O Que Está Além de um Olhar...
29 Capítulo 29
— Lívia você vai voltar com o Roger. — Rodrigo abordou a irmã, visivelmente sob o efeito da vertigem que o atingia.
— Vou porque, ué vocês já vão. — a morena perguntou, em dúvida do que poderia significar a apatia evidente do irmão. Uma discussão com Luciana, talvez, seria esse o problema do jeito destemperado do irmão mais velho. Mudo, Rodrigo não se deteve a mais questionamentos, apenas esperou a resposta da garota.
— É, vou sim, mais porque vocês não esperam a gente. — Lívia explicou pausadamente, mas estava mais entretida em esperar qual seria a próxima reação de Rodrigo.
— Tudo bem então, tchau gente, vê se não vão demorar. — ressaltou o garoto, só querendo sair logo dali, a pressa era o que dominava seus sentidos.
— Qual foi Digo, vai sair mais cedo pra ficar namorando a Luciana por aí, e fica pegando no pé da tua irmã. — Roger quis que o comentário soasse tão somente como uma brincadeira, porém Rodrigo não parecia estar em um bom dia para levar com classe tais observações.
— Beleza Roger, só depois você se explica pro papai, ou depois só o que você sabe fazer, é ficar cheio de medinho dele. — disparou Rodrigo, mal se preocupando quais seriam as conclusões tiradas pelo grande amigo. — Bom é, tchau pra vocês, Lu vou tirando o carro. — disse Rodrigo antes de dar as costas.
— Lu que foi, vocês brigaram. — Lívia não entendeu tenta agressividade do irmão, questionando a moça, confusa.
— Não, ai Lívia depois a gente se fala, tchau pra vocês. — Lu achou melhor ir logo atrás de Rodrigo, que parecia mesmo descompensado.
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— Digo, tá tudo bem... — Luciana chamou pelo rapaz, logo que o viu parar o carro em frente a sua casa e desligar o motor. Rodrigo parecia estar pensativo além do normal, o que só podia fazer com que Luciana percebesse que havia algo bastante errado acontecendo.
— Acho que sim. — respondeu o garoto extremamente indeciso, só não queria preocupar mais ninguém com seus devaneios, por mais que Lu fosse uma ótima ouvinte e conselheira.
— Entendi. — a morena suspirou pouco convencida, no fundo pressentia que o rapaz estava tentando esconder algo, e algo que o incomodava bastante. — Foi por causa daquele cara, que você ficou desse jeito. — a moça foi extremamente direta e o confrontou sem rodeios. Só queria ajuda-lo... E vê-lo tão angustiado estava a deixando nervosa também.
— Cara fala do meu irmão como se, sei lá estivesse debochando de algo, todo audacioso, estranho... — Rodrigo admite, não escondendo a irritação por trás do que falava, algo na figura do recém conhecido lhe perturbava abruptamente, sem que ele pudesse evitar.
— Quem sabe eles não eram amigos. — Luciana supôs, procurando por justificativas.
— Acho pouco difícil que o João seria amigo de um tipo exibido daqueles, meu irmão era simples, não tem nada a ver. — ele continuou cismado.
— Ás vezes pode acontecer, da gente se dar muito bem com alguém que não tem muito de nós. — afirma Luciana, não vendo tanta estranheza assim, talvez fosse só implicância do namorado.
— É, pode ser. — Rodrigo ensaiou concordar, mesmo que as palavras da garota não tivessem feito ele, mudar nem um pouco suas opiniões e desconfianças.
— Então que tal a gente aproveitar o pouquinho da noite que nos sobrou hein, esquece isso vai, fica preocupado não, por favor. — Lu pediu com um sorriso leve, procurando acalmá-lo.
— Por você, eu faço qualquer coisa, até correr o risco de ganhar uma surra, se seu Jorge descobre a gente aqui. — brincou o rapaz, tentando distrair seus maus pensamentos.
— Ele já deve ter ido dormir isso sim, e no sofá me esperando com certeza. — riu Luciana ao imaginar a cena.
— Então bora aproveitar. — sorriu ele logo a beijando.
Na segunda-feira...
— Gente e o aniversariante, que gato era aquele. — Camila comentava sem cerimonia, dentre algumas amigas no pátio.
— Achei que você tivesse namorado Camila. — Vera meio carrancuda por não ter ido à festa, alfinetou um pouco áspera o comentário da garota. Pelo jeito este era o assunto em comum em quase todas as rodinhas de amigos espelhadas pelo pátio do colégio, a grande e badalada festa e a beleza e simpatia do anfitrião.
— Tenho, e deus sabe o quanto eu amo o Henrique mais eu não sou cega, né gente. — Camila se defendeu com bom humor, não ligando muito para as grosserias da outra menina. — Diz aí se você não concorda Lívia. — a loirinha pediu apoio.
— Talvez. — Lívia manteve o mistério entre sorrisos, olhando para o longe.
— Bom dia meninas. — Luciana entrou pelo portão vindo rapidamente até as garotas, às cumprimentando animada.
— Você concorda, não é Lu. — Lívia brincou com a futura cunhada.
— O que aconteceu. — Luciana olhou para às três, estarrecida. Havia perdido a hora naquela manhã e seu único foco foi rezar para não chegar tão atrasada a ponto de perder a primeira aula.
— Que o Samurai é um gato. — Lívia riu atrevida.
— Sei lá gente e eu ia reparar pra que. — Luciana respondeu indiferente, perante ao assunto. Realmente não havia se quer se dado ao trabalho de decorar a fisionomia do desconhecido, quem dera reparar em algo mais pertinente.
— Virou puritana agora Luciana, aposto que o Rodrigo continua reparando nas outras garotas. — Vera soltou enojada com o assunto.
— Ao contrário Vera, nunca fui, quanto ao Rodrigo ele pode até reparar, mas quem está com ele encoleirado sou eu. — Luciana não costumava entrar em atrito com alguém para perder, e Vera nem deveria ter tentado competir neste quesito com ela. — Não fiquei reparando no Samurai não, não tenho porque, também não sou o tipo de pessoa que fica ostentando aquilo que eu nem quero ter, meninas eu vou terminar o dever tá, no intervalo nos falamos ,boa aula pra vocês. — Luciana achou melhor e mais sensato cuidar de suas tarefas escolares, do que ficar ali discutindo a vida de um estranho, ou pior ficar aturando a mal humor de Vera que andava muito estranha.
— Luciana também o grossa hein, não pode nem brincar. — Vera suspirou contrariada.
— Você pediu Vera, e depois até parece que você não conhece a Lu. — Lívia quis ser branda.
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— E aí conseguiu avisar teu pai. — questionou Rodrigo, parando próximo a porta do apartamento da família, sendo acompanhado por Luciana. Como as aulas do terceiro ano haviam acabado mais cedo, o rapaz acabou convidando a garota para almoçar com ele em sua casa, para que os dois pudessem passar a tarde realizando um trabalho de geografia para o dia seguinte.
— Aham, deu certo sim. — Lu concordou guardando o celular no bolso de sua calça.
Porém, as surpresas da manhã não acabariam por ali, ao abrir a porta de sua casa, Rodrigo foi logo se deparando com uma cena inusitada e um tanto curiosa, que ele jamais esperaria, o estranho misterioso, Samurai, estava no sofá de sua sala juntamente com Ciça, que parecia lhe fazer total companhia.
— Porque esse cara está aqui Ciça, posso saber. — Rodrigo nem se preocupou com comprimentos, apenas quis sanar suas dúvidas ligeiramente, encarando Ciça com astucia, que ficou em estado de choque ao não esperar tal encontro.
Continua...
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