O Que Ele Mudou Na Minha Vida Desde Então

41 Capítulo XLI por Sadiq Annan


Notas iniciais
GENTE eu tava com bloqueio, passei um tempão só nesse primeiro paragrafo aaeuhauae af nem tem em que enrolar, só isso só boa leitura

Quando pisquei já era final do ano. Passou tão rápido mas ao mesmo tempo aconteceu tanta coisa, acho que esse lance de “o que ele mudou na minha vida” teve uma grande parte no 1º ano.

A peça foi antes das provas finais porque também valia nota – e de qualquer forma, depois da prova ninguém aparecia, não adiantava. Estávamos convictos que só seria apresentada em sala, como outras que já fizemos.

– Povo, eu dei uma olhada nos cenários que cada grupo está fazendo. Não tenho certeza se ele vai encher bem o auditório – Otho fingia que era apenas um comentário ingênuo de quem deixa passar um segredo mas aquele olhar de quem quer ver o circo pegar fogo e o meio sorriso já dizia tudo.

Faltava uma semana pra apresentação. Teríamos que fazer um novo cenário, agora ainda maior. Em uma semana. Claro que teve alvoroço.

– Como assim no auditório? A gente não ensaiou pra um espaço tão grande e levamos um mês pra fazer um cenário que coubesse na sala, você não pode!

– Ah, meu querido Lovino, fico tentado a deixar ser na sala só porque o protesto vem de um neto tão bonitinho quando está com raiva. Mas eu posso sim, e vai ser lá. E vai ser para todos os alunos, pais, professores e convidados do colégio. Espero que estejam bem preparados.

Lovino saiu da sala muito puto da vida, bateu a porta e tudo. Assim que ele se levantou, Antonio foi atrás dele e depois de Antonio, Feliciano. Enquanto isso, Arthur e Kiku vieram se juntar a nós – eles sentavam na frente, enquanto o resto do grupo era mais do fundão.

– Fudeu. Fudeu. Fudeufudeufudeufudeufudeufudeu. Fudeu – Arthur até parecia calmo, se não fossem seus olhos vidrados e frases desse tipo – Se fosse passar vergonha só na frente das pessoas daqui, tudo bem, mas de todo mundo... Fudeu.

– Calma, nem vão te reconhecer de menina... – Alfred tentava remediar a situação, em outra ocasião isso teria piorado, mas Arthur tinha outras preocupações.

– Não to falando disso, eu fico fabuloso de menina. Estou falando que não dá tempo de fazermos um cenário decente ou até mesmo adaptar para um espaço tão grande só a atuação. Vai dar tudo errado.

– Relaxa, a gente consegue. Bom, vamos tentar reaproveitar ao máximo o cenário que temos, oui? Você, Kiku, Mathieu e o Lovino não fizeram um trabalho maravilhoso pra nada. O próximo vocês desenham e todo o resto ajudamos a pintar com o maior cuidado pra não estragar, enquanto pintamos, passamos as falas. Enquanto seca, vemos o que fazer quanto ao espaçamento – todo mundo ficou impressionado com o espírito de liderança repentino do Francis. Não é pra menos, ele se manteve o tempo todo quieto nesse trabalho que ele poderia soltar a franga, parecia o Kiku, mau falava, mas fazia o que era pedido.

– Ele tem razão, galera. Se ficar vergonhoso, é porque a gente não tentou o suficiente. Sabemos todas as falas, quase acabamos com a cota de artista da sala pegando quatro de uma vez, temos dois grandes figurinistas, o roteiro tá massa e temos os melhores atores. Vamos salvar essa peça, vamos ser nossos heróis! – agora surpresa mesmo foi o Alfred dando o braço a torcer ao concordar com o Francis de boa.

Depois das aulas, nos reunimos todos os dias, apenas almoçamos rápido e ficamos na escola até umas seis e meia. As vezes, depois disso, fomos pra casa de alguém. Mas não ficamos de moleza, ralamos a semana inteira e todos os outros grupos também fizeram isso a sua maneira.

E então o dia chegou. Estava marcado pra começar cinco da tarde, já que tinha quatro grupos, a troca dos cenários tinha que ser feita rapidamente e a apresentação não podia passar de uma hora. Estávamos desde as oito da manhã na escola terminando as coisas e finalmente fazendo o ultimo ensaio. Heracles estava bem mais tenso que o normal, mas eu não tentaria puxar assunto, poderia estragar tudo.

Todo mundo estava nervoso. Nessa altura do campeonato, todos os grupos se ajudavam, enquanto pegávamos maquiagem emprestada de fulano, Francis remendava algo pra ciclano, Matthew ajudava a arrumar beltrano, e por aí vai. Uma coisa muito bonita apesar da bagunça que foi a nossa sala, é que somos muito unidos apesar de uma rixa aqui e outra ali. Cuidamos uns dos outros, reinvidicamos um pouco de nós pelo próximo.

Umas três da tarde, começamos a arrumar nosso cenário. Tínhamos a vantagem de ser o primeiro grupo – porque era em ordem cronológica dos acontecimentos – e arrumar tudo bonitinho. Mas pra mim também era uma desvantagem ser o primeiro. Arthur discordou e disse que era bom que acabasse logo. E que se a gente fizesse alguma merda, acabariam esquecendo porque tem outras peças. Bom, ele tem argumentos fortes. O fato é que principalmente a galera do colégio foi começando a encher o auditório essa hora. Não me pergunte, eu não sei o que esse povo sem o que fazer queria no auditório essa hora. Mas Heracles foi ficando cada vez mais nervoso.

– E-esse auditório é grande, né? Tem tantos lugares... Será... Será que vai vir muita gente?

– Sim, parece que esse é só o pessoal que estuda aqui de tarde. Não sei se estão matando aula ou se os professores liberaram, mas também tenho minhas dúvidas de quem seriam os tais convidados que o Otho falou.

Estávamos na salinha de som do lado do palco, tinha uma janelinha que dava para o público mas eles não podiam nos ver porque tinha película. Eu estava em pé e ele sentado na cadeira. Olhei pra ele depois que eu falei isso e ele estava debruçado sobre a mesa com o rosto escondido entre os braços.

– Quem diria que você é tão tímido. Sabia que nos jogos também vem muita gente nos ver?

– É mas nos jogos eu não preciso olhar. Não estão na minha frente, eu só tenho que prestar atenção em vocês – o som estava meio abafado porque ele não se levantou, eu escutei “eu só tenho que prestar atenção em VOCÊ”, eu sabia que não era isso, mas foda-se, eu fiquei feliz.

– Então continue assim, olha só pra gente. Você não precisa olhar pra eles.

– M-mas eles estão bem ali, eu sei disso – ele levantou a cabeça – Eventualmente eu vou olhar e vou travar.

– Isso é falta de rola – eu queria dizer alguma coisa engraçadinha pra ele se sentir menos tenso, quebrar esse nervosismo, mas quando eu percebi o que tinha saído da minha boca eu acho que só piorei a situação. Foi sem querer! Eu não tinha pensado no que eu ia falar, raramente eu penso. Ele ficou um tempo só olhando pra mim, depois arqueou as sobrancelhas, olhou para o chão e eu sem saber o que fazer. Voltou a olhar pra mim, abriu a boca, fechou. Levantou da cadeira e ficou no meu nível. Abriu a boca de novo.

– Você tem razão – colocou aos mãos atrás do meu pescoço e começou a me beijar. Sinceramente? Sinceramente meeeeesmo? Eu esperava qualquer coisa, menos isso. Principalmente depois do que eu disse. Mas é óbvio que isso não me impedia de aproveitar o momento.

Como ele estava nervoso ainda, o sentia tremer um pouco. Sem afastar o beijo, peguei ele no colo e coloquei sentado na mesa. Agora sim afastando, resolvi explorar seu pescoço. Ele gemia um pouco, majoritariamente parecia de dor. Coloquei a mão sobre sua boca e parei um pouco. Encostei minha testa na dele, fiquei tão próximo que nossos narizes roçavam e olhei fundo nos olhos dele. Até 5 minutos atrás eu achava que era impossível se aproximar mais que um metro.

– Mas temos que ficar bem quietos, ok? – ele fez que sim com a cabeça, tirei a mão e voltei a beijar sua boca. Gradativamente eu sentia meu corpo aquecendo mais e mais, mas não me preocupou que ele soubesse que eu estava duro. Ele concordou que ele precisa de rola, ué.

Até que a porta abriu. Ninguém é ateu quando a porta abre nessas situação. Só torci muito pra não ser o Diabo Otho – no fundo dá no mesmo. Juntei toda minha coragem e me virei para a porta que era atrás de mim. Estava aberta apenas uma fresta, de um ângulo mínimo que desse pra ver o Matthew todo sem graça olhando para o chão.

– F-francis tá chamando pra... pra... pra... pra quê mesmo? Ah, colocar o figurino... Tchau – e desapareceu, fechando a porta de novo. Bem, já que o momento tinha sido quebrado, era hora daquele climão, certo? Voltei a olhar para Heracles, talvez pra pedir desculpa, não tinha pensado ainda. Mas ele me beijou de novo como da primeira vez, levantou e saiu.

Encostei na mesa por um tempo, pra assimilar tudo. Essa peça poderia sair um cu que eu não ligava, meu dia já estava ganho.

Notas finais
não, eu não uso "falta de rola" como argumento pra nada só queria ver alguem concordando com isso auhuea tipo ironia ta lgd ta, desculpa