O Que Eles Veem Em Você? 2
48 House Party - Part 1
Notas iniciais
Foi como estar no colegial de novo, distinto do fato que Annabeth nunca tinha feito uma festa em sua casa no colegial. Sua mãe nunca permitiu. E também porque nunca viu tantas pessoas num volume tão grande.
Talvez pelo fato que todos já tinham carro na faculdade, e que os grupos eram muito menos homogêneos, de repente a casa calma num bairro nobre da cidade ficou tomada de jovens com vinte anos de idade.
A casa começou a tremer, e barris de cerveja se encontravam em todos os cantos. Além, é claro, das pessoas já bêbadas o bastante para tirarem as roupas. (Sempre tinham desses).
Uma música eletrônica contagiante tocava na casa, mas ao contrário das loucuras que os garotos faziam antes a casa estava muito bem iluminada, cheia, infestada como nunca.
Annabeth desceu as escadas finalmente pronta, a festa já rolava há algum tempo mas ela sabia como ninguém que ser a anfitriã não é sinônimo de estar na festa. Percy Jackson já tinha deixado isso bem claro em situações prévias.
Tanto que quando Annabeth desceu as escadas, com muito cuidado para não tropeçar nas pessoas já deitadas e se agarrando, não viu Perseu em lugar algum.
Estava especialmente bonita naquela festa. Não sabia o que tinha a deixado com tanta vontade de impressionar – o fato que a festa era na sua casa ou pelos beijos que deu em Percy no dia anterior.
De qualquer forma, estava impressionando. Usava um batom vermelho chamativo, e seus cabelos estavam estranhamente liso-ondulados, maravilhosamente soltos pelos seus ombros e caindo até a sua cintura. Seus olhos cinza tempestuosos estavam ressaltados pelo delineado puxado e o lápis enegrecido.
Usava uma blusa de frio com listras grossas pretas e brancas, uma saia de couro preta e uma bota também de couro. Foi parada por três garotos assim que desceu as escadas, sorrindo internamente pelo efeito desejado.
Novamente procurou entre as pessoas Perseu, mas o mais perto de interessante que chegou disso foi seu amigo Zac, que estava com sua pretendente Claire. Os dois numa bolha tão interna que Annabeth decidiu não interrompê-los.
Não encontrou nenhum dos seus amigos, e foi até a cozinha atrás de cerveja. Num canto, com outros três amigos, tinha um garoto bem bonito olhando na sua direção. Tinha os cabelos pretos espetados e um sorriso safado que não saía do seu semblante de jeito nenhum. Era forte demais, parecia que usava bomba ou qualquer coisa do gênero.
Mas era bonito, não tinha como negar. Annabeth, que estava sozinha, só conseguiu sorrir e abaixar o olhar em resposta.
Não era possível que não tinha ninguém que conhecia naquele lugar, tinha que repensar seriamente sua rotina na universidade, sair um pouco da biblioteca e socializar mais com as pessoas.
Pegou o abridor de latas e foi subitamente parada.
–Eu faço isso pra você – disse o marombado ao seu lado, ainda com aquele sorriso malicioso que não o deixava parecer um cavalheiro.
–Sei fazer sozinha, não se preocupe.
–Eu insisto – ele sorriu mais largamente, não precisou de abridor algum. Seus dedos tiraram como se fosse adesivo, cola. Ele entregou a cerveja para Annabeth.
–Obrigada – respondeu, dando meia volta. Ele a puxou para a sua direção.
–Você é tão... Interessante. Ninguém aqui nunca conversou com você, mas todos sabem o seu nome, e você também não parece interessada em parecer inclusiva. Então, Annabeth Chase, vai continuar sozinha aqui ou vai sentar comigo pra gente se conhecer melhor?
Annabeth riu, parecia algum tipo de piada de mal gosto justamente um cara popular e cheio de marra vir pra cima dela.
–Acho que não é uma boa ideia ir com você para canto nenhum – o som agora tinha mudado para um rock pesado, muita gente gritou e jogou as mãos pra cima.
–Você ouviu ela, cara – Annabeth ouviu uma voz atrás de si, e deu um sorriso de lado – Ela não quer ir pra lugar nenhum com você.
O garoto tirou as mãos de Annabeth.
–Ele é seu proprietário, então? – perguntou o garoto. Annabeth cruzou os braços e Percy passou um dos seus sobre seu ombro.
–Sou. Agora some – respondeu Percy, e ela não pode deixar de dar um sorriso quando o marombado deu meia volta. Annabeth olhou para baixo e depois para o lado, os olhos verdes de Percy tão perto dela e o seu sorriso bobo de quem tinha aprontado enfeitando seu semblante – Meu timing é sempre perfeito, percebeu?
–Mais do que a coincidência permite – Annabeth tirou seu braço dos seus ombros, por mais que uma parte idiota e besta sua do ensino médio gritasse para que aquilo continuasse, que ele se passasse como seu namorado.
–Então não vamos chamar de coincidência. Não vamos chamar de nada, só eu e você – ele pegou uma cerveja, batendo levemente na cerveja dela. E depois bebeu um gole.
O rock que tocava era alguma música da Joan Jett, Annabeth não se lembrava. Percy parecia também especialmente bonito naquela noite. Usava uma jaqueta de couro que combinava bastante com seu estilo de garoto errado, uma calça jeans clara e rasgada nos joelhos e uma blusa preta e simples por baixo. Seu cabelo estava revoltadíssimo como sempre e seus olhos verdes brilhando como semáforos na noite.
Annabeth pensou em muitas coisas quando o encontrasse na festa, talvez beija-lo de uma vez no meio de todo mundo, talvez dar um tapa na sua cara e fingir que o odiava, ou quem sabe ignora-lo totalmente. Ficar sem reação na sua frente não era uma das situações hipotéticas que Annabeth imaginava.
–E então? Você sempre consegue que os caras mais populares fiquem interessados em você? — Percy maneou com a cabeça de leve na direção do marombado, Annabeth riu.
–Talvez eu pareça legal demais e pessoas legais demais costumam atrair outras pessoas legais demais.
–Não acredito que seja porque você é legal demais – Percy murmurou, dando um sorriso de lado – Acho que é porque você não parece dar a mínima para a reputação dele. Pelo menos foi isto que me atraiu quando eu te conheci.
–Claro. Você era a pessoa mais marrenta e metida que eu conheci em Nova York – Annabeth riu – Eu lembro quando era dia de jogo, as pessoas andavam com blusas escrito “Jackson”, e nem eram da escola.
Percy riu. Seus dentes brancos e alinhados aparecendo perfeitamente no campo de visão de Annabeth. Ele se apoiou no balcão, sentando-se ao lado dela e olhando para a festa que já estava chegando num nível estranho de bêbados e drogados.
–Fico surpreso que você tenha gostado de mim com toda aquela aura de ego envolta.
Annabeth arqueou sua sobrancelha loira.
–Gostar de você? Eu te odiava, lembra? Não sabia o que todo mundo via em você porque você era tão extraordinariamente insuportável, mas aí eu tive que fazer aquelas aulas particulares de educação física, e então...
–Ficou impressionada com o professor? – perguntou Percy mordendo o lábio inferior. Annabeth olhou na sua direção.
–Não, e então eu fiquei bêbada o suficiente para transar com você.
Percy riu. Uma risada tão genuína que acabou fazendo Annabeth rir também. A música tinha trocado de estilo mais uma vez, indo para um pop desgraçado. Um casal à frente deles começou a se beijar intensamente, e tanto Percy quanto Annabeth desviaram seus olhares na mesma hora.
Os dois se entreolharam, e riram quase que ao mesmo tempo. Percy tinha seus olhos na garrafa de cerveja, e seu sorriso demonstrava que algo estava errado. Annabeth olhava em sua direção, tentando descobrir o que tinha de errado e porque não estavam se beijando.
–Eu queria poder fazer o mesmo com você – disse Percy, ainda olhando para a garrafa de cerveja – Tipo aquela foto que tinha no instagram de Megan.
Annabeth também olhou para outra direção. Não sabia se estava preparada para ouvir aquilo.
–Mas depois de tanto tempo, depois de tudo... – Percy deu um sorriso de lado – Acho que perdi a coragem de te beijar na frente de todo mundo.
Annabeth bebeu mais um gole de cerveja. Percy nunca foi do tipo medroso, então ela pensou seriamente se o problema não era com ela. Mais uma vez os dois se entreolharam, os olhos verdes de Percy se conectando com os dela.
–Que se dane.
Foi uma coisa realmente surpreendente, ele o beijou como se fosse à última coisa que faria na vida. E Annabeth não soube o que fazer senão corresponder, corresponder da melhor forma possível apesar da surpresa.
Ela não ligou que todos poderiam ver, que Megan poderia ver. De repente, nenhum problema externo importava mais. Estar com Percy era como se por alguns momentos o mundo parasse de girar.
Os dois se separaram, ofegantes. E depois riram ainda com as testas coladas.
–Você não vai escapar de mim dessa vez, Chase – murmurou Percy, seu hálito de menta e nostálgico fazendo Annabeth sorrir. Ela queria dizer o mesmo para ele, que dessa vez as coisas iam dar certo. Mas era muito incerto, e também muito pouco dentro do mar de confusões que sentia.
Os dois estavam mais para o tipo “foda-se todo mundo e vamos ficar juntos”, pelo menos era só isso que Annabeth conseguia pensar quando imaginava a relação dos dois. Percy mordeu seu lábio inferior, chupando-os em seguida.
–Vamos sair daqui? – perguntou, Annabeth deu sorriso.
–Achei que você nunca ia perguntar.
[...]
Aquilo foi estranho. Duas coisas: Annabeth não se lembrava de ter entrado no quarto de Percy em Durham, e nem ao menos de transar sóbria com ele em Durham. As duas coisas juntas eram genuínas.
Antigamente no quarto de Percy tinha alguns pôsteres de modelos da playboy, de alguns jogadores famosos de basquete e a sua própria blusa escrito “Jackson” do uniforme do colégio. Tudo que demonstrava sua pretensão e marra.
Agora era somente paredes num tom azul marinho, revestidas com algumas fotos de Cancun. O resto eram livros e caderno de universidades. Um garoto normal – pensou Annabeth. Nenhuma estrela de Nova York.
Ela gostou da mudança, gostou de Percy não ser mais tão metido. Era esquisito pensar, mas ele parecia ter finalmente... Amadurecido?
Sim, amadurecido. Percy Jackson, aos seus quase vinte e um anos, tinha finalmente amadurecido.
–Você é a garota mais linda que eu já vi, sabia? – ele perguntou assim que fechou a porta, alguns segundos depois de Annabeth entrar. Ela se virou na sua direção, sorrindo. Suas bochechas ficaram vermelhas.
Ele passou uma das mãos por seus cabelos, passando-os atrás da sua orelha. E ela não pode deixar de pensar em trilhões de coisas ao mesmo tempo, a primeira vez que ele tinha feito aquilo, a primeira vez que ele tinha falado que a amava e o tanto que tinham mudado desde então.
Foi ela que o beijou, seus lábios pegaram os dele de surpresa como se precisassem deles para sobreviver, suas mãos trêmulas passaram por seus ombros, tirando sua jaqueta de couro e a jogando no chão.
Ela não conseguia ver muita coisa, a luz da lua que transparecia pela janela era sua única fonte de luz, e o som alto era inebriante para o seu cérebro, as guitarras como base sonora para aquilo que fariam naquele momento.
Os olhos verdes dele eram mais do que lindos, eram como casa. Sentia-se no lugar que deveria estar quando olhava para eles. Annabeth respirou fundo, era esquisito como tudo a deixava tão nervosa.
Ele tirou sua blusa, apreciando a pessoa mais apaixonante da sua vida. Tudo nela era maravilhoso, desde as unhas que sabiam exatamente seus lugares mais sensíveis até o peito que subia e descia conforme música, ritmado.
Annabeth fez tudo muito rápido e com as mãos trêmulas, os dois se ajoelharam na cama, e ele estava mais uma vez só de cueca na sua frente. Ela tinha sentido saudades do seu corpo, pelo menos de lembrar-se de cada sensação que era tê-lo.
Os dois se beijaram de um jeito que fez todos os pelos de Annabeth se arrepiarem, o coração dela bateu tão rápido que era como se ela fosse ter um ataque cardíaco a qualquer momento. Seus dedos passaram pelo abdômen de Percy, fazendo-o contrair.
Eles se entreolharam, e Perseu estava sério. Tão sério que foi meio assustador, ele pegou na sua cabeça, juntando as suas testas e olhando tão de perto para ela que foi como se tudo estivesse parando. Tudo que importava era somente aqueles olhos, e como os dois se conheciam tão bem.
–Eu te amo tanto – foi ela que disse isso, de forma tão involuntária que até mesmo se assustou de ouvir sua voz. Percy deu um mínimo sorriso.
O beijo dele foi definitivamente diferente, tinha algum tipo de paixão que fez tudo em Annabeth se desestabilizar. Ele tirou o seu sutiã, e a deitou lentamente na cama. Enquanto beijava sua barriga tirou a calcinha como uma agilidade à lá Perseu, e Annabeth acabou rindo.
Ele ficou algum tempo imóvel, parecia conseguir olhar para cada parte de seu corpo. Depois seu sorriso foi tão lindo e malicioso que Annabeth pensou em milhões de coisas sujas demais para sua sanidade mental.
Ela mesma que tirou a cueca dele, jogando num canto qualquer do quarto. Ele sorriu, os dois sorriram um para o outro, e era como se aquilo fosse definitivamente certo. Tão certo que poderiam congelar aquele momento e viverem para sempre aquelas mesmas cenas, dentro de um quarto o resto das suas vidas.
Percy a penetrou lentamente e com todo cuidado, como se ela fosse virgem. Os olhos dela estavam bem abertos, conectados com os dele. Ele respirava forte no pescoço de Annabeth, a fazendo se sentir mais excitada que já estava.
Seus movimentos eram lentos e fortes, entrava com intensidade e tão devagar que perturbava a sanidade de Annabeth. Ela foi com as suas duas mãos na sua bunda, tentando fazer tudo ficar mais rápido.
Percy sorriu contra seu pescoço, atendendo seu pedido. Os movimentos ficaram rápidos e fortes, Annabeth ouvia muitos sons maravilhosos: a cama rangendo, os gemidos sussurrados de Percy e seus próprios gemidos involuntários.
Era tão bom, tão gostoso. Annabeth poderia viver daquilo que estaria feliz, viver de Percy Jackson. Passou a mão pelos seus cabelos pretos e gemeu no seu ouvido mais alto que queria.
Ele, em resposta, penetrou mais rápido e mais forte. E fez com que Annabeth se sentisse nas nuvens, os dois entrelaçaram as mãos, Percy a apertou tão forte que ela sentiu os dois conectados, ligados, os corpos unidos.
Chegou ao seu ápice, clímax. E era como se estivesse em outra galáxia, longe de tudo. As duas mãos entrelaçadas se arrastaram pela cama, os dedos se abrindo ao chegar finalmente ao orgasmo. Annabeth viu aquilo, os dedos de Percy se esticando e seu último gemido, o seu nome. E sorriu enquanto respirava fundo.
Estava suada e ofegante, e se sentia tão feliz como nunca.
Percy desabou do seu lado, Annabeth virou a cabeça para sua direção, e quase riu ao ver que ele fez a mesma coisa ao mesmo tempo. Olhou nos seus olhos, amava olhar nos seus olhos.
–Você é a menina mais linda que eu já vi – foi à primeira coisa que ele disse e parecia como que fascinado, depois deu um beijo na sua bochecha. Annabeth deu involuntariamente um sorriso de orelha a orelha.
–Você já falou isso.
–Vou repetir milhões de vezes daqui em diante – respondeu, e Annabeth sentiu seu estomago embrulhar com a frase.
–Daqui em diante?
Os dois se entreolharam, e Annabeth viu o sorriso se emoldurando lentamente no rosto de Percy, era como ver Deus criando as belas criaturas. Divino.
–Eu estava falando sério, eu quero você. Só você – ele riu, passando as mãos pelos cabelos e os bagunçando ainda mais – E também quero que todo mundo saiba disso. Todos abram alas porque Percy Jackson e Annabeth Chase estão oficialmente juntos!
Annabeth estava boquiaberta. Nem sequer acreditava naquilo que ouvia. Percy queria mesmo voltar a...
–Você diz... Namorados? – seu sorriso deu uma diminuída, e Annabeth reparou que suas pernas estavam entrelaçadas, assim como a mão esquerda dela com a direita dele.
–Sim. Namorados – Annabeth se virou, deitando de costas e passando as mãos pelos cabelos. Percebeu que Percy olhava para sua bunda e mordeu o lábio inferior em seguida, Annabeth perdeu sua linha de raciocínio.
–Só vai poder olhar para a minha bunda a partir de agora, Jackson.
Ele riu. Uma risada que fez Annabeth se desestabilizar ainda mais, apoiou a cabeça no travesseiro ainda por cima, para poder rir mais.
–É assim que você aceita meu pedido? — perguntou ele, foi à vez de Annabeth rir.
–É assim que você age quando me pede?
–Você sabe que somos um casal... Diferente – ele beijou seu ombro, passando um dedo indicador pela curvatura das suas costas e por fim apertando sua bunda – Não precisamos de anel, só...
–Algumas rodadas de sexo? –perguntou Annabeth. Ele mordeu sua bunda, o corpo dela foi para trás, se arrepiando por completo – Que seja... Ei, é sério quando eu disse que eu realmente te odiava, não aceito esses sorrisinhos maliciosos.
Percy fez justamente seu sorriso malicioso, parando de beijar suas costas.
–Isso seria bastante intimidante se você não parecesse tão excitada – Annabeth mordeu a fronha para poder não sorrir também – Não se preocupe. Eu também te odeio. Essa coisa de odiar te amar ou amar te odiar é a melhor coisa que já me aconteceu.
Por fim ele beijou sua nuca, e Annabeth sabia o que significava as duas coisas. O beijo significava as rodadas de sexo, e o amar te odiar com toda certeza a bandeira branca.
Que abram as alas, porque Percy Jackson e Annabeth Chase tinham voltado.
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