O Que Somos
68 Capítulo 65
Capítulo 65
O homem olhava para o teto com atenção, como se ele contivesse todos os segredos do universo, na realidade para ele aquele lugar continha. Depois de três meses ali já estava enlouquecendo e precisava dar o fora antes que enlouquecesse.
Sentia um enorme desejo de vingança por todos que o colocaram naquele lugar, especialmente pela vadiazinha que acreditava saber de tudo e sobre tudo, mostraria pra ela o que realmente era conhecimento. Como se não bastasse apenas uma mulher para inferniza-lo ainda tinha Victoria, mas ao contrario da outra, essa ainda o ajudava, bastava que pedisse que ela cumpria, de fato não havia sido tão ruim mantê-la como uma carta na manga durante tantos anos, a louca agora servia para alguma coisa.
Ela vigiava cada passo dos seus inimigos e eram suas descobertas que o mantinham atualizado. Saber que o maldito Cullen havia se casado há três semanas não era sinceramente uma novidade, ele sabia como ninguém, que a maldição dos homens eram suas mulheres e eles costumavam ser arrastados pelas bolas. Bastava olhar para si mesmo e veria o que uma mulher causava com um homem.
Havia sido um idiota por muitos anos, a maior parte da sua vida, mas aprendera com seus erros e em poucos dias quando saísse daquele inferno iria se vingar, mas dessa vez faria isso da forma certa e os Cullen que se preparassem porque dessa vez não haveria falhas. Acabaria com cada um de seus inimigos, não teria piedade com ninguém.
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Bella olhou a noite escura pela janela do quarto e suspirou, faziam duas semanas que haviam se mudado completamente para o casarão, quatorze dias que não falava com ninguém a não ser Edward ou Heidi e preferia assim, pelo menos por enquanto ficar no seu canto se mostrava mais tranquilo do que enfrentar a dura realidade por fora daqueles portões.
Depois da conversa desastrosa na casa dos Cullen não sentia a menor vontade de voltar a sua rotina normal, o médico a havia afastado do trabalho porque estava com hipertensão e possível aparecimento de depressão.
Concordava que sua pressão estava alta, mas não estava com depressão. O fato de ter se isolado era comum quando se sentia ferida, todos que a conheciam sabiam disso, desde pequena esse era o seu mecanismo de Autopreservação e não mudaria de um dia para o outro.
Edward sempre estava ao seu redor, sempre questionando se precisava de algo ou se sentia alguma coisa. Ao pensar nele um sorriso se abriu em seu rosto, agora até mesmo seu comportamento super-protetor a fazia se sentir melhor. Via que ele tinha adquirido uma paciência invejável, ao contrário do que imaginou, ele não tinha tomado partido em nenhum lado da guerra que sua vida se tornou, apenas se sentou durante a noite toda a embalando enquanto passava por um sono turbulento e cheio de pesadelos com aquele monstro.
Para ela se ver pressionada a escolher um lado foi um dos piores momentos da sua vida, seu coração pertencia as duas famílias, os amava muito para escolher um lado. Não queria ter feito, mas o egoísmo deles a deixou sem opções e nunca na Terra abdicaria de um pelo outro. Seu afastamento era necessário, assim eles teriam espaço para pensar e ver o que realmente valia a pena; se era viver no passado ou encarar uma nova possibilidade para o futuro.
Sentia falta de Esme, saudade do tempo que passavam juntas e saber que ela era sua mãe só fazia essa sensação esmagadora aumentar, assim como morria de saudades de Renée, sua mãe doidinha que sempre a incentivava. Como poderia escolher entre uma e outra? Isso não era justo.
O fato é que, não conseguiria deixar de lado seus pais biológicos sabendo da dor e do sofrimento que passaram com seu desaparecimento, ainda era possível ver nos olhos deles essa dor da ferida mal cicatrizada, do mesmo modo que nunca viraria as costas para Charlie. Mesmo com seus erros aquele era o homem que lhe ensinou tudo o que sabia, foi ele quem a apoiou, quem segurou sua mão e a protegeu quando mais precisou.
Isabella Cullen era determinada e não desistiria dos seus planos nunca. Ela não escolheria um lado. Daria tempo para que aprendessem a conviver, ao menos, socialmente porque iria ficar com todos.
Uma batida na porta à fez suspirar, Edward havia viajado para Chicago por causa de algum contrato importante e só voltaria de madrugada, foi preciso que ela o enfiasse dentro do avião, ele não queria ir e deixa-la sozinha, nem mesmo por algumas horas e por mais que apreciava todo o seu cuidado ainda precisava ficar um pouco sozinha e se afundar em reflexões.
–Me disseram que você resolveu morar em um Iglu.
Ela sorriu para a voz do irmão, suas piadas sem graça sempre a animava, mesmo quando eram sobre sua situação atual.
–O que faz aqui, Gabriel?
Como sempre ele apenas sorriu e foi abraça-la, Bella havia sentido falta desse abraço caloroso e sem perceber estava com a cabeça em seu peito como sempre fazia quando menina.
–Senti sua falta, formiguinha. – sussurrou beijando seus cabelos – Precisamos ter uma longa conversa.
–Não quero conversar, irmão.
Seu irmão a abraçou mais forte e limpou suas lagrimas com calma.
–Sei que esse momento é difícil. Está enfrentando grandes mudanças, o casamento, a gravidez, a descoberta dos seus pais biológicos e essa merda toda que papai e o Dr. Cullen armaram.
Ela se afastou com mais lágrimas nos olhos e o encarou.
–Eu estou confusa, Gabe. Me sinto perdida.
–Eu sei, meu anjo. – ele se sentou no sofá que tinha no canto do quarto e a puxou até que ela deitasse a cabeça em seu colo – Sei que tem passado por tempos difíceis, tudo está uma completa confusão, mas você sempre foi forte e vai superar isso.
–Dessa vez parece que é demais, sinto como se o mundo estivesse sobre meus ombros. É demais.
–Não é, Bells. Essa sensação vai passar quando você conseguir esfriar a cabeça, então não se preocupe.
–E se não for mais a garota forte que era antes? Nem sei quem sou.
–Faz muito tempo, mas eu me lembro até hoje do dia em que te encontrei. Você era pequena, indefesa e tinha tanto medo nos olhos... Eu senti que deveria te proteger desde que a vi pela janela do carro. Eu a conheço como ninguém e entendo o seu medo, mas tudo vai dar certo no final. Você é a minha irmãzinha inteligente, um nome não é nada mais que um nome, mas seu coração... – ele sorriu beijando seus cabelos – Seu coração é enorme, essa é a menininha que se agarrava a mim em uma noite de tempestades. Não se preocupe que eles vão se acertar. Tudo vai se acertar.
–Eu amo a todos. – confessou fungando baixinho – Não quero ter que escolher entre um e outro. Não é justo.
–Sei disso, pequena. Você não tem que escolher, o papai entende que você ama os Cullen e que não vai nos deixar de lado. Ele sabe que Carlisle quer apenas protege-la. Eles são dois velhos tolos que tem medo de perder sua menininha.
–Sou grande o suficiente para me proteger sozinha. – resmungou – Sei cuidar de mim mesma.
–Você pode saber, mas isso não diminui o sentimento de proteção que os pais tem com seus filhos, quando seu bebê nascer você vai ver isso.
Ela o olhou surpresa, não tinha dito a quase ninguém sobre o bebê, seu pai sabia porque contou e ele naturalmente falou para sua mãe, assim como apostava que Esme tinha dito a Carlisle e quando passou a noite no hospital depois do desastre Edward tinha pedido para que todos mantivesse distancia para que sua recuperação fosse a melhor possível.
–Eu sou médico e sua barriga já está grande. – acariciou seu ventre – O que quero dizer é que, quando esse pequeno nascer você vai querer dar o mundo pra ele, vai querer colocar protetores de borracha em cada lugar que ele possa se machucar. É assim que os pais são.
–E eles erram?
–Quase sempre, mas nós os perdoamos também. – sorriu a apertando mais – Sei que está tudo uma enorme confusão e parece que não há saída...
–Se me sentisse assim seria ótimo. – o interrompeu energética – Eu acabei de completar vinte e um anos, me casei a menos de um mês, estou grávida e descobri que metade da minha vida não era o que eu pensava. Me sinto naquelas novelas mexicanas que só tem drama ou naqueles romances de banca de jornal. Isso não é confuso é...
Bella parou para respirar, nem ela mesma sabia o que era, parecia mais com a teoria do caos que qualquer outra coisa.
–Você precisa de um terapeuta.
Ela lhe deu um olhar irritado, sabia disso, talvez precisasse de algo mais especializado, como um psiquiatra. Gabriel se resignou a rir.
–Eu marquei consulta com um. – resmungou – O obstetra recomendou, ele acha que estou com depressão pré-parto, acha bom que eu me consulte.
–Você enlouqueceria o coitado assim como fez com sua antiga psicóloga. – a lembrou brincalhão – Você é mais forte do que acredita, Bells, mesmo que vá a um terapeuta, participe das seções ainda terá que estar disposta a enfrentar todos os seus medos e sei bem que alguns lugares na sua mente ainda não foram visitados, então pense se vale a pena pagar para alguém resolver um problema que uma boa conversa da jeito.
Droga, por que diabos Gabriel tinha de ser tão racional. Ela não queria pensar em falar com os dois turrões da sua vida, seria melhor esperar a poeira abaixar, mas seu irmão vinha abalar suas ideias e fazer com que pensasse melhor em tudo o que estava fazendo.
–Eles me mandaram escolher. – sussurrou magoada.
–Eu soube, contudo também sei que você sente falta deles e eles de você. Não quero que escolha um lado, isso não existe porque todos queremos estar ao seu lado. Queremos lutar com você. Uma vez uma menininha me disse que: O amor é ajudado pela força, e a doçura do perdão traz a esperança e a paz.
Seus olhos se arregalaram com a lembrança. Ela tinha quase doze anos quando citou pra ele Charles Chaplin. Se lembrava que na época ele estava arrasado por conta de uma garota idiota que quebrou seu coração e seu brilho estava se apagando.
–Você ainda se lembra disso?
–Não fui só eu que te salvei. Você fez o mesmo por mim inúmeras vezes. Aprendi com você também.
Bella o abraçou com força, quase retendo o ar dos pulmões, precisava dessa conversa para sair do poço que se enfiou, precisava de um puxão de orelhas da única pessoa que realmente escutava.
–Obrigada, Gabe.
–Por nada, Formiguinha. Agora como forma de agradecimento; quero jogar um pouco.
–Jogar o quê?
–Você tem uma sala de jogos lá embaixo, que eu sei. – a puxou pela mão – Vamos logo que teremos companhia em breve e devo aproveitar mais um pouco da sua companhia antes que a levem de mim.
Suspirando ela se deixou ser puxada para o andar de baixo, não teria como lutar contra o irmão e sabia disso.
Ele fez questão que ela lanchasse antes de ir para o salão de jogos que ficava no porão.
Edward deixou aquele espaço realmente cheio de jogos, as paredes estavam pintadas de branco com um efeito que brilhava, algumas partes tinham pinturas tribais em vermelho e preto; havia uma mesa de bilhar no centro, ao seu lado uma de pebolim e de hóquei. A estante no canto tinha diversos jogos de tabuleiro, na parede ao seu lado uma televisão de tela plana enorme com alguns vídeo games conectados, mas o que mais a conquistou foi as maquinas de fliperama, quando mais nova costumava fugir com o irmão para uma casa de jogos só para ficar nelas durante a tarde toda.
O sofá de couro negro à frente da televisão e as poltronas ocasionalmente posicionadas davam um ar moderno e não poderia se esquecer do mini bar em um canto estratégico.
Não pode evitar rolar os olhos, homens e seus brinquedos.
Gabriel se sentiu em um parque de diversões, seus olhos chegavam até a brilhar de contentamento.
–O que você quer jogar?
–Vamos esperar nossos parceiros de jogo. – disse enigmaticamente indo para o bar e se servindo de alguma bebida azul.
Ela pegou um copo de suco natural e brincou com ele quando um guarda-chuvinha foi posto. Se sentia com dez anos de novo quando seu pai fazia isso no seu copo de guaraná para imitá-lo.
Pouco tempo depois soou uma batida na porta, Bella estava analisando a mesa de bilhar e não fez questão de se virar para ver quem tinha chegado.
–Hey, ingrata, não vai receber seus irmãos?
Se virou sorrindo para Alice, tinham vindo além dela, Jasper, Emmett e Rosie. Abraçou cada um sentindo falta de quando passávamos mais tempo juntos. Não tinham se falado muito desde que os encontraram na casa dos Cullen, eles haviam resolvido ficar de fora do conflito que se formara.
–Como está minha sobrinha? – questionou enquanto abraçava Emmett.
–Querendo nascer a qualquer momento. – Rosie reclamou – Me deixando com falta de ar e inchando os meus pés, simplificando, estamos ótimas.
Bella riu abraçando a amiga, essa era a parte da gravidez que não estava ansiosa para experimentar.
–E você, quando vai me dar um?
Bella riu baixinho, vestia uma camisa de Edward que escondia sua barriga que já mostrava um volume considerável. Pegou a mão de Emmett e a levou até lá.
–Em cinco meses. – sorriu quando o grandão perdeu a fala e a abraçou mais forte tirando seu corpo do chão.
–Agora entendo o motivo de Edward querer te arrastar para o altar. – Alice brincou – Estou tão feliz por vocês. Nossa família está aumentando.
De relance Bella viu que seu irmão se moveu desconfortável enquanto ainda bebia, não entendeu bem o gesto, mas resolveu ignorar. Era preferível do que enfrentar a fera de olhos azuis.
Minutos depois Maggie chegou sozinha, pelo que tinha entendido hoje era a noite dos adultos casados e uma dose de melancolia tomou posse do seu peito, queria Edward com ela.
Os rapazes estavam vidrados no vídeo game e as meninas tentavam jogar bilhar, aquele era o momento mais divertido que passava com todos desde o casamento e não ficar sozinha naquela casa imensa já se mostrava motivo de enorme alegria.
Talvez e apenas talvez, Gabriel estivesse certo e o que realmente precisava era das pessoas que amava em torno de si ao invés de enlouquecer mais um terapeuta.
Pouco antes das oito, Heidi mandou que uma das meninas que ficava na cozinha com ela levasse alguns sanduiches e sucos para todos, coisa que agradeceu porque estava morrendo de fome.
–Soube que minha casa havia sido invadida.
Bella se virou rápido com a voz de Edward. Sem pensar correu até ele se jogando em seus braços, não esperava que ele chegasse cedo e sabia que sem ele não conseguiria dormir, só o seu corpo e cheiro a acalmava.
–Senti sua falta. – sussurrou em seus lábios – Muita.
–Eu também, pequena. – andou com ela presa em sua cintura para dentro da sala – Soube que estavam dando uma festa e tive que vir o mais rápido que conseguiria.
Ela riu o beijando rapidamente.
–Estávamos curtindo a noite.
–Imagino. É bom ver todos interagindo.
Edward se sentia cansado, de manhã havia recebido uma ligação importante informando que precisavam dele em Chicago, foi preciso que o arrastassem para o avião e Bella o ameaçasse, não queria deixar a esposa de jeito nenhum, por fim ela o convenceu a ir.
Seu cunhado... Agora tinha mais cunhados do que gostaria de admitir, Gabriel, ligou informando que iria visitar a irmã e levar os outros para distrai-la.
Sabia que Bella precisava mesmo das pessoas que a amavam em torno, lembrar das palavras do médico na semana anterior ainda o faziam estremecer, apenas o fato de ela estar com hipertensão e depressão acabou com ele. Faria o impossível para que tudo se acertasse, por mais que isso não dependesse completamente de si.
–Vou viajar por poucas horas e quando volto vejo que minha casa foi invadida por Swan, Withlock e Cullen. – brincou com falsa indignação – Quem mais vai vir?
–Bem, eu estava pensando em algumas pessoas. – Emmett retrucou – Você poderia dar uma festa de arromba.
–Nem sonhando. Eu nem concordei com vocês virem, Gabriel me disse que ele ia apenas conversar com Bella e não trazer uma caravana junto.
Bella deu uma cotovelada nas suas costelas e ele riu beijando seu rosto.
–Não seja mal educado. – o repreendeu – Estamos contentes em receber todos, não é Edward?
–Claro, amor. Muito feliz!
Todos riram da careta que ele fez e voltaram a suas conversas sobre jogos e os tempos na universidade. Bella estava sentada no colo de Edward enquanto ele acariciava sua barriga, ter seus amigos, as pessoas que amava em sua casa conversando sem nenhuma preocupação dava a sensação de alivio, seu coração se acalmava por poucas horas assim.
Havia convencido a esposa a comer mais um pouco e agora ela cochilava em seu colo tranquilamente.
Gabriel e Maggie haviam se despedido a pouco por causa do horário e mesmo depois de oferecer um quarto para a noite preferiram ir. Agora ali, permaneceram apenas os Cullen.
–Ontem eu conversei com o papai. – Emmett comentou quando viu a irmã dormindo – Ele ainda continua confuso, quer continuar com o processo contra Charlie de qualquer jeito.
–Temos que tentar, não vou permitir que a minha esposa passe por mais essa situação de estresse. Ela está magoada com Carlisle e com Charlie e essa situação não faz bem a ela.
–Ela disse que está gravida. – Alice sorriu – Ainda não acredito que minha irmã estava tão perto, parece que o destino uniu vocês. Desde crianças vocês ficavam juntos, papai quase surtava quando tio Tony falava que iriam se casar.
Edward riu se lembrando daquela época. Tudo parecia tão perfeito e não pode deixar de imaginar como seria sua vida se James não tivesse feito toda aquela monstruosidade. Com certeza, cresceria perto de Bella, desde sempre a cortejaria, mimaria. Iriam viajar juntos para conhecer o mundo. Ou talvez, na pior das hipóteses, ela visse nele apenas um irmão e o rejeitaria pelo primeiro idiota que se apaixonasse.
–Tudo aconteceu da forma que teve que acontecer. – resmungou expulsando os pensamentos que rondavam sua mente – Não podemos alterar o passado, nem mesmo se quiséssemos.
–Eu ainda quero ir até James e bater com a cabeça dele na parede até ver o cérebro sair pelo nariz.
Todos olharam espantados para Emmett, ele nunca dizia nada agressivo, nem mesmo quando testavam sua paciência.
–Um dia eu irei pega-lo, aí mostrarei como é bom bater. Aquele homem quebrou nossa família, machucou a minha irmãzinha, eu só preciso de duas horas sozinho com ele.
–Vocês não podem agir pelo ódio. – Jasper os repreendeu – Imagina o que Bella sentiria se vocês agissem como dois animais. Você é o marido dela, Edward, ela te ama e respeita; já você, Emmett é o irmão que ela admira, então ajam como homens responsáveis que são e não como dois moleques do colegial.
O momento de bronca foi interrompido quando escutaram um gemido de Rosalie.
–Você está bem, ursinha?
–Não. – gemeu quase sem voz – Acho que estou tendo contrações.
–Sério?
–Não, Emmett. – a loira rosnou em meio à onda de dor – Estou brincando com você porque é divertido fingir que estou quase parindo.
–Desculpe. Desculpe.
Edward se ajeitou para acomodar Bella, mas seus olhos abriram imediatamente.
–O que foi?
–Rosalie está com contrações.
–E por que estamos aqui ainda? – se levantou em um salto – Temos que leva-la ao hospital.
–Claro, amor, já vou atrás do carro.
Foi preciso quase cinco minutos para fazer Emmett entender que precisava levar a esposa ao hospital. Ele entrou no carro de Edward nervoso tentando acalmar Rosalie, mas era possível ver de longe que a deixava pior.
Com um pouco de impaciência Bella rolou os olhos e olhou para a amiga.
–Rosie, respira fundo entre as contrações. – aconselhou calmamente – Quando a dor vier você grita, pragueja, machuca Emmett, não precisa se segurar. Esse é seu momento e não se sinta envergonhada.
Edward riu dirigindo com eficiência pelas ruas movimentadas que dariam ao hospital, ver seu primo mudar de um leão vingativo a um garotinho assustado com cada grito da mulher o divertia.
–Você ri, não é. – sua esposa sussurrou enquanto conversava com o médico no celular – Quero ver quando for a nossa vez.
–Eu vou segurar sua mão todo o caminho e Félix irá dirigir.
Ela se resignou a rolar os olhos enquanto ele estacionava na entrada de emergência e diversos enfermeiros ajudavam Rosalie a sair. Em questão de segundos a colocaram na cadeira de rodas e seguiram em direção a ala de obstetrícia.
Alice vinha com Jasper logo atrás e todos tentaram entrar na sala de parto e foram expulsos pela enfermeira que os mandou aguardar na sala de espera.
Como antes, Edward puxou Bella para seu colo enquanto ela brincava com seu celular. Tirou sua atenção dela e encarou Alice, sua prima fazia um gesto estranho com o pescoço, algo que parecia um tique. Queria bater nela para aquilo parar, mas passos apressados de saltos tirou sua atenção e entendeu quando viu seus tios se aproximarem correndo.
Suspirou ao vê-los estacar ao repararem Bella.
–Como... Como Rosalie está? – Esme sussurrou sem deixar de olhar para a filha caçula.
–Ela foi levada para a sala de parto com Emmett. Ninguém disse nada ainda. – Edward falou ainda sentado.
–E você, filha, como está?
Bella mordeu o lábio para conter seus sentimentos conflitantes, não queria magoar Esme, sabia o quanto ela havia sofrido a cada dia, mas no momento em que estavam enfrentando um turbilhão de acontecimentos e mesmo querendo se jogar em seus braços, mesmo sentindo tantas saudades dela não iria fazer isso.
–Vou bem, Esme. – respondeu tentando não ser grossa – E você?
–Estou daquele jeito.
Seu coração se comprimiu ao encarar seus olhos tristes. Os mesmos olhos que ela mesma carregava.
Com um suspiro apertou sua mão tentando passar um gesto de conforto, mesmo zangada com todos, os amava demais e esse sentimento nunca passaria.
–Vou comer alguma coisa no refeitório. – balbuciou já se afastando.
–Vou com você, preciso de cafeína.
Edward observou a esposa caminhar com Alice e Garret logo atrás e suspirou abraçando a tia, sentia que o afastamento dela com a família magoava muito, contudo, não iria impor sua vontade a nenhum dos dois lados, eles precisavam chegar em um consenso sozinhos.
–Ela está magoada, tia. – comentou quando viu seu olhar de pesar – Só precisa de um tempo para assimilar tudo.
–Cometemos um erro, Edward. – a mulher fungou – Ela nunca irá nos perdoar.
–Claro que vai, se não fosse, ela não teria falado com você. Bella é cabeça dura, mas espera apenas que se acertem com os Swan porque ela não vai escolher um lado.
–Eu sei disso agora, estou disposto a falar com Charlie, tentar encontrarmos um meio termo acessível para ela. – Carlisle revelou mudando nos pés – Não suporto mais a tensão que sobrevoa nossas cabeças. Reencontrei minha menininha e fui capaz de afastá-la, não quero viver assim.
–Bella os ama. – afirmou – O que aconteceu mexeu com ela e ainda mexe, ela não se sente como se fosse a garotinha que tiraram dos seus braços e a mulher que ela é hoje se moldou para se tornar uma pequena guerreira. Vocês terão que aceitar isso.
–É tão difícil para mim saber que nos momentos mais importantes de sua vida ela não estava conosco. – Carlisle confessou com a voz tremula.
–Entendo todos os pontos, tio. Todos eles, mas quererem que ela escolha entre um e outro não foi uma boa ideia. Bella tem um amor muito grande por Charlie, assim como um senso de obrigação, ética e lealdade, ela nunca iria virar as costas pra eles e o fato de ela não escolher por eles também mostra o que sente por vocês.
–Eu vejo isso agora. Só espero que não seja tarde demais para reconquistá-la.
–Só dê um pouco de tempo para que ela consiga colocar a cabeça no lugar e tudo ficará bem.
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