O Que Somos
32 Capítulo 31
Capítulo 31
No café da manhã Bella reforçou sua alimentação, estava faminta. A comida de sua mãe nunca pareceu tão boa antes. Olhou por cima de seu prato e todos a olhavam.
–O que foi? – perguntou com a boca ainda cheia.
–Nada.
Falaram em uníssono. Edward sorriu presunçoso para ela, sabendo o motivo de ela estar com tanta fome. Hoje teria a queima de fogos à tarde em comemoração ao dia da independência e em alguns minutos sairiam para o lago.
–Mãe, ainda tem coiotes nessa área? – Gabe questionou depois de um tempo.
–Acho que não, por quê?
–Quando cheguei pensei ter escutado alguns gemidos ou grunhidos, sei lá.
Bella engasgou com um pedaço de panqueca e Edward bateu em suas costas suavemente, viu seu rosto ficar vermelho e conteve um sorriso. Não tinha imaginado que seriam tão vocais assim.
–Você estava bêbado, isso sim, Gabriel. – Charlie falou severo.
–Pode ser, mas eu sei bem o que escutei pai.
Charlie bufou e se concentrou no seu prato. Só seu filho mesmo para inventar uma coisa dessas àquelas horas da manhã e ainda por cima ter que aturar o homem que iria levar sua menininha embora. Era muita coisa para um pai de família. A vida não era muito justa.
O lago era relativamente privado, tinham poucas famílias espalhadas pela margem aproveitando o sol. Edward estava sentado em baixo de uma arvore conversando com Renée, seu olhar sempre era atraído para Isabella que conversava com uma mulher alta de pele bronzeada e cabelos escuros ao vento. Ela estava com um sorriso grande enquanto falava e gesticulava, notou que um menino de uns quatro anos correu em direção a ela e se jogou em seu colo, ela o rodeou em um abraço forte ajeitando o pequeno corpo em seu colo. Depois de alguns minutos caminhou com a criança ainda no colo em sua direção.
–Quem é esse menino forte? – perguntou quando ela se sentou a sua frente.
–Esse é o Dan, ele é filho de alguns amigos. Diz oi para o tio Edward.
–Oi. – o menino falou timidamente colocando a cabeça no pescoço de Bella.
–Ele não gosta muito de estranhos. – sussurrou para ele – Que tal se jogássemos bola?
O menino assentiu sorridente já correndo para pegar a bola. Bella se levantou puxando seu namorado para a brincadeira, aquela criança parecia ser movida a pilhas e bem potentes, ninguém tinha tanta energia assim, nem mesmo ele. Estava contente por ver como Isabella interagia com o menino, sempre sorrindo e brincando. Dan apenas ria enquanto corria para chutar a bola no gol improvisado. Bella ria com ele, falando como seu namorado estava mole, parou por um momento os observando correr e brincar. Edward não pode deixar de imaginá-la com um bebê deles no colo. Ela seria uma ótima mãe, por mais que negasse isso.
Pararam para comer um sanduíche e beber água, precisavam recuperar suas forças. Dan foi até sua mãe que conversava com Gabriel, próximo a uma barraca e ele se viu sozinho com Bella.
–Seu irmão parece gostar muito do Dan.
–Daniel é filho de um amigo dele que morreu no Iraque, não tinham médicos suficientes para atender o numero de vitimas, por isso que ele foi pra lá. – mordeu um pedaço do lanche – Maggie, a mãe do pequeno, ficou arrasada. Na época, o bebê era muito pequeno e Gabe se sentia responsável pelos dois, aí assumiu o papel de homem da casa. Parece que alguma coisa está acontecendo entre os dois e parece ser maior que amizade.
–Ele parece ser um bom homem. – refletiu.
–Ele é sim. – olhou para o irmão que jogava o menininho no ar – Espero que tudo de certo entre os dois.
–Pela forma que ela o olha com certeza vai dar. Adorei o Dan.
–Ele gostou de você, mesmo te achando mole – ela provocou sentada no seu colo.
–Eu não fui mole ontem à noite, posso te provar agora se quiser.
–Quem sabe mais tarde, tigrão.
Ele riu do apelido plantando um selinho nos seus lábios.
Ao anoitecer começaram a queima de fogos. Era lindo ver todas aquelas cores refletidas no lago, foi o seu melhor dia da independência em mais de vinte anos e com certeza seria apenas o primeiro. A abraçou forte. No próximo feriado estariam casados.
Entraram na casa escura. Pelo silencio, estavam sozinhos. Ele caminhou até o quarto dela se jogando na cama, estava exausto, queria se colar no corpo dela e só levantar no dia seguinte. Escutou o chuveiro ser ligado e se forçou a levantar e retirar sua roupa, ela o olhou de dentro do box e abriu a porta para que a acompanhasse, ele não pensou duas vezes.
Após o banho deitou com ela no seu peito, o silencio era reconfortante, depois de dias com ela longe aquele pequeno gesto era muito bom, o cheiro de morangos do seu cabelo.
‘-Você não é o meu pai! – a menina gritou para o homem a sua frente – Você é um monstlo.
O homem caminhou até ela apertando o seu braço a machucando. Ela sentiu lágrimas inundarem seus olhos, mas não iria chorar, o olhou com raiva.
–Eu sou sim. – sua voz soou como um rugido malévolo – Esqueça aquela família, é culpa deles que você está aqui, aceite isso.
–Não, eu quelo o MEU pai. – puxou seu braço da mão dele – Ele não fez isso comigo.
–Entenda, pequena raposa. Sua mamãe te entregou para mim, aquela vadia. Você é um estorvo, um nada. Eu sou a única pessoa que se importa com você. Eu sou o seu novo papai.’
–Pequena, acorde.
A voz de Edward estava distante.
–Vamos, acorde. Eu estou aqui com você, amor.
Bella abriu os olhos e procurou pelo quarto aquele monstro. Era a primeira vez que seu sonho tinha sido claro e sem nenhuma agressão.
–Tudo bem? – Edward estava preocupado, tinha acordado com ela gemendo baixinho e chamando o pai.
–Sim, foi só um pesadelo. – o abraçou deitando a cabeça no seu peito para escutar as batidas firmes que a acalmavam.
–Quer conversar sobre isso?
Ela negou com a cabeça, queria apenas ficar ali tentando analisar aquela lembrança. Tudo o que mais desejava era poder se lembrar de tudo e não apenas vultos. Mesmo que não admitisse, ela queria entender o motivo daquele homem ter feito tudo aquilo. Edward a prendeu em seus braços em silêncio. Levantaram-se depois das nove. Renée ainda estava na cozinha e a mesa posta. Ao contrário da manhã anterior, Bella mal encostou ao prato de comida e não levantou os olhos da mesa. Charlie olhou para Edward o censurando tentando imaginar o que esse imbecil tinha feito para que sua menina ficasse assim.
Durante a tarde a expressão dela não mudou, Bella se sentou no balanço de madeira que tinha na varanda dos fundos com um livro velho, mas Edward percebeu que ela não estava lendo. Ele gostaria de ajudá-la, mas ela tinha se fechado em si mesma e parecia não querer companhia, sem se conter caminhou até ela sentando ao seu lado.
–É um bom livro?
–Não, ele é uma porcaria. – jogou o livro no chão se aproximando dele.
–Estou preocupado com você. Não gosto de vê-la assim tão calada.
–Só precisava pensar. – mordeu o lábio olhando para as árvores – Eu tive uma lembrança e... Não esperava... Não sei se quero me lembrar... Essas lembranças doem e machucam.
Ele pegou o pequeno rosto nas mãos acariciando sua face e beijou seus lábios brevemente.
–A escolha é sua, Bella, de se lembrar dos seus pais, daquele monstro ou qualquer outra coisa. Sua mente pode te pregar truques, mas a escolha final sobre se deixar abalar pertence a você. Só quero que saiba que estarei aqui sempre que precisar de mim.
–Obrigada. – fungou baixinho – Eu te amo.
–Eu também te amo, anjo. – sussurrou.
–Hey Bells, vem comigo, preciso te mostrar uma coisa. – Gabriel apareceu chamando-a.
Ela levantou sorrindo para ele e seguiu o irmão pelo caminho para entrar na floresta pulando em suas costas. Edward a observou caminhar brincando com Gabriel e passou a mão no rosto irritado e confuso.
–Você é bom pra ela. – a voz de Charlie o fez pular.
–Ela é que é boa para mim, Chefe Swan.
–Acho que peguei pesado com você, mas precisava saber se era bom o suficiente para minha filha. Isabella precisa de alguém que esteja sempre ao seu lado e você me provou isso ontem no lago com ela e Dan e hoje ao consolá-la.
–Ela me fez ser um homem melhor.
–Isabella tem um poder muito grande quanto a isso. Ela é uma menina muito inteligente e totalmente amável, nunca pensei que a veria sorrir tanto quanto a vejo hoje e tenho que reconhecer que você é o causador disso tudo.
–Gosto de vê-la sorrindo, o meu dia se faz melhor apenas ao vê-la olhar pra mim, apenas em tê-la ao meu lado.
–Ela tinha treze quando me contou tudo o que passou com ele. – falou olhando para o nada – Estava chovendo e ela teve um pesadelo. Gabriel estava na faculdade naquele dia. Ela se agarrou em mim como se eu fosse sua âncora e me disse que tinha medo de que aquele homem a tirasse daqui, que a machucasse novamente. Nada do que eu falava pra ela a acalmava.
–Bella pode ser uma mula de tão teimosa quando quer.
O homem mais velho sorriu pela exata comparação.
–Sim, ela pode. Ela era pequena demais e indefesa. A única coisa que a acalmou foi uma história antiga sobre amor e redenção. Aprenda rapaz, a única coisa que a distrai é você contar algo que ela ainda não aprendeu. Depois de um tempo ela me olhou e me entregou um antigo diário que a psicóloga tinha dado para ela registrar sobre os seus sentimentos.
Charlie baixou a cabeça limpando os olhos, Bella foi o maior presente de sua vida, ela era o seu pequeno bebê indefeso com a alma rachada e machucada.
–Lá tinha tudo. Desde as agressões, a pressão psicológica, a dor, o amor que ela nutria por nós e o medo de nos perder. Eu amo aquela menininha, Edward. Ela foi um presente divino pra mim, fiz algumas escolhas equivocadas no meio do caminho, mas não posso me arrepender de nada porque hoje olho para seu sorriso e enxergo apenas a minha filha. Não queria perdê-la, mas sou capaz de enxergar como ela está feliz com você e não posso impedir sua felicidade.
Edward olhou para aquele aparente homem forte que se desmanchava em lágrimas ao falar da filha e percebeu o motivo de não querer que qualquer idiota a magoasse. Ele tinha sido seu protetor quando ela precisou, um amigo, um confidente e o melhor e o mais compreensivo dos pais.
–Isso quer dizer que concorda com o nosso casamento? – Edward perguntou, hesitante.
–Sim. – sua voz grossa saiu firme e resoluta – Mas se eu souber que você a magoou, não terá outra chance. Eu sei muito bem como me livrar de um corpo.
–Obrigado, Chefe Swan, prometo fazer o impossível para ver Isabella feliz.
–Conto com isso rapaz.
O sorriso em seu rosto era gigante, começaria a planejar tudo o mais rápido possível, ficou ali com o sogro durante algum tempo, se perguntava aonde Bella tinha ido com o irmão.
–Bella me contou que vão se casar. – a voz de Renée o tirou de seus pensamentos.
–Sim. – sorriu mais – Não vejo logo a hora.
–Por favor, me avisem quando começarem a arrumar tudo que deixo Charlie aqui e vou lá ajudar vocês com todos os preparativos. – seu marido rolou os olhos e puxou a mulher para o seu colo.
–Com certeza, vai ser um prazer recebê-los todos em nossa casa. Minha tia iria adorar você.
–Não vejo logo a hora de começar todos os preparativos.
A animação ali era contagiante, com certeza Bella teve uma vida feliz com todos. Edward queria provar a eles que era bom o suficiente e grato pelo que fizeram por sua menina. Olhou para a mata a vendo caminhar com o irmão, os dois cheios de barro e ela segurava alguma coisa nos braços, foi até ele.
–Olha amor. – mostrou um pequeno cachorro de pelo negro com vermelho, magro de fome, com os olhos grandes e completamente machucado. Era um filhote de pastor alemão – É um menino, posso ficar com ele?
Seus olhos como de uma criança pedindo para ficar com o pequeno bichinho o acertou em cheio. Ele olhou para os sogros e o cunhado que apenas sorriam em expectativa para saber como ele conseguiria sair da enrascada.
–Acho que não tenho escolha, não é? – ela se jogou nos braços dele beijando o seu rosto todo em agradecimento.
–Não sei como manteremos um cachorro desse tamanho no apartamento. E que fique claro: ele é sua responsabilidade.
–Eu sei. Agora pequenino, como te chamaremos?
–Black. – resmungou baixinho.
Bella escutou e bateu nele. Ela tinha conhecimento sobre como ele chamava o seu amigo, mas o cãozinho não iria se chamar assim.
–Desculpe. Que tal Mike.
–Edward, pare. – protestou – Que tal Franklin?
–Muito longo. – Gabriel opinou.
–Ash?
–Muito estranho.
–Então eu não sei. – suspirou olhando para o cãozinho – Do que ele tem cara?
–De cachorro, Bells.
–Gabriel, cale a boca. – seu irmão ergueu os braços em sinal de paz. – Amor, me dá uma ideia.
–Já dei, você que não quer os nomes que sugeri. – pegou o cachorrinho sujo e acariciou atrás de sua orelha e percebeu que ele o mordia e arranhava – Esse aqui com certeza vai ser um bom mordedor para as minhas bolas de baseball.
–É isso. Seu nome vai ser Red – o cachorro latiu no colo de Edward de acordo com o nome e se aconchegou mais para receber o carinho na orelha.
–Por quê?
–Eu tenho um cachorro de pelúcia enorme que Gabe me deu no meu primeiro dia na família. – falou baixinho acariciando o pequeno animal – Acho que é um bom nome pra ele.
Quando se deitaram para dormir ela demorou porque foi dar a ração para o cachorro. Viajariam depois do almoço, o jato da empresa já estava de prontidão no aeroporto. Era difícil admitir, mas ele adorou a viajem, a família dela era tão unida quanto a sua, teria que dar um jeito de juntá-los qualquer dia. Bella se deitou ao seu lado roçando o rosto em sua barba grande, adorava o contato da barba em seu corpo.
–Eu gosto da barba. – sussurrou se aconchegando nele.
–Não fale isso, pequena, porque eu sou capaz de nunca mais me barbear.
Ela riu beijando sua bochecha para depois morder seu queixo, ele rosnou baixinho sentindo seu membro se acordar. Era necessário apenas um sorriso lascivo dela que já ficava a ponto de bala. Bella sentou em seu colo erguendo uma sobrancelha, mal tinha o tocado.
–Como você consegue ficar assim tão rápido?
–Você me deixa assim, minha menina safada. – Bella corou e fez menção de sair do seu colo, mas ele prendeu sua cintura firmemente – Não saia.
–Você tem que ser mandão mesmo quando eu estou por cima?
–Você quer me amarrar também? – ela riu se movendo em cima do seu quadril o ouvindo gemer baixinho e segurou seus braços ao lado de sua cabeça.
–É melhor quando estivermos em casa, somos muito vocais nessas situações.
Ele riu com ela a beijando, deixando que ela comandasse o ritmo da forma que bem entendesse e o mais silenciosamente possível.
(...)
O clima na manhã seguinte estava triste, era difícil para Bella deixar sua família ali para ir embora, mas seu lugar era ao lado de Edward agora. O pequeno Red corria por toda a casa mordendo o que conseguia encontrar, depois se deitava para recuperar as forças e voltava a fazer as mesmas coisas.
Bella se concentrou em sua comida comendo o máximo de waffle que poderia, a noite com Edward tinha sido intensa. Toda vez que faziam amor parecia que tentava lhe mostrar algo, ainda não sabia o que era, mas estava gostando dessas brincadeiras. Os Swan os acompanharam até o aeroporto, a despedida foi triste, por mais que Renée e Charlie prometendo que iria visitá-los em breve, Bella deixou cair algumas lágrimas e os abraçou forte.
–Você vai cuidar deles não é? – perguntou ao irmão ainda dentro do abraço dele.
–Claro que sim. – secou suas lágrimas e olhou para Edward – Cuide dela.
–Pode deixar, ela é meu maior tesouro. – garantiu dando um aperto de mãos forte.
Ao entrarem no jatinho ele fez questão de prender o seu cinto e segurar Red, ele dormia soltando pequenos roncos, nem se o mundo acabasse acordaria o preguiçoso.
–Vamos voltar para visitá-los. – apertou sua mão enquanto o avião taxiava na pista.
–Eu sei – suspirou – Mas não queria deixá-los.
Edward beijou seus lábios rapidamente colocando a cabeça dela em seu ombro com uma mão acariciava seu cabelo fazendo um cafuné gostoso e a outra a pequena barriga do cachorro. Ao perceber que ela pegou no sono acomodou melhor a cadeira e colocou o bichinho no banco da frente.
Tinha que pensar em uma estratégia para descobrir quem era o monstro que a machucou. Pegou o notebook lendo alguns e-mails importantes do trabalho, felizmente os advogados de Denver conseguiram corrigir o problema com uma das empresas prestadoras de serviço e agora estava tudo sob controle, respondeu a maioria deles com palavras rápidas e curtas, não era de se prolongar quando fazia isso. Laurent ainda não tinha respondido a sua mensagem sobre o dossiê que Charlie havia lhe entregado sobre o caso de Isabella, as fotos dela não estavam presentes. Segundo seu sogro, ele não gostaria de ver o estado em que sua pequena estava quando foi encontrada, talvez fosse melhor mesmo porque já estava com raiva daquele monstro a ponto de matá-lo e se visse as fotos não teria um segundo pensamento quanto a isso.
Bella só acordou quando o aviso para prender o cinto apitou, se espreguiçou na poltrona confortável e se ajeitou o melhor que podia, foi um bom cochilo.
Félix esperava por eles já na pista em frente ao Bentley, deu boas vindas enrugando o nariz para o filhote no colo de Bella. Haviam prometido jantar na casa de Esme, então passariam no apartamento apenas para um banho e trocar de roupa, o tempo estava ameaçando uma tempestade. O trajeto de carro foi rápido e silencioso, assim que colocaram os pés no apartamento Bella se sentiu em casa, ligou para a mãe no caminho para avisar que tinham chegado bem e que já estava com saudades. Soltou Red que correu pela sala tentando reconhecer o lugar e latiu ao sair na varanda e escutar os diversos sons de carros abaixo de suas patas.
Depois do banho tomado, Edward pegou o Volvo e foram para a casa dos Cullen, o cachorrinho tinha ficado com Heidi que já tinha o adorado. Ele segurou a mão da noiva durante todo o caminho, estava feliz e mal podia acreditar que em pouco tempo os dois estariam casados. Ao parar em frente à mansão desceu para abrir sua porta e a abraçou entrando na casa. O barulho de conversas era ouvido desde a entrada, assim que deu um passo dentro da sala foram bombardeados por abraços que parecia não se verem em um longo tempo.
–Alice. – Bella riu abraçando a amiga – Como foi a lua de mel?
–Ótima, nunca me relaxei tanto, apesar de perder a festa da empresa e o aniversário do cabeção. – olhou para o primo surpresa – Nossa, nunca te vi de barba, até que não fica tão mal.
Edward riu e a abraçou, apertando a mão de Jasper.
–Senti sua falta, baixinha – ela fez uma careta com o apelido – Tive que pedir conselhos para Rosie.
–Cullen, eu estou aqui. – sua cunhada informou – E não se esqueça de que faço a maioria do seu trabalho, então mantenha a boca fechada.
Eles riram, iniciando uma conversa, Bella sentou com Esme e Carlisle perguntando sobre como tinham passado o feriado, a festa deles tinha sido tão boa quanto a sua. Carlisle sempre parecia sério e compenetrado, mas naquele dia ele estava brincalhão e sorridente arrancando risos de Bella ao contar das travessuras dos filhos e do sobrinho, fazendo pequenas brincadeiras com todos. Durante o jantar o clima ainda continuava animado.
–Bem gente – Emmett se levantou – Eu e Rosie temos uma coisa para falar.
Pegou a mão da esposa a levando aos lábios, ela se levantou sorrindo.
–Eu e meu ursão vamos ter um ursinho.
Todos foram parabenizá-los pelo bebê, afinal uma nova vida sempre era uma benção. Edward queria esse presente também. Entendia o receio de Bella em não ser uma boa mãe, porém iria entrar nesse assunto com ela novamente em breve.
–Já que estamos todos fazendo revelações – falou olhando para Bella que mordia o lábio – Isabella aceitou se tornar minha esposa.
Mais uma rodada de abraços e felicitações foi trocada, Carlisle não poderia se lembrar da última vez em que sua família estava assim em polvorosa com tantos acontecimentos, provavelmente antes do acidente com o irmão. Deixou os pensamentos tristes de lado agradecendo a Deus pelos presentes que estava ganhando. Ele foi abençoado com uma família, mesmo com todos os problemas ali naquele momento cheio de alegrias parecia compensar de algum modo. Olhou para Isabella rindo conversando com Emmett e Rosalie e, como sua esposa, não pode deixar de imaginar sua pequena Mel. Era loucura criar uma ilusão com aquela moça e, sem perceber, começou a notar as semelhanças dela com sua Esme, os olhos verdes, o nariz, a boca, os cabelos da cor dos de sua sogra e completamente cacheados. Não era possível aquilo. Não podia ser.
–Tio, algum problema? – Edward o tirou de seus devaneios.
–Não, só apreciando tudo o que temos. – sorriu para o sobrinho tentando parar de imaginar bobagens – Parabéns pelo noivado e já marcaram a data?
–Ainda não, vou sentar e conversar com Bella sobre isso ainda.
–Bom mesmo, porque Alice e Esme já estão fazendo planos.
Ele olhou para a tia e a prima que pareciam compenetradas em uma conversa sobre os preparativos do casamento, sorriu e pensou em uma forma de deixar os pais de sua menina mais próximos a ela, tinha ciência de que parte da ameaça de Charlie com a arma era porque não queria ficar longe da filha e faria qualquer coisa para deixá-la feliz.
Antes de se deitar com ela foi até o escritório para fazer uma última ligação, o telefone deu dois toques antes do interlocutor atender.
–Charlie, pode falar? – perguntou um pouco nervoso.
–Posso. Aconteceu alguma coisa com Bella? Ela está bem?
–Sim, ela está ótima. Eu não liguei para falar sobre ela, bem não diretamente.
–Então qual o motivo? – estava curioso com o motivo do contato do genro àquela hora.
–Você já pensou em se mudar para Nova York?
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