O Que Ele Mudou Na Minha Vida Desde Então
32 Capítulo XXXII por Honda Kiku
Notas iniciais
Honda Kiku, hajimemashite. Aqui no ocidente, no entanto, tudo bem me chamar de Kiku Honda. Eu estudo aqui desde sempre e muita gente passou por aqui e já foi embora, não que tanta gente assim chegasse.
O jardim de infância de infancia daqui era naquele prédio da outra quadra, então lá será nosso ponto de partida. Eu fui uma criança um pouco reclusa — se você acha que hoje em dia eu ainda sou, a explicação é porque você não me conhecia. Morei no Japão até os quatro anos mais ou menos e meus pais resolveram se mudar para cá. Meu pai é americano e minha mãe japonesa. Eu fiz o maternal lá e ainda assim não tinha muitos amigos, não é exatamente a ambientação. Eu sempre fiz o que tinha que fazer e nos momentos de "socialização" eu preferia ficar desenhando ou brincando de montar com bloquinhos.
Em casa eu me abria mais, não que eu me sentisse desconfortável na escola de qualquer forma. Chegava e fazia as tarefas com a ajuda da minha mãe e mais tarde quando meu pai chegava do trabalho assistíamos televisão ou brincávamos. Acho que a única vez que fiz birra foi quando eu quis muito um gato, porque vi em um desenho e achei muito legal. Mas meu pai não me deu.
Um dia meu pai me fez uma surpresa e foi me buscar no colégio, porque tinha saído mais cedo. Fizemos o percurso casa-escola a pé, e em uma parte do trecho achamos uma caixa com três gatinhos, filhotes, escrito de canetinha na caixa "a mamãe deles era uma gata de rua e morreu dando a luz, não posso trazer eles para casa, por favor, cuide deles". E depois que meu pai leu para mim, ele era encarado por quatro caras de "cachorro" sem dono. E foi assim que meus melhores amigos do mundo me conheceram, Cato, Nezumi e Mia.
Enfim, me mudei para cá e claro que eu os trouxe. Admito que meu primeiro dia aqui foi meio aterrorizante, todo mundo era tão caloroso, exatamente o que eu não estava acostumado. Era basicamente falar 'oi' para alguém e ser respondido com 'oi, amiguinho'. Eu não me sentia amigo das pessoas, nunca os vi, nunca falei com eles. Mas eu fui me acostumando. Me sentei numa mesa excluída (as mesas eram para quatro pessoas, escolhi uma sem ninguém). Dois minutos depois Alfred sentou do meu lado e me fez mil perguntas, logo após veio Matthew e se sentou, mais discretamente, se apresentando apenas. E eles permaneceram invadindo minha mesa até não haver mais mesas em grupo, e na verdade eu sou grato por isso.
Todo dia eu chegava em casa e contava para Cato, Nezumi e Mia sobre meus novos amigos e inocentemente achava que eles sentiriam ciúmes, mas depois Alfred e Matthew passaram uma tarde na minha casa e se deram todos muito bem. Hoje em dia não somos mais tão próximos, temos interesses muito distintos, eles também andam com outra turma. Mas nunca deixaram de me cumprimentar ou me trataram diferente por isso. Ou por qualquer outra coisa, na verdade.
A medida que os anos passavam claro que eu fui fazendo mais amizades, como Héracles. Talvez hoje em dia ele seja meu amigo mais próximo, conheci-o na primeira série, já sentávamos em mesas individuais, mas em um dos primeiros dias tinha que ler um texto e ele ainda não tinha o livro, então ofereci para se sentar comigo. E acabamos conversando e conversando e conversando até que descobrimos que basicamente a única coisa em comum que temos é: gatos. Mas no final isso não impede nossa amizade.
Na terceira série tinha uma aluna nova muito tímida. E linda. É engraçado como criança vê em filmes e novelas romances e acha muito bonito. E eu achava que eu estava apaixonado por ela. Sim, no dia em que a conheci. Me apresentei e desejei boas vindas e ela sorriu quase como uma menina de mangá shoujo, os olhos pareciam até se fechar – talvez porque ela seja asiática também e mesmo séria seus olhos pareciam semi fechados. Eu que me prostrei para cumprimentá-la fui respondido com um abraço. "Prazer, Xiao Mei".
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