O Que Somos
37 Capítulo 35
Capítulo 35
“Edward tinha a sensação de que alguma coisa estava errada, o quarto estava escuro e estranhamente silencioso demais, passou a mão na cama para trazer o corpo de Bella mais próximo ao seu, mas o lugar estava vazio, abriu os olhos tentando se acostumar com a baixa luminosidade e comprovou estar sozinho na cama e no quarto, olhou para o relógio ao seu lado e ainda eram três da manhã, se levantou com cuidado e saiu do quarto caminhando lentamente pelo corredor do apartamento, chegou até a sala e não tinha nada de diferente.
–Bella. – chamou seu nome com um tom de voz razoavelmente alto.
Não obteve resposta e foi até a cozinha não encontrando nada, voltou para a sala notando a porta da varanda aberta, Bella não gostava de ir lá, tinha medo de altura e não se lembrava de tê-la deixado aberta, com passos precisos chegou até ela com a intenção de fechá-la, mas suas pernas não o obedeceram mais quando viu sua pequena menina em cima do parapeito da varanda e um homem atrás dela. O homem aparentemente percebeu que tinham companhia e se voltou para Edward, sua face ocultada pela escuridão do lugar, mas seus olhos azuis com um brilho de maldade ainda eram conhecidos. Sem se dar conta o homem sussurrou alguma coisa no ouvido de Bella e ela negou veemente com a cabeça e ele voltou a falar com o olhar ainda preso no de Edward e com um sorriso irônico no rosto.
Assustado tentou chegar aos dois e antes que pudesse alcançar Isabella o corpo dela caia da varanda do prédio, seu peito se fechou correndo até a sacada para tentar ver algo através da neblina que estava sua mente.
–Edward. – a doce voz provavelmente estava ali apenas para enlouquecê-lo enquanto estava curvado no chão chorando em desespero.”
–Edward. – dessa vez abriu os olhos encontrando Bella com uma expressão confusa e assustada – Tá tudo bem.
Ele a abraçou com força tentando se convencer que foi apenas um pesadelo e que ela estava com ele, nos seus braços, viva e saudável. Agarrou seu rosto a beijando com sofreguidão, no começo Bella não respondeu, estava surpresa, mas depois enroscou as mãos nos seus cabelos retribuindo o beijo com igual paixão, se ele precisava dela para que expurgasse seus demônios interiores o ajudaria, afinal ele fez o mesmo por ela incontáveis vezes.
(...)
Depois de um tempo que estavam jogados na cama sem folego e suados, as mãos de Bella acariciavam suavemente as costas de Edward, que a pouco tinha arranhado tão forte que agora podia sentir as linhas do machucado. Beijou os cabelos cobre não sabendo como reagir. O rosto dele continuava enterrado no seu pescoço, ele não tinha falado nada desde que tinha acordado, apenas gemidos, rosnados e grunhidos, tudo foi altamente sensual e novo.
–Está se sentindo melhor? – o perguntou quando sentiu que sua voz sairia mais firme.
–Sim. – levantou a cabeça do seu pescoço e beijou seus lábios inchados. – Te machuquei?
–Não! – acariciou seu rosto atormentado – O que aconteceu?
–Eu tive um pesadelo – saiu de cima do corpo dela se deitando de costas e a puxando para o seu peito – Sonhei que você me deixava.
–Eu nunca vou te deixar. – falou firme – Eu te amo. Você é o único pra mim e vamos nos casar e ter bebês.
Ele sorriu em vê-la falar tão alegremente sobre filhos, ficava feliz que ela demonstrar querer isso tanto quanto ele.
–Sim vamos ter muitos bebês.
–Muitos quantos? – perguntou assustada, muitos era um número indefinido.
–Um time de futebol. – disse naturalmente vendo seus olhos abrirem assustados, riu com a expressão dela – Vamos ter um de cada vez.
Ela se tranquilizou e beijou em cima do seu peito aonde batia seu coração, sentiu que os batimentos dele estabilizaram e sua mão parou de acariciar seu cabelo, olhou pra cima vendo que ele tinha caído no sono, tinha se assustado quando ele murmurou seu nome durante a noite e a apertou nos braços tão forte que mal conseguia respirar, não queria que ele ficasse daquela forma por causa dela, moveu a mão pelo peito dele o acariciando, o céu ainda estava escuro, suspirou saindo da cama lentamente tentando não acordá-lo. Caminhou pela casa escura subindo as escadas para a piscina, colocou um pé sentindo a temperatura da água, percebendo que ela era aquecida amarrou o cabelo em um coque e mergulhou na água tocando o fundo da piscina e subiu pegando um pouco de ar começando a dar braçadas calmas e ritmadas.
Após algumas voltas completas parou um pouco na borda para tomar fôlego, nadar a relaxava ainda mais embaixo daquele céu azul agora avermelhado pelo nascer do sol no horizonte, nadou até a escada e se enrolou em uma toalha preta que estava no armário no canto. Edward ainda estava jogado na cama quando saiu do banho, vestiu uma calça social preta com o terninho combinando, teria muitas coisas para fazer durante o dia, beijou a bochecha dele e depois deu um pequeno beijo nos lábios. Ele abriu os olhos, ainda sonolento e a jogou na cama fazendo soltar um risinho alegre de surpresa.
–Por que já está vestida? – perguntou rouco beijando o pescoço esguio.
–Porque temos que trabalhar. – respondeu manhosa – Nem ouse tentar tirar minha roupa.
Ela bateu na mão dele que já desabotoava sua camisa e saiu debaixo do seu corpo, não cederia as suas vontades essa manhã. Foi pra cozinha quando ele ia se aprontar. Heidi já estava servindo o café e sorriu para ela com simpatia, estava terminando de comer os ovos com bacon quando Edward apareceu na cozinha com seu terno cinza de caimento perfeito, barbeado, com os cabelos bagunçados e com um sorriso totalmente lascivo, Bella limpou a garganta baixinho, tinha ficado com a boca aberta o observando, como ele podia ficar cada dia mais lindo?
–Bom dia pequena. – a beijou suavemente.
–Bom dia tigrão. – falou baixo.
Ele sorriu e se serviu de café e torradas pegando o jornal do dia, fazendo uma careta para a cotação da bolsa de valores, mas pelo menos os índices de crise econômica pareciam estar diminuindo, leu a seção de esportes vendo que o time do sogro tinha ganhado mais um jogo, com certeza o velho estaria feliz, fez uma nota mental para ligar pra ele mais tarde. Olhou de soslaio para a linda mulher ao seu lado concentrada no celular em sua mão.
–Aconteceu alguma coisa? – perguntou por fim.
–Não sei. – franziu as sobrancelhas ainda sem tirar os olhos da tela do celular – Aparentemente a Ônix barrou algum acesso, mas não consigo rastreá-lo. Estranho.
–Por quê?
–O programa redirecionou a tentativa de invasão para um servidor alternativo e bloqueou o acesso. – resmungou — Tem alguma coisa estranha, parece que dessa vez o invasor mudou de tática e ativou outras defesas, como se quisesse sobrecarregar o sistema para desativar o antivírus. Já podemos ir?
Ele concordou com a cabeça indo escovar os dentes com ela o seguindo. O caminho para a empresa foi silencioso, Bella digitava furiosamente na tela do celular tentando entender a quantidade de informação diferente, o hacker era muito inteligente, mas com certeza ela era mais. Edward bufou baixinho vendo que ela nem prestava atenção se ele estava ou não ali com ela, até que Bella abaixou o aparelho e o olhou interrogativamente.
–Edward? – ele a olhou percebendo a expressão cautelosa dela.
–Sim Bella.
–Alguém no escritório sabe o que aconteceu com Jacob?
–Apenas Demitri, tive que informar o motivo de ele não ter mais um assistente. – passou a mão pelo rosto – Querendo ou não, ele era um bom profissional, pedi para que ele mantivesse o máximo de discrição.
Ela o agarrou pelo pescoço o beijando furiosamente, não poderia deixar essa oportunidade passar, retribuiu o beijo a prendendo pelos cabelos enquanto suas línguas duelavam, ao se separarem estavam ofegantes.
–Obrigada por cuidar de mim.
–Meu prazer.
Ele saiu do carro e abriu a porta para ela, segurando sua mão por todo o caminho até deixa-la em seu andar, Bella saiu do elevador um pouco apreensiva, sem saber o que esperar. Sentou em sua mesa e ligou o computador, primeiro precisava entender o padrão do invasor.
–Bella, posso falar com você por um momento? – Demetri falou em pé ao seu lado.
–Claro.
Se levantou e o seguiu até a sala do seu supervisor, sentia que vinha bomba por aí, ele nunca a chamava na sua sala, então provavelmente seria por causa do que tinha acontecido com Jacob. Suas suspeitas se confirmaram quando assim que fechou a porta ele perguntou se estava bem. Concordou com a cabeça o acompanhando com os olhos quando ele atravessou a sala para sentar atrás de sua mesa.
–Bem, eu te chamei aqui não por causa do que aconteceu com o Jacob – passou a mão no cabelo e franziu o cenho – Na verdade tem. Como você percebeu eu estou sem um assistente e a vaga está livre. Percebi durante o tempo em que trabalha conosco você fez muito além daquilo que deveria, então queria te oferecer essa vaga.
A boca de Bella se abriu em surpresa por alguns instantes, não esperava isso há essas horas da manhã, sua boca se abriu diversas vezes tentando formar uma resposta coerente, mas sua voz parecia presa na garganta.
–Eu não esperava por isso. Quer dizer, me sinto grata e lisonjeada por ter pensado em mim, mas não posso aceitar. Tem tanta gente aí que é mais bem preparado que eu.
–Você não entende – a cortou – Eu trabalho nessa empresa há dois anos, vi muitas pessoas entrando e saindo, algumas bem eficientes realmente, mas como você nunca. Bella você foi contratada exclusivamente para cuidar do antivírus e tem feito bem mais que isso. Eu sei que está ajudando Seth com as mudanças de identificação para os hospitais e essa é apenas uma pequena coisa.
–Você não está me promovendo por causa de Edward, está?
–O quê? – questionou surpreso – É claro que não. Edward não tem todo esse poder aqui. Isso nunca foi por ele e sim pela sua competência. Por favor, aceite.
Bella mordeu o lábio pensativa, não queria o lugar de Jacob, nunca quis, na realidade estava ali apenas porque Edward a tinha pressionado a aceitar o trabalho porque nunca foi o seu sonho ou objetivo trabalhar em um escritório fechado, mas a proposta de Demetri era boa e apenas faria o que já estava acostumada: auxiliando o pessoal com o trabalho e o acompanhando em algumas reuniões. Pelo menos poderia tentar.
–Tudo bem, eu aceito. – falou por fim.
–Ótimo. – ele sorriu – Seu primeiro trabalho é auxiliar um novo técnico, na realidade técnica. Ela deve estar chegando por aí e vai te ajudar a potencializar a Ônix.
Ao sair da sala do chefe respirou fundo tentando ordenar seus pensamentos, era muita coisa acontecendo um muito pouco tempo, precisava de um pouco de paz para ordenar seus pensamentos. Viu uma mulher loira, baixa e de óculos sair do elevador e caminhou até ela, deixaria para analisar tudo depois quando tivesse um pouco de tempo.
–Você é Jane? – perguntou tentando ser cordial.
–Sim. Jane Dalton. – estendeu a mão para Bella que a pegou sorrindo.
–Venha, vou te mostrar sua mesa.
Ela tentou falar tudo sobre o lugar e sobre o trabalho para a garota nova, Jane parecia ser bem inteligente, era dois anos mais velha que Bella e também tinha acabado de se formar. Sua mesa era do lado da dela, o que manteria, pelo menos resolveria alguns problemas de locomoção quando explicasse pra ela sobre o funcionamento do programa, passou praticamente a manhã toda apresentando alguns códigos e gráficos, dividiu o trabalho com ela e se concentrou no seu que no momento era rastrear de qual setor havia saído informações do sistema que o hacker tinha entrado, demoraria um pouco para o computador realizasse todas as informações, aproveitou para ajudar os garotos com as atribuições deles e ligar para seu ginecologista, antes que subisse até o andar da presidência e batesse em Edward por ele ficar mandando mensagens de dez em dez minutos perguntando se ela já tinha feito isso. Felizmente conseguiu um encaixe na hora do almoço.
Edward batucava os dedos na mesa de reunião tentando se concentrar na apresentação mensal de verbas distribuídas para os setores da empresa, para sua sorte a Srta. Stanley estava anotando tudo porque não conseguia pensar em nada mais do que a mensagem de Bella avisando sobre o compromisso na hora do almoço, estava ansioso para começarem a tentar ter um bebê, não aguentava mais ouvir sobre balanços e fechamentos semestrais e para piorar sabia que sua namorada a noite tinha um compromisso com as meninas para experimentar o Buffet na casa de Esme, todas estavam em polvorosas por ter tanta coisa para planejar. Quando a reunião terminou respirou aliviado e avisou sua assistente que iria almoçar.
Não acreditava no que via, em volta da mesa de sua menina tinha pelo menos seis marmanjos atrás dela, todos aparentemente muito concentrados no que ela falava enquanto se inclinava para mostrar algo na tela do computador, quando um rapaz moreno levantou a cabeça e o viu, engoliu em seco cutucando aos outros para avisar que ele estava ali. Bella não notou, mas todos os homens que ali estavam arrumaram suas posturas. Se obrigou a caminhar até lá parando alguns passos da sua mesa.
–Edward. – sua menina falou baixinho ao sentir se arrepiar – Quer dizer, Sr. Cullen. Posso ajudar?
–Claro Isabella. Temos um compromisso em alguns minutos, não se lembra?
Ela fez uma careta de compreensão, tinha se esquecido disso enquanto mostrava para o pessoal uma forma mais pratica e rápida para trabalhar no novo sistema.
–Certo. Pessoal, terminamos com isso depois do almoço – falou pra eles que se apressaram em ir para suas mesas – Jane, pode ir almoçar também, depois continuamos.
A menina consentiu com a cabeça praticamente babando no seu noivo, a entendia completamente, Edward com aquela cara de bravo era irresistível. Pegou sua bolsa e o acompanhou. Durante o caminho ao consultório médico se manteve em silêncio, ele lendo alguns documentos e ela no celular ainda conectada ao trabalho.
–Por que todos estavam na sua mesa? – rompeu o silêncio deixando seus papéis de lado.
–Demetri me ofereceu o lugar de Jacob – suspirou também desligando o celular.
–Ah. Você aceitou?
–Por enquanto sim. – deu de ombros – Não sei se posso realmente ser útil, mas posso tentar.
–E vai conseguir – sorriu pra ela beijando sua mão – Você é fantástica, inteligente, com certeza vai dar conta de tudo.
Ela sentiu o rubor crescer por seu rosto e o escondeu no pescoço dele, nunca se acostumaria a receber elogios e ter o apoio dele era muito importante. O consultório estava vazio por causa do horário, a atendente loira peituda já tinha registrado sua ficha e pedido para que eles aguardassem, se ela não parasse de babar em Edward iria dar uns tapas nela com certeza, o que a salvou foi o seu nome ser chamado dentro da sala.
Edward observou o médico de meia idade com os cabelos cinza enquanto escrevia em seu computador algumas coisas, em cima de sua mesa tinha várias fotos dele com a esposa e os filhos, se sentiu mais calmo ao constatar isso.
–Bem Isabella. – começou – O que os trazem aqui hoje?
–É que estamos planejando ter um bebê e queria fazer todos os exames necessários para saber se não temos nenhum problema genético, patogênico ou coisa do tipo.
–Isso realmente é muito importante, muitas vezes há como se prevenir algumas doenças no feto se tivermos o conhecimento genético dos pais, vou solicitar alguns exames básicos para o seu marido e farei os outros com você.
Edward abriu um sorriso gigante por ter sido chamado de marido dela, era bom que o médico pensasse assim mesmo, queria que todos os homens entendessem aquilo. Foi até uma pequena sala fazer a coleta de sangue e preencheu uma ficha sobre sua cadeia genealógica. Quando voltou ao consultório Bella também estava segurando o pequeno curativo.
–Por enquanto é só isso, assim que os resultados saírem eu entro em contato e vamos analisar o melhor período para concepção. Tem alguma pergunta?
–Dependendo do resultado o senhor aconselharia não tentarmos ter um bebê? – Edward questionou curioso.
–De forma alguma. – negou veemente – A concepção é algo muito complexo, muitas vezes a natureza pode errar, nesses exames analisamos se a cadeia de DNA do casal poderia gerar alguma doença futura que seria prejudicial, mas elas também podem acontecer em qualquer caso, só vamos excluir alguns.
–Entendi – se levantou – Agradeço pelo seu tempo doutor.
Se despediram do médico e saíram, agora só faltava o resultado dos exames saírem para deixar Bella mais calma e começarem a tentar começar uma família. Sim, aquela seria a sua família, para cuidar, amar e proteger.
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