O Que Somos
15 Capítulo 15
Capítulo 15
Sabe aquela sensação de não pertencer a lugar nenhum? De ter a consciência de que você é apenas mais uma pessoa no meio de sete bilhões e que mesmo que queira não irá fazer a diferença?
Bella sempre se sentiu assim, não podia acreditar que depois de anos de terapia para superar o abandono de seus pais biológicos só estava superando com Edward e sua família. Esperava que Renée não descobrisse isso, ela iria surtar. Saiu dos braços daquela mulher e a olhou timidamente, podia sentir seu rosto queimando, deu um passo para trás encostando no peito de Edward e se sentiu mais segura.
–Tia, vejo que não conseguiu esperar que entrássemos. – brincou.
–Vocês não saiam nunca daquele carro – bufou irritada – Queria te conhecer muito Bella, posso te chamar assim?
–Claro Sra. Cullen
–Nada de Sra. Cullen, apenas Esme. Venham.
Esme os puxou para dentro, todos já estavam lá sentados. Ela estava animada em conhecer a moça que seu sobrinho estava apaixonado, desde a primeira vez que ouviu falar dela e em como sua presença mudava as atitudes dele a adorou e a vendo pode perceber que ela não era nada parecida com as mulheres fúteis que ele aparecia, essa menina era pequena, delicada e tímida. Não pode deixar de mostrar o quanto havia gostado dela.
–Bells! – Emmett gritou a tirando do chão com um abraço de urso e a rodou deixando-a tonta. – Vejo que sua cabeça não funciona muito bem, namorar com o Edie.
–Solta ela Emmett.
Deu graças a Deus quando Edward a puxou do abraço do ursão e riu com suas palavras. A próxima foi Rosalie que a cumprimentou com um beijo no rosto, pelo canto do olho pode perceber uma baixinha de cabelos negros e arrepiados para todos os lados quase quicando no sofá, assim que se distanciou de Rosie recebeu um abraço forte dela. Aquela família era forte.
–Você não sabe o quanto eu queria te conhecer, mas o cabeção ali falava: “Ela está cansada Alice.” “Hoje não é um bom dia.” — falou imitando a voz e Edward e todos riram. – Enfim, eu sou Alice e aquele ali é o Jasper meu noivo.
O homem loiro apenas deu um aceno de longe, logo um outro homem loiro de olhos azuis como os de Emmett e Alice entrou na sala sorrindo levemente, foi até Esme e a beijou, Bella supôs que esse era o Dr. Cullen. Assim como os outros ele lhe deu um abraço mais contido e um beijo no rosto. Logo engataram uma conversa sobre o casamento de Alice, como não sabia o que falar, apenas acompanhou a conversa.
–Você vai não é? – Todos a estavam olhando e corou percebendo que havia se perdido em pensamentos.
–Claro que vai Alice. – Edward a salvou, já estava se acostumando a vê-la se perder dentro de sua mente.
–É bom mesmo, quero você com Edward como meus padrinhos, já que Rosie e Emm vão ser os de Jasper. – Alice não ditou.
–Eu não sei se posso aceitar. – falou encabulada, mal a conhecia, não era justo – Digo, por que não escolhe alguma de suas amigas.
–Porque elas são falsas e seria o prazo de eu olhar para o padre e elas tentarem agarrar meu Jass. – dito isso abraçou mais forte o noivo. – E além disso você não tem como recusar.
Bella olhou para Edward suplicando para que ele a ajudasse, mas ele apenas sorriu dando de ombros e beijando sua bochecha.
–Ela aceita sim nanica. – A boca dela se abriu em choque ao confirmar que essas palavras saíram da boca do seu namorado.
–Então Bella, me fale sobre você, a única coisa que sei é que trabalha nas empresas Cullen – Esme pediu tentando diminuir o clima.
–Não há muito sobre mim realmente.
–Bella é tímida demais, a verdade é que ela é brilhante. – Dessa vez foi Rosalie.
–Não é bem assim....
–É sim, não tente desmerecer seu talento.
–Oh – A matriarca da família estava surpresa pela forma em que seus filhos falavam dela. – Quantos anos tem?
–Vinte Senhora. – falou baixo, ainda estava constrangida com os elogios que recebeu.
–Tenho que concordar com os meninos que você trabalhando com um turrão que é o Edward deve ser muito boa no que faz. – Dr. Cullen pelo que notou era um homem calado e reservado, porém o seu olhar para aquelas pessoas era como o de Esme, doce.
–Só as vezes, tem dias que ele está mais fácil e outros... – parou não sabendo como completar.
–Que parece estar de TPM? – Alice soltou, até Edward riu.
–Parece que tá na seca há muito tempo isso sim, mas agora com a Bells aqui.
–Emmett, pare com isso, você está deixando a menina constrangida. – Esme ralhou com ele suspirando, seu filho nunca mudaria – Venham, o jantar vai ser servido.
O jantar foi mais calmo, Emmett era uma máquina de comer, dava para perceber o motivo de ele ser grande daquele jeito. Bella engatou uma conversa com as meninas sobre o casamento que seria dali há duas semanas e os rapazes sobre o trabalho, por um momento Esme parou e olhou para todos a mesa, fazia tempo que não via todos tão animados e parecia que aquela pequena garota preenchia o vazio que estava ali deixado a muito tempo atrás. Gostava de ver como seu menino rebelde algumas vezes parava para acariciar a mão dela e a levar aos lábios e como ela sorria com cada carinho.
Ao final da noite Edward sentiu como sua pequena encostou no seu ombro, sabia que ela estava cansada, na noite passada eles tinham ido dormir tarde porque ficaram conversando sobre suas adolescências e aventuras e acordaram cedo para ir trabalhar, passou a mão pelos ombros dela a grudando mais a ele.
–Quer ir embora? – sussurrou percebendo que ela se arrepiava quando fazia isso.
–Não sei, me sinto em casa aqui. – falou baixinho se aconchegando mais.
–Voltamos amanhã para almoçar com eles. – beijou sua cabeça. – Tia, nós já vamos, hoje o dia foi duro para nós dois e Bella está caindo de sono.
–Claro querido, mas amanhã voltam? – perguntou fazendo uma cara pidona igual a de Bella quando queria algo.
–Claro.
Eles se despediram e Edward ajudou Bella entrar no carro prendendo o cinto de segurança. Quando saíram pelos portões da mansão notou que estava quase dormindo.
–Você quer que a deixe no seu apartamento ou quer ir para o meu?
–Para o seu, não tenho pesadelos quando estou com você. – mal terminou de falar e já ressonava.
Edward olhou confuso para sua figura adormecida no banco do carro, em todas as conversas que tiveram ela nunca comentou sobre pesadelos, sabia que ela tinha alguns... Problemas de confiança e auto estima, estava respeitando o espaço estabelecido por ela, mas tinha que saber quem a prejudicara de tal forma que a deixou assim, precisava a proteger, sempre protegeu as pessoas que amava. Freou o carro bruscamente, olhou para o lado e percebeu que ela ainda dormia. Voltou a dirigir tentando digerir a conclusão de que a amava, não tinha como não a amar, era tudo o que sempre quis. Parou o carro na sua vaga no estacionamento e foi tira-la do carro.
Ela acordou de repente tentando se situar.
–Quer que eu te leve? – perguntou suavemente ao seu lado.
–Não, eu posso andar.
Ele segurou em sua cintura todo o caminho de elevador, deu uma de suas camisas para ela e foi colocar sua calça do pijama, quando voltou ao quarto ela já estava dormindo novamente, a aconchegou em seus braços e olhou para o teto.
Se conheciam a tão pouco tempo e já a amava tanto que a hipótese de perde-la doía muito, pararia de pensar nos ‘e se’ e no dia seguinte trataria de conversar com ela sobre seus sentimentos gostou de ver que sua família já tinha a adotado e que ela se sentia bem em volta deles, até mesmo Emmett, os dois conversaram bastante depois do jantar, pareciam que se conheciam a anos, talvez ela visse nele o irmão que nesse momento estava longe. Beijou sua cabeça e enterrou o rosto no pescoço dela.
–Edward? – ele levantou a cabeça, mas percebeu que ela estava dormindo – Edward, não me deixe por favor, por favor eu...
Ela o quê? Queria sacudi-la para saber o que ela ia dizer, se em algum momento estava com sono agora não estava mais. Não conseguiria dormir sem saber o que ela falaria.
Droga, como queria ler pensamentos!
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