O homem olhou para toda aquela mata e soltou um suspiro resignado, não imaginava que teria tanto trabalho assim quando aceitou a proposta do Cullen.

J. Jenkis era um homem muito experiente em investigação, havia ficado na CIA por mais de quinze anos antes de fazer trabalhos particulares, o que rendia mais dinheiro do que a Agência. Nos seus quarenta e dois anos já havia resgatado mais de duzentas pessoas, infelizmente, pouco mais de cem ainda com vida.

Seus olhos escuros e o cabelo castanho claro davam um ar mais jovem do que realmente era e isso combinado com anos de treinamento o deixava atraente, o que sempre era uma melhor forma de conseguir informações.

O arquivo que lhe tinha sido entregue era bem claro sobre o local que encontraram a menina e suas condições, e, há algumas noites anteriors tinha recebido um e-mail com o desenho do possível local, não poderia retornar lá antes para não levantar suspeitas, então reservou seu tempo para conversar com algumas pessoas da cidade e obter o relatório de pessoas da minúscula cidade, agora seguia um dos moradores locais por uma trilha fechada que o levaria até onde precisava.

Já havia ido ali anteriormente, mas na ocasião apenas para verificar o local e agora depois de saber que um morador local conhecia bem aquele lugar voltava até lá para ver se encontrava alguma coisa que poderia ajudar, com o tempo que passara na cidade fez muitas descobertas importantes, algumas delas que sabia serem o possível desfecho de toda essa história e se sentia eufórico por estar tão perto de solucionar mais um mistério.

–Só mais alguns metros e chegamos, doutor. Aguenta firme.

–Essa cabana está em um lugar muito fechado, Harry. – comentou – Tem algum caminho que dê para a rodovia? Você sabe, caso eu tenha que voltar aqui de carro e não ter que enfrentar toda essa mata?

–Sim. – o homem moreno sorriu – Tem uma trilha atrás da cabana, não é muito usada e mais complicada pra chegar lá, tem muitas saídas, é fácil de se perder, mas com certeza dá. Ela é a mais próxima da rodovia. Quando Joe construiu aqui todo aquele concreto ainda não existia, aqui parecia melhor sem a estrada e costumava ter mais veados por essa região, era um bom lugar para caçar.

–E muitas pessoas sabem dela?

–Não mais. – suspirou tirando um galho do caminho – A maioria dos rapazes morreram, fiquei mais de vinte anos sem vir aqui.

–E ninguém mais sabe desse lugar?

–Algumas pessoas sabem, os jovens gostavam de beber aqui, só que com a abertura do bar no centro abandonaram o lugar. Tom tinha uma sobrinha... – pensou – Vick. Ela trabalha no restaurante, pegava ela direto lá, sempre trazia os garotos da cidade pra cá. O senhor já deve ter percebido que aqui não tem muita diversão para a garotada.

–Essa moça é a que trabalha no restaurante da Sue? – perguntou como quem não quer nada.

Em uma ocasião a pouco tempo conheceu a moça, tinha ido até lá antes quando soube do parentesco dela com o falecido dono da cabana e ela tinha dito que não conhecia nada sobre aquele lugar e não sabia nada da sua existência. Várias vezes teve a sorte de flagra-la com seu principal suspeito.

–Sim senhor. Ela é uma mulher muito bonita, ruiva, dos olhos verdes. Bem esbelta.

–É casada?

–Não. Ela tem um namorado meio que do mal encarado que aparece de vez em quando, os rapazes da cidade nem se metem com ela com medo dele.

–Como é esse namorado? Você já o viu?

–Uma vez há algum tempo. Ele é loiro e tem uma cicatriz no rosto. Se eu fosse você não se meteria com ela, aquela mulher parece atrair problemas.

–Nem pensei nisso, estou na cidade apenas pra escrever sobre sua história, acho importante haver registros sobre nossa população e quão diferente ela é, por isso vim até aqui.

–E nós ficamos orgulhosos em saber que nossa pequena cidade vai ser escrita em um livro, nunca acontece nada em Forks, quem sabe isso não a movimente mais, traga mais turismo.

–Faremos o possível. Victória, ela tem filhos?

–Não. – riu como se ele tivesse feito uma piada – O corpo dela é bonito demais pra estragar com uma criança. Palavras dela.

–Sei.

Para encerrar o assunto o homem parou apontando para a cabana velha, ainda se surpreendia quando via aquele lugar, era impressionante a semelhança com o desenho, parecia que a pessoa que a desenhou tinha a visto nos seus melhores dias, hoje ela estava com mais mato em volta e a madeira parecia mais frágil e mesmo assim parecia bem cuidada.

Sem se conter caminhou até ela e entrou forçando a porta frágil que fez um barulho horrendo quando a abriu, parecia que ia cair a qualquer momento, o espaço era de dois cômodos pequenos, o que um dia era uma pequena cozinha e conservava a lareira e um fogão de ferro a lenha. E um quarto, já sem porta com um colchão velho e coberto de lama. Parecia um tanto mórbido e confuso, como um filme antigo de terror.

De fechasse os olhos conseguiria imaginar aquela cena em preto e branco, como em um filme de Hitchcock, poderia sentir claramente o terror que davam ao pisar ali. Era uma sensação angustiante.

Passou a mão pela parede que levava até o quarto e tentou imaginar uma criança de quatro anos, ferida e com medo presa ali.

Seu pai era policial e sempre ressaltava que uma cena do crime não fala com o detetive e sim grita, bastava que tivesse tempo e disposição para analisar. Naquele momento ele escutava claramente o que ela queria lhe dizer.

Um lugar isolado, sem comunicação com o mundo exterior era perfeito para se manter uma vítima de sequestro, mas mesmo assim, um tanto confuso para se manter uma criança indefesa que não apresentaria uma ameaça nem se quisesse. Alguma coisa estava terrivelmente errada com aquela situação, um ponto desconexo em suas descobertas.

Normalmente tinha um sexto sentido para locais perigosos que foi aperfeiçoado depois de anos de treinamento pesado em locais de alto risco, fotografou o interior do lugar para fazer seu dossiê e parou no meio olhando para o teto esburacado e depois para as tábuas de madeira no chão.

Uma delas estava solta e fazia um barulho horrível quando pisava nela, soltou um sorriso de escarnio lembrando-se de um caso da sua época de aspirante, um rapaz sequestrado tinha deixado pistas escondendo alguns objetos pessoais embaixo da tabua e isso ajudou a encontra-lo posteriormente.

Estava curioso e ansioso com o que poderia ter ali, puxou a madeira revelando a palha e muito musgo que tinha por baixo, não existia nada mais, deveria ter racionalizado que uma criança não seria tão esperta assim para pensar em esconder algo, estava quase desistindo quando viu uma pequena correntinha de metal brilhar. A pegou notando que o tempo não tinha a danificado estava apenas um pouco suja de barro. Ela era pequena de prata e tinha um pingente oval totalmente coberto de musgo e lama.

Limpou o objeto sem pressa sabendo que ele poderia ter algum significado importante e soltou um arquejo surpreso, aquilo não era possível, tudo fazia sentido agora. Precisava entrar em contato com o Cullen o mais rapidamente possível.

Tinha matado dois coelhos em uma única cajadada e mal podia esperar para apresentar suas descobertas.

Notas finais
Olá amores, Demorei, mas voltei. Bônus curtinho só para mostrar que estamos chegando ao ponto dos esclarecimentos e os próximos capítulos já vão mostrar isso por si só. Espero que tenham gostado. Beijos