O Que Detesto Mais
1 Dez Anos
Notas iniciais
— Pessoas violentas. Pessoas ainda presas a lei da selvageria. Eu diria que é o que menos gosto.
A criança o encarou de soslaio, rosto virado. Estava agachada diante um amontoado violeta escuro de flores ''sombras noturnas''. A frente dele. Manhã tornando o rubro das íris vivos.
As sobrancelhas dela subiram. Jaime Fearblood respirou um pouco mais pesadamente.
''Claro que subiram. Sempre sobem quando não entendeu algo''.
— Na floresta — o lorde Fearlbood começou. — Animais fortes comandam os fracos. ''Seja minha comida'' dizem e suas presas e garras forçam a acontecer. ''Esse espaço é meu'' avisam e suas pernas e braços distanciam invasores. Se tem força, governa. Existem inúmeras formas de força e também igual número de formas de controle. E aqui estamos, auto intitulados racionais, colocando nossos iguais sob nossa vontade. Porque... é necessário. Para sobrevivência, para paz. Porque somos iguais e desejamos coisas.
Os pequenos pés dela pisaram, girando-a até ficar de frente a Jaime.
''Não o bastante'' soube. Stephanie teria tornado a fitar as flores caso fosse.
— Adultos, e às vezes crianças, tem entre seus desejos coisas que machucam o outro. Coisas que suprimem o quanto da vida o outro pode aproveitar. Quando realizam essas vontades... — parou, suspirou. As palavras seguintes postas em balança. Eram um espelho para mostrar que eles, Jaime e a criança, eram, no exemplo que estava para dizer, o ''forte governando'', ''a coisa que o papai dela menos gosta''. Fechou os olhos, abriu. Tomou sua decisão. — Comem do melhor, tem a disposição todo tipo de item manufaturado, acesso a todo tipo de serviço e local deslumbrante. Enquanto um número maior de pessoas não o faz, não o tem, não possui acesso. Força suprime o indivíduo fraco e também mantém a paz. Ser essa lâmina sem cabo e ser necessária... é realmente desagradável da parte da natureza selvagem presa as pessoas.
A criança o fitou. Piscou, olhou para as placas pálidas do solo. As estampas de nuvens azuis.
Então o encarou. Trajava vestido vermelho com babados brancos, pés descalços e sujos de terra.
— Eu gosto da sua voz, papai — ela disse, sorriso nos lábios.
A boca do lorde Fearblood abriu. Pairou aberta por dois segundos. Antes de fechar. Desviar o olhar e fechar as mãos atrás das costas.
— C-certo.... — respondeu. Um pequeno pedaço por ter esquecido que ela tinha dez anos.
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