, formatos do nariz, angulação facial, cicatrizes. – simplificou se jogando na poltrona em frente ao computador – Ele tem uma cicatriz no olho esquerdo, então temos um ponto positivo, mas em contra partida, pode ter usado óculos, boné ou coisa parecida.

–Você nunca me contou os motivos dele ter sabotado o antivírus antigo. Você sabe?

O nariz de Bella se enrugou analisando rapidamente as opções sobre o que falar.

–James foi criado como um filho pela família Cullen, teve as mesmas coisas que Carlisle e Anthony, o pai de Edward, tiveram. Não faltou nada pra ele, mas por algum motivo ele criou um sentimento de inferioridade por eles e fez coisas horríveis contra a família, coisas que estão além do perdão humano.

A mulher loira arfou de surpresa e roeu a unha tentando conectar o que estava escutando.

–Ele é tão ruim assim?

–É um monstro, Jane, não gosto nem de pensar em todo o mal que ele causou.

–Deve ter sido um choque para todos descobrirem como ele realmente é.

–Para Esme e Carlisle foi como se o tapete tivesse sido puxado dos seus pés.

–Imagino... Por isso é tão importante encontra-lo.

–Edward acredita que se souber dos seus passos conseguirá prevenir que algo de ruim aconteça.

Prevenção sempre era melhor e com aquele monstro toda forma possível de se evitar alguma coisa pior era viável.

–O encontrei.

Bella se levantou de mau jeito e esfregou os olhos para conseguir enxergar melhor.

Realmente era James, seu cabelo estava grande, a barba rala, mas a cicatriz e seus olhos frios eram bem reais, muito vividos e poderiam ser reconhecidos há distancia.

–Ótimo. Agora vamos passar os dados das imagens para Laurent, ele conseguirá descobrir para onde James foi a partir daí e com quem, se tivermos sorte encontraremos o lugar onde se esconde.

–Bom, se for só isso deixa que eu entrego pra ele.

Ela deu de ombros, a principal função da loira ali era aprender como funcionava o sistema e sincronizar todos os dados adquiridos, a companhia foi só um bônus.

Bella acompanhou a amiga até a porta de entrada tentando ignorar os sentimentos desconhecidos que apareceram em seu peito, não se podia deixar influenciar pela presença de um homem que não hesitaria em machuca-la.

Deixando esses pensamentos de lado, suspirou caminhando até a cozinha, estava morrendo de fome e sem animo nenhum para comer.

Heidi vinha preparando refeições mais completas e saudáveis, verdadeiras gororobas, Edward estava no seu pé controlando todas as suas ações, já não bastando ele Esme e Renée também se juntaram a missão e desde então vivia sempre rodeada por algum controlador.

Para comprovar, seu celular tocou e o nome de Esme apareceu na tela.

–Oi, Esme.

–Já almoçou, querida?

–Ainda não, estou indo agora.

–Já passou da uma, Isabella, há tempos deveria ter comido.

Bella rolou os olhos para a bronca, deveria começar a se acostumar com isso porque tinha certeza que duraria sua vida toda.

–Estava trabalhando e comi em poucas quantidades, agora vou comer o almoço completo.

–Então termina logo que estou chegando aí.

Antes que pudesse retrucar a ligação caiu, o que não era uma surpresa, já que Esme quando não queria ser contrariada agia como Alice, deveria ter percebido que a genética gritava dento da família Cullen.

O ponto ruim em sua nova dieta era a falta de sal, tudo parecia ter o mesmo gosto, ou seja, gosto de nada, e principalmente nessa hora seu filho chutava como um lutador protestando contra a comida, deveria conseguir uma forma de comprar alguma coisa saborosa porque estava a ponto de assassinar alguém por causa desse cardápio horrível.

Como prometido, Esme apareceu vinte minutos depois, mas o que fez o queixo de Bella ir ao chão é que com ela estava Renée.

Era bom ver que ambas estavam se entendendo, mesmo que James estivesse solto, sua vida estava mais tranquila, agora conseguia apreciar cada dia com todos, talvez juntos conseguissem estar preparados para o que quer que aquele monstro estivesse planejando.

–Você parece melhor.

Antes de conseguir se conter fez uma careta para sua mãe. Renée sempre conseguia ser otimista, mesmo nas situações mais imprevisíveis.

–Estou melhor, mamãe. E então, o que as trazem aqui?

–Vamos fazer compras. – Esme bateu palmas empolgada – Já liguei pra Alice e ela vai nos encontrar no shopping.

–Não mesmo. – balançou a cabeça enfatizando – Essa cidade está uma geladeira, não vou colocar nem meu nariz do lado de fora.

–Vamos lá. Queremos comprar roupas para o bebê.

Virando as costas para as duas mulheres, Bella se jogou no sofá bocejando.

–Vocês estão delirando se acham que vou sair daqui onde tem calor, conforto e eu posso descansar para encarar o desconhecido do lado de fora dessas paredes.

Esme lhe deu um cutucão e se sentou ao seu lado. Estava animada com a possibilidade de comprar roupinhas para seu netinho e Renée compartilhava do mesmo sentimento.

–Por favor, filha. Eu e Renée queremos aproveitar o tempo que perdemos com você e mimar um pouquinho o sapinho.

–Vamos, Bella. Prometo que será apenas duas horas, no máximo.

Bella se praguejou por ser tão coração mole. Odiava fazer compras e sair com três fanáticas nunca seria uma ideia saudável, mas aqueles olhares pedintes a encarando daquele jeito carente. Droga, não conseguiria se livrar delas.

–Certo. – resmungou se levantando – Vou pegar um casaco.

As duas mulheres mais velhas pularam como lideres de torcida no colegial, o que fez Bella duvidar da sanidade delas. Acreditava que deveria ter, ao menos, uma mãe madura, mas parece que os planos divinos para sua vida eram melhores que tinha imaginado porque mesmo Esme e Renée sendo assim, sabia que elas a amavam.

No caminho, fez questão de deixar claro a sua insatisfação por ter que sair durante o frio. Seu coração sempre batia um pouco mais rápido quando passavam por algum cruzamento e sua atenção era total na estrada.

Edward havia incumbido Jared de ser sua sombra, já que Garret estava com o ombro deslocado e mais dois seguranças para dar apoio, o que parecia ser uma escolta presidencial, era constrangedor precisar de tantos homens para protegê-la, não existia uma pessoa que não olhava.

O shopping estava cheio, com as festas natalinas tão próximas todos queriam encontrar o presente perfeito, coisa que ela também deveria estar fazendo.

Alice as encontrou na área de alimentação com um enorme hambúrguer que parecia delicioso, aquilo só poderia ser tortura, todos sabiam que ela não poderia se aproximar daquela deliciosidade e mesmo assim ficavam a exibindo.

Antes de qualquer uma das mulheres conseguir se decidir sobre qual loja visitariam primeiro, Bella percebeu que não estavam prestando atenção nela e deu poucos passos até conseguir virar a esquina de volta para a praça de alimentação. Não conseguia se decidir sobre o que queria comer, por fim, pegou algumas batatas fritas e milk-shake de morango, aquilo deveria servir por algum tempo.

–E então, já decidiram?

As três saltaram com carrancas no rosto a encarando.

–Onde você foi?

–Comer.

Para enfatizar seu ponto mostrou o copo da sua bebida, nem tinha demorado cinco minutos e elas já se descabelavam. Será que não entendiam que essa sua única oportunidade para se entupir com essa comida?

–Você está proibida de...

Antes que Esme pudesse continuar com sua bronca Bella a interrompeu:

–Eu sei, mãe. Não se preocupe com coisas desnecessárias, é apenas uma vez.

Alice riu, mas com os olhares reprovadores fingiu ser uma tosse.

–Só avise antes de escapulir.

Bella concordou e sorriu inocentemente.

–Você é terrível, Bella. – comentou com a irmã enquanto separavam algumas roupinhas azuis – Deveria imaginar que fugiria para encontrar comida, soube que Edward está no seu pé por causa da pressão.

–Ele está controlando tudo. – confessou suspirando – Pelo menos, acha que controla.

A baixinha riu e pegou uma camiseta polo branca em tamanho minúsculo, as roupas infantis eram maravilhosas, o cheiro de bebê e talco, era adorável e gostaria de comprar a loja toda para seus sobrinhos.

–Você já comprou os presentes de natal?

–Alguns, faltam o seu, de Jasper, Emmett e do Gabriel. Vou ver se consigo encontrar alguma coisa agora porque não estou com a mínima força de vontade de sair outra vez.

–Quanto tempo mais o médico vai te manter afastada?

–Um mês, no mínimo, ele acredita que se minha pressão não normalizar vou ter que ficar de repouso e controlar até a quantidade de ar que eu respiro.

–Tudo está melhorando, falta apenas pegarem James, mas não acredito que ele vá fazer alguma idiotice.

–Não quero pensar nele senão vou enlouquecer e agora é tempo de ver coisas boas.

Bella separou mais algumas peças de roupa e se mudou para a seção de decoração. Ela ainda não tinha parado para pensar sobre como decorariam o quarto do bebê, não tivera tempo de discutir sobre isso com Edward, contudo agora trataria disso.

–Olha o que encontrei.

Ela sorriu para o brinquedo na mão de Esme. Um enorme sapo de pelúcia com o rosto amigável, os olhos enormes e os braços abertos, aquele sapo era quase do seu tamanho e a lembrava de Red, seu cachorro de pelúcia que ganhou de Gabe.

–É um pouco exagerado.

–É um sapo, Isabella. – disse como se fosse obvio – O bebê vai carrega-lo pelo resto da vida.

–Esse bicho tem quase o meu tamanho.

–Isso é porque você é pequena.

A mulher mais jovem rolou os olhos e mordeu a língua para não falar que sua baixa estatura vinha dela.

–Gostei dele. – acariciou sua barriga – Aqui tem um sapinho e no quarto vai ter um sapão.

Esme riu abraçando sua filha. Depois de todo o drama das ultimas semanas, passar esse pouco tempo com ela parecia que nunca tinham se separado e não havia sentimento melhor.

No fim das compras tinham comprado quase toda a loja, ainda faltava muitas coisas, mas cuidaria de ver sobre a real decoração do quarto para depois se preocupar com os móveis e queria que Edward estivesse presente quando os escolhesse.

–Estou com fome. – resmungou enquanto caminhavam para a joalheria — Estou morrendo de fome.

–Você comeu não tem meia hora. – Renée a repreendeu.

–Mas estou com fome e vocês estão me privando de alimento.

Como se tivessem ensaiado, tanto Esme, quanto Renée rolaram os olhos em sincronia.

–Eu vou com você, maninha.

–Alice, não a deixe comer porcarias.

–Claro, mamãe. Pode confiar em mim.

Antes que pudessem enchê-la de recomendações arrastou a irmã caçula para a loja de doces, afinal, seu papel como irmã mais velha era mimar sua irmãzinha e seu sobrinho.

Bella estava em duvida sobre quais os bolos e muffins que iria querer, eram tantas opções, queria levar um de cada para provar e foi o que fez.

Esperava que Edward não olhasse a fatura do seu cartão, levaria uma bronca pelas suas compras, mesmo assim sentia saudades dos salgadinhos de queijo, fazia tanto tempo que nem escutava o barulho metálico do saquinho.

–Mamãe está feliz em comprar toda a loja para o bebê. – Alice comentou enquanto se sentavam em um canto reservado na doceria.

–Eu queria que as coisas fossem assim, mas tudo aquilo aconteceu e do nada parecia impossível que conseguíssemos juntar todos.

–Você já os perdoou? Digo, ao papai e o Charlie?

–Eu os amo, Allie. – disse simplesmente – Quando amamos perdoamos tudo.

–Leve isso em conta quando o papai te der seu presente.

–O que é?

–Você vai ver, só não faça alarde.

–Pode deixar, vou tentar me controlar porque sinto que vão me surpreender.

–Vão mesmo.

Edward entrou em casa estranhando o silêncio, mesmo que a casa fosse enorme e sua esposa sempre se infiltrasse em algum canto ele sempre sentia quando ela estava por perto.

Comprovou estar sozinho depois que aquele monstro, qual chamavam de cachorro, foi trotando até ele se sentando nas patas traseiras.

–O que foi seu babão? – acariciou suas orelhas – A mamãe te abandonou também?

Red latiu e correu até a biblioteca arranhando a porta para entrar. Edward o ignorou e subiu para o quarto, tirando a gravata e desabotoando a camisa. Não estava no humor para tomar banho sozinho, ainda mais sem saber onde sua esposa estava.

Tinha ligado inúmeras vezes para o seu celular, até se cansar e discar o numero de Jared para saber que tinham ido ao shopping, Bella merecia um castigo por ter saído sem avisá-lo, ela sabia o quão preocupado ele ficava quando ela saía sem deixar, ao menos, um recado.

Aproveitou que teria alguns minutos sozinho e escondeu o presente que daria a ela, só esperava que ela gostasse, esse era seu primeiro natal juntos e desejava que tudo saísse perfeito.

Não se deu ao trabalho de pegar um casaco, apenas jogou sua camisa no cesto de roupas sujas e desceu para a cozinha, precisava encontrar o lugar onde sua esposa escondia seus salgadinhos, era consciente de que ela fugia da dieta recomendada pelo médico, odiava ter que agir como o marido chato, mas se não o fizesse sua saúde poderia piorar, então continuaria com esse comportamento.

–Boa noite, Heidi.

A mulher saltou ao escutar a voz do patrão, mas retribuiu ao cumprimento com um sorriso.

–Isabella almoçou?

Pela careta que recebeu já sabia sua resposta.

–Ela mal tocou no prato, Sr. Cullen.

–Aquela teimosa prefere passar fome do que ter uma alimentação saudável.

–Ela deixou claro que se for para preparar refeições assim é melhor nem fazê-las.

Ele coçou a cabeça e abriu os armários tentando encontrar alguma pista daqueles malditos salgadinhos, mas não havia nem sinal de nenhuma comida que poderia ter sido contrabandeada tudo ali estava na lista de compras.

Era mais provável que estivesse na biblioteca, onde apenas ela tinha acesso do que embaixo do seu nariz. Ele sabia melhor que ninguém que sua esposa era uma das pessoas mais inteligentes que havia conhecido.

–Onde fica o estoque de salgadinhos da Bella, Heidi?

–Não faço a mínima ideia, Sr. Cullen.

–Se você souber de qualquer coisa, me avise. Bella não pode continuar comendo qualquer coisa, mas não me ouve.

A governanta segurou um sorriso observando o patrão revirar a cozinha para tentar encontrar a fonte secreta de salgadinhos, não estava mentindo quando falou que não tinha ideia de onde Bella escondia aquelas coisas, na realidade, quando descobriu sobre isso fez questão de não saber de nada.

Edward bufou e desistiu de procurar por aquela porcaria, encontraria outra forma de fazê-la confessar e jogaria aquele lixo fora.

A porta da frente foi aberta e algumas vozes invadiram a sala junto com um vento frio, foi preciso respirar fundo para se acalmar antes de ir encontrar sua esposa teimosa.

Assim que viu seu sorriso enquanto carregava várias sacolas de papel seu coração amoleceu. Suas bochechas estavam rosadas, uma toca vermelha cobria seu cabelo deixando uma mecha da franja cair em seus olhos.

–Comprou o mundo, pequena? – questionou indo até ela e tirando o peso de suas mãos.

–Segundo Esme, isso aqui é apenas o básico do que um bebê tem que ter. – deu de ombros beijando rapidamente seus lábios – Não podia discutir.

Ele riu brevemente se sentando para abrir as sacolas.

–O que você comprou?

–Várias coisas, mas primeiro quero te entregar uma coisa.

–Fique a vontade.

Bella riu e mexeu em todas as sacolas até encontrar uma caixinha branca e colocou em sua mão.

Com cuidado ele abriu a tampa da caixa e sorriu ao encontrar um par de sapatinhos minúsculos de crochê azul com um “C” bordado em branco ao lado, um nó se formou em sua garganta enquanto apreciava aquela coisa pequena que cabia na palma da sua mão.

–É tão... Delicado. – sussurrou – Tão pequeno.

Bella riu e se sentou no tapete admirando que um homem daquele tamanho pudesse ficar tão emocionado com um sapatinho de cinco centímetros.

–Você sabe que nosso bebê vai nascer pequeno.

–Você mal completou quinze semanas e ele está 170 gramas, o peso que deveria ter daqui há umas duas ou três semanas, o que significa que você precisa seguir a dieta ou...

–Ele te puxou e será enorme. – o cortou – Eu sigo a dieta, do jeito que dá.

–Não é o suficiente. – a repreendeu – Sua pressão...

–Está alta. – completou rolando os olhos – Sei bem disso, Edward. Não precisa me repreender como se fosse o meu pai que para esse papel já tenho dois.

A mandíbula de Edward se tencionou e foi preciso que respirasse fundo para não gritar com a esposa, mas pelo olhar que ela lhe direcionava sabia que discutiriam e no fim ela acabaria chorando e teria que dormir no quarto de hospedes, então era melhor manter a paciência.

–Heidi disse que não comeu quase nada no almoço.

–Comi com Alice no shopping. – resmungou pegando as sacolas para fazer o caminho para o quarto do bebê.

Suspirando ele tirou tudo da mão dela e a puxou para o andar de cima, ele tinha pedido para que limpassem o quarto, o cômodo branco estava vazio e precisava apenas da decisão dos dois para começar a planejar.

–Temos que comprar os móveis. – comentou com ele – Esme e Renée já estão querendo fazer tudo.

–Qual a ideia delas para decoração?

–Uma lagoa.

Edward riu sabendo bem porque elas queriam isso, e era até uma boa ideia.

–Nós temos um sapinho e ele viver em uma lagoa é a lei da vida.

–Podemos decidir isso na cama? Porque estou com frio, fome e sono.

Com um sorriso ele beijou seus lábios.

–Podemos decidir em qualquer lugar em que você queira, pequena.

Notas finais
Olá, amores. Postando no último dia do ano como presente para vocês que foram tão importantes pra mim em 2014, esse ano foi longo, trabalhoso e muito satisfatório e mesmo com muitos tropeços conseguimos vencer e estamos aqui hoje prontos para um novo recomeço. Pra mim foi um orgulho conhecer tantas pessoas, sair da minha bolha intimista e escrever para tantas pessoas. Então, espero que nesse novo ano que entra que tenhamos, todos, muita saúde, amor, prosperidade, inspiração, força e paz. Queria dar um abraço de felicitação em cada uma das pessoas que acompanha que se tornou uma nova amiga, um conselheiro e um apoio em cada momento da minha vida, mas como não posso deixo esse capítulo pra vocês. Beijos Kim