O Que Somos
49 Capítulo 47
Capitulo 47
Segunda-feira chegou tão depressa que Bella se surpreendeu ao sair do elevador para o escritório, tudo ainda parecia tão distante em questão dos dias que passou longe. Mal deu dois passos até sua mesa e foi bombardeada com um abraço que a fez dar dois passos para trás.
–Bella. Senti sua falta. – a voz de Jane era alegre e entusiasmada – Não sabe como orei para que voltasse logo, não aguentava mais esse lugar sem você, mesmo quando estava mal humorada.
–Obrigada Jane. – riu se soltando – Também senti sua falta. Trouxe um presente para você.
Assim que sentou em sua mesa mexeu na sua bolsa até conseguir encontrar o pacote vermelho. Novamente sua colega gritou e riu pulando no corredor, os meninos apenas riam de longe. Era uma echarpe azul.
–Amei, amei, amei. Obrigada por se lembrar de mim.
Depois de mais um abraço Bella conseguiu ligar seu computador e abrir o sistema, precisava se atualizar do que estava acontecendo.
–Bella, é bom ver que está de volta. – Demetri falou com um sorriso e seus olhos sempre caiam em Jane – Temos uma reunião hoje as quatro para falar sobre algumas coisas.
–Conseguiram se entender? – indagou curiosa.
–Não, ele não gosta de mim da mesma forma que eu dele. – falou tristemente. – É melhor assim.
–Eu acho que ele gosta de você e precisa apenas do incentivo certo para perceber. – começou a maquinar.
–Me fale agora qual a sua ideia.
–Que tal uma bebida com o pessoal no fim do expediente e aí te mostro.
–Tudo bem. – concordou voltando ao clima alegre.
Jane passou o resumo do que tinha acontecido durante a semana anterior e mostrou alguns dos relatórios preliminares que formou de acordo com as informações do sistema, teria muita coisa para resolver, mas pelo menos haviam detectado o IP do invasor, agora era só juntar as peças do quebra cabeças.
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Edward estava andando de um lado para o outro falando com um dos clientes ingleses sobre a exportação de um dos seus produtos, o homem era muito exigente e um contrato importante, sua agenda estava calma por causa do trabalho de Jasper e Rosalie, estava muito grato aos dois por terem segurado as pontas enquanto se reconciliavam. Ainda teria mais três vídeos conferencia para garantir que tudo estava bem e conseguiria encerrar o seu dia.
Desligou o telefone e pegou o celular notando que tinha uma chamada perdida de Bella, estava próxima a hora do almoço, provavelmente ela queria saber se iriam juntos. Retornou a chamada.
–Oi tigrão.
–Oi amor, estava ocupado e só consegui ver sua chamada agora.
–Sem problemas, era só pra avisar que vou sair com as meninas na hora do almoço para resolver algumas coisas do casamento.
–Tudo bem. Mas sinto que você quer falar algo mais.
Escutou um pequeno suspiro e poderia garantir que ela estava mordendo o lábio.
–É que hoje o pessoal vai a um bar para uma bebida rápida e queria ir com eles, Garret pode ir comigo. – falou rápido.
Ele teve que engolir todo o ciúme e tentar lembrar que Isabella, apesar da mentalidade, ainda era uma menina e que nunca teve esse tipo de amizade com os colegas, não poderia priva-la de ter uma vida social, ainda mais se o segurança estivesse com ela.
–Tudo bem, mas quero você em casa até as oito e nada de álcool. – falou finalmente depois de segundos em silencio.
–Sério? – perguntou surpresa, imaginava que teriam um debate por telefone.
–Sim, mas lembre-se: Garret vai ficar lá dentro com você e nada de passar das oito.
–Tudo bem, posso lidar com isso. Te amo.
–Também te amo anjo.
Desligou o celular e caiu na cadeira, não conseguiria esperar que ela chegasse em casa sabendo que estaria cercada por homens em um bar qualquer em plena segunda-feira, precisava de alguma distração até lá.
No almoço com as meninas Bella fez questão de levar Jane, adorou a forma em que se enturmaram logo falando dos preparativos do casamento, sua mãe e Esme já tinham adiantado bastante coisa, só faltava o salão, o vestido e os convites.
–Já pensou em um número exato de pessoas? – Alice perguntou.
–Não, mas eu queria algo bem família, só nós. – tentou explicar – Não tenho muitos amigos e Edward também não, então seria melhor fazer uma cerimonia intima para a família e amigos.
–Isso é ótimo – concordou Esme — depois podemos dar a festa para um grupo maior com algumas pessoas mais importantes.
–Vou conversar com Edward melhor sobre isso para definirmos quem vamos chamar.
–Temos que escolher seu vestido – Renée faltava pouco pular na cadeira de tanta animação – Já pensou em algum modelo?
–Ainda não. Eu vi uma pequena boutique no centro e queria visita-la. Vou adiantar um pouco do trabalho essa semana para ir com vocês ver tudo isso.
–Eu vou também. – Jane falou alegre levantando a mão. – Eu posso não é?
Bella riu com entusiasmo de todas as mulheres ao seu redor, pareciam ter ganhado um presente de natal.
–Pensei que já tinha se auto convidado – brincou e sua nova amiga corou – É claro que pode, toda ajuda é bem-vinda.
–Bella tem razão. Seja bem vinda ao grupo Jane – Alice concordou.
No resto do almoço passaram fazendo planos e tentando definir datas e compromissos, Bella mal conseguiu tocar na comida sem que perguntassem algo sobre a viagem ou o casamento, por fim desistiu de comer, compraria alguma coisa na máquina de venda automática. Chamar os garotos para uma bebida depois do trabalho foi fácil porque sempre que podiam eles iam, mas ainda tinha algumas dúvidas se conseguiria fazer com que seus planos saíssem como planejado era outra história.
–Não acredito que todo esse tempo isso vinha acontecendo. – A voz de Demetri fez Bella erguer a cabeça na sala de reuniões – Eu vou ser crucificado pela diretoria quando apresentar esses documentos.
–Na verdade o setor financeiro vai – Bella corrigiu deixando os papéis de lado – O nosso trabalho é analisar dados e informações e não desvio de dinheiro, se isso acontecia há tanto tempo como parece são eles que deveriam ter notado e não nós.
Seu supervisor andou pela sala nervoso, não esperava que encontrassem uma rota de desvio de dinheiro ao mudar o antivírus da empresa e logo por uma das pessoas que estavam no topo das grandes negociações, com certeza isso vinha acontecendo a mais tempo que o sistema tinha rastreado e ao saber do invasor do sistema gostaria de encontrar apenas um hacker que apreciava deixá-los loucos e não isso. Dessa vez Edward o enforcaria e colocaria seu corpo no topo do edifício como um exemplo claro de que não toleraria erros.
–Eu vou precisar do relatório inicial imediatamente, isso tem que ser notificado o mais rápido possível.
–Pode deixar que amanhã até a hora do almoço ele vai estar na sua mesa. – Bella garantiu – Mas no momento não temos muito o que fazer, já programei o sistema e estamos rastreando para onde todo esse dinheiro foi, assim vamos ter um trunfo na manga caso queiram nos crucificar.
–Você já pensou em tudo isso? – questionou surpreso.
–Claro, ainda me lembro da última vez que deixamos algo passar despercebido. – falou como se fosse obvio – Dessa vez não quero ouvir sermões.
–Obrigado Bella. – respirou mais aliviado – Nem sei como te agradecer.
–Venha para uma bebida com o pessoal. – sorriu inocentemente – O clima está muito pesado e os meninos sugeriram um drink hoje, não vamos demorar, é apenas para desestressar.
Ele olhou para ela um pouco receoso, precisava urgentemente se acalmar de tudo o que estava acontecendo ao seu redor, nem se lembrava mais da última vez que teve um momento de paz, provavelmente era antes de Jane Dalton entrar na sua vida.
Aquela garota fazia seu estomago se embrulhar de ansiedade toda vez que a via ou que sentia seu perfume de flores pelo ambiente, estava apaixonado por ela, mas não podia se deixar levar, ela era sua subalterna e se isso acabasse mal a carreira dos dois também o faria. Mas devia um favor a Bella, ela estava salvando o seu pescoço e colocando dela na reta.
–Tudo bem. Nos encontramos no bar de costume, ainda preciso resolver algumas coisas por aqui.
Bella saiu da sala de reuniões com um sorriso triunfante, passou algumas informações para os meninos sobre a reunião e tentou se concentrar no relatório que tinha que fazer, era difícil escrever algo impessoal sabendo que mudaria muitas coisas na empresa e em sua vida intima, afinal o cretino que roubava as empresas praticamente pertencia à família Cullen e temia fazer alguma burrada o apontando dessa forma, por um momento se sentiu com dúvidas sobre o que estava fazendo.
–Já deu nossa hora. – A voz de Jane a fez saltar na cadeira. – Desculpe por te assustar.
–Sem problemas, estava apenas concentrada no relatório. – respirou fundo desligando o computador e arrumando suas coisas – Vamos?
A mulher loira concordou e caminharam com os outros para o elevador, aproveitou o pouco tempo para mandar uma mensagem para Edward avisando que estava saindo, provavelmente Garret já tinha o avisado, no entanto era melhor reforçar para ele se lembrar.
O bar parecia uma taberna inglesa com as paredes pintadas de vermelho e dourado com algumas mesas espalhadas pelo amplo espaço, um balcão que cruzava a parede lateral e um pequeno palco na frente, era bem aconchegante. Pegaram uma mesa grande e começaram a conversar entre si sobre banalidades, os meninos tentavam convencer Bella a apostar para a final do campeonato quando Demetri chegou, como a única cadeira vaga era do lado de Jane ele se sentou um pouco rígido, logo pedindo uma cerveja.
–Seth eu não gosto de apostas – falou pela milésima vez.
–Está com medo de perder, isso sim. – riu a provocando – Até a Jane já entrou.
–Você e Jane estão íntimos demais hein? – sorriu e seu amigo deu um pequeno sorriso convencido.
–Isso é porque você não viu o chamego que os dois estavam quando você estava de folga – Embry riu – Aonde um ia o outro seguia.
–E como. – Paul reforçou batendo nas costas do homem mais novo — O próximo casamento vai ser os dos dois.
Demetri olhou para a moça esperando que ela negasse ou falasse que era uma brincadeira, mas ela não o fez. Sentiu seu sangue queimar de raiva, será que ela não enxergava que Seth era muito pirralho para ela e que merecia com certeza um homem melhor que ia leva-la a sério?
–Ela sabe que sou irresistível Bells. – moveu as sobrancelhas fazendo todos na mesa rir – No começo pensei em você, mas aí apareceu o chefe todo poderoso e já te marcou como dele.
Bella bateu nele pelas suas palavras, sabia que era uma brincadeira e mesmo assim não pode evitar corar.
–Só que tiveram piedade de mim e me mandaram uma linda loira – continuou – E essa não tem namorado, então tenho que aproveitar a oportunidade.
–Seth somos amigos. – Jane falou sorrindo – E quem disse que não tenho namorado?
Todos olharam para ela em expectativa.
–Você tem? – A voz de Demetri saiu um pouco confusa e falhada pela surpresa.
–Isso não vem ao caso. – respondeu vaga – E só participei da aposta porque você me encheu a semana toda.
–Não enchi nada – retrucou brincalhão – Você apenas percebeu que não poderia mais lutar contra os seus sentimentos para com a minha pessoa e não assume.
–Posso te garantir que meus sentimentos por você não são assim tão fortes, até porque já os sinto por outra pessoa que finge não me enxergar – seus olhos ficaram tristes por alguns segundos – Mas podemos tentar nos dar uma chance.
Bella engasgou brevemente com o coquetel de frutas que estava bebendo e se recompôs, seu supervisor estava com um olhar que era capaz de matar um, naquele caso Seth e depois jogar Jane nos ombros como um homem das cavernas. Queria que ele visse que sua amiga era uma mulher bonita e que estava apaixonada por ele e se ele não pudesse dar para ela o que precisava outro o faria, infelizmente sua cobaia estava pronto para ser degolado.
–Não brinque com o meu coração que ele pode não suportar. – Seth falou se inclinando na mesa.
–Chega disso. Srta. Dalton, precisamos conversar.
Jane piscou confusa algumas vezes não acreditando que o plano de Bella estava funcionando, pelo menos por enquanto, abriu a boca para responder ao belo homem que estava a sua frente já de pé e com as feições irritadas, mas foi interrompida por ele.
–Agora. – rugiu e a pegou pelo braço praticamente a arrastando para fora do bar.
Os meninos encaravam a cena incrédulos, se perguntando o que tinha dado no chefe para agir e falar daquela forma, apenas Bella mantinha um pequeno sorriso discreto no rosto, esperava que eles conseguissem se entender porque senão era capaz de bater com a cabeça de Demetri na parede até ele tomar uma atitude.
–Bem rapazes, tenho que ir. – falou depois de um tempo – Amanhã ainda promete para mim.
Eles concordaram com acenos de cabeça ainda surpresos. Agora que seu trabalho como cupido estava finalizado poderia ir para casa e se aconchegar nos braços de Edward.
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Edward observou seu assessor de segurança com atenção, Laurent já havia sido um dos principais diretores do FBI, começou a trabalhar com seu pai quando o mesmo assumiu a presidência e até hoje era um dos melhores do ramo de segurança.
Já deveria ter conversado com ele a algum tempo, precisamente quando começou a desconfiar que alguma coisa errada acontecia e suas desconfianças quanto ao grupo financeiro aumentaram, porém suas preocupações com a empresa foram deixadas de lado quando recebeu um e-mail.
O conteúdo continha várias imagens e ameaças contra sua família, fotos de Bella almoçando com as meninas em diversas datas. Ler aquelas palavras gelou sua alma, sabia que tinham um inimigo do lado de fora, mas agora ele parecia mais perto que nunca, tão perto que parecia estar dentro da empresa, debaixo dos seus narizes e isso o aterrorizava.
Há algumas horas discutiam sobre formas de intensificar a segurança da sua família, temia que estivesse mexendo em um ninho de vespeiros investigando algumas transações suspeitas e se estivesse certo aquele assunto renderia alguns inimigos e muita confusão.
–Quando nos entregarem o relatório do traidor teremos que tomar uma decisão.
–E vamos. Eu acho que sei quem é, mas ainda não tenho provas.
–O que quer fazer?
–Grampeie os telefones, rastreie as correspondências e cartões de crédito. – seu olhar estava preso na foto de Bella em cima da mesa, seu sorriso costumava o acalmar sempre que o olhava – Nossos homens tem porte de armas?
–Sim, senhor. Todos têm.
Laurent já estava entrando nos sessenta anos, negro de olhar sábio e os cabelos curtos esbranquiçados conhecia bem aquele menino, tinha o visto crescer, assim como seu pai e sabia que ambos tinham um sexto sentido infalível, confiava em Anthony como confiava em Edward, mesmo quando não entendia muito de suas atitudes.
–No escritório temos armas disponíveis?
–Sim, senhor. Na sala de segurança.
–Onde está a sua?
Ele sempre carregava um coldre embaixo do paletó, habito adquirido depois de tanto tempo como agente federal. Tirou a pistola automática e colocou sobre a mesa do chefe.
Edward pegou a arma e a avaliou, há alguns anos praticava tiro ao alvo, era apenas um esporte, uma diversão, nunca imaginou que iria precisar daquela habilidade.
–Vou precisar de uma arma. Hoje mesmo de preferencia.
–Desculpe, chefe. – o homem mais velho engasgou – Pra quê?
–Eu não confio no que está acontecendo e não vou deixar nada nas mãos do acaso. – sua voz saiu mais sombria do que imaginava – Se preciso vou acabar com a raça de quem se meter em meu caminho.
–Você tem seguranças a sua disposição.
–Não é o suficiente.
–Matar alguém não é a solução.
–Eu não vou matar. – deixou a arma em cima da mesa – Mas não vou deixar que ninguém. Me escute bem. Absolutamente ninguém ameace ou magoe as pessoas que eu amo e se for preciso eu vou eliminar essa pessoa.
Ele não estava para brincadeiras, não admitiria que qualquer pessoa, sendo importante ou não interferisse em seu caminho e machucasse sua família, ainda mais Bella, não podia voltar no tempo para salvá-la daquele homem, contudo agora tinha o seu mundo nas mãos e não permitiria que qualquer mau se abatesse a ela. Nem que fosse preciso matar esse inimigo invisível.
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