— Você podia dormir lá em casa depois da festa. – Rodrigo sugeriu encarando a namorada com um largo sorriso.

— Que festa Rodrigo. – Lu o interceptou entre um olhar abrupto e confuso, revirou os olhos logo depois, perante a face de deboche expressada pelo amado no outro segundo, observando também ele fitando minunciosamente a barra de chocolate pela metade em sua mão. Na certa, Rodrigo se questionava pelo óbvio, o que sempre jogava em sua cara com muita implicância, como ela poderia comer tanto e ser tão magra. De fato a aula de química estava uma chatice e ela esperava insaciável pelo horário de intervalo, e nem mesmo estava prestando atenção em absolutamente nada que o namorado falava, apenas em seu chocolate.

— A do tal amigo do Roger, você vai comigo não é. – Rodrigo repetiu a indagação com plena calma, disfarçando seus pensamentos e deixando no lugar apenas a seriedade. Tudo bem que não estava muito a fim de ir em tal evento, mas se Luciana estivesse disposta a ir com ele, quem sabe não fosse uma coisa tão insuportável assim.

— Ah sei, a tal que a Lívia estava enfurecidíssima, porque teus pais não queriam que ela fosse. – Lu se recordou de como a amiga tinha lhe alugado de maneira insistente no dia anterior, á respeito dos argumentos tortos e arcaicos dos pais, para não lhe deixar ir com o namorado em tal evento.

— Essa mesmo, não sei por que o cara convidou todo mundo, mais... – confirmou Rodrigo, não sabendo por que se sentia com uma sensação interna tão arredia com relação ao fato, era algo internamente dentro de si que ele não conseguia entender.

— Vai ver o cara quer badalação né. – a morena disse supondo, não era muito sua “praia”, mas com certeza algumas pessoas não pensavam da mesma forma, adoravam se exibir e encher a casa em aniversários grandiosos e com um amontoado de pessoas. A impressão de se ser popular e cercado de amigos era algo que fazia muito bem para o ego de algumas pessoas.

—É, vai ver é isso mesmo, sei lá ele disse que era muito amigo do João, só que eu nunca vi falar desse cara. – Rodrigo continuou com seu sinal de alerta lhe corroendo.

— Digo, teu irmão tinha uma banda, natural que tivesse muitos amigos. – Lu não achou nada de mais.

— Pior, de nós dois eu que sempre fui o bicho do mato, contava meus amigos nos dedos, e alguns de anos, já ele conhecia alguém hoje e já era tipo amizade de toda vida, ele sempre foi mais comunicativo do que eu. – Rodrigo concordou lembrando com melancolia da personalidade extrovertida do irmão mais velho.

— Então. – Lu sorriu fazendo um carinho no rosto dele a apoia-lo ao sentir uma ponta de tristeza no rapaz, devido a memórias felizes e ao mesmo tempo dolorosas.

— Você vai comigo não é. — perguntou novamente ele.

— Pode até ser, o difícil mesmo vai ser convencer seu Jorge disso. – Luciana fala já rindo ao imaginar a cara do pai quando ouvisse o convite.

— Ah não Lu, bom também sem você já nem vou. – Rodrigo se frustrou um pouco afirmando o que já estava decido para ele.

— Ai mesmo deus como ele tá grudando. – Lu debochou irônica. – Ah gente não nasceu grudado não tá, e depois deus me livre ter que ficar regulando teus passes te proibindo de ir ali, aqui... – Tenho vocação e nem paciência Rodrigo... – disse ela ficando extremamente impaciente somente de imaginar tal cena.

— Nossa mais ela confia demais nela gente, toda poderosa a menina. – Rodrigo alfinetou toda desdém da moça.

— Han talvez graças a deus, vai dizer que preferia ao contrário por acaso. – Luciana bufou pesado diante da risada.

— Não, de modo algum, te amo exatamente assim menina. – Rodrigo respondeu com sorrisos contentes arrastando o corpo para perto dela no banco. – Mais vem cá vai dividir esse chocolate aí, ou vai mesmo roer tudo sozinha. – afirma ele todo alegre.

— Ué pensei que a Flávia tua parceira de treino só te liberava pra comer legume, e ainda por cima muito cru, pra não perder as vitaminas, proteínas, não... – Rodrigo olhou para o céu, que por sinal estava sem nenhuma nuvem, meio que evitando lhe dar outra resposta que pudesse sair salgada para ele depois. – E depois se você quer tanto um chocolate, compra lá na cantina, deve ter aos montes. — a menina não se dobrou, só com o intuito de atiça-lo ainda mais.

— Egoísta, magricela. – Rodrigo disparou contra ela rapidamente, junto a um beijo que vinha em um rompante também.

— Pode ofender, eu ainda te amo, mais não testa muito não tá, porque pode ficar feio pro teu lado. – Lu brincou enquanto sorria após separar o beijo empolgado dos dois.

— Também te amo muito, muito... – respondeu ele imediatamente a envolvendo entre abraços e beijos carinhosos em seguida.