O Que Ele Mudou Na Minha Vida Desde Então

34 Capítulo XXXIV por Alfred F. Jones


Notas iniciais
GENTE OI ADIVINHA QUEM CONSEGUIU FINALMENTE O NOTEBOOK SE VC ACOMPANHA ESSA SAGA DESDE O COMEÇO EU TE AMO MUITO CARA eu nem li de novo pra ver se tá consistente, escrevi com sono e empolgada pra atualizar e pensando besteras mil

Alfred F Jones

O tempo passou e eu sofri calado. Brinks, mas enfim... Eu tive medo. Nunca me envolvi com alguém antes, tipo, apaixonado mesmo. Preferi, por enquanto, deixar quieto. Ser “trocado” ou ignorado ainda eram medos menores que a rejeição.

E então continuei ou até regredi um pouco, não me afastei mas também não fiz mais tanta piadinha nem tentei beijá-lo. Cheguei a um ponto em que meu motto era “se for pra ser será”. Mas todo dia a noite eu encarava aquele desenho que eu roubei, me perguntando se eu estava sendo idiota demais. Mas você já sabe a resposta.

Enfim, chegou a época das eleições para o Grêmio Estudantil. Blergh, chaaato. Mas Arthur quis participar, dizia como era um absurdo a desorganização da escola e o presidente atual não fazia bosta nenhuma (é verdade, mas nem ele próprio nem ninguém ligava muito pra isso, Otho se referia a nós como uma “bagunça organizada”). Acontece que o cara não ligava pro cargo que tinha até alguém se interessar, acho que virou uma disputa de orgulho antes que por progresso mesmo.

Acompanhei Arthur em tudo, debates, discursos, reuniões, bla bla. E eu nem precisei me forçar porque foi ele que me chamou, ok? Antes que você comece a pensar que estava me contradizendo. Mas claro, as pessoas daqui não são tão burras de continuar com o outro cara só porque do nada, magicamente, ele mudou. Arthur propunha muita coisa certinha pro nosso gosto, mas de uma forma em que beneficiava bem os alunos e não parecia tão grave. Ok, não é nem grave, mas é ordem, não tinhamos isso.

Algumas semanas depois ele já tinha virado o queridinho do Erik, do Otho nem tanto, até porque o Otho é tipo os alunos mas o Erik gostava de tudo nos eixos. E não tinha mais tanto tempo pra mim. Passava o tempo “livre” todinho na sala do Grêmio. Mas de fato, muita coisa melhorou. Tivemos que nos acostumar com “regras básicas de convivência que vocês trogloditas ainda não conheceram”, como ele citou, punições mais severas para maus alunos MAS a comida na cantina estava muito melhor e todo mundo começou a entender de verdade as matérias.

E nesse dia eu resolvi visitá-lo, porque... eu não sei porque. Bati na porta e só escutei um “entra”. E entrei. Narrações inúteis são comigo mesmo.

– Oi, Artie, quanto tempo?

– Oh, Alfred, senta aí. E para de cudocismo, você me vê todo dia.

– Ah, mas você ficou tão ocupado de repente – sentei-me na cadeira em frente a sua mesa, não queria soar amargurado mas não conseguia – Aliás, estou te interrompendo?

– Não, eu já estava acabando. Você tá carente de novo, Alfred? Lembra que da ultima vez você quase me esmagou.

– Eu não estava carente, eu tropecei, ok?

E voltamos a conversar mais normalmente. Eu nem tinha notado na hora quando ele começou a desvirtuar meu cu doce, mas foi bom, porque em pouco tempo eu já tinha esquecido e parado de sentir algo estranho dentro de mim em relação a isso. Mais alguns minutos e eu estava semi deitado na mesa e nós dois vendo vídeos de gatinhos no computador dele, quando notamos, a hora já tinha passado muito e todo mundo já tinha ido embora. Lutei muito comigo mesmo pra pedir pra irmos embora juntos, ainda estava muito receioso. Ele disse “claro” tão naturalmente que um pouco do meu nervosismo foi embora.

Não, nossas casas não eram “perto”, mas pegávamos o mesmo onibus, e Matthew já tinha ido embora então era minha alternativa. Poderia ir a pé mas acho que Arthur se cansaria demais.

O caminho não foi quieto não, brincamos de ficar se empurrando até que eu esbarrei numa moça que passava, decidimos então para o bem de todos parar. Conversamos sobre coisas idiotas, sobre coisas sérias, sobre calendário de provas, sobre a meia do cara na parada ser uma preta e outra branca com bolinha azul – ele tava de fone e creio que não ouviu – e até dividimos um picolé de uva daqueles que são tipo suco congelado por 50 centavos.

O onibus chegou, subimos, ficamos em pé pra variar. Mas estava muito muito cheio e eu fiquei com calor e sem graça porque acabei encoxando ele sem querer. Mas ele não pareceu se importar ou notar, então só segurei as pontas. Até que chegou a parada dele e eu percebi que não queria que nos separássemos agora. O segurei pelo braço e fiz meu melhor.

– ARTHUR, espera... Eu não te falei o que eu queria falar...

– Fala logo, eu desço na próxima.

– É que é complicado – falava bem devagar propositalmente.

– Hum?

– Relaxa, cê tá com pressa por acaso?

– Muita.

– É que eu queria saber se... se... tem dever de casa?

– Véi...

– Oi.

– Véééi... Você me fez perder a parada pra isso? Eu vou ter que andar uma quadra e meia, Alfred!

– Então vem pra minha casa, depois eu te levo pra casa...

– Eu tenho tanta coisa pra fazer, você não tá entendendo.

– Descansa um pouco! Jesus amado, você vai perder a vida por isso? Você não precisa se esforçar tanto – ele ficou em silêncio me encarando como se fosse me esganar – Eu não tava exagerando, até o povo do time pergunta sobre você, porque sumiu. Não sou só eu que tenho saudades. Você não pode viver só em função disso, não estou falando pra ser vagabundo igual seu antecessor, mas você não vê o quão bem estamos? O mais trabalhoso já passou, relaxa um pouco.

Ele se recusou a dar o braço a torcer e só aceitou por causa “dos outros”. Acho que poderíamos resumir o Arthur somente em tsundere e já é o suficiente.

– Cheguei nessa porra – Matthew saiu da cozinha com uma bacia nas mãos e mexendo com uma colher de pau, um aventalzinho rosa de flor e todo sujo de farinha.

– E largou sua educação de onde você vei- oh, oi Arthur – Arthur respondeu, Matthew sorriu, e pareceu finalmente perceber o estado que estava e correu de volta para a cozinha.

Subi com Arthur para o quarto e aquela vontade de forçar a barra subitamente apareceu. Mas eu não fiz nada.

– E agora, o que fazemos?

– Hum... Videogame?

– Videogame. Talvez videogame seja nosso “para sempre”.

Depois das três primeiras partidas de Mortal Kombat – que claro, EU ganhei a maioria – meu celular tocou. Era o Antonio.

– Alfred? Oi, então, tu tá ligado que hoje é aniversário do Gilbert, né?

– Puts, esqueci.

– Ah, ele vai ficar muuuito triste quando eu contar que você esqueceu. Mas talvez eu não lembre de contar se você for na festa surpresa dele.

– Aonde cê tá aprendendo a chantagear os outros assim? Puts. Tô com o Arthur, não sei se ele vai querer ir não.

– Aprendi observando Lovino, haha. Convença ele até as sete, te vejo lá.

E desligou. Eu não me importava tanto assim se o Gilbert ia ficar chateado ou não, e acho que em ele se importava se eu me esquecesse, mas festa. Dicionário Alfred da lingua portuguesa:

Fes.ta: 1. Comida de graça 2. Bebida de graça 3. Amigos 4. Se tem amigos com o mesmo gosto, música boa 5. Fotos depois.

Toda festa mesmo quando a gente tava na quinta série bebendo só Sukita aconteceram coisas memoráveis ou pelo menos foi do caralho. É engraçado e talvez nostálgico porque antigamente quando a gente pegava alguém se beijando todo mundo ficava “HUMMMMM PERDEU O BV IHHH” mas hoje em dia a gente entra sem bater e se depara com gente se comendo e normal, só sair de novo. Uou.

E também não tinha muita coisa pra fazer na minha casa. E talvez quem sabe não sei não tenho certeza, eu quisesse ver o Arthur bebado.

– Arthur. Arthurzinho de mamãe. Arthinho nindinho coisa fofa.

– Basta me chamar do nome certo, praga. Quê que cê quer?

– Eu??? Tá, eu quero que tu vá numa festa comigo.

– Não.

– Por favoooooooooor, é do Gilbert.

– A ultima vez que eu, Gilbert e uma garrafa estávamos no mesmo recinto não deu muito certo, tanto que eu te conheci assim.

– Porra... Beleza... De boa... Na moralzinha...

Tentei fazer cu doce mas ele estava muito concentrado tentando chegar logo no Shao Kahn. Não sabia se me sentia orgulhoso ou criado um monstro. Até que tive uma ideia.

– Hey, vamos brincar. Se eu ganhar em melhor de 3 você vai comigo, se você ganhar eu te deixo em paz para o resto da vida – falei o mais sério que a seriedade pode seriar e ele arregalou os olhos, mas aceitou.

A primeira eu ganhei, ele escolhe o Subzero pra apelar mas não é pareo pro meu Scorpion. Tentei não esboçar nenhum sinal de felicidade e continuei com a minha poker face. A segunda ele ganhou e ficou todo sorridente, poker face. A terceira foi bem complicada, ele ficou me empurrando na vida real com o ombro, aí eu empurrei também, aí os controles caíram e a gente foi tentar pegar um do outro pra não se defender e virou um kamasutra loco. Até que o tempo acabou e eu ganhei.

– RÁ – finalmente eu estava livre pra esfregar na cara dele – Não adianta tentar roubar, um herói sempre dá o seu jeitinho.

– Você ganhou por sorte, e não é roubar se você não explicita regras. Quero revanche.

– Aceito seu argumento. E nele você reconhece que a única regra que falei é a aposta.

– Não! Aceita metade...

– Bora, Arthur, vai tomar um banho que cê tá fedendo, pra gente ir.

– Mas eu nem tenho roupa aqui.

– E daí? Só tirar a gravata e dar um jeitinho nessa camisa e tá ótimo.

Depois de muita luta eu consegui enfiá-lo no banheiro. Depois eu tomei banho e voltei para o quarto, ele ainda estava com a camisa desabotoada.

–...e?

– E aí que eu não sei transformar um uniforme escolar numa roupa “normal”.

– Ai, Artie, como você conseguiu viver sem mim um dia?

– Era bem fácil, na verdade...

– Shhhhhhhhhhhh.

– Vai vestir uma roupa primeiro, pelo amor de Deus. Se essa toalha cair será impossível recuperar minha visão depois.

– Pelo menos a ultima coisa que você vai ter visto vai ter valido muito a pena.

Ele me jogou um sapato, desviei e voltei para o banheiro com minha trouxinha de roupa. Me vesti, duh, e fui ajudá-lo. Levantei as mangas, deixei os botões de cima abertos e a gola mais solta e menos formal e estava melhor. A calça ainda me parecia meio deslocada, mas depois de muita procura encontramos uma calça preta que não me cabia mais de 200 anos atrás. Perfeito.

– Espera, vamos de moto?

– Claro, por que não?

– É meio... perigoso... né?

– Não.

Matthew não sempre se intromete nas minhas conversas/meu quarto mas quando ele se intromete ele faz isso nas horas mais inoportunas.

– Nããão, vamos de carro. Eu vou também e você bebe, não vou deixar o Arthur depender de você – aff, perdi a chance de ser pseudo-encoxado pelo Arthur, obrigado, Matthew.

Chegando na casa de Antonio – grazadeus os pais não estavam – todos se ajeitaram em seus lugares e apagaram as luzes. Eu e Arthur ficamos atrás do sofá em posições constrangedoras mas eu não estava reclamando. Alguém sussurou “shiu, ele tá vindo”, quando a porta é aberta subitamente e é ouvida a voz de Gilbert.

– AEEEE TONHÃO, CADÊ AQUELAS PUTA QUE CÊ DISSE QUE IA PAGAR?

– QUE PORRA DE PUTA, GILBERT BEILSCHDMIT? – eita, Matthew gritando.

– SURPRESA!!!!!!!!!! – eu fiquei confuso na hora que devia dizer, então todo mundo falou meio desconexo.

Quando levantamos, Gilbert e Matthew foram pra outro canto e ninguém mais comentou nada. O.k. Olhei um pouco ao meu redor e notei que conhecia pouca gente. Antigamente isso não me importava tanto, fazia mais amizades assim mas dessa vez foi subindo um pânico. Puxei Arthur pela mão e o levei para a cozinha, tinha menos pessoas mas ainda assim.

– Tudo bem? – Arthur parecia preocupado de verdade.

– Claro, por que não? Você bebe? Toma aqui um copo de... alguma coisa – não, eu não esperei ele responder.

– Tá escrito no rótulo o que é – virei um copo de uma vez, era vodca, antes de responder.

– A vida é muito curta pra ler o rótulo.

Virei mais um, ofereci mais um, não sei quantas vezes. Quando pisquei estávamos num sofá do segundo andar morrendo de rir de um cara ruivo de bigode com chapéu de foca. Arthur estava pior que eu, já estava falando sobre unicórnios e esse tipo de coisa. E estava ignorando as barreiras do contato físico. Muito.

Estranhei muito quando ele descansou a cabeça no meu ombro, mas ok. Aí ele cansou e passou o braço, mas ok. Aí ele deitou no sofá e colocou as pernas no meu colo.

Quando eu pisquei o cara ruivo tinha sumido e Arthur estava no meu colo me beijando. Não afastei, não tinha forças pra fazer isso. Ele não se decidia entre minha boca, meu pescoço ou minha orelha. O problema é que eu sou muito sensível no pescoço e isso estava sendo refletido em outro lugar. Não, ele não estava exatamente encostando lá, mas a medida que foi crescendo foi encostando nele e o meu eu sóbrio interior me fazendo afastá-lo. Mas ele voltava mais forte.

– O que foi, Aaaal? Não me quer? – ele tinha muita cara de safado, cara. Tentava fazer cara de vítima inocente mas estava escrito “safado” na testa.

Arregalei meus olhos e virei o rosto, essa foi minha única reação. Até que ele entendeu e começou a se esfregar, SIM, LÁ.

– Artie, levanta...

– Não!

– Arthur.

– Hum hum.

– Arthur Kirkland.

– Me obrigue – cruzou os braços com tanta convicção como se não já tivesse provas de que eu sou mais forte. Pois bem, levantei eu mesmo do sofá o segurando pela bunda mesmo. Entrei no primeiro quarto, expulsei quem estava, o joguei na cama, tranquei a porta.

– Você quer mesmo brincar comigo, Arthur? Então brinca direito – esperava que isso o assustasse mas ele deitou, deu uma risada e continuou me olhando com os olhos semicerrados e a boca entreaberta.

– Vem.

Notas finais
daqui uns 5 capitulos vcs vao ver usuk de novo kkkkk bjim