O Que Está Além de um Olhar...
1 Capítulo 01
Notas iniciais
Luciana...
“Incrível que como um único segundo, um simples repente pode ser responsável por mudar tudo em nossa vida. E sem esperar eu estava vivendo um momento desses”...
– Melhor você descansar um pouco filha. – Sueli entrou em casa junto com o marido e Luciana aconselhando quando já fechava a porta.
– Eu vou sim mãe, to meio enjoada daqueles remédios, eram muitos não é, até achei que já tinha tomado coisa repetida. – a menina disse forçando um sorriso, mais para desfazer a cara nervosa e espantada dos pais, com a notícia inesperada que havia atropelado os dois naquela manhã.
– Pois eu nem sei o que pensar Lu, esse menino o Henrique foi bastante imprudente, agora você pode se envolver numa coisa, sendo que não tinha culpa de nada. – Jorge estava impaciente, diante do medo da filha contrair uma doença tão séria.
– Paizinho, também não é assim, o Henrique, não teve culpa, foi um acidente, uma coisa que não sei, nem se dá pra explicar. – Lu tentou amenizar, no fundo sabia que o pai só estava tenso, e apesar do risco e do que poderia viver por conta de Henrique, realmente não estava com raiva do rapaz.
– Bom Jorge, agora nós só temos que esperar, esperar não é, que outra alternativa. – Sueli quis acalma-lo um pouco, mas a forma impaciente que propôs tal argumento não ajudou. – Vou fazer um lanche pra você filha, precisa se alimentar. – a mãe opinou soltando sua bolsa sob a mesa.
– Eu, tinha que ver um emprego agora. – Jorge lembrou-se nem sabendo se iria mais, sua cabeça não parava, apenas tinha pensamentos repetitivos.
– Tem pai, e eu estou sentindo que dessa vez você vai conseguir, agora corre lá, e não se prende por mim. – Luciana o incentivou querendo que ele se animasse. – E depois como a mamãe disse, sofrer por antecipação não resolve...
– Eu sei. – o homem concordou mais para não desapontá-la. – Eu vou. – ele sorriu se rendendo a filha.
– Então tchau e boa sorte. – a garota se despediu do pai com um beijo terno, Sueli sorriu e foi até a cozinha.
– Mãe, vou pro quarto tá. – Lu informou, precisava mesmo de um tempo a sós, mas não para descansar como sugeriu a mãe anteriormente, mas sim para colocar seus pensamentos em ordem.
– Tá. – Sueli gritou tirando algumas frutas da geladeira.
Lu queria controlar sua tristeza, não sentir raiva ou indignação, não se perguntar o porquê daquilo, o que de tão ruim ela teria feito para merecer, mas a verdade é que pensar em nada daquilo mudaria algo, o que aconteceu já estava escrito, não havia como reverter. Nossa vida muitas vezes é como um rio, apenas corre para frente, não há como reverter a correnteza, nada ira se desfazer. Só não queria que sua fraqueza fosse o motivo para ela desabar, não queria assustar ainda mais os pais, disfarçar suas tensões era a única coisa que ela se preocupava naquele momento, mas era difícil o medo estava ali, lhe rondando, teimando em assustá-la, e mesmo não querendo, relutando muito, lentamente tudo que lhe assombrava virou lágrimas percorrendo seu rosto, não era a forma de exorcizar o problema, mas foi só o que as forças de Luciana naquele momento possibilitaram que ela fizesse .
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– Já vai. – Sueli correu da cozinha para abrir a porta, onde alguém batia com insistência.
– Oi dona Sueli, a Lu tá aí, eu queria falar com ela. – Rodrigo ergueu o olhar até a mulher, lhe fazendo o pedido sereno.
– Está sim meu filho, no quarto dela. – ela informou fazendo sinal para que ele entrasse.
– Será que eu posso falar com ela. – o garoto pediu novamente, e mesmo não conhecendo muito a mãe de Luciana ela parecia tensa.
– Claro que sim. – Sueli assentiu sorrindo.
– Você pode chamar ela pra mim por favor. – Rodrigo pediu com toda calma.
– Pode ir até lá se você quiser, só virar o corredor. – ela autorizou apontando para o local, talvez a companhia de alguém realmente ajudasse Luciana, a conhecia como ninguém, e mesmo a garota insistindo que estava tudo bem, Sueli entendeu que o zelo da menina, era apenas para não preocupa-los.
– Obrigado, com licença. – Rodrigo agradeceu caminhando na direção que ela lhe disse.
Por mais que ouvir os devaneios de Alina, não fosse nada aconselhável, e Rodrigo sabia disso como ninguém, ele de fato não entendia o do porque de sua preocupação, até excessiva, algo parecia fugir de seu entendimento, algo estranho lhe incomodava, e o rapaz achou melhor não tomar aquilo como um aviso. Mais também não conseguiria esperar até o outro dia para falar com Luciana, uma ansiedade passou a lhe dominar, ainda mais depois que ela não apareceu no colégio naquela manhã, Rodrigo passou a repassar mentalmente a conversa que teve com Alina, enquanto caminhava até o quarto de Luciana, em parte até nervoso, um pouco ao longe ainda pode perceber que a porta estava aberta.
A jovem continuava inerte em seus pensamentos, debruçando a cabeça sob a cabeceira da cama, para ela tudo parecia parado, ela havia parado no tempo.
Rodrigo aproximou-se e quando avistou Lu, ficou sem saber se anunciava sua presença ou não, a fitou por alguns segundos e mais apreensivo foi ficando já que a menina não o notava, talvez também ela nem gostasse de vê-lo ali, assim sem avisar, daquela forma inesperada. Mais um tempo a olhando sem ser percebido, o garoto viu que ela chorava.
– Lu...
– Rodrigo. – Luciana deu um pulo se erguendo na cama, pensando ter sido uma alucinação completamente fora de hora, quando ouviu a voz do garoto a chamando, mas não de fato quando levantou o olhar ele estava mesmo ali, parado próximo a porta de seu quarto. – O que você tá fazendo aqui. – a morena indagou rapidamente, secando as lágrimas de seu rosto com destreza.
Continua...
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