O Que Ele Mudou Na Minha Vida Desde Então
43 Capítulo XLIII por Lukas Bondevik
Notas iniciais
Muita gente estava demonstrando estar nervosa e muita gente estava demonstrando calmaria. Eu era uma das que demonstravam estar calmo, mas só demonstrava. Por dentro eu tremia de nervoso. Nunca me exponho tanto. Nem em trabalhos só para a turma me dou muito bem, gaguejo e falo bosta. Eu estava literalmente fodido.
– Lukas, me passa um pouco dessa sua tranquilidade – Liz disse. Haha. Apenas tentei esboçar um sorriso, foi difícil mas acho que saiu.
Começou a apresentação do grupo do Alfred. Enquanto isso todos os membros dos outros grupos corriam daqui para ali. O meu era o último e quase tudo estava pronto, então tínhamos tempo pra parar e assistir. Vê-los se dando tão bem me deixou ainda mais inseguro. Era feio mas torci pra que alguém tropeçasse em suas falas.
– Hey, quero te ver vestido de mulher também.
– Cala a boca, Mathias.
Apesar de só falar besteira, um certo bobão me distraía. Bom, isso até quando eu não precisava ser distraído. Principalmente quando eu não devia ser distraído. Eu não admitia mas amava isso.
A apresentação acabou, todo mundo riu, se emocionou, torceu e bla bla. Eles realmente prenderam a platéia e eu não sabia se éramos o suficiente pra fazer o mesmo. Não sei, nossa ideia era tão simples. Se você não se lembra: ficamos com a Segunda Guerra Mundial e seria simplesmente um grupo de soldados de diferentes etnias ao redor de uma fogueira contando histórias. Eu estava literalmente fodido novamente.
15 minutos de intervalo entre uma apresentação e outra, o público conversava entre si fazendo um barulho absurdo e isso latejava na minha cabeça como se eu tivesse dentro de um sino badalando. Minha cabeça doía muito e eu estava tonto, estava pronto pra arruinar pra todo mundo – mas não era por querer. E ao mesmo tempo, não queria dizer pra ninguém, não queria parecer fraco.
Fui logo trocar de roupa para me convencer a não desistir, onde as pessoas estavam destrocando de roupa – na verdade, só Lovino e Arthur que correram pra trocar. Francis, Kiku, Matthew e Heracles também estavam lá, mas os outros não fizeram questão. Não tinha muita privacidade, era todo mundo na mesma sala, por isso tentei me isolar no meu cantinho, até que Heracles se aproximou.
– Rola.
– Oi?
– A resposta para o nervosismo ir embora. Descobri hoje.
– Você é muito vago – antes de eu terminar de falar ele já havia ido embora.
Mas é claro que eu fiquei pensando nisso. Porque tipo, Heracles é um cara aparentemente calmo. O mais calmo de todos os calmos. O mais calmo dos mais calmos. Talvez até mais. E talvez isso fosse uma máscara, porque ele disse que descobriu aquele dia a resposta para o nervosismo ir embora, e ele não parece uma pessoa nervosa, não mesmo. Talvez ele tivesse visto através de mim. Talvez se identificado. E ele é uma pessoa séria, então resolvi tentar.
– Lukas, onde está indo? Não vai ver a próxima?
– Agora eu não posso falar, Mathias, já volto.
Na saída “informal” do auditório, atrás de uma porta de vidro com películas escuras, havia uma rampa. Nem um convidado passaria ali, ela é só para funcionários. Por isso é uma rampa, para facilitar a subida com carrinhos e coisas pesadas. Na entrada para convidados tem um elevador para portadores de necessidades especiais, então de modo algum alguém que passasse ali iria me passar vergonha – porque só poderia ser meus colegas de turma, e eu não ligo para o que pensam.
Fechei a porta da película atrás de mim e encarei aquela rampa. Teria que ficar só para fazer o que Heracles me sugeriu, e pra mim estava óbvio: deveria me aliviar. Respirei fundo, sentei no chão. Deitei e... desci rolando. E foi super divertido. E eu sujei minha roupa um pouco mas quem liga? Subi e fiz de novo. E de novo. E de- a porta abriu, levantei rapidamente e fiz meu melhor para fingir que apenas passava por ali.
– Eu não entendo você, sabia? – Mathias me olhava sério. Me fiz de desentendido, óbvio – Isso realmente não tem a sua cara. Rolar na rampa. O que te deu? Por que não me chamou?
Ele me esperou responder? Não. Me agarrou e rolou comigo. Se eu podia rolar na rampa com meu namorado o qual eu esperava que fosse a ultima pessoa que soubesse dessa prática peculiar, eu poderia encarar todos aqueles desconhecidos mesmo que fracassasse na frente deles. Porque deles não me importa a opinião.
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