O Que Ele Mudou Na Minha Vida Desde Então
20 Capítulo XX por Mathias Køhler e Lukas Bondevik
Notas iniciais
MATHIAS
Não que eu realmente fosse desistir do Lukas, não tão rápido, mas eu queria saber se ele se importava. Quer dizer, por que ele se importaria? Mas eu reparei que a pessoa mais próxima dele na escola era eu, e não éramos muito próximos assim. Talvez, se isso desse errado, eu não poderia voltar atrás e voltar a encher o saco dele...
Enfim, eu disse que fui ao banheiro porque tinha ficado muito nervoso e não queria esperar a reação, porque tinha medo de levar um “quem se importa?”. Mãããããããããs...
– Ei, Mathias.
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LUKAS
Eu sou muito orgulhoso. Muito mesmo. Isso que o Mathias fez, não se faz com alguém como eu, não mesmo. Mas eu realmente sentia que precisava fazer isso. Acho que andei tomando a noção de que mesmo sendo solitário eu não posso viver sozinho, e nunca o fiz. E se preciso de ajuda, decidi que não iria me humilhar para um mero colega quando chegasse a hora, mas preferia pedir a um amigo. E no caso de a única pessoa que se importou comigo estar vacilando, eu prefiro que seja ele à quem nunca me notou. Só que eu não sabia como fazer...
Eu sabia que ele não precisava urinar (nem outra coisa), que ele só queria me dar espaço para pensar sozinho sobre isso. Apesar do idiota que o Mathias é, ele me entende muito bem. Decidi que me esforçaria, agora só faltava a parte “importante”, sentei e pensei um pouco... Eu não sei me aproximar de pessoas! Tudo bem, decidi que resolveria isso na hora, agora eu juntei toda minha coragem e fui em frente, rumo ao banheiro. Abri a porta subitamente para não vacilar e então encontrei Mathias apoiado com as mãos na pia e a cabeça baixa, é impressionante que ele não tenha se assustado/notado meu alvoroço, pois ele não se mexeu.
– Ei Mathias.
Enfim ele se levantou para me encarar, não sei dizer ao certo que tipo de semblante ele carregava mas não era mais aquele sorriso bobo de sempre. O que meio que me assustava e me deixava menos confortável ainda para falar, e aí me lembrei que eu não tinha formulado nada.
– V-você... eu... ér... de- ai. Vocêquertomarumcaféoualgumacoisadepoisdaqui? – ele gargalhou.
– Oi?
– Você... quer...
– Brinks, entendi, haha. Claro. Aonde?
– Tem um Starbucks aqui perto... É bem calmo lá e... Aconchegante – olha, eu nunca fui de falar com pessoas, sim, apesar de ser ótimo com palavras tentar ser legal é uma tarefa complicada.
– Pode ser, você tem mesmo cara de hipster e tal.
– Hum?
– Nada, vamos, eles já devem ter chegado.
Preciso descrever o quanto o ensaio foi constrangedor? E rápido? Elizaveta é muito desnecessariamente exagerada com esse perfeccionismo teatral maldito. Enfim, entre mim e Mathias não haviam muitas falas, mas entre elas, muitos olhares e desvios. Imagino que como eu sou muito pálido, devo ter “camuflado” bem minha vergonha. Note a ironia. E então acabou e todos foram embora.
– E aí, Lukas, vamos? – acenei e então ele subitamente pegou minha mão e correu para a saída.
– Ei, eeei, espera, está machucando!
– Oh... Desculpe – se eu soubesse, teria ficado calado. Mathias soltou meu braço, mas me levantou e me colocou debruçado em seu ombro. Você entende o que eu quero dizer? Eu, dividido ao meio pelo ombro de Mathias. Para piorar, ele segurava pelo único ponto que eu sinto cócegas: nas “costas” dos joelhos. E saiu correndo pela escola assim. Enquanto eu me debatia de rir e o batia para sair dali. Chegando na rua, ele me colocou no chão.
– Eu ouvi direito, Lukas? Cê tava rindo?
– E-eu não! Você já me viu rir?
– Não, só ouvi, mas agora quero ver – e começamos a correr no meio da rua, estava fugindo dele, é claro. Olha só as coisas que ele me fez passar.
Eu estava correndo pela minha vida, mas ele estava brincando. Porque claro, ele é um atleta, já teria me alcançado. Quase chegando na porta do Starbucks, ele fez uma forcinha, me alcançou, me agarrou por trás e segurou, mas não se mexeu depois disso.
– Ei, Mathias, anda logo, eu preciso ir emboraantes que escureça.
– Nha, eu te levo. Meu carro tá na escola.
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MATHIAS
A risada do Lukas era aquele tipo de risada que todo mundo considera esquisita mas você não entende o porquê, porque é fofa pra caralho. Eu queria ouvir de novo, e sempre, mas agora eu queria ver a cara dele, o que é muito difícil quando sua mira é atrás dos joelhos de alguém como ele. Como isso não seria possível, decidi fazer outra coisa que há tempo queria: encoxar ele. Não, to de brinks, só abraçar mesmo, a encoxada foi acidental.
Ele é tão pequeno. Tão branco que parece estar doente ou congelado, mas mesmo assim é tão quente. Tão magrinho mas tão “fofo”... Ah, era muito aconchegante, eu não queria sair dali.
– Nha, eu te levo. Meu carro tá na escola.
– E você acha que também é seguro voltar para a escola depois de escurecer?
– São só duas ruas, e você tá comigo, né? Tá comigo tá com Odin.
– Eu vou fingir que eu não ouvi isso.
– Oxi, você não confia em mim? – o virei para me encarar, porque até então ele estava de costas.
– Deveria? – acho que aqui é o início da coisa mais irritante do mundo. Não, eu nem me importava mais com o tom de sarcasmo dele, o problema é que quando ele queria ser “ácido demais” ele levantava a sobrancelha de uma forma tão insolente que chega açoita minha alma (nem parece que isso saiu da minha cabeça, pra cê ver o quanto me irrita). Aquilo pra mim é a manifestação de um diabo interno se personificando assobrancelhando para dançar Ragatanga zombando de mim.
– Tsc – acabou a magia, acabou o tesão, soltei ele e fui entrando – Quê que cê vai querer?
– Hum... Um Choco Chip Frappuccino.
– Ok então. Boa tarde, dois choco chip frappuccinos.
– Boa tarde, e o que devo escrever? – a atendente.
– Deixa eu ver... – eu.
– Para o Mathias, pode ser “barulhento”.
– E para Lukas pode ser chato – a moça deu uma risadinha e nos trouxe os frappuccinos com nossas respectivas qualidades – Pera, moça, tira uma foto, por favor? Segura assim, Lukas.
– Mathias, eu detesto tirar foto.
– Por favor, eu quero fazer uma experiência psicológica.
– Você? – insira aqui a sobrancelha vulgo diabo dançando Ragatanga.
– Shhhh – coloquei ele para segurar o “chato” de frente para a câmera e eu do mesmo jeito com o meu “barulhento” e ela tirou a foto – Muito obrigado. :D
Fomos sentar, enchi o saco dele pra que me contasse mais sobre ele, ele empurrava alguns “e você?”s... Fiquei muito feliz, Lukas não sabe puxar conversa, esse era o jeito dele de se esforçar.
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