O Que Somos
25 Capítulo 24
Capítulo 24
–Qual vai ser o tema da festa mesmo? – Bella perguntou na loja enquanto Rosie a obrigava a experimentar vários vestidos.
–Algo sobre espiões. – revirou os olhos – Coisa de Alice, ela que planeja todas as festas da empresa.
Teria uma festa da empresa no final de semana e Rosalie a tinha arrastado para comprar o vestido para a ocasião. Bella odiava fazer compras. Já era a quarta loja em que passavam e não aguentava mais. O pior é que nem pedir socorro para Edward ela podia, porque sua amiga havia confiscado seu celular.
–Rosie... – gemeu não aguentando mais – Escolhe qualquer um, por favor, não suporto mais ficar trocando de vestidos.
–É melhor você estar comigo do que com Alice. Acredite em mim: aquela ali é maníaca por compras. Toma vê se esses aqui servem.
Ela caminhou até o provador, desanimada, preferia trabalhar o dia todo com a imensa papelada que a esperava em cima da sua mesa a ficar em um shopping andando de loja em loja para não escolher nada no final. Odiou o vestido azul, detestou o vermelho biscate e definitivamente o verde não ficava bem. Sobrou apenas mais um: Branco tomara que caia todo de renda e tinha uma faixa vermelha na cintura, era realmente lindo.
Saiu do provador bem mais contente, procurou por Rosie que estava conversando com uma das atendentes.
–Rosie, já escolhi.
Sua amiga a olhou e deu um grande sorriso, tinha passado praticamente o dia todo a ouvindo reclamar sobre fazer compras.Teve que confiscar o seu celular para impedir que Edward importunasse seu objetivo de comprar roupas para a festa de aniversário da empresa. Alice ainda estava em lua de mel, mas tudo já tinha sido preparado e, como não tinham conseguido comprar roupas para a festa antes, a sequestrou naquela tarde logo após o almoço. Agora convencer a cabeça dura da Isabella a ver todos os vestidos que poderiam ficar bem nela e depois de várias lojas e vestidos, o branco tinha ficado magnífico no corpo dela, combinando sensualidade com inocência. Deixou a atendente por alguns momentos e foi até ela.
–Bells, você está incrível. – a rodou ouvindo um risinho e vendo suas bochechas corarem – Definitivamente esse é o seu vestido.
–Estou chateada com vocês. – se viraram ao ouvir a voz de Esme – Por que não me chamaram?
–Pergunta para Rosalie, foi ela quem me arrastou.
Bella falou rápido, sorrindo inocentemente com a carranca que Rosie fez pra ela.
–Carlisle disse que você estava com a organizadora da festa. – se explicou.
–Aquela mulher parece que não entende qual a diferença entre vermelho e verde. Por tudo que é mais sagrado, demorou séculos para ela entender.
–Ela é daltônica. – Bella resmungou entregando os outros vestidos para a vendedora.
Esme deu de ombros reconhecendo que talvez fosse isso, mas ainda estava irritada com a organizadora. Ô mulher burra. Tinham passado quase uma hora discutindo por causa de uma única bendita faixa da entrada.
–Você está linda, filha. – falou sinceramente sentindo seus olhos ficando úmidos. Ela sorriu abertamente como uma criança.
–Obrigada Esme, eu amei esse. – Esme e Rosie riram com o recente entusiasmo.
Rosalie escolheu um vestido vermelho matador que ficou fabuloso nela e Esme um preto básico. Logo depois foram procurar alguma coisa para comer, como Rosalie usou o pretexto de irem almoçar para a levar ao shopping não tinham comido nada e estava faminta agora, tinha que admitir sentir falta desses momentos apenas de garotas, ela nunca teve muitas amigas, apenas Angela, mas não compartilhavam de toda essa intimidade que criou com a família de seu namorado.
–Vamos Bella, nos conte Edward é todo mandão assim mesmo quando estão... – fez um gesto com as mãos – Você sabe.
O rosto de Bella estava quase roxo de vergonha, ainda não acreditava que Rosalie tinha feito aquela pergunta, ainda mais com Esme ali, que pelo visto também estava curiosa pela resposta.
–Rosie, por favor. Isso lá é coisa de se perguntar?
–Deixa de ser puritana, Bella. Tudo bem, eu falo primeiro o Emmett tem aquele jeito dele todo brincalhão, mas na hora H, ele é uma fera.
Esme riu com as bochechas um pouco coradas e olhou para a mais jovem que estava com os olhos arregalados de surpresa e de vergonha, viu como ela tomou mais um gole do refrigerante e respirou fundo.
–Carl também tem aquele jeito sério e centrado, mas somos bastante ecléticos, depende da situação. Do clima
–Agora é a sua vez, vamos fale.
–Bem... É.... Edward é....
–Vamos logo Bella, deixa de vergonha é apenas papo de mulheres.
–Ele é.... Gentil, carinhoso – sorriu um pouco ao se lembrar de seus momentos com ele. – Sim Rosie, ele é mandão. Muito.
–Sabia. Aquele ali não tem jeito, até mesmo na cama hein?
Bella riu constrangida, agradecendo mentalmente quando voltaram a conversar sobre a festa. Olhou em volta. Merda. Tinha se esquecido do ‘Dois de Paus’ que a estava perseguindo. Bufou irritada tentando esquecê-lo, realmente Edward era um mandão incorrigível.
Já era noite quando entrou no apartamento dele com o ‘Dois de Paus’ atrás de si, deixou as compras escondidas no closet porque não queria que ele visse o vestido ainda, seria uma surpresa. Tomou um banho rápido, depois foi até a cozinha, Heidi já estava preparando o jantar.
–Boa noite, Heidi. Edward ainda não deu sinal de vida?
–Oi Bella, boa noite. Ainda não, mas Félix já ligou avisando que estavam chegando.
–Tudo bem. – olhou em volta, ficar sem fazer nada era um saco – Quer ajuda?
–Não precisa, estou quase terminando aqui.
Ela aquiesceu e caminhou até o escritório dele, todo aquele lugar tinha o cheiro de Edward. Passou as mãos lentamente pelos livros encadernados ali, ele tinha várias primeiras edições. Ela gostava do cheiro dos livros, do toque do papel em sua mão, pegou um deles aleatoriamente e se sentou em uma das poltronas que tinha no canto do enorme cômodo.
–Hey, achei você. – a voz rouca a fez levantar a cabeça do livro.
–Estava lendo. – levantou o objeto – Você tem muitos livros.
–Aqui tem poucos, só os meus favoritos. – deu de ombros pegando o livro, colocou um marcador e o deixou em cima da mesa. – O jantar está servido.
Ela segurou sua mão caminhando com ele até a cozinha, comeram em um silencio confortável.
–Como foi o dia de compras? – perguntou depois de um tempo apenas a olhando.
–Foi exaustivo, Rosie me fez correr de loja em loja – ela fez uma careta e ele riu.
–Isso é porque Alice não estava junto. – ela riu, já que Rosie disse a mesma coisa.
–Depois Esme apareceu, almoçamos juntas e fizemos mais compras.
–Garret permaneceu com vocês?
Por um curto momento Bella se perguntou quem era Garret, mas lembrou do segurança.
–Sim, o ‘Dois de Paus’ estava lá o tempo todo.
Edward não sabia se ria ou se ficava bravo, Bella não entendia que sua segurança era elementar para ele. Mantê-la segura era a melhor forma de manter sua sanidade intacta.
–Escolheu algum vestido? – mudou de assunto, não queria acabar com o clima calmo em que estavam.
–Sim – ela sorriu – O adorei, é muito lindo. Rosie me ajudou a escolher.
–Que bom, posso vê-lo depois? – questionou malicioso.
–Não, apenas na festa.
Ele ergueu uma sobrancelha tentando entender o motivo disso, mas não disse nada. Quando terminaram de jantar, deitaram no sofá para assistir televisão. Passava um programa qualquer que ele não prestava atenção, mas a menina deitada no seu peito parecia totalmente concentrada nas palavras do apresentador, começou a prestar atenção e percebeu se tratar de uma série policial, o caso do dia era de venda e exploração de menores. Viu que muitas daquelas crianças acabavam mortas ou nas ruas e sentiu um frio na espinha. Seria aquilo que esperava sua pequena se Charlie e Renée não tivessem a adotado? Mais uma criança corrompida? Mais uma mente perdida?
A abraçou mais forte e mudou de canal para um desenho animado antigo, ela o olhou questionando, mas não disse nada, com certeza o documentário o tinha incomodado.
O sol bateu em seu rosto e se escondeu mais no travesseiro enfiando o seu rosto no pescoço de Edward e o escutou rindo. Não queria levantar, ainda estava cansada do dia anterior. Sabia que teria uma reunião importante com Demetri e seu namorado para apresentar os resultados preliminares do seu trabalho, mas seu corpo não queria obedecer a sua mente.
–Estamos atrasados? – perguntou manhosa.
–Não, pra falar a verdade ainda temos muito tempo – disse malicioso.
–Bom, então vou voltar a dormir. – se virou encostando suas costas no peito dele. Ele rosnou baixinho e a pegou no colo levando para o banheiro.
(...)
–Meu Deus, vocês parecem coelhos. – Rosalie disse ao vê-los sair do elevador totalmente descabelados e com as roupas amassadas. – Ainda nem são nove, por favor, se comportem.
Edward riu e Bella corou, eles tinham se amado no chuveiro, quando ela foi se vestir, ele a atacou novamente e, para fechar, no elevador. Aquele homem tinha um fôlego incrível, não sabia se poderia acompanhá-lo daquela forma, com certeza precisava urgentemente praticar algum exercício.
–Já está tudo pronto para a reunião? – Bella retomou sua postura séria.
–Sim, faltava apenas o casal. – falou puxando Bella pelo braço a entregando alguns papéis. – Tá tudo aí que me pediu, boa sorte.
Edward não sabia como interpretar aquela pequena conversa que as duas tiveram, mas compreendeu quando Bella mostrou todos os dados que tinha coletado, o número de tentativas de invasão, de onde vieram, quem as fez e o mais estarrecedor: tinha alguém dentro da empresa liberando o acesso para hackers.
Nos últimos três anos, desde que assumiu a empresa, não tinha notado nada de anormal, ela até tinha crescido mais de trinta por cento, estava tudo indo bem, mas ver aqueles dados o mostrou que nada estava tão bem assim. O relatório que tinha em mãos apresentava uma coisa bem diferente do que imaginara.
–Não tem como rastrear de qual computador foi feita a liberação? – perguntou com a voz fria.
–Já tentamos fazer isso, mas o computador está com uma espécie de código transversal, isso faz com que ele mude automaticamente a cada dez ou vinte minutos. – explicou – Estamos tentando criar uma combinação especifica para ele, só que demora mais tempo do que o imaginado, não é tão simples como nos filmes.
–E por que diabos isso não foi notificado antes? O que estavam esperando?
Ao olhar para ele, Bella percebeu que o seu Edward não estava ali, aquele era o chefe, que estava muito puto com ela no momento. Desviou o olhar para Rosie que lhe passou um pouco de coragem.
–Sr. Cullen, precisávamos analisar o que estava acontecendo primeiro. – Demetri interviu – Não havia cabimento chegar até o senhor com apenas suspeitas, precisávamos de provas.
–E essa falha não foi notada antes pelo seu departamento antes? Você não crê que é muita incompetência dos seus subalternos? Será que não existe uma única pessoa que percebesse o que acontecia embaixo dos nossos narizes?
–Ela não é tão facilmente notada Sr. Cullen – Bella respirou fundo tentando ter paciência, porque estava a um ponto de bater com a cabeça dele na mesa – Não é algo que quando você busca o sistema te aponta, até porque o seu antivírus atual não cria barreiras para determinados procedimentos e a pessoa que utiliza disso sabia, tinha os meios necessários e seus motivos talvez.
–Então Srta. Swan, essa pessoa é muito esperta ou os que trabalham comigo são um bando de incompetentes realmente, não acha? Quero que reparem isso imediatamente, se isso voltar a acontecer medidas serão tomadas. Espero que não seja apenas mais um desses.
–Vai ser a primeira coisa que a Ônix irá fazer senhor.
–Assim espero, porque não tolerarei mais nenhum erro, e Johnson – se virou para Demetri já em pé – Dê um jeito no seu departamento ou eu mesmo vou dar e pode ter certeza que não será nada agradável.
Ele saiu da sala, irritado, batendo a porta. Bella olhou para o seu supervisor mordendo o lábio. Ele sorriu tentando passar conforto, desde que trabalhava na empresa Edward era assim. Quando estava em uma reunião queria o melhor de tudo e saber que sua equipe tinha falhado não o tinha deixado feliz. Na realidade, também não ficava, mas pelo menos Isabella tinha descoberto sobre o invasor antes que as coisas ficassem piores. Reuniu suas coisas e saiu também deixando as mulheres na sala.
–Não se preocupe com ele, Bells, daqui a pouco se acalma.
Bella se levantou da cadeira com as pernas ainda um pouco bambas, não conhecia aquele lado rude e frio de Edward, começou a recolher as pastas que estavam em cima da mesa.
–Sei lá, Rosie, o homem que estava sentado aí não se parecia em nada com o que eu acordei hoje de manhã.
Sua amiga riu um pouco, sabia como seu cunhado era temperamental e intempestivo, mas pelo jeito ele não tinha expressado esse comportamento para Isabella ainda. Então, entendia o motivo de ela estar estarrecida. A ajudou com os papéis e os colocou em sua mão antes de saírem da sala de reuniões.
–Vamos almoçar juntas hoje?
–Não vai dar, tenho que começar a olhar os servidores e implantar a Ônix para impedir essa pessoa, antes que seja demitida pelo grande tigre. – fez uma careta vendo Rosie rir do apelido e concordar.
Tinha perdido a hora do almoço, mas não estava com fome, depois da reunião ficou presa na sala dos servidores começando a implantar seu projeto e rastrear o “espião”, tudo ao mesmo tempo, decidiu que tinha que parar de tomar café antes que adquirisse uma ulcera porque desde que se mudou para NY tomava mais do que o normal.
A sala era na verdade um andar completo de aparelhos e fios, quase na penumbra, só alimentado por poucas luzes azuis nos corredores, pegou mais uma xícara de café enquanto esperava o seu notebook terminar a busca por compatibilidades no sistema. Lavou o rosto no pequeno banheiro do corredor fora das portas protegidas e voltou, soltou um gemido ao olhar para a tela e perceber que nem trinta por cento dos códigos tinham sido implantados. Pegou seu celular vendo que ali não tinha sinal, provavelmente era pela grossura das paredes e pelo número de emissores de sinal.
Sem ter nada para fazer e não podendo sair dali pegou alguns dos papéis que Demetri tinha pedido para verificar. Leu todos corrigindo alguns erros pequenos e os passou para ele por e-mail, ainda bem que o garoto que cuidava da sala tinha um computador e um telefone porque senão já estaria cochilando ali. Estava quase finalizando quando olhou para o relógio de pulso, eram quase oito da noite. Com certeza Edward iria matá-la. Esperava que Rosie tivesse dito que iria ficar na sala dos servidores ou realmente estaria encrencada. Assim que o computador apitou a conclusão de dados transferidos, juntou tudo o mais rápido possível e caminhou para o elevador. Parecia que aquele não era o seu dia porque assim que ultrapassou a porta, bateu a mão na parede e seu relógio prendeu na fechadura de metal, foi um sacrifício conseguir tirar, ela xingou baixinho, mas não parou pra ver se tinha machucado, não tinha tempo para isso.
O dia de Edward tinha sido um caos, sua manhã foi maravilhosa, perfeita, mas bastou chegar ao trabalho e descobrir da incompetência de seus funcionários que seu bom humor foi pelo ralo e adicionando com o estresse dos últimos acontecimentos o fez explodir. Ele havia sido rude com Isabella, sabia que ela não tinha culpa do que aconteceu, mal tinha um mês que ela estava na empresa e, pelo relatório, a pessoa que agia pelas suas costas já fazia isso há muito tempo.
Esperava que ela o desculpasse, não conseguiu almoçar e, ao tentar ligar no celular dela, viu que só dava desligado. Sentia-se enjaulado, e não poder ir embora apenas contribuiu para aquele sentimento ruim em seu peito aumentar. Ainda precisava terminar mais duas reuniões importantes.
Tudo o que ele queria era pegar sua menina, levá-la para casa e se enterrar nela até cair na inconsciência. Ainda podia sentir seu cheiro de morangos e lavanda em seu corpo e roupa. Deu um pequeno sorriso e voltou a prestar atenção no balanço semestral, já que era tudo o que tinha sobrado por enquanto.
Releu o relatório dela umas dez vezes. Pelo horário ela já devia estar em casa, começou a arrumar suas coisas. Não adiantaria nada ficar ali evitando a conversa que teriam. Tentou novamente ligar no seu telefone, mas estava sem sinal. Irritado, entrou no elevador o sentindo descer lentamente. Surpreendeu-se quando ele parou, quem era que estava ali àquelas horas?
–Isabella? – a olhou surpreso – O que ainda está fazendo aqui?
–O meu trabalho Sr. Cullen. – falou simplesmente o evitando olhar, ainda não sabia o que esperar de seu comportamento, sabia que ele estava certo em cobrar o seu trabalho, droga, ele era o seu chefe, tinha que aprender a separar as coisas.
–Já é muito tarde, seu horário de trabalho já passou faz tempo.
–Igual ao seu. – era impressão sua ou o elevador estava demorando mais do que o normal para descer, sabia que deveria ter pegado o elevador social, mas aquele ali lembrava a ótima manhã que tiveram e precisava dessa conexão depois daquele dia.
–Eu sou o chefe, fico até tarde muitas vezes. – já estava irritado com o dia que tivera e a forma que ela o estava tratando não estava ajudando a melhorar as coisas, nem olhar para ele tinha feito.
–E eu uma empregada que tem que fazer seu trabalho – o olhou sem nenhuma expressão.
–Não quando ele ultrapassa o horário do seu expediente. — tirou os papeis que estavam em suas mãos – E muito ainda.
Ela fez uma pequena careta, se não fazia o seu trabalho levava bronca, se o fazia levava bronca do mesmo jeito, não sabia como agir com ele, manteve silencio até entrarem no carro, ela aproveitou o tempo para organizar os documentos que ainda estavam na mão dele os colocando no colo e separou as paginas, na manhã seguinte teria que continuar trabalhando nos servidores para acompanhar o processo de implantação. Já estava cansada só de imaginar.
–Tá tudo certo com o programa? – ele perguntou quando subiam para o seu apartamento.
–Sim, tudo como o previsto. – ela não ergueu a cabeça dos papéis que estava lendo e nem falou mais nada.
Edward bufou com o comportamento dela, mas não disse nada. Aquilo não podia ser tão interessante assim, eram apenas números, fórmulas e poucos textos. Cansado de ser ignorado, ele tirou da mão dela aqueles benditos papéis e ela soltou um pequeno som de protesto com o ato.
–Pode parar de me ignorar?
–Não estou te ignorando, só tenho que terminar de avaliar isso. – tentou recuperar seus documentos, mas ele os ergueu acima da cabeça.
–São quase nove da noite, já chega de trabalho. – disse incisivo.
–Edward – ela protestou. Se não os lesse hoje teria que fazer mais cedo na manhã seguinte. – Por favor, me devolve.
–Não.
Ele saiu do elevador com ela bufando logo atrás, deixou sua pasta com os papéis dela em cima da mesa de centro na sala e foi para a cozinha.
–Boa noite Heidi – disse calmamente – O jantar já está pronto?
–Sim, senhor, já vou servir. – sorriu – Boa noite, Bella.
–Oi Heidi. – se virou para Edward – Vou tomar um banho rápido.
Não esperou ele falar nada e praticamente correu para o quarto. Começou a tirar sua roupa jogando-as no cesto de roupas sujas. Olhou para o seu pulso e percebeu que quando bateu o braço ao sair da sala dos servidores tinha quebrado seu relógio. Ela praguejou enquanto observava a marca vermelha que ficou por causa da correia. Adorava aquele relógio. Tomou um banho rápido, vestiu uma camisola de seda azul e colocou o penhoar por cima voltando para sala. Suspirou ao ver Edward com três botões de sua camisa desabotoados, sem a gravata. Ele era lindo. E, por mais que a deixasse aborrecida, irritada e louca, ela o amava de uma forma que não sabia explicar.
–Está mais calma?
–Sempre estou calma, você que é estressado demais. – enlaçou seu pescoço. Tinha sentido falta desse contato com ele durante todo o dia.
–Me desculpe pelo meu comportamento hoje, ele não foi dirigido a você. – apertou seu corpo mais próximo a beijando lentamente. Sentiu seu corpo despertar e aprofundou o beijo, gemendo quando ela puxou os cabelos de sua nuca.
–Tá tudo bem. Às vezes me esqueço que você é meu chefe. – se distanciou ainda segurando suas mãos.
–Acho que sou bem mais que isso. – respirou fundo, puxando-a volta até colar seus corpos e sussurrou – Eu sou seu namorado, seu homem... Sou seu amor Isabella. E em breve serei mais, muito mais.
“Devemos ter uma boa memória para sermos capazes de cumprir as promessas que fazemos.”
Friedrich Nietzsche
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