O Que Ele Mudou Na Minha Vida Desde Então
46 Capítulo XLVI por Alfred F. Jones
Notas iniciais
No outro dia na escola todo mundo só falava de como tinha sido o espetáculo ontem o qual eu perdi uns dois ou três grupos, o final, e o namorado. Não sabia como ia encará-lo mas não senti que precisasse/pudesse faltar. Cheguei mais cedo que todo mundo poderia chegar e fui logo para o fundo da sala. Enfiei minha cara num livro e tentei estudar física pra me distrair. Só tentei mesmo, porque, você sabe, é física.
Depois de quase uma hora sozinho meus amigos começaram a chegar e eu só percebi porque eles são barulhentos. Não queria olhar quando ele chegasse, porque a porta é bem ao lado do quadro, quem passa por ela tem uma visão periférica da sala toda e talvez ele olhasse pra mim e eu morreria um pouco por dentro. Eu não lembrava mais como era não ter ele por perto ou encher o saco dele, ok? Na verdade eu tinha até esperanças de que Arthur faltasse.
O que ele tem? impressionantemente a primeira pessoa que demonstrou achar estranho eu estar estudando foi Lovino.
Não sei, mas não adianta perguntar agora, ele está no período do silêncio Antonio respondeu.
Mas é realmente muito estranho um cara como Alfred ter um período de silêncio.
Antonio tinha razão, não adiantaria ninguém falar comigo agora. Geralmente quando eu ficava assim só adiantava quando Matthew ia atrás mas está aí outra pessoa que eu estou tentando ignorar e o próprio não quer me ver nem pintado de ouro.
A primeira aula foi com Otho e mesmo que eu quisesse prestar atenção, eu teria que olhar pra frente e isso não iria rolar. Ele deve ter percebido isso. No final da aula ele me chamou para ir até a sala dele. Todo mundo me olhou apreensivo, Gilbert soltou um fudeu, Antonio desejou sorte... Porque você sabe, Otho é o diretor e eu sou bagunceiro, todo mundo já espera merda. Inclusive aproveitei que Gilbert que estava do lado de Matthew se manifestou e olhei pra ele, esperando passar um nem se dirija a mim mas senti que saiu meio desculpa.
Sente-se, Alfred. Quer chá? pra quem não sabe, o chá da escola é milagroso. Sério mesmo, parece, tem gosto e cheira igual chá de camomila mas deve ser uma poção curativa. Quem ia pra enfermaria com dor de cabeça, eles davam o chá. Quem ia com diarréia, eles davam o chá. Torceu o tornozelo, davam o chá. E melhorava mesmo, vai saber.
Não, obrigado porque chá é a coisa mais inglesa que tem. E uma coisa inglesa não cura a falta de outra, certo?
Mas você vai tomar mesmo assim. Ninguém recusa o meu chá. Mas enfim, você parece desligado. Digo, você não é o melhor dos alunos mas as vezes tenta participar. Quando não quer participar, fica conversando. Convenhamos que você é barulhento, mas hoje eu não ouvi um pio.
Olha que ótimo.
Não não, isso é ruim. Significa que algo aconteceu. Escuta, mesmo que eu queira muito, nossa senhora, como eu quero, que você seja mais quieto a melhor solução não é calar sua boca. É canalizar essa vontade de se comunicar toda pra algo bom, o que você vinha tentando fazer e eu reconheço. Mas se calar totalmente não é bom. Seja franco, você nem prestou atenção na aula. Qual benefício que isso traz? Nenhum, então não é porque você entendeu errado o que é ser um bom aluno, é porque algo aconteceu. O que aconteceu?
Olha, Otho... É bem embaraçoso. Não quero contar não.
Você só vai sair daqui se me contar, aí eu ligo para o seu pai e você pode contar na frente dele.
E o que te leva a crer que o problema não tem a ver com meu pai?
Somos amigos de cachaça, eu saberia.
Oh.
Então é assim que ele sempre sabia de tudo magicamente.
Bom... É que... EuabuseisexualmentedeArthurKirkland.
QUÊ? Explica essa história.
No dia do aniversário do Gilbert teve uma festa, o senhor sabe. Eu e Arthur fomos juntos. A gente bebeu um pouco mas ele ficou muito bêbado, eu não muito. Aí ele começou a se esfregar em mim e eu tentei afastar mas aí eu não lembro o que aconteceu e a próxima coisa que eu lembro é que ele estava me... coisando.
Oh. O que é coisando?
Ai meu Deus, não basta me fazer falar essas coisas você ainda quer que eu especifique?
Sim, isso é meio grave.
Suspirei. Não devia ter contado.
Chupando. Mas enfim, na manhã seguinte ele não lembrava de nada e eu não contei.
Oh. Mas foi só isso que aconteceu?
Sim. Aí começamos a namorar depois de um tempo e ele descobriu por outra pessoa. Terminamos.
Entendi. Bem, pra começar você não necessariamente abusou dele. Ele estava querendo e você também não lembra direito, né? Claro que não é o certo fazer... coisas... com alguém fora de si só pra se aproveitar mas vocês dois estavam fora de vocês. Que frase mais confusa. A sua culpa foi saber e não contar. Já pediu desculpas? assenti E o que ele falou?
Eu disse e fui embora.
Ah, mas aí também tu quer né, como você vai saber o que ele acha se não escutar?
Não sei, eu tenho um misto de vergonha e medo. Eu não devia ter deixado.
Mas já foi, agora você tem que arrumar isso de um jeito que não seja voltar no tempo. Vai lá.
Alguém bateu na porta bem na hora que eu ia me levantando. Otho mandou entrar já que eu estava saindo. Quando abri a porta, dei de cara com um inglêzinho sobrancelhudo cheio de papéis na mão. Saí da frente pra ele passar e assim que ele passou, fechei e porta e saí correndo. Desculpa, Otho, mas não vai ser hoje que eu vou lidar com isso ainda.
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