O Que Somos
19 Capítulo 19
Capítulo 19
As semanas passaram correndo, seus dias eram tumultuados, já que tinha muito trabalho e ainda passava suas noites com Edward. Estava exausta. Faltava pouco para o seu turno acabar e estava querendo sair mais cedo para dormir, como prometido Alice e Rosie a sequestraram algumas vezes para comprar o vestido para o casamento e ajudar nos últimos preparativos. Já via as duas como suas irmãs, menos quando a deixavam constrangida por querer saber mais sobre suas intimidades com seu namorado mandão, até mesmo Esme tinha entrado na causa em um dos almoços que fizeram juntas. Não havia sido avisada que aquela família era desse jeito.
Pensar em Edward a fazia abrir um sorriso gigantesco, nunca imaginou que poderia ficar tão apaixonada por um homem, ainda mais por um controlador e ciumento. Sorriu lembrando-se de seus momentos juntos, mesmo que fosse apenas para ficarem deitados conversando sobre os filmes que tinham visto. Ele era perfeito. Passaram a semana toda juntos, quando não estavam em seu apartamento ficavam no dele, já havia se acostumado a ficar sozinha, mas com ele não queria se distanciar mais. Sentiu sua cabeça começar a latejar, hoje tinha começado a trabalhar com a papelada e seus óculos estavam em algum lugar do seu quarto. Na infância e adolescência completa tinha usado e melhorou depois de fazer correção a laser nos olhos, mas quando lia por muito tempo sua cabeça doía e tinha que retornar a eles. Não tinha jeito, iria para casa mais cedo. Discou o número do celular de Edward e caiu na caixa postal, ele provavelmente estava em alguma reunião, deixou uma mensagem rápida avisando que iria para casa mais cedo e juntou suas coisas.
–Bella, tá tudo bem? – perguntou Jacob a parando no meio do caminho.
–Só um pouco de dor de cabeça. – falou desanimada – Vou para casa, já consegui finalizar boa parte do trabalho.
Ele apenas concordou a vendo sumir dentro do elevador. Foi fácil conseguir um taxi e, como ainda não estava no horário da saída das pessoas do trabalho, o transito parecia mais calmo. Assim que entrou no seu apartamento foi ao banheiro e tomou um banho rápido, se enrolou no roupão e caiu na cama, não tinha forças nem para se mover.
–Srta. Stanley, tem algum recado para mim? – Edward perguntou impaciente, seu celular tinha acabado a bateria durante uma reunião e agora não estava conseguindo falar com Isabella.
–Não senhor, apenas o Dr. Cullen que pediu para que entre em contato com ele. – respondeu solicita.
Ele deu as costas para ela e voltou ao seu escritório. Ligou para o seu tio que queria apenas confirmar a presença dele no jantar no dia seguinte. Pegou alguns contratos que precisava ler até segunda-feira e os colocou em sua pasta, passaria no andar de Isabella e iria para casa, estava cansado. Nunca ficou tão feliz antes de entrar em uma rotina como estavam, dormir com ela todas as noites era fantástico principalmente dentro dela.
Caminhou entre os cubículos sendo observado pelo caminho que fazia, qual não foi sua surpresa ao encontrar a mesa de sua menina vazia, não sabia se ficava preocupado ou irritado.
–Black. – chamou o cão ao vê-lo passando – Você viu Isabella?
–Sr. Cullen, – Ele exclamou surpreso, – ela já saiu, disse que estava com dor de cabeça e que iria para casa.
Ele acenou a cabeça e murmurou um agradecimento enquanto tentava entender o motivo dela não ter deixado um recado com sua assistente. Félix estava de prontidão quando chegou na frente do edifício. Apenas com um movimento da cabeça sabia que era para ir até o apartamento da Srta. Swan.
–Félix, você já verificou os nomes dos possíveis seguranças?
–Sim, senhor, já preparei um relatório, que está em cima da sua mesa em seu apartamento. – falou sem tirar os olhos da estrada.
Ao chegar ao prédio de Bella, pediu para que o segurança esperasse na garagem porque hoje eles iriam para o seu apartamento. No elevador, encontrou com uma senhora que não parava de olhá-lo, principalmente para sua virilha. Sentiu-se desconfortável até que a velhinha descesse. Entrou no apartamento e percebeu o silêncio completo que se instalava no lugar, caminhou até o quarto encontrando sua menina dormindo enrolada na toalha, seus cabelos ainda estavam molhados. Sentou ao seu lado acariciando sua cabeça.
–Edward? – ela resmungou levantando a cabeça.
–Sim, pequena. Você está bem?
Estava preocupado com ela. Ele já havia percebido que mesmo estando cansada Isabella Swan não mostrava ou desanimava. Agora parecia estar doente.
–Só um pouco cansada. – deitou a cabeça no seu colo.
–Pensei que iríamos para o meu apartamento hoje.
–Sim, eu vim arrumar minhas coisas, mas acabei dormindo.
–Veio de taxi? – agora começava a ficar irritado, não sabia quantas vezes tinha pedido que se ela quisesse ir para qualquer lugar era só chamar Félix que ele a levaria, mas parecia que ela tinha problemas com isso ou com qualquer coisa que ele a pedia para fazer.
–Sim, tentei te ligar, mas seu telefone só dava caixa postal. – falou acariciando o rosto dele.
–Poderia ter deixado um recado com minha assistente.
Ela fez uma careta, não sabia como falar pra ele que sua assistente aparentemente a odiava. Não queria causar conflitos por parecer uma namorada ciumenta, ela nunca foi assim e não queria criar esse hábito, não queria controlar sua vida. Ele a olhou questionando o motivo de ter ficado em silencio. Queria saber o que se passava naquela cabecinha. Para distraí-lo, ela o beijou, sabia que sempre funcionava. E, quando ele deitou por cima dela e começou a acariciá-la, ela escapou e foi para o closet.
–Quando a Srta. vai parar de me provocar hein? – se jogou na cama respirando fundo.
Ela riu já vestida com uma calça jeans justa e com um sutiã de renda preto, vestiu uma camiseta do Marron Five enquanto calçava o tênis. Pegou algumas roupas e colocou na mochila o ignorando, sabia que ele ainda não tinha desistido do interrogatório e queria evitar tanto quanto fosse possível. Procurou seu conjunto de lingerie vermelho novo que estava na sua gaveta, mas não o encontrou. Revirou o closet o procurando, bufou irritada, tinha certeza que tinha o guardado lá.
–Perdeu algo? – Olhou para seu namorado com uma expressão irritada que só o fez rir.
–Nada demais. – respondeu mal criada, queria usar para ele.
–Talvez isso?
Ela observou ele tirar o conjunto que procurava de trás das costas. O sorriso gigantesco apareceu no rosto perfeito daquele cretino quando viu a expressão dela. Sua boca estava aberta, o choque tomava conta de seu ser.
–Isso é meu – ela falou pausadamente enquanto caminhava até ele.
–Uhm... Já posso imaginar você só com ele. – seu olhar era malicioso, a voz sussurrada deixava uma promessa.
–E quem disse que eu vou usar para você? – fez cara de paisagem.
O olhar dele se escureceu e suas feições ficaram mais duras, ela se perguntou se havia passado do limite. Não conseguia parar de olhá-lo, mas sua bolha foi rompida com o toque do telefone. Ela saiu correndo para atender, Deixando-o no mesmo lugar. Edward a observou sair correndo, sabia que essas semanas tinham sido corridas, mas queria fazê-la entender que pertencia a ele. Alice tinha arrastado Bella para as compras e o relacionamento deles também estava exigindo mais dela. Passou a mão nos cabelos irritados consigo mesmo, mas não deixaria passar assim tão rápido.
Bella sabia que era sua mãe, afinal não tinha conversado com ela durante quase duas semanas.
–Você some, não dá notícias e espera que eu fique calma? – percebeu que Renée estava muito mais irritada dessa vez. – Isabella, você está em uma cidade em que o crime é altíssimo e que a Srta. não conhece nada e se algo tivesse acontecido com você? Me diz: o que eu teria feito?
–Mãe, me desculpe. – suspirou – A senhora está completamente certa, é que aconteceu tanta coisa nesse meio tempo que toda vez que eu pensava em te ligar já estava tarde.
–Me diz pelo menos uma dessas coisas, Isabella Marie. – Agora sabia que estava com problemas.
–Estou namorando. – falou baixinho. Em todos os anos que viveu com os Swan nunca viu sua mãe ficar muda – Mãe, você ainda tá aí?
–Quem é ele? – pediu depois de um tempo.
–Edward Cullen!
–Seu chefe intransigente? – ela riu com gosto, sempre falou para sua filha não cuspir pra cima que um dia iria cair na testa e olha só agora. Lembrou de quando ela tinha lhe contato que havia sido forçada a ir trabalhar com ele, ela o tinha praguejado até não se lembrar mais. Agora namorando com ele.
–Pois é. Ele é bastante convincente. – olhou para cima e o viu com um olhar divertido.
–Quero saber de tudo sobre isso. – ela ainda não havia parado de rir – Vai lá. Fica com seu namorado e o traga para casa qualquer dia desses.
Depois de desligar o telefone ela olhou para seu namorado intransigente, passou por ele pegando a mochila e o expulsou do apartamento, o trancando. Deu boa noite ao Félix. Apesar dele ser bastante sério e reservado, ela gostava dele.
–Contou para sua mãe? – ele perguntou depois de um tempo.
–Sim. – olhou para fora da janela evitando o olhar dele.
–Pelo jeito ela não gostou muito de mim. – pegou a mão dela e virou seu rosto para beijar seus lábios.
–Ela adorou saber disso. – falou ainda com os lábios colados nos dele – Acho que ela te admira mais agora, você sabe ter que aturar a filha mal humorada dela.
Ele riu e a beijou lentamente acariciando seu rosto.
–Já que eu aturo a filha teimosa e mal humorada, será que ela vai usar aquele conjunto vermelho para mim? – pediu malicioso a fazendo corar.
Ela bateu em seu ombro enquanto ele ria levemente da expressão de surpresa quando as palavras saíram de sua boca. Ao entrarem no apartamento ela foi conversar com Heidi e ele foi para o escritório com Félix, ainda teria que convencê-la a aceitar um segurança, ainda mais depois que o namoro saísse nas páginas de todas as revistas. Ele fazia questão de apresentá-la como sua namorada no casamento de Alice. Queria mostrar a todos que ela era sua. Félix realmente tinha montado um dossiê completo sobre os candidatos, eram apenas três, porém muito bem qualificados, não deixaria sua menina na mão de qualquer idiota. Marcou uma reunião para a próxima semana com um deles, o qual seu segurança havia afirmado ter trabalhado com ele nas Forças Armadas, e foi à procura dela.
Depois de conversar com Heidi, Bella não sabia o que fazer. Seu trabalho já estava adiantado e não queria pensar nele, caminhou até o piano pensando em nenhuma música em específico, até começar a dedilhar uma de suas músicas preferidas ‘My Immortal’ do Evanescence. Em alguns momentos era exatamente assim que se sentia em relação a sua infância. Queria deixar ir. Tinha tomado a decisão que, depois que passasse toda essa correria com o casamento de Alice e conseguissem chegar a um consenso no relacionamento dos dois, contaria tudo a ele, afinal ele era o único que conseguia que ela firmasse os dois pés no presente.
Parou de tocar ao sentir a sensação de que ele estava as suas costas, aquele formigamento familiar somado ao frio na barriga que a deixava ofegante.
–Essa é uma música muito triste, anjo – sussurrou no seu ouvido – Espero que não se sinta assim.
–Ela é uma das poucas que sei tocar. E eu gosto do som. – esclareceu ofegante. E ele ainda não tinha nem a tocado.
–Vou te ensinar a tocar todas que quiser. Podemos ficar dias nesse piano. – A voz dele estava carregada de sensualidade e malícia pura, o que a fez arrepiar. Esse era outro fato que tinha descoberto durante esse tempo de relacionamento: apenas uma palavra dele fazia com que ela queimasse de desejo. Estava parecendo uma maníaca sexual.
Jantaram conversando calmamente sobre o dia, como faziam todas as noites. Ele contou sobre o vinhedo que tinha comprado na Itália e como queria que ela fosse com ele até lá para conhecer melhor a propriedade. De início ela tentou declinar do convite falando que teria que trabalhar, mas foi convencida pelas simples fases “ele era o chefe” e “isso faz parte do posto de namorada” pronunciadas por ele. Ela rolou os olhos pra ele e acabou aceitando. Agora só faltava conversar sobre o segurança, sabia que seria uma conversa difícil.
–No casamento da Alice vou anunciar que estamos juntos. – ele falou de repente e ela o olhou confusa.
–Pensei que todos na sua família já sabiam sobre nós e meus pais já sabem sobre você. Bem, pelo menos minha mãe sabe.
–Vamos aparecer juntos em um dos casamentos mais esperados do ano, Bella. Não se esqueça que é namorada de um dos homens mais influentes do país. Todas as revistas, todas as pessoas vão querer saber quem é você. – esclareceu.
–Ahh. – ela limpou a boca com o guardanapo, tinha perdido o apetite.
Sabia que Edward era um homem influente e poderoso, mas gostava dele como o cara divertido e carinhoso que era e tinha se esquecido de tudo o que vinha como bagagem.
–Não precisa se preocupar, nada vai mudar.
Ele tentou acalmá-la, mas não teve muito sucesso. Ela sabia que a partir do momento em que o mundo soubesse que estava namorando, tudo iria mudar, não teriam a mesma paz que tinham e estariam expostos a todos os tipos de fofocas. Levantou-se da mesa e foi em direção ao banheiro do quarto, não sabia o que falar para ele, não sabia nem o que estava se passando dentro de si. Edward suspirou e a seguiu, se sentia impotente. Ao mesmo tempo em que queria protegê-la do mundo, queria anunciar que ela já tinha dono, que era ele. A viu escovar os dentes e trocar suas roupas por uma camisa dele. Fez o mesmo e assim que ela deitou em sua cama ele se sentou ao lado dela, fazendo-a deitar no seu colo.
–Sei que minha vida é muito diferente do que está acostumada, mas não se preocupe, eu prometi cuidar de você e eu irei cumprir minha palavra.
–E se eu não for como você imagina? Se não conseguir cumprir suas expectativas sobre mim?
O medo dela era de não ser o suficiente para ele, o medo dele era de que ela não o amasse. Ainda teriam um longo caminho até vencerem os obstáculos que apareceriam em sua frente. Ele a beijou, tentando mostrar a segurança de que a protegeria para sempre, e, quando se separaram, estavam arfantes. Ela lhe deu um pequeno sorriso, sabia que faria tudo que lhe fosse possível para ficarem juntos. Não conseguiria mais viver sem ele. Só de imaginar não ver aquele sorriso de lado, seu coração doía. Lutaria até o fim contra tudo e todos se ele estivesse ao seu lado. Orava para ter toda essa força.
“Tenho um sorriso confiante que as vezes não demonstra o tanto de insegurança por trás dele.”
Johnny Depp
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