O Que Está Além de um Olhar...
13 Capítulo 13
Notas iniciais
— Bom dia. — Luciana sentou na mesa com os pais para tomar café.
— Eu to dizendo Sueli, olha aí. — Jorge disse olhando fixamente para a filha.
— Do que, vocês tão falando. — Luciana puxa a xícara do centro da mesa, bocejando sonolenta.
— Perdeu a hora porque chegou quase noite ontem e aquele menino o Rodrigo tava com ela, eu bem vi da janela os dois de risinho lá fora. — Jorge explicou fazendo uma cara divertida.
— Pai, você tava me espionando. — Lu fitou o homem confusa, e o questionou ofendida. — Agora deu pra isso. — ela cobra.
— Não, mais eu como o bode velho da casa, tenho que zelar pela integridade da minha cabritinha. — Jorge respondeu cheio de bom humor.
— Ai coisa ridícula pai. — Lu reclamou, enquanto a mãe ria dos dois.
— O que, aconteceu alguma coisa filha pra você chegar aqui com o Rodrigo. — Sueli perguntou curiosamente.
— Até parece que você não entendeu Sueli. — Jorge continuou a rir e implicar com a filha.
— Mãe até você. — Luciana se chateou, espalmando as mãos sob a mesa apribrupta. — Uh Rodrigo só veio aqui comigo e nada mais, estão satisfeitos agora. — ela diz meio irônica. — O que deu ruim mesmo, foi lá no colégio, já tem uma galera sabendo dessa história deu tomar coquetel. — ela revelou.
— Sério filha. — Jorge preocupou-se fechando a cara.
— Quem sabe eu e seu pai vamos lá conversar com o Menelau hein filha. — sugeriu a mãe.
— Deixa mãe, eu sei me virar, tá tudo certo, eu vou sobreviver a mais essa. — garantiu Lu, sorrindo terna. — Mais agora eu vou indo ou não chego no colégio hoje, beijo. — ela se despediu se erguendo da cadeira com pressa.
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— Bom dia, bom dia família linda que eu amo. — Rodrigo driblou o sono, chegando com animação na mesa do café.
— Ai Rodrigo você quando acorda de bom humor, é pior do que quando acorda insuportável. — Lívia responde querendo muito não precisar ter levantado para ir pra escola naquela manhã.
— Ih mãe botou pouca canela no leitinho que você deu pra ela ontem, não curou o mau humor. — debocha o irmão.
— Aff Digo, não enche. — Lívia resmungou.
— Vão parar com a briga ou não. — Miguel pediu rindo dos filhos.
— O Ruben tava te ligando ontem. — Lívia informou, mal conseguindo tomar seu café de tanto sono.
— Ele devia querer saber porque eu não fui treinar. — pensou Rodrigo.
— E porque você não foi. — Lívia indagou curiosa.
— É Rodrigo. — Ana também ficou curiosa, pelo semblante pensativo do rapaz.
— Mais que, vocês tão muito curiosas não. — Rodrigo afirmou com um sorriso travesso.
— Hum mais deixa eu ver, o sumiço do Rodrigo tem a ver com... — Com hum, Luciana. — Lívia disse brincalhona.
— Aí tu anda me espionando é. — Rodrigo rebateu não confirmando.
— Não, mais o Roger me disse que você não ficou pra ver a aula e nem a Lu, então nesse caso um mais um, é igual a ludrigo. — zoou ela se explicando.
— Nem precisa minha filha, é só olhar pra cara de bobão do seu irmão, tá escrito e desenhado ali na testa dele. — Ana brincou, Rodrigo se ateve a ficar mudo fazendo uma careta.
— Só quero ver se fosse eu que passasse a tarde fora sem dizer nem onde estava com o Roger. — Lívia alfineta.
— Ih pode parar que a gente só ficou conversando. — Rodrigo falou tomando rápido seu café.
— Ahan sei entre um beijo, um beijinho e um beijão. — Lívia zombou risonha.
— Hahaha bonitinha. — retrucou ele irônico. — Vamos logo pra aula, ou você vai passar a manhã enrolando nessa xícara de café. — Rodrigo convidou a irmã.
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Tudo na teoria é muito mais fácil do que na prática, Lu nunca teve tanta certeza da veracidade de tal frase, até ultrapassar os portões do Leal Brasil e notar diversos olhares atentos em cima dela, sem falar nos cochichos entre dois ou três alunos que eram sempre seguidos de risadinhas maldosas e até provocantes, que eram sempre regados de olhares altivos e atrevidos que vez ou outra vinham em sua direção. A morena preferiu não visualizar nada mais minuciosa, rumar a entrada para o corredor em busca da sala do terceiro ano, era o melhor e mais sensato a ser feito. Enquanto caminhava atenta apenas ao seu caminhar de alguém que não estava disposta a cair por pouco e estava mais tendenciada a mandar todo o resto para o quinto dos infernos, ou que eles fossem se danar bem longe dela, Luciana nota Glauco e Alina vindo na direção contrária a sua.
— Oi Lu. — Glauco parou de caminhar e sorri com simpatia para ela.
— Oi, bom dia Glauco. — Luciana respondeu como se fosse só um dia normal.
— Olha Luciana. — Alina chamou pela suposta rival, gesticulando não sabendo muito como aborda-la. Luciana pensou que ouviria algo que desceria atravessado para ela, e elevou as sobrancelhas meio irônica. — Eu não sei direito o que aconteceu aí nessa história que tão falando de você, mais eu queria que você soubesse que eu vou defender qualquer uma que for te ofender por isso. — declarou Alina com segurança.
— O que. — Glauco acho que havia tido uma pura alucinação, justo Alina estava se dirigindo cordialmente a Luciana, só podia haver algo de muito errado ali.
— É isso mesmo, é um assunto muito sério pra se ficar brincando com isso. — Alina reforça taxativa, encarando Glauco com total serenidade.
— O que uma notícia bombástica não faz né Alina. — Luciana respira calmamente. — Mais obrigada, de qualquer forma. — a gata foi obrigada a reconhecer a atitude da loira.
A sala de aula já estava praticamente cheia quando Luciana foi entrando, alguns alunos pareceram se calar para encara-la se deslocando, em parte um silêncio ensurdecedor foi tomando conta do local, algumas meninas do terceiro ano conversavam animadas quase que no fundo da sala e Lu supôs que só poderiam falar dela, pois Dani estava também no bolinho do buchicho. Ela estava jogada aos leões, pensou Luciana enquanto rumava sua mesa no canto da parede, nem muito na frente e nem muito atrás da sala, ou talvez aos búfalos, imagina ela com mais precisão, já que caso Dani viesse com gracinhas justo naquele dia, Luciana viraria uma leoa pronta para despedaçar a ruiva, que já estava lhe dando nos nervos. E sim, de fato a maioria das meninas de sua sala a detestavam, mais ela também as detestava mesmo, e ah algumas tinham um motivo evidente para isso, Rodrigo, ah Rodrigo que no segundo que Lu chegou para sentar em sua classe estava a encarando com um largo sorriso de bom dia, Luciana não evitou lembrar que o quase beijou na porta de sua casa na tarde anterior, mas parou de imediato quando julgou que a vontade poderia lhe atingir e definitivamente ali não era o lugar. Mais se fosse para provocá-las, nem que fosse uma mera lembrança, já tava um gostinho de vitória incrível.
— Oiii, bom dia. – Rodrigo tentava chamar atenção da morena que vinha se sentar, parecendo calada. — Tá né, bom dia. — Rodrigo falou meio irônico quando viu que ela nunca lhe respondia.
— Bom dia, tava só pensando alto, porque não pode. — Lu afirmou finalmente lhe respondendo com um sorriso leve, pondo a mochila em cima de sua classe e olhando novamente para o rapaz que ocupava o lugar atrás de si.
— Oi Lu. — Roger chegou sentando na classe da fileira ao lado da menina a cumprimentando alegre.
— Tudo bem Roger. — ela respondeu também simpática.
— Então gente vocês fizeram aqueles exercícios de química que valia dois pontos, tem um que eu bati cabeça e não consegui terminar por nada. — perguntou Roger tirando seus cadernos de dentro da mochila, Digo e Lu se entreolharam parecendo partilharem do mesmo espírito zombeteiro pra cima de Roger.
— Tá vendo como tu é Roger, só senta perto da gente quando tá aí cheio de interesse na matéria. — Rodrigo comenta atrevido, mais para implicar com o amigo mesmo. Luciana ri da cara nada satisfeita de do namorado de Lívia.
— Ah gente como vocês adoram uma pirraça, nunca vi. — Roger zombou também.
— Não, não, eu diria uma pitada de realismo. — Luciana rebate.
— Bom dia. — Vera chegou se acomodando em seu lugar.
— Oi Vera. — Luciana respondeu enquanto ainda ria de Roger. — Me diz o que você não entendeu, que te explico vai. — ela pediu a Roger.
— Tá vendo Rodrigo, tem gente que não é tão ingrato como você. — ele falou para o amigo em tom de drama.
— Hum vou te ajudar pela Lívia tá, ela não merece ter um namorado em recuperação depois. — brinca Lu, fazendo Rodrigo rir alto da cara perdida de Roger.
— É aquela número seis, também não consegui fazer. — Vera aborda também o assunto preocupada com as questões.
— Então te prepara porque os dois pelo visto querem cobrar pela explicação. — disse Roger alfinetando os amigos.
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— Olha Lu o Digo com esse cáo até vai, mais você também. — na hora do intervalo Lívia fazia questão de alfinetar Luciana, devido às afirmações de Rodrigo a cerca do encontro anterior dos dois. — Jura que não rolou nada, para né. — Lívia repetiu o que havia sido dito por Lu em extrema ironia e deboches.
— Não. — Lu confirmou mais uma vez até com cara de riso. — É, tá é sério, mais se você não quer acreditar, o que eu posso fazer. — a morena fita Lívia que continuava incrédula e acaba também caindo na risada.
— Tá bom, só vocês. — Lívia resmungou fazendo gesto de balançar a cabeça negativamente.
— Lívia olha pode até não parecer, mais quando eu e o Rodrigo, tentamos deixar as implicâncias de lado até que a gente se entende. — Luciana admitiu que os dois até que tinham gostos em comum, apesar das brigas frequentes.
— Ah saquei as provocações são só pra fins de beijo na boca mesmo. — Lívia continua implicando com toda ironia.
— Não. — Luciana negou apressada nem percebendo o exagero em seu tom de voz. — Não torce o que eu disse. — ela pondera séria. — Eu só disse que às vezes conversar com teu irmão, pode não ser perda de tempo, que ele pode ser um cara legal, só isso. — a moça afirmou divagando.
Rodrigo que caminhava até a irmã e as duas garotas, não pode deixar de sorrir contente quando escutou os comentários de Lu em relação a ele.
— Olha eu juro que eu ia adorar que você repetisse isso. – Rodrigo proferiu chegando mais perto, e abraçando Luciana por trás.
— Você sabia que ele tava aí né Lívia. – Luciana afirma constatando que a voz em seu ouvido era de Rodrigo, e porque justo naquele instante, se o rapaz estava com alguma sorte provavelmente ela estava sem nenhum resquício de sorte que fosse possível para impedir aquele momento, pensou confusa enquanto suspirava devagar.
— Olha juro que não, mas se eu soubesse tinha te zoado um pouquinho mais. – Lívia diz sorrindo olhando para os dois.
— Vai repete, por favor, só pra eu poder gravar, pra ficar registrado. – Rodrigo pediu cheio de sorrisos brincalhões enquanto olhava para Luciana.
— Não, eu até já esqueci. – Luciana fingiu desdém.
— A Luciana não seja mentirosa. – ele debocha ficando ainda mais próximo dela, descansando a cabeça em seu ombro, enquanto parava ao seu lado estendendo a mão por suas costas.
— Então Vera bora experimentar o suco de pêssego da cantina já me disseram que está ótimo. — Lívia convidou animada, mas no fundo só querendo deixar o irmão e Luciana a sós.
— Agora mesmo. — Vera concordou, querendo ser a última pessoa a servir de vela para aqueles dois.
— Hein gente, eu vou com vocês eu também queria... — Luciana ia dizendo, afastando a mão de Rodrigo de sua cintura, mas as duas garotas saíram tão apressadas que nem lhe ouviram, ou fizeram exatamente de propósito como Luciana julgou em sua mente enquanto bufou devagar, fazendo menção de segui-las também com pressa.
— Não, hann pode esperar. — Rodrigo foi mais rápido do que ela, e a impediu de sair a puxando pelo braço.
— O que, uma confirmação, hum pode esquecer. — Luciana desdenha virando para encará-lo, Rodrigo sorri apenas ignorando.
— To falando. — ele respondeu entre uma risada.
— O que garoto. — Lu não compreendeu o motivo da piada, e o olhou até com certo desprezo devido ao deboche, em meio a feição amarrada.
— Tudo com você têm que ser do jeito mais difícil. — Rodrigo exclama olhando diretamente para ela, que responde com um olhar de nem aí.
— Nunca te disseram que... — ela pausou como se estivesse procurando as palavras certas com um ar de mistério. — O que vem fácil, também vai do mesmo jeito. — concluiu as risadas irônicas.
— Ah é então nesse caso eu deveria comemorar porque já ganhei. — brinca ele se aproveitando da situação.
— Ou pior, deveria mesmo parar de insistir. — Luciana provoca se aproximando dele, mas afastando-se em seguida. Rodrigo apenas faz uma cara de decepcionado.
— Eu sou mais que você. — solta Rodrigo, deixando ela a encara-lo perdida.
— O que. — Lu muda de expressão o olhando séria.
— Teimoso, eu sou muito mais. — ele justifica com um sorriso convencido.
— Vai apostar. — a garota debocha.
— Com certeza. — Rodrigo respondeu se perdendo apenas em olhar para ela.
— Rodrigo. — Flávia surgiu o gritando, não muito satisfeita hora por seu atraso em aparecer no ginásio para treinar, hora porque o motivo de sua perda de tempo era exatamente Luciana. A loira continua encarando os dois de onde estava nada contente.
— Tua carcereira tá te procurando. — Luciana fez piada zombando dele, principalmente depois que Rodrigo revira os olhos nada amigável e paciente por ouvir a voz da garota autoritária atrás de si.
— Vai rindo. — Rodrigo respondeu pra Luciana que ria contida dele.
— Não, eu não vou ver nada, já você vai apanhar bastante dela pelo jeito. — Luciana diz tirando o rosto de leve da frente de Rodrigo e fitando Flávia que parecia irada por ele ainda nem ter se mexido. — Ela tem cara de vingativa, sabia. — fala Luciana em seu ouvido disfarçando só pra provocá-lo ainda mais.
— Mais que você, impossível. — resmunga ele, insatisfeito.
— Como você é sem graça hein. — Luciana esbraveja com a face sisuda, o vendo virar o “JOGO” novamente, cruzando os braços a encará-lo.
— Ciumenta. — provoca ele ao sussurrar no ouvido dela, que bufa descontente. — Ih olha ali que estranho. — Rodrigo afirmou em tom de susto, querendo apenas tirar a atenção dela.
— Como assim. — Luciana virou o rosto para o lado achando mesmo que fosse sério.
— Pronto um a zero. — Rodrigo proferiu com um sorriso todo alegre, roubando um selinho dela, que nem percebe sua intenção.
— Rodrigo. — Luciana grunhiu em protesto, o olhando com descrença. — Idiotice. — acusa ela bufando, mas não conseguindo manter por muito tempo seu semblante enfurecido.
— Viu, eu sou bem mais teimoso que você. — declarou ele. — Dois a zero. — Rodrigo afirmou repetindo o gesto de beija-la, que nem desconfiou.
— Você é um sem graça. — repetiu Lu em um tom indignado. – E quer saber... – a garota iniciou um xingamento, mas foi totalmente ignorada.
— Tchau fui, eu tenho que ir Rubem tá me esperando. — ele explica saindo apressado, nem esperando Luciana ensaiar uma frase para repreendê-lo. Só restando a Lu dar risada enquanto o vê sumir apressado pelo corredor, a essa altura Flávia já havia ido embora com ar de ódio por ver a troca de provocações dos dois, que era também cheia de segundas intenções.
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— Suco de pêssego, cara que amigas vocês, correram pra cá e me deixaram lá plantada com o Rodrigo. — Luciana já ia reclamando quando chegava a uma mesa da cantina e via as duas amigas, sentadas com um copo em frente. Lívia e Vera riram de toda indignação dela.
— Eu tenho certeza que você faria o mesmo por nós. — Lívia brinca as gargalhadas.
— Ah óbvio. — Lu banca a irônica se sentando junto com as duas. — Afinal eu deveria agradecer as duas, porque não é todo dia que uma sem sal como eu, tem um gato lindo como o Rodrigo me dando moral, aff só vocês. — Luciana continuava a reclamar nada contente.
— A parte do gato, foi você quem disse hein. — irmã do rapaz provoca risonha.
— O que não significa que eu concorde, foi só uma falácia. — Luciana se defende contornando. — Me dá esse suco aqui, quero ver se vale tanto a pena assim. — ela diz com um sorriso travesso, tirando o copo da mão de Vera.
— Tanto quanto o Rodrigo. — solta Lívia já com cara de quem sabia que Luciana não aprovaria em nada sua provocação. — Brincadeirinha. — tenta ela contornar, quando nota a face sisuda se Lu a olhando.
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— Ah Lu admiti o suco era o melhor. — Lívia diz conversando na porta da sala de aula com a menina.
— Para, tá ficando chato. — pede Luciana fingindo estar brava, já sabia décor o que viria depois daquela frase .
— Dá pra me dar licença. — Dani pede chegando à entrada da sala de aula com mais duas alunas.
— Passa, tem meia saída, ainda tem espaço. — Lívia afirmou não gostando do tom de voz da garota.
— Sabe que é Lívia, eu não to afim de ficar doente encostando em certas pessoas. — Dani provoca olhando fixamente para Luciana que entende o recado.
— Qual foi Dani, o que você tá querendo. — Luciana a confronta se estressando com a atitude da garota.
— Nada não, não sou eu que ando pegando doença. — a outra alfineta sem se intimidar.
— E antes de você ficar dizendo isso por aí, você devia de se informar melhor. — Luciana ruboriza já quase avançando em cima da ruiva, já estava ficando insustentável aguentar aquilo.
— Lu deixa ela pra lá. — Lívia procurou acalmar os ânimos da amiga.
— Lívia não se mete, por favor. — pediu Luciana não querendo complicar a menina.
— Até porque ninguém te chamou. — Dani retrucou.
— Epa, epa, o que tá havendo aqui. — Rodrigo questionou chegando para entrar na sala.
— Nada né Luciana. — Lívia induziu a morena a parar com a discussão.
— Por enquanto talvez. — Luciana rebateu dando um passe atrás.
— Eu vou pra minha sala tá. — Lívia informou.
— Pode ir tranquila Lívia. — Luciana garantiu, a Dani saiu para dentro da sala com cara de poucos amigos.
— Você tá bem. — Rodrigo indagou receoso.
— To sim. — respondeu Luciana tentando a voltar a calma.
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— Tchau, tchau Vera. — Luciana se despedia da amiga no portão, após o final das aulas.
— Oi Luciana. — Henrique surgiu atrás da menina com uma cara meio tensa.
— Oi. — Lu respondeu de volta um pouco apreensiva.
— Então tá todo mundo implicando com você por conta dessa história né. — ele disse meio constrangido pelos problemas causados a Luciana.
— Eu vou ficar bem. — garantiu Luciana.
— Lu isso não é justo sabe, você pagar por um problema que eu te causei. — Henrique afirmou se martirizado.
— Henrique eu to bem, olha é sério. — Luciana tenta ainda argumentar com ele.
— Eu vou contar tudo tá, vou falar a verdade, sobre como você pode ter se contaminado, não é justo o que muita gente tá falando de você, eu vou contar tudo. — Henrique afirmou decidido, deixando Luciana com a expressão perplexa.
— Você não precisa fazer isso é sério, eu vou lidar com isso. — Lu alegou preocupada com seus planos.
— Eu já me decidi Luciana, quem sabe isso não seja também uma forma deu me libertar disso tudo. — ele afirmou resignado a cumprir sua decisão até o fim.
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— Ué você não disse que iria correr pra casa. — Rodrigo se surpreendeu ainda encontrando Luciana próxima ao portão.
— É, é a gente perde a pressa né, só uma coisa pior acontecer. — ela diz visivelmente chateada.
— Que que se tem. — Rodrigo indagou confuso.
— O Henrique, acabou de sair daqui falando que contaria tudo que aconteceu. — Luciana contou assustada com as ideias de Henrique. — Não sei por que, mais isso tá me preocupando. — ela confessa tensa.
— Lu olha, pode até ser que você esteja certa, mais também quem sabe isso não faça bem pra ele, viver com uma mentira dessas também não deve fazer bem pra ninguém. — Rodrigo tentou ver o lado positivo.
— Não sei não, ver todo mundo te olhando torto é um preço muito alto a se pagar. — afirma Luciana não muito convicta.
— Hei não tem porque você se culpar. — Rodrigo argumentava erguendo o queixo dela.
— Sei lá Rodrigo, sei lá. — pronunciou ela perdida nas próprias dúvidas.
— Acho que. — dizia o rapaz se distraindo em encará-la. — O melhor é você, ficar calma ih... — Bom no final tudo se ajeita. — aconselha ele.
— Será. — balbuciou ela duvidando com a voz nervosa, se perdendo em olhares com Rodrigo.
— Acho. — Rodrigo responde, apenas sendo conduzido pelo impulso de beijá-la.
— Oie, quantas vezes já disse que beijinho no colégio não. — Idel acabou flagrando os dois no portão em clima de romance e foi já interrompendo.
— Claro Idel, claríssimo. — Luciana foi rindo do jeito frustrado com que Rodrigo foi se afastando.
— Ah bom. — o inspetor abriu um sorriso simpático quebrando o clima de bronca.
— Deixa eu te perguntar uma coisa aqui Idel, juro que não é pessoal. — Rodrigo fala sorrindo brincalhão.
— Fala seu Rodrigo. — Idelfonso faz graça.
— Com tanto casal nesse colégio, como que você consegue interromper sempre a gente que nem um casal é. — ele indaga meio decepcionado.
— Rodrigo. — Luciana ria desesperada da situação.
— Ah não são, eu devo estar me confundindo então, alucinação, confusão mental né meu filho. — Idel troca ironias bem humorado com o garoto.
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— Ah Vera, você pode ficar até mais tarde amanhã pra gente fazer aquele trabalho de física, você é minha dupla né. – Luciana dizendo olhando para a folha de seu caderno onde havia anotado algo a respeito. Quando conversava com a amiga na casa de Lívia, depois dela lhe insistir horrores em suplica por uma visita no final da tarde, e Lu se viu praticamente obrigada a aceitar, talvez não estivesse com cabeça para ficar em casa pensando somente em seus devaneios.
— Amanhã, pode ser depois Lu. – argumenta ela com a face contendo um pouco de dúvida. — Não é que amanha não dá, a gente pode marcar pra depois. – sugeriu a garota.
— Ué Vera o que você tem de tão urgente pra fazer que o trabalho de física, não é importante, vai pegar alguém atrás do ginásio é isso. – Lu brinca com a menina, não entendendo sua renuncia, já que nem era de seu feitio.
— Hahaha essa Lu. – Lívia até pensou em defender a garota, mas sua vontade de achar graça se fez mais forte.
— Ai Luciana. – Vera protesta sorrindo um pouco tímida.
— Gente calmem, foi só uma brincadeira sem maldade. – Luciana achou melhor se redimir, antes que alguém ficasse chateada com ela.
— Ah atá. – Vera retruca ainda um pouco sem graça.
— É muito fácil deixar vocês com vergonha, apenas isso. – ela contorna se desculpando.
— Ah e você não, aff Lu, você é a mais velha, e também a mais boba. – Lívia rebate querendo se defender, ainda rindo.
— Nossa, sai machucada não. – Luciana imagina, fechando o livro que foleava. – Mais relaxem tá, que vergonha é uma coisa que dá e passa, e eu sei bem por experiência própria. -
— É mais a gente nunca consegue te deixar com vergonha, isso não vale. – Vera afirma.
— Ah que legal. – Luciana tenta defender-se.
— Não legal mesmo, foi o Digo te pegando no pulo hoje lá na escola na hora do intervalo. – Lívia solta quando vê Ana entrando na sala.
— Hahaha Lívia. – Luciana gargalhava alto do comentário da amiga. – Você falando assim, até dá pra pensar que eu tava era traindo teu irmão com outro, como se ele fosse meu namorado, e pra começar o argumento nem namorado a gente é. – ela se explica um tanto quanto insatisfeita.
— Não vocês realmente não são, só ficam juntos dia sim, aí dia não, aí depois, dia sim de novo... – Lívia fala fingindo estar pensativa com a situação, enquanto vê Lu manear a cabeça negativamente.
— Nossa falando assim, realmente dá pra tua mãe pensar que e só uma pirigueti. – Luciana diz revirando os olhos, nada paciente, vendo Ana prestar atenção na falação sem nenhum nexo delas, Vera e Lívia dão gargalhadas da cara de Luciana.
— Ai meninas. – Ana responde só podendo achar graça.
— Não é pior, vocês gostam de enrolar e de uma sofrência, o casal pra drama eu hein. – Lívia continua a discursar.
— Eu acho mais, acho que a Lívia é que quer a todo custo ser tua cunhada Luciana, aí quer bancar o cupido da relação. – Ana intervém.
— E pena que a Luciana é cabeça dura demais pra se deixar influenciar afff. – Lívia resmunga.
— Tá esqueci Lívia a gente tem 12 anos e você tá querendo muito me empurrar pro carinha que você acha um espetáculo. – Lu ironiza gesticulando. – Olha sempre achei isso triste, e fora que nem com essa idade eu fui influenciada por esse tipo de ajuda. – Lu rebate rindo. – Pra falar a verdade isso é, bizarro demais não é, parece que a amiga que quer o cara a todo custo. – ela repensa.
— Ah vai Lu, mais também tem adendo é o Rodrigo, tecnicamente você sabe que vale a pena, até porque você já fez alguns testes driver. – Lívia continua cheia de si.
— Tá bom, agora eu fiquei mesmo roxa de vergonha. – Luciana supõe preferindo ficar calada.
— Ah jura, deixa eu registrar. Lívia gargalhou sem parar de rir da cara de espanto da amiga, vindo apanhar o celular para tirar uma foto.
— Não, vem não. – Luciana riu, jogando todo o cabelo da franja para o rosto, que a essa altura estava fazendo com que ela realmente ficasse com calor, pois se viu envergonhada de fato.
— Meninas dando um tempo das brincadeiras, e essa história lá do menino, do Henrique hein. – Anita indagou, um tanto curiosa com bafafá que rolava solta no colégio, ainda mais depois do que Lívia havia lhe dito no almoço.
— É nem me fala Ana, do bem preocupada com ele, se o Henrique for mesmo contar pra geral, eu não sei como vai ser. – Luciana se recompõe realmente tensa com o que se passava. – Tentei mandar mensagem pra ele, mais ele não me retornou, deve tá me evitando sei lá. – imagina ela.
— Oie. – Rodrigo chegou entrando pela porta cumprimentando todos animadamente.
— Você sabe mais alguma coisa Digo. – Luciana atreveu-se a perguntar afoita, ao pensar que ele pudesse ter falado com Henrique.
— Do que. – Rodrigo perguntou de imediato se aproximando.
— Não Rodrigo, a Luciana não tava falando de você, e você não pegou ela no pulo de novo. – Lívia debochou da desatenção do irmão.
— Ai meu deus, mais ela cismou com isso impressionante, tá apegada. – Luciana esfregou as mãos no rosto rindo.
— Ela é possessiva né, que que eu posso fazer. – Rodrigo implica com a irmã.
— Se bobear ele até gravou. – Lívia não se abateu. – Eu nada vocês nem vem. – Lívia se desculpou com a face irônica, querendo os desmentir.
— Ah gravei mesmo, não é todo dia que eu te pego falando bem de mim, na maioria te vezes. – Rodrigo acaba a alfinetando que finge não ligar.
— Ah e eu só devo ter te pegado falando mal de mim, umas seiscentas vezes não. – Luciana provocou a altura levantando rapidamente.
— Talvez, mais umas cinquenta mil vezes que você na viu, eu tava falando bem mesmo. – o garoto tenta retratar-se sorrindo.
— Ai que tosco. – Luciana se estressa.
— O Henrique Rodrigo, ele foi lá no ensaio da banda. – Lívia tenta esquecer o resto.
— Então não, ele não apareceu e nem me ligou também. – Rodrigo responde meio pensativo.
— Ai que droga coitado do garoto gente. – Lívia também ficou em alerta.
— To preocupada de verdade com ele, pior é que a culpa é um pouco minha também. – Lucia avisa suspirando um pouco impaciente por não fazer nada para ajuda-lo.
— Foi um acidente Lu, você não tem porque se sentir culpada. – Rodrigo reforça. – Mais ele foi legal em ter te contado, e mais ainda por estar preocupado com tudo que isso gerou lá no colégio, poucas pessoas teriam a dignidade dele. – ele afirmou.
— Só o pessoal do colégio não vai pensar assim Rodrigo, você sabe que não. – Luciana rebate ainda preocupada.
— Será que vocês não tão de exagero, o Marquinhos não éop ultimo babaca da face da terra, mais também não é líder da turma, como se avessem milhares, sei lá. – Lívia aponta, querendo desfazer tanta preocupação.
— Ah Luciana tá certa Lívia, o Henrique vai ter que ser muito corajoso pra continuar com isso. – Rodrigo intervém não muito convencido.
— Não Lívia, pior é que não é exagero, só quem já pagou um mico naquele colégio sabe do que eu to falando, eles não perdoam. — Lu acrescentou em tom de extrema preocupação com Henrique.
— É realmente se alguém soubesse que eu inventei um trauma pro Roger sobre minha primeira vez, eu ia me achar uma anta. — disse Lívia séria constando que seria zoada por muitos. Lu e Rodrigo porém não se aguentaram com a lembrança da menina e começaram a rir.
— Falei que não ia dar certo né. — Lu nem notou que ria apoiada no ombro de Rodrigo.
— Também minha filha. — Ana ria junto com eles.
— Hahaha, tá bom parem de me zoar agora. — Lívia falou fazendo uma careta de puro espanto e ironia aos dois.
— Tá mais aqui. — Luciana não riu mais e se afasta de Rodrigo. — Até porque eu tenho que ir pra casa. — Luciana já pressentia que estava atrasada.
— Ah Lu fica mais. — Lívia disse com um olhar pidona, querendo que ela tivesse mais um pouco.
— Não dá Lívia mesmo, vou ter que ir, fiquei de ajudar meu pai com umas coisas, mais muito obrigada pela tarde pelo suco, enfim por tudo. — Luciana agradeceu a menina juntando seus livros e cadernos que estavam jogados sob a mesa.
— E pela aula de física né, ou se não tava ralada na prova de amanhã. — Lívia também disse grata.
— Você vem junto Vera. — perguntou ela.
— Acho que não Lu, é a Lívia tinha convidado a gente pra dormir aqui, acho que eu vou ficar com ela. — disse a menina.
— Hum então tá né, até fiquei depre agora, se eu fosse ciumenta então tava me roendo já. — falou Luciana fingindo chateação por não participar do programa.
— Ih tá mentindo. — Rodrigo interrompeu risonho, querendo provocar a morena.
— Mentira nada. — Lu provoca sorridente. — Eu não sou ciumenta mesmo tá, ou menos eu não tenho ciúmes daquilo que não é meu. — disparou ela olhando atenta para Rodrigo que apenas assentiu positivamente, demonstrando que entendia a colocação.
— Ahan acredito. — ele rebate sorrindo. — E ainda planta a dúvida. — Rodrigo ironizava brincalhão, seria perguntar demais se ela estava dizendo que sentia ciúmes dele porque, ele já seria uma propriedade sua, Rodrigo acabou preferindo guardar a suposição para si somente.
— Bom tchau pra todo mundo. — Luciana suspira atenta, deixando de responder o olhar que recebia de Rodrigo. — Tchau Ana, obrigada pelo bolo, tava maravilhoso. — ela agradeceu em um tom gentil dando um abraço na mulher.
— Que isso, volta sempre, pessoas nessa casa torcendo pra isso é que não faltam. — Ana respondeu também com simpatia, com um sorriso brincalhão, devido a notar a forma como Rodrigo olhava para Luciana.
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