O Que Ele Mudou Na Minha Vida Desde Então

42 Capítulo XLII por Arthur Kirkland e Francis Bonnefoy


Notas iniciais
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAEEEEEEEEEEEEE CARALHOOOOOOOOOOOOO FELIZ ANO NOVO NESSA PORRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

ARTHUR KIRKLAND

Estava tudo pronto para a nossa fatídica peça – e digo fatídica por causa da vergonha que iria passar, antes estava tão empolgado. Estava sentado numa cadeira de costas para o espelho, Elizaveta estava me ajudando com a maquiagem.

– Fecha os olhos – ela segurava um pincel com a ponta de esponja suja de pó rosa.

– Você pretende enfiar isso no meu olho?

– Bom, se você não fechar, vai ser no olho mesmo.

As mulheres são algo a se temer. Sério, são coisas tão comuns para elas esse tipo de parada bizarra que parece tortura da inquisição. Aquele dia eu descobri o que é um baby liss e até hoje não me recuperei do trauma de imaginar como aquilo pode ser usado para o mau.

Quando ela terminou de rebocar minha cara, sacudiu uma longa peruca ruiva na minha frente.

– Mas a gente não ia só colocar um aplique?

– É, mas ainda dá pra ver que é você e não acho que você iria curtir muito isso.

– Você é uma grande amiga, sabia?

Ela sorriu e me ajudou a colocar. Outro ritual satânico é colocar peruca. Quando tudo estava pronto, ela me virou para o espelho. Não era eu, definitivamente. Eu estava linda, mas não era Arthur.

Estava me admirando de boas quando sou interrompido bruscamente por um Lovino também travestido.

– Eu também quero uma peruca, não é justo!

– Imaginei que você também fosse querer – Elizaveta levantou uma peruca média preta e fez sinal para ele se sentar na cadeira ao nosso lado.

Apesar da correria de todo mundo, até agora tudo estava dando certo.

FRANCIS BONNEFOY

Como valia nota e íamos apresentar pra muita gente, não podíamos perder o foco. Passei um bom tempo sem ver a Joana, mas não fiquei sem falar com ela. Convidei-a para nos assistir e daria meu melhor pra fazer ela sorrir com um grande espetáculo.

Apesar de ter escolhido um verde bem claro para o vestido de Arthur, contrastou tanto com sua pele branca. Poderia dizer que é cadavérico se não lhe caísse tão bem. Apesar de estar superando, eu ainda tinha recaídas. Ele estava tão bonito, quando entrei na sala e ele já estava maquiado – mas sem a peruca – foi como ver uma princesa (com a peruca também, mas aí não parecia ser ele).

Eu ficava muito confuso sobre o que sentia. Por um lado eu era completamente apaixonado por Arthur, por outro quando Joana aparecia eu nem lembrava que ele existia e por outro Arthur me puxava mais. Sem eu saber depois ele voltou no hospital, fez exames e é compatível com Joana, então doou medula pra ela, e por isso ela ficou melhor. Ele ainda acha que eu não sei que foi ele, mas isso só me fez gostar dele mais e mais. E a confusão aumentar.

Mas eu sabia que ele nunca seria meu. Agora ele estava junto com o Alfred oficialmente e eu não posso atrapalhar o amor. Eu não podia evitar ter inveja, claro. Mas também Joana precisava de mim. E mesmo que Joana não precisasse, alguém por aí precisa de outro alguém pra dar amor e carinho, e essa é minha missão. As vezes as pessoas me chamam de galinha por isso, mas se for pra passar uma noite com alguém, faço questão que seja a melhor noite da vida da pessoa. E quando Arthur chegou eu estava pronto pra fazer isso pela vida inteira pra ele, mas não vou brigar com o destino.

Mas chega de divagar, temos uma peça pra fazer, non? Mandei Matthew atrás do resto dos sumidos enquanto eu preparava as roupas com Kiku. Alfred foi o primeiro a chegar e enquanto eu o ajudava a colocar a armadura falei:

– Você deveria ir ver Arthur.

– Nah, acho que ele vai ficar de mimimi achando que é implicância e perder a confiança.

– Bom, acho que se deixar pra ver no palco vai travar e fazer papel de besta.

Ele me encarou por um tempo mas nada disse. Assim que terminamos ele foi discretamente ver Arthur. Não sei o que aconteceu depois. Faltavam quinze minutos para a apresentação e nada de Sadiq, Heracles e Matthieu, quando finalmente o último chegou atônito dizendo que achava que os outros estavam a caminho. Jurei que se desse merda por conta deles eu ia mandar castrá-los. Mas logo um chegou atrás do outro, deu tempo de terminar tudo no último minuto.

Sabe, eu adoro teatro. É uma forma de arte tão bonita. Os quadros ilustram, os livros recitam e o teatro dá vida. No momento em que pisamos no palco, simplesmente esquecemos de quem somos e imergimos em outro mundo, pois somos outra pessoa. Não é só interpretar, é sentir, mesmo que nos personagens mais secundários da face da Terra. E foi o que fizemos com maestria, nossa peça ficou perfeita ao meu ver. Quando terminamos e nos juntamos para agradecer o público, não pude conter algumas lágrimas de emoção.

Notas finais
oi