O Que Somos
1 Capítulo 1
Capítulo 1
–Certo pessoal o site vai ao ar em trinta segundos. – Gritou um homem ao fundo.
Isabella olhou para cima tentando acompanhar o lançamento do site mais aguardado do mês, qual ela havia projetado como uma brincadeira de faculdade e agora lhe renderia, se tivesse sorte, um bom dinheiro, talvez o suficiente para concluir o PHD em Harvard.
–Bella, você não vem? – perguntou Angela sua amiga enquanto ia mais a frente para ver melhor o grande telão que anunciava o número de assinantes em tempo real.
–Não Angie, vou ficar aqui por enquanto, sabe só observar. – disse timidamente.
Apesar de esse ser considerado um grande feito desde a criação do Google e depois do facebook, o Genesis Help, tem como objetivo facilitar a vida do usuário realizando tarefas programadas, além de mostrar formas de aplicação em dinheiro, ações, lugares, etc. Quando criado seria somente para mostrar a estudantes calouros de Harvard como economizar o dinheiro em uma cidade universitária e ensinar os locais mais seguros para transitar dependendo da necessidade, mas um grande empresário de software viu a demo e queria saber mais, além de o publico principal serem deficientes por terem poucos lugares adequados dependendo da necessidade, como um teatro aos deficientes visuais e auditivos ou rampas de acessos em alguns comércios em geral.
Isabella no começo até que gostou da novidade, afinal, um desafio sempre é uma nova forma de aprendizado e desenvolver um programa interno para o mundo era um grande desafio e vendo o seu trabalho sendo mostrado na sua frente em meio de uma equipe de 15 programadores era um orgulho, mas isso não fazia o vazio em seu peito desaparecer, por saber que somente aqueles estranhos estavam ali a parabenizando e que não tinha ninguém realmente especial ao seu lado.
Se sentindo sufocada com o ar dentro da sala caminhou pra varanda do prédio em que estava trabalhando e olhou Boston de cima contemplando a Boston Public Park, com suas exuberantes arvores, os artistas de rua, os edifícios antigos e algumas pessoas caminhando para aproveitar o ar noturno de verão. Suspirou com o pensamento que sempre rondava em sua mente “Será que existe alguém que realmente se preocupa comigo?”. Era sempre a mesma coisa desde que tinha quatro anos de idade e foi abandonada em uma noite fria e chuvosa naquela cidade, se não fossem por seus pais adotivos não sabia o que teria acontecido com ela, mas a realidade é que ela amava Charlie e Renée com todo o seu ser, mas ainda sim existia aquele vazio dentro de si que em alguns momentos pareciam insuperáveis.
–Aí esta você – disse a voz de um homem as suas costas a assustando.
–Só estava tomando um pouco de ar. – respondeu para o “chefe” que estava simplesmente lindo, como sempre, em seu terno Armani.
Aro Volturi, era um homem jovem com ampla visão de negócios que realmente acreditava no potencial de Isabella e isso sempre dava segurança para apresentar mudanças em alguns projetos paralelos que tinham. Ele tinha pouco mais que quarenta, mas qualquer mulher daria uns trinta e cinco pra ele, com o cabelo sempre bem cortado e a barba bem feita, destacando os seus olhos azuis com certeza a mulher que o conseguisse fisgar estaria satisfeita.
–Por que não esta lá dentro com todos comemorando, afinal foi graças a você que isso aqui acontece hoje. – falou a abraçando pelos ombros como uma filha querida e a arrastando pra dentro das portas duplas.
–Desculpe Aro, só precisava de um momento agora que tudo isso finalmente... – ela não sabia como explicar em palavras tudo que passava em sua mente.
–Acabou. – Ele sorriu gentilmente para ela. Sempre fez questão de trata-la como sua filha, mas às vezes era inevitável não olhar para seus olhos verdes expressivos ou sorrir ao ver como ela corava ao receber algum elogio, ela era realmente uma jovem mulher fascinante.
–Tenho certeza que agora você ficara mais calma com a finalização do projeto. – concluiu.
–É, acho que sim. – abaixou a cabeça se sentindo um tanto constrangida com o fato de que fosse tão fácil de ler.
–E então algum plano?
–Terminar o PHD. – Falou logo – Ainda falta muito tempo até o fim do semestre e se eu quiser me formar ainda preciso me esforçar muito.
O homem ao seu lado somente riu sabendo o quão inteligente aquela garota era, sendo que, ela foi admitida no Instituto de Tecnologia de Massachussetts aos doze anos e aos quinze estava em Harvard. Eram muitos poucos que conseguiam isso e ele tinha orgulho de tê-la conhecido. Ao adentrarem no salão improvisado ela foi abraçada por todos com entusiasmo e ele a deixou para voltar ao seu champanhe.
Bella não esperou a festa acabar, já era exaustivo ficar naquele lugar durante oito horas e ainda mais para comemorações parecia que não havia clima o suficiente naquele dia, ela nunca havia gostado muito de festas e muitas pessoas a sua volta a deixava inquieta por algum motivo que ela não sabia definir.
Ao entrar na sala do seu minúsculo apartamento notou que sua secretaria eletrônica estava piscando, sem nem se mover já sabia que era sua mãe e assim comprovou ao escutar a voz dela entusiasmada ao parabenizá-la pelo lançamento do programa novo. Renée era assim, mais criança do que qualquer pessoa que Bella tinha conhecido e isso a fazia sorrir, ao perceber o carinho que a mãe passava sempre que ligava, apagou o recado e fez uma nota mental para ligar pra ela no dia seguinte de manhã. Caminhou pro banheiro ligando a banheira e voltou pro quarto tirando o vestido rosa claro que tinha ido à comemoração, após um banho relaxante de banheira com seus sais de banho de morango caiu na cama exausta.
Aquela noite estava mais sombria do que as outras, havia muitas pessoas no jardim em frente sua casa, todas bem vestidas, mas com os rostos carrancudos que chegavam a estremecer qualquer criança, seu vestido azul estava manchado nas pontas com barro do jardim de trás da casa, qual ela estava brincando com um menino grande e sorridente de pega-pega, sempre que ele a pegava a derrubava no chão e fazia cocegas em sua barriga até ela conseguir escapar e correr de novo em volta da casa, mas do nada todos sumiram, os homens com suas roupas de pinguins, as mulheres estranhas e o menino de sorriso bonito e ela estava sozinha novamente no frio, quando ELE apareceu, ELE nunca a deixaria ir, iria sempre atrás não importasse onde, ELE estava lá, mas dessa vez até mesmo esse fantasma desapareceu e ela estava completamente sozinha na chuva e no frio no meio do nada, só com o desespero e o medo como companhia.
Isabella acordou assustada mais uma vez, não sabia mais o que fazer, toda noite era o mesmo sonho, ou melhor, pesadelo, era sempre a mesma coisa. Talvez o seu destino afinal não fosse conseguir superar o passado e as ilusões que sua mente criava.
“A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente.”
Albert Einstein
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