Eu estava lá, parada sentada ao lado da sala do diretor, ele estava conversando com minha mãe em sua sala. Eu realmente não sabia o que estava acontecendo comigo, mas por pouco tempo mudei meus pensamentos, e tentei ouvir o que estava falando lá dentro.

Escutei que o diretor Harris perguntava algo sobre, drogas, bebidas, psicólogo. Ele achava que eu estava usando esse tipo de coisas, não acreditei mas era verdade, meu medo era de que ele convencesse minha mãe a me levar em um psicólogo. Ele colocou sobre a mesa um pequeno papel branco, e logo em seguida minha mãe pegou, o diretor estendeu a mão para ela num gesto de comprimento como se fosse um "até logo".

Minha mãe saiu da sala do diretor um pouco transtornada, vi em seus olhos enquanto ela pegava minha bolsa, que havia um pouco de arrependimento em seu olhar, e sei que ela estava me escondendo algo. Será que ela esta arrependida por que aceitou me levar em um psicólogo, não, era outra coisa não sabia ao certo do que se tratava. Minha mãe nunca foi de abrir muito comigo, ela guardava mais seus problemas para ela mesma.

Chegamos em frente ao carro dela, e ela ficou em silêncio por uns 5 minutos, estava parada em frente ao carro olhando para o nada. Entramos no carro e ela não me dizia nada, não entendia o motivo do silêncio, mas era algo comigo. Ela ligou o carro e sei me dizer absolutamente nada apenas seguiu em frente. Achei estranho por que passamos da rua da nossa casa.

– Mamãe nossa casa é..

– Não vamos para casa — Disse ela me interrompendo. Tenho uma coisa para lhe falar.

Eu achei aquilo tudo muito estranho, eu conhecia aquele caminho, nós pegávamos ele quando íamos para a casa da minha avó antes dela falecer a 5 anos atrás. Eu adorava a casa dela, era o lugar mais divertido para se brinca. Mas por que estávamos indo para lá?! Essa era a pergunta que estava em minha mente e não saia.

Ao chegarmos em frente a casa dela me impressionei, estava tudo perfeito ainda, era como se minha avó ainda estivesse viva e cuidasse do jardim e da casa. Percebi que na entrada ainda havia a porta que minha avó tanto gostava, eu odiava por que toda vez que alguém entrava ela rangia, parecia ate aqueles filmes de terror.

Eu e minha mãe entramos pelo portão, e eu tive que parar, estava sentindo o cheiro de minha avó, misturado com as plantas, era um perfume tão suave, sempre dizem que os idosos cheiram a mofo, mas não a minha avó, ela tinha um cheiro delicado, assim como as flores, e cada dia da semana ela tinha um perfume de uma flor diferente. Era incrível.

–Você esta sentindo não esta? — Olhei para minha mãe chocada, como ela sabia que eu estava sentindo.

– Eu também sentia, mas agora não posso mais sentir — completou ela.

Fomos até a porta para entrarmos, eu não acreditava que aquela porta ainda rangia do mesmo jeito, chegou a ser cômico. Assim que minha mãe entrou ela foi direto para a cozinha, e eu fiquei sentada na sala, estava tudo intacto, se alguém me dissesse eu não acreditaria. Enquanto eu olhava para as fotografias que minha avó tinha na estante, vi uma mulher de branco subindo as escadas.

– Mamããããããe!!!

– O que foi? Disse ela gritando da cozinha.

– Tem uma mulher aqui, acabou de subir para o quarto da vovó!!

– Eu sei.

O que? minha mãe disse que sabia, realmente eu estava mais chocada do que o normal, ela chegou na sala com uma bandeja, igual as que minha avó fazia, cheia de guloseimas.

Assim que terminamos o café, percebi que o semblante de minha mãe havia mudado, ela estava com medo, mas do que? o que a fez ficar assim?. Ela olhou para mim e disse que precisava me contar umas coisas...