O Que Eles Veem Em Você? 2
32 Percy Jackson e seus problemas
Notas iniciais
Annabeth
Minha cabeça latejava e meus olhos estavam quase se fechando durante a aula de desenho avançado, quando pensei em encostar minha cabeça para dormir fui puxada para trás.
–Acorda – Zachary sussurrou no meu ouvido, me fazendo não só acordar, mas também ficar em alerta. Olhei para trás e depois sorri, agradecendo-o.
Foi assim que começou minha manhã um dia após a loucura que aconteceu no show de Franz Ferdinand e também na casa onde morava. Quando a aula acabou, eu não só estava extremamente feliz como também não suportaria mais continuar dentro daquela sala, então estava também aliviada.
O tempo nublado combinava com o meu humor no momento: cansada e depressiva. Estava tão frio naquele momento que eu me perguntava se tudo estava se projetando para quem sabe uma depressão da minha parte.
Zachary passou a mão pela minha cintura, guiando-me pelo campus.
–Você parece praticamente morta, sua aparência está horrível.
Ri.
–Obrigada pela informação.
Ele sorriu de volta, não falando mais nada, e eu o agradecia por aquilo. Não estava no humor nem com vontade de falar alguma coisa. E eu acho que ele sabia que a minha mente não estava ali há muito tempo.
Foi assim que me senti extremamente tentada a ir para o outro lado da cidade, pegar um cigarro e ir para longe dali o mais rápido possível. Mas minhas intenções foram todas congestionadas quando vi, no meio do campus, uma discussão quieta, mas como conhecia Thalia muito bem, séria com Leo Valdez.
Cruzei os braços olhando para aquela cena, o que poderia estar acontecendo eu não fazia nem ideia. Não saí do meu quarto no dia anterior, e os assuntos ligados ao show não me eram de interesse.
Zachary percebeu e parou junto comigo, olhando na direção em que eu olhava.
–O que está acontecendo?
Olhei nos seus olhos castanhos quase verdes e fique pensativa. Zac sempre estava estudando, não fazia nada de errado e era um cara legal. Talvez fosse hora de eu me afastar um pouco de pessoas que não me eram exemplos para nada, como Percy, Luke e Nico, e começar a colocar um pouco de juízo na cabeça.
–Ei, você não quer me ajudar com esse desenho depois da aula? Como você percebeu eu estou meio atrasada no conteúdo.
Ele sorriu, concordando.
–Sim, você está... Eu já ia rever esses desenhos mesmo, seria legal se você viesse. Encontra-me na cafeteria da Rua 15... Seis horas?
Vi Thalia saindo em passos rápidos dali, sua expressão não era das melhores.
–Ótimo. Eu tenho que ir...
Zac coçou os cabelos.
–Espera... Você não quer...?
–Desculpa, estou ocupada. Depois a gente se vê – ele concordou com a cabeça, e eu saí correndo atrás de Thalia na tentativa de esbarrar com ela no corredor.
Ela saiu do prédio, indo até o estacionamento. E eu me senti obrigada a correr, o que era uma droga. Peguei no seu braço antes que ela entrasse no seu carro. Ela olhou para trás como se fosse matar a pessoa que a segurou, mas sua expressão relaxou quando viu que era apenas eu.
Ajeitei meu sobretudo preto e me recompus ao perceber que corri de salto no campus, e isto não era nada legal.
–Ei Annie, tudo bem? – cruzei os braços, olhei diretamente nos seus olhos e ela já sabia o que eu queria dizer – Ei, eu estou bem. Estou ótima. Está tudo na mais perfeita ordem.
Continuei olhando em sua direção.
–Pra onde você está indo? – ela olhou para outro canto como se fosse óbvio.
–Almoçar, em casa de preferência, sabe... É o que fazemos no horário de almoço.
Concordei, o tempo nublado me fez crer que era no máximo sete horas da manhã. Julguei pelo seu olhar que ela não estava bem mesmo.
–Eu vou com você.
–Annabeth...
–Não discute, Thalia.
Peguei as chaves da sua mão, indo para o banco de motorista, ela sentou-se no banco de trás e ajeitou a cabeça no estofado, fechando os olhos. Olhei para ela pelo retrovisor e suspirei, acelerando seu cadillac preto em seguida.
Quando estávamos no meio do caminho, ela abriu os olhos, olhando para o lado.
–Eu fiz merda, não foi?
Dei de ombros, meus olhos focados na estrada.
–Você se apaixonou muito rápido, ou fez as coisas com Leo irem muito rápido.
–Você me avisou, eu devia ter te ouvido... Ele não é nada daquilo que eu imaginei, fica se metendo com droga pesada e agora eu acho que sei de onde a república dele tem tanta grana – ela suspirou – Eu acho que ele se mete com tráfico. Mas não tenho certeza. Isso não importa, eu acho que talvez estivesse assim com ele para mostrar para Luke que eu superei, sendo que ele claramente me superou, e deu muito errado. Eu briguei com Megan, e com Luke, e com todo mundo no show.
–Não me fale do show.
–Aliás, você deveria se explicar com Megan. Acho que ela pensou alguma coisa errada sobre você e Nico.
Franzi as sobrancelhas.
–Eu e Nico? Como assim?
Ela deu de ombros.
–Nem eu mesma sei, Megan está distante. Enfim, ontem você se trancou no quarto e perdeu algumas discursões que aconteceram. Megan acabou com Nico em várias formas, você não sabe as coisas que ela falou para ele... E Luke, estava muito calado e mais afastado do que o normal. Percy estava de ressaca, não falou nada. Eu briguei com basicamente todo mundo, porque estava com raiva e muita ressaca.
–E eu não estava lá, graças a Deus – sussurrei mais para mim mesmo do que para outras pessoas- Você não foi a única a se equivocar... Eu fiquei me iludindo com Percy, achando que tudo poderia voltar para o que era antes sendo que claramente ele não é como antes.
Thalia voltou a olhar para a rua, séria de um jeito que amedrontava qualquer um.
–Ninguém está como antes, Annabeth.
Foi uma surpresa que quando chegamos em casa estavam os garotos mais Megan conversando amigavelmente. Todos eles olharam para nós como se fossemos vilãs e eles os bonzinhos.
Megan claramente havia trocado de lado, estava com os garotos. E eu estava pronta para quebra-la ao meio com os meus argumentos de filha de Atena, mas decidi dar uma chance para que ela se redimisse. Por algum motivo, Megan estava cada vez mais metida, achando que sabia mais do que realmente sabe.
E isso me irritava profundamente. Ela era a mais inocente, não fazia ideia que os meninos estavam muito, muito diferentes. Talvez até maus.
–Bom dia – falei, tentando quebrar a tensão. Coloquei minha bolsa numa das poltronas e tirei meu sobretudo. Megan olhava diretamente para mim, mas não de uma forma legal. Eu não sabia o que tinha acontecido, mas sabia que tinha algo muito mal entendido entre nós duas.
–Boa tarde – Nico falou, sorrindo pra mim. Thalia revirou os olhos para Megan, que parecia ainda mais com raiva.
Respirei fundo, todos estavam almoçando e tinha comida sobrando. Peguei um prato e me sentei exatamente na frente de Megan. Nunca tive medo de confronto, e muito mais do que isso, nunca perdia um.
Megan poderia estar com a personalidade forte e etc etc, mas eu era Annabeth Chase. E ela nunca ganharia de mim. Comi sem me incomodar, por mais que todos estivessem claramente incomodados.
–Ei Nico, me passa a pimenta?- ele deu um meio sorriso, já sabendo o que eu pretendia.
–Claro.
Peguei a pimenta, e olhei na direção de Megan, que estava vermelha como um tomate de raiva.
–Cara de pau – ela sussurrou, se levantando.
–Como é?
–Eu disse cara de pau – ela falou mais alto – Você é realmente uma vagabunda.
Ri com escarnio, olhando para os lados.
–É engraçado como você muda de lado tão facilmente. Você acha que eu tive algo com o Nico? Sério que você acha que eu sou capaz de uma coisa dessas?
–Eu vi vocês dois...
–O que? Conversando? Faça-me o favor Megan, deixa de ser mimada. Ele me ajudou, eu estava passando mal. E você muda num estralo de dedos e fica contra eu e sua melhor amiga, Thalia. Você simplesmente faz isso com tanta facilidade que eu acho que você deve ter aprendido a ter a personalidade forte e falsa.
Levantei-me, olhando na direção de Percy e depois dos garotos.
–Eu não quero saber o que vocês fizeram de errado, mas eu já falei para não colocar a gente nessa. Vocês sabem do que eu estou falando e podem até enganar a Megan, mas vocês não me enganam. Nem um pouco. Eu não sei tudo o que aconteceu naquela porcaria de viagem suas, o que exatamente vocês fizeram de errado... Mas eu sou Annabeth Chase, e isso eu descubro num piscar de olhos. Então não tentem jogar comigo, muito menos com as minhas amigas.
Perseu
–Isso é tudo culpa sua! – Luke parecia querer me matar enquanto Nico gritava comigo, andava de um lado para o outro dentro do quarto, tendo a real ideia de que a culpa é minha mesmo – Você, você e essa sua lerdeza, você não pode ficar com uma garota na frente da Annabeth! Não seja estupido!
–Eu falei para ela pra gente ser só amigo e...
Luke olhava para mim tão sério e com tanta raiva que eu realmente achei que ele ia avançar em mim a qualquer momento. Estava apoiado na bancada e parecia realmente com vontade de estrangular algumas pessoas.
–Como se você próprio fizesse valer sua própria palavra – o tom de voz de Luke era calmo, mas venenoso. Dei uma risada escarnia.
–Ah, e agora vocês estremeceram a base com uma fala da Annabeth, ela fez exatamente o que queria, parabéns para a inteligência suprema dela.
Nico parou por um segundo, e depois olhou para Luke. Luke riu.
–Percy, você não pode dizer que também não ficou receoso. Annabeth é popular, conhece muita gente, e, além disso, tem um poder em Nova York e Los Angeles pelos pais que tem. Pra ela conseguir uma ficha histórica nossa... Não é complicado.
–Ela nunca vai pensar nisso – respondi. E depois cocei os cabelos, ela era Annabeth, e ela sempre foi muito inteligente. Ela tinha uma doença psicológica por ser tão inteligente, a tal da rebeldia da profunda...
–Eu tenho uma ideia – comentei, lembrando-me exatamente daquilo que me era vital – Annabeth realmente é perigosa, se ela quiser ferrar com a gente. Mas ela não é mentalmente estabilizada, ano passado ela estava totalmente rebelde e fora de si...
–Sim, ela ia ao psicólogo e tudo o mais, fazia terapia eu me lembro – Nico comentou, mas agora parecia um pouco receoso – Mas Percy, não é legal a gente mexer com a doença dela. Quer dizer...
–Ela tem duas fases de rebeldia psicológica, a transgressiva e a progressiva. Ela está claramente na fase progressiva, mas e se ela por algum acaso estivesse regredindo? – parei por um segundo, lembrando-me de como ela estava ano passado.
E foi aí que eu parei, eu não podia fazer aquilo. Se Annabeth voltasse naquele estado de robô que tinha no ano passado, talvez eu nunca a tivesse de volta. Foi muito difícil para ela sair daquela fase, se eu a colocasse novamente nela...
–Deixa.
–Continua – Luke deu um sorriso fofo – Agora eu estou interessado.
–É uma doença séria, eu não sei do que estou falando – bufei, essa parte psicopata não poderia aparecer novamente. Não depois daquilo que aconteceu, às vezes eu começava a acreditar que era uma pessoa ruim. E eu sabia que não era, tinha certeza daquilo. O problema psicológico não era de Annabeth, era meu. Era muito mais fácil eu me desestabilizar do que ela, por que...
–Percy, volta – Nico colocou a mão no meu ombro – Você está sumindo, não some.
Assenti, piscando algumas vezes e percebi que estava suando frio. Luke parou tudo que estava fazendo e respirou fundo. Entendendo totalmente qual era a minha situação por ali.
–Tá bom, a gente não mexe com a Annabeth – ele colocou as duas mãos para cima – Sem mexer com as garotas, eu já entendi. Quer dizer, a gente tem que tirar elas disso. Foi isso que a gente combinou, e depois de todas as circunstâncias não tem como ser diferente.
–Isso tudo é culpa do Valdez – Nico bufou – Se ele não tivesse aparecido tinha grandes chances de estarmos em paz com as garotas, e, por exemplo, elas não fazerem ideia do que se passou em Cancun.
–Com certeza ele comentou alguma coisa – sussurrou Luke – E foi o suficiente para Annabeth querer ir atrás daquilo que ela julga necessário para descobrir aquilo que ela bem quiser.
–Acho que o mais inteligente a se fazer no momento é recuperar a confiança delas – Nico parou por um segundo – A gente está tentando uma coisa que é impossível. É impossível não sentir nada e não envolvê-las nas nossas vidas. O mais importante agora é que elas esqueçam isso que elas acham que existe e tentarmos focar no presente.
–A gente afastou muito da Thalia – comentei, e era verdade. Thalia era minha melhor amiga em Nova York e eu nem sequer dou bom dia para ela por aqui – Ela separou do Leo e...
–Espera – Luke franziu as sobrancelhas – Ela separou dele?
–Sim, hoje de manhã. Eu ouvi sem querer ela falando com Annabeth. Mas não é isso que... Ei, Luke! Volta aqui!
Olhei para Nico, que olhou para mim de volta e deu de ombros. Meu telefone tocou e eu pensei em não atender, caso fosse uma mulher. Mas quando o nome de Poseidon apareceu na tela eu fiquei curioso.
–Meu pai está me ligando... Alô – ouvi a voz do outro lado e percebi as saudades que tinha dele.
–Oi Percy, como estão as coisas aí na Duke? Não me diz que andou aprontando...
Ri.
–Na medida do possível, está tudo bem.
–Olha, vai ter uma premiação aqui em Nova York. Melhores do ano, acho que seria uma boa hora para vocês se redimirem e quem sabe a mídia se cobrir com informações inúteis para ir atrás das informações verdadeiras...
Assenti, rindo.
–Onde você quer chegar com isso, pai?
–Olha. Acho que seria legal vocês virem para Nova York este fim de semana, ficarem para a premiação.
–Tudo bem.
–Ah, e tragam as meninas. Elas são fundamentais para a Olympus – revirei os olhos e não respondi – Percy, por favor. Você entende, não entende? Zeus não iria aceitar o contrário.
–Entendi pai, eu vou falar com todo mundo aqui.
–Provavelmente vai ter alguma coisa no sítio de Zeus na sexta feira, então venham depois das aulas imediatamente. É sério. Até sexta.
–Até – percebi que ele já tinha desligado o telefone. Nico me olhava com expectativa – Vem, eu vou avisar todo mundo de uma vez.
Desci as escadas da casa e peguei o megafone.
–Todos desçam agora! Reunião na casa – o megafone era mais alto do que eu imaginei e Nico do meu lado quase ficou surdo, dando um soco no meu ombro.
–Ai, cara.
–A dor é a fraqueza saindo do corpo – ele deu uns tapinhas, o que fez doer ainda mais. Ele riu e eu estava pronto para responder se Megan não estivesse descendo. Além dela todos desceram, e estranhamente Luke e Thalia juntos.
Annabeth foi a última a descer, e parecia até mesmo preparada para aquilo que acontecesse. Como se fôssemos agredi-la ou algo do gênero. Dei um meio sorriso em sua direção, ela ficava sexy determinada daquele jeito.
–Bem – desliguei o megafone – Já que todos vieram eu tenho um anúncio a fazer.
–Rápido – Thalia comentou – Ninguém aqui tem tempo para saber que você finalmente se assumiu, Jackson.
Nico e Luke riram, e eu revirei os olhos para Thalia. Sempre tão... Ela.
–Boa piada. Boa mesmo. Nós vamos para Nova York.
–O que? – Megan e Annabeth praticamente gritaram, e Luke parecia um pouco surpreso demais.
–Sem mais delongas, vai haver uma premiação de melhores empresas do ano este fim de semana e estamos recrutados a ir, especialmente as garotas. Ou seja, NY esse fim de semana é nosso. E ah, nós vamos para o sítio de Zeus na sexta à noite, vai ter um jantar ou uma festa lá, não sei.
Annabeth parou por um segundo. Da última vez que estávamos no sítio de Zeus eu fugi do meu quarto e dormi com ela praticamente todos os dias. Boas lembranças, com toda a certeza. Isso até me lembrou de um pequeno detalhe que eu iria conferir em Nova York.
Porque lá era a nossa cidade, e era o lugar perfeito para um plano perfeito.
Annabeth arregalou os olhos.
–Meu Deus! Já são seis horas?! Eu tenho que ir!
–O que? – perguntei, e todos olharam para ela.
–Eu marquei de encontrar com o Zac e me esqueci totalmente – ela pegou a bolsa e as chaves na mesa, franzi as sobrancelhas. Encontrar com... Quem?
–Quem é... Zac? – perguntei. Thalia riu.
–Annabeth e os californianos, sempre uma história.
Megan sorriu.
–Não brinca que ela achou um californiano pra ela aqui?!
–Original. Loiro, bronzeado e...
–O que? – perguntei de novo, confuso.
–Essa é a Annabeth que eu conheço – Thalia gargalhou, e Megan também. Olhei para a porta que foi batida às pressas por Annabeth. Ela e... Quem? Revirei os olhos, Nova York não deixaria que isso continuasse assim. De forma alguma.
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