Capítulo 38

Durante a primeira semana Bella não atendeu nenhum telefonema, criou uma rotina de ir trabalhar, voltar, levar Red para uma curta caminhada no parque perto de casa, comer qualquer coisa, tentar dormir por pelo menos quatro horas e trabalhar de novo, não se importava mais com o mundo exterior, tinha se fechado em si mesma.

Uma batida insistente na porta a fez suspirar, como Red não latiu, com certeza era alguém conhecido, não tinha vontade de falar com ninguém. Sabendo que não a deixariam em paz abriu a porta e suspirou ao dar de encontro com Alice.

–Não vai me deixar entrar?

Com um resmungo incoerente abriu mais a porta vendo a amiga se sentar no sofá e acariciar a orelha de seu cachorro.

–Pensei que você precisasse conversar com alguém sobre o que está acontecendo entre você e Edward.

–É melhor você perguntar a ele Alice.

–Já perguntei e ele me ignorou. – olhou bem para a amiga – Assim como você está fazendo agora. Então vai me dizer o que aconteceu?

–Estamos separados.

A fadinha a observou por diversos minutos em silencio tentando compreender o que se passava na mente de Bella e de Edward para que isso tivesse acontecido. Eles estavam tão bem há dias atrás que a separação repentina pegou toda a família de surpresa.

–O que aconteceu? Ou melhor, o que ele fez?

Bella não queria falar sobre isso. Tudo ainda era muito doloroso para se ficar lembrando e o sofrimento aumentava por perceber que todo seu relacionamento havia sido moldado em areia movediça, Edward, ainda vivia com o sentimento de traição, mesmo negando, e, isso contribuiu para que seu ciúme aumentasse a níveis alarmantes chegando a um ponto de sufoca-la.

–Ele não confia em mim Allie. – sussurrou se jogando no sofá ao seu lado – Edward, provavelmente acredita que eu sou uma vadia desvairada como Tanya ou qualquer outra que se envolveu e que na primeira oportunidade vou traí-lo.

Alice a olhou horrorizada, o homem que Bella retratava não se parecia com seu primo.

–Ele te disse isso?

–Não com tantas palavras e nem foi preciso... Eu fui ver Jacob na cadeia...

–O quê? – a interrompeu com um grito – Por que diabos foi fazer isso?

–Eu me dei conta de que não fui chamada para um interrogatório ou nada do tipo. – explicou impaciente – Questionei seu primo, mas ele ficou irritado e foi dormir no escritório sem me dizer nada. Na tarde seguinte, depois de pensar muito, fui até a delegacia. Edward usou suas conexões para garantir que Jacob não teria qualquer direito... Eu o odeio pelo que ia fazer comigo, mas... Simplesmente não podia passar por cima de tudo o que me foi ensinado por rancor...

–Ele fez isso para te proteger. – falou suavemente.

–Eu sei. Sou grata por isso... Mas pense: Se Jasper fizesse uma coisa que você desaprove pelas suas costas, tentasse te manipular a algo. Você não ficaria irritada?

–Sim, mas também escutaria seus motivos.

–Eu tentei escutar os motivos dele e os entendo. Realmente entendo. – sentindo sua cabeça latejar a jogou para trás – Aí ele começou a falar sobre como talvez fosse melhor não ter me conhecido e... Se envolvido comigo... Isso doeu tanto... Eu amo Edward. Amo mesmo, mas suas palavras me fizeram pensar sobre como nosso relacionamento é instável.

–Bells... Ambos estavam com raiva. Você acha que se afastar é o melhor caminho?

–Foi o que me restou. – deu de ombros olhando para o nada – Eu não posso ficar com uma pessoa que não confia em mim... Como podemos pensar em nos casar se ele me oculta coisas? Não temos cumplicidade Alice. Isso tudo é apenas uma fantasia de duas pessoas sem estrutura emocional e que provavelmente não tem futuro.

Foi impossível para Alice não rolar os olhos. Amava seu primo e sabia que ele conseguia ser sufocante quando queria, no entanto, entendia que seu ciúme era motivado pelo medo de perder a mulher que amava e não poderia condená-lo, muito menos, culpar Bella pela atitude dele. Ela tinha razão em querer se afastar, muitas vezes o ciúme excessivo ruía lentamente um relacionamento perfeito e apenas os dois poderiam decidir o que seria do futuro.

Suspirando abraçou a amiga, deixando-a chorar baixinho em seu colo. Desejava imensamente que os dois se acertassem, via o amor um pelo outro de longe, havia presenciado as mudanças que Isabella causou no comportamento e na própria pessoa que era seu primo. Ele sorria e ria, brincava com todos, sem falar que o olhar que lançava para a mulher em seu colo transbordava de carinho.

–Às vezes quando amamos, fazemos besteira, erramos e nos equivocamos. Cabe aos dois chegarem a um consenso sobre o que conseguem ver no futuro.

–Até semana passada tinha certeza de que queria ficar com Edward pelo resto da minha vida, mas hoje... Não sei mais o que vejo. Tudo se transformou em um mundo sem cor e parece que meu coração foi arrancado de mim.

–Bells, não precisa ser assim.

–Precisa sim. – disse firme – Tanto eu quanto ele precisamos desse tempo longe para pensar sobre o que queremos e se nos amamos mesmo. Não vou conseguir ficar com ele sabendo que não confia em mim e que Garret está ali apenas para me vigiar como um cão de guarda.

–Tudo bem. Não vou me meter, mas me prometa que quando tomar uma decisão irá atrás dele. Não quero que nenhum dos dois sofra, só que irei entender se não estiverem mais juntos.

–Eu prometo Allie.

Todos já estavam bastante preocupados com ela e só piorou quando as olheiras escuras ficaram mais frequentes e Jane notou que ela emagrecia rapidamente percebeu que tinha que fazer alguma coisa, não poderia deixar que as coisas continuassem assim.

Edward estava um caco, trabalhava bem mais do que fazia antes de Isabella Swan entrar em sua vida, sabia de todos os seus passos por Garret e todos os dias a tarde dirigia para frente do seu apartamento para vê-la passar com aquela bola de pelos gigante para o parque. Queria estar com ela, vê-la, beija-la, simplesmente abraça-la depois de um dia tumultuado.

Esme, Rosalie e Alice já tinham o repreendido pelas coisas chegarem nesse estado e reclamavam com ele por Bella não atender mais o telefone, Alice principalmente. Ela sempre tinha se sentido culpada pela perda da irmã e Bella era o mais próximo do sentimento que ela se lembrava, foi uma única vez que Bella a atendeu e depois ninguém conseguia contato com ela.

Os rapazes apenas assistiam tudo de camarote, o único que tinha se atrevido a dar um conselho havia sido Carlisle, que o pediu para manter a calma e ter paciência porque quando Isabella se decidisse iria até ele, estavam sendo as três piores semanas de sua vida e só parecia piorar a cada minuto.

Para conseguir dormir era apenas depois de beber e acordava com uma ressaca forte, se não fosse por Heidi não seria alimentado e estaria como um mendigo, algo que estava bem próximo a cada dia longe dela. Era sexta-feira, não queria levantar da cama, não tinha forças para fazer isso. A porta de seu quarto foi aberta e todas as cortinas escancaradas deixando a luz entrar fazendo com que seus olhos fossem atingidos como se enfiassem agulhas neles, praguejou tentando focar a maldita pessoa no campo de visão.

–Edward Anthony Cullen. – a voz irritada de Esme o fez gemer – Se levante agora dessa cama.

Ele não fez um movimento esperando que sua tia desistisse e fosse embora.

–Agora Edward! – ela gritou e se obrigou a sentar – O que está fazendo consigo mesmo filho? Nem te reconheço mais.

–É porque o homem que conheceu um dia morreu quando Bella me deixou tia. – falou simplesmente se levantando da cama ainda relutante.

–Não filho, ele não morreu – afirmou indo até ele – Mas se você deixar ele irá sim morrer. Não só ele como Isabella também. Olhem o que estão fazendo com vocês, se punindo por um erro, ela de um lado e você do outro.

–Ela quis ir.

–E você deixou. Você permitiu e nem lutou por isso, não lutou por ela e ainda não luta. Sei que brigaram feio por atitudes que tomaram de forma individual e palavras ditas na hora da raiva, mas vocês são um casal, filho. Tem que pensar e agir assim, só o amor em uma relação não basta.

Ele abaixou a cabeça sabendo que isso era verdade, mas nem podia se lembrar mais das incontáveis vezes que tentava ligar pra ela ou falar no trabalho e ela não o atendia e o evitava, se ele entrava por uma porta Bella tratava de sair por outra. Suas esperanças eram quase inexistentes de tê-la de volta.

A culpa tinha sido dos dois, dele por ter agido como um idiota insensível e omitir algo dela qual considerava um ato inescrupuloso, e, ela por querer fazer algo que ele não aprovava e muda-la, mesmo que inconscientemente. Ambos agindo sozinhos com os sentimentos a flor da pele.

No dia em que ela o deixou ele entrou em contato com o advogado e fez um acordo com Jacob Black, ele retiraria a queixa e aquele cão iria voltar para a sua cidade e não poderia se aproximar de Bella, o queria o mais longe possível dali. Surpreendeu-se quando o cachorro não aceitou o dinheiro que ofereceu e fez questão de se desculpar mais uma vez, como se o dano já não estivesse feito.

Ainda não acreditava que tinha deixado seu ciúme e sua possessividade tomar o controle de sua mente e agir como se fosse um adolescente imaturo chegando ao ponto de quase destruir a pessoa que mais amava, talvez ela ficaria melhor sem ele.

–Eu tentei falar com ela, mas ela não quer me escutar. – deu de ombros resignado – O que eu posso fazer? A colocar no veleiro e sequestra-la para que me ouça?

–Essa é uma boa ideia. – sua tia falou pensando – Vou ligar para Alice preparar tudo, pedir para Heidi fazer uma mala para você e falar com o Tom para vistoriar o veleiro.

–Tia – chamou sua atenção – Eu estava sendo irônico e duvido muito que Isabella entre de boa vontade em um barco comigo. Talvez seja melhor eu me afastar dela, deixar que ela me esqueça.

–Se você acha que é melhor, mas eu preferia que vocês estivessem juntos. Caso se separassem agora com ela frágil e triste até poderia encontrar outra pessoa que a faça te esquecer. Que dê um ombro amigo para ela chorar e em menos de um ano ela irá mesmo embora... Tudo isso não passará de uma lembrança.

Seu maxilar tencionou com o comentário, não aguentaria ver sua menina com outro, saber que outro homem a via do mesmo modo que apenas ele presenciou ou tocaria em seu corpo, enxugaria suas lágrimas e fariam planos para um futuro cheio de felicidade. Não mesmo! Nem fodendo poderia deixar isso acontecer. Enquanto vivesse, e talvez até depois da morte, lutaria pela sua mulher. Não permitiria que qualquer imbecil se aproximasse dela.

–Você consegue que ela vá ao veleiro?

–Mudou de ideia? – questionou contendo um sorriso – Talvez você tenha razão e o meu plano seja um pouco louco.

–Eu só preciso de uma oportunidade. Preciso de ajuda. Você consegue que ela aceite?

–Deixa isso comigo. Vá tomar um banho e faça essa barba pelo amor de Deus. Parece um morto vivo. – ralhou com ele.

(...)

–Se mudarmos todas essas rotas de entrada economizaremos tempo para rastrear o invasor. – Bella falou para Demetri calmamente – Sabemos que ele sempre desativa o sistema de detecção e que alguém daqui o ajuda para liberar e passar informações confidenciais, então manteremos apenas os caminhos mais prováveis abertos e eles estarão o rastreando para encontrarmos o IP do computador.

–Concordo. Faça isso. – assinou os documentos de autorização – Você está bem? Parece que não dorme e se alimenta há dias.

Ele estava preocupado com a mulher a sua frente, Bella parecia que ia cair a qualquer momento de fraqueza, não sabia o que tinha acontecido porque Edward estava da mesma forma, um pouco mais forte sempre com seu jeito inabalável, mas ainda sim com um ar derrotado que dava para sentir a distância.

–Estou sim, é que tenho muito trabalho para finalizar.

Sabia que ela mentia porque os rapazes já tinham elogiado muito o seu trabalho e que conseguiam produzir mais e melhor da forma que estavam agora e acompanhando o progresso da equipe viu que tudo estava com pelo menos um mês adiantado. Queria ajuda-la, mas não sabia o que fazer já que ela não queria ajuda.

Bella se sentou na sua mesa e bebeu um gole de café, Jane a olhou estranho, a conhecia o suficiente para saber que ela tinha aprontado alguma coisa e não estava com um bom pressentimento quanto a isso. Abriu a boca para questionar o que ela tinha feito, mas fechou novamente imaginando que provavelmente não gostaria da resposta, então se resignou ao silêncio e o trabalho, mesmo sem querer sua mente voou até Edward.

Sentia a falta dele como de respirar, não atendia as suas ligações por causa do medo de saber que realmente tinha feito o melhor para os dois e ele falar isso, outro de seus medos era ceder aos seus sentimentos e ele ainda tentar controlar sua vida sem se importar com sua opinião ou sentimentos. O amor era uma merda.

Chegou ao apartamento acariciando Red, ele também sentia falta de Edward, na verdade sentia falta de mastigar os sapatos dele, durante suas caminhadas a tarde ele latia o caminho todo procurando algo invisível, era necessário puxar a coleira mais forte para que obedecesse aos comandos. Colocou sua ração e subiu para o jardim, não queria caminhar hoje, não tinha forças, se sentia cansada até mesmo para dormir. Ouviu a campainha tocar e a ignorou, quem quer que fosse iria embora se não se movesse, mas depois de pelo menos dez minutos daquele barulho cedeu e foi abrir a porta.

Deu de cara com as meninas e pelo olhar de irritação sabia que estava encrencada, não poderia se importar menos, até que viu outra mulher sair de trás delas e gemeu baixinho deixando espaço para que entrassem, agora sim estava ferrada.

–É melhor eu nem perguntar como você está até porque dá pra ver que tá um lixo. Quando foi sua última refeição? – Rosalie falou ao ver a amiga.

–Meninas se vocês me dão licença, preciso conversar com essa moça agora e sozinha. – a voz de Renée não admitia recusas e era a mesma de quando acabava ficando meses de castigo.

Caminhou para o que achava ser o quarto puxando Bella pelo braço, fechou a porta e olhou para a filha, estava preocupada porque ela não atendia a seus telefonemas ou retornava seus e-mails, mas se surpreendeu quando uma mulher baixinha e de feições miúdas bateu na sua porta para falar com ela e saber que sua pequena garotinha estava nessas situações não melhoraram suas preocupações, deixou Charlie e Gabriel para cuidar dos preparativos finais que tomava conta e entrou no jato da família Cullen para colocar algum juízo na cabeça de Isabella, nem que fosse preciso fazer isso a força.

–O que tem para me dizer Isabella? – cruzou os braços, visivelmente irritada – Vamos, quero uma resposta.

–Não tenho nada para dizer. – retrucou se sentando na cama – Sou maior de idade, posso fazer qualquer coisa que queira.

–Inclusive se matar aos poucos? – se segurou para não dar uns tapas na filha porque era disso que ela estava precisando.

–Mãe, se veio até aqui para me dar broncas pode ir embora. – se levantou irritada, sua cabeça latejava – Não preciso de conselhos ou qualquer coisa, posso me virar sozinha.

–Não! Você não pode! – se aproximou dela pegando suas mãos e a fez se sentar novamente – Eu sou sua mãe, quero o melhor pra você. Nunca quero te ver desse jeito, filha você já se olhou no espelho? Parece que está se matando e Edward está do mesmo jeito. É isso que deseja pra ele? Esse é o fim de tudo?

–Eu não sei. – começou a chorar – Eu o amo tanto, mas ele não respeita minhas opiniões e age apenas pelo que acredita ser o certo mamãe, não sei como poderíamos fazer um relacionamento assim dar certo.

–Ninguém é perfeito bebê. – secou suas lágrimas – Ele te ama mais que tudo e vocês encontrarão um ponto no caminho, mas se cada vez que discutir você fugir aí sim isso não vai ter futuro. Você é adulta, assuma suas falhas e tente chegar a um consenso com as dele.

–Sei disso, mas é tão difícil.

Renée riu levemente beijando a testa da filha e acariciando seus cabelos como quando ela era uma pequena menina que tinha medo do monstro que vivia embaixo da sua cama e tentava explicar para ela que ninguém mais iria machuca-la.

–Pelo que te conheço você nunca gostou das coisas fáceis. A Isabella que criei é a pessoa mais forte que conheço e mesmo depois de várias batalhas ainda consegue ver algo bom no fim. Converse com ele.

–Ainda não consigo. – secou suas lágrimas.

–Você é quem sabe. – disse enigmaticamente — Tente dormir um pouco tudo bem?

Ela aquiesceu e se deitou na cama, poucos minutos depois Esme entrou no quarto com um pequeno sorriso que a encheu de carinho e amor, era tão bom ter as duas juntas, seu peito se enchia de amor por elas. Fez uma careta para a xícara de chá e ia reclamar quando a olharam feio, retirava suas últimas palavras, era péssimo ter que lidar com elas ao mesmo tempo. Bebeu o chá com desgosto, coisa sem graça, preferia o café. Em poucos minutos sua vista ficou turva, parecia que tinha sido drogada, se virou para perguntar de que era aquele chá, mas a inconsciência a pegou antes.

Notas finais
Olá pessoas, Passando rápidinho para agradecer a todas as meninas que comentaram no último capítulo, ele bateu o record de comentários e descobri que com drama vocês comentam mais, então chova o drama. Brincadeira. Esses capítulos tão um pouquinho tensos, mas a coisa vai melhorar por algum tempo. Não tenho muita coisa pra falar hoje não. Espero que tenham gostado. Bjos Kim PS: Se o Brasil ganhar, na segunda tem mais. Vamos torcer povo!