O Que É Amar?

5 Desaparecida.


Notas iniciais
Oi gente! Dessa vez não demorei tanto, não é?
Não, esse não é o capítulo que eu esperava para ser. Iria ser o "corujinha em perigo" só que ele vai ser transferido para o próximo. Vou viajar por dois dias e já como aquele não estava pronto eu escrevi esse rápido para postar para vocês e assim cumprir a promessa de um capítulo por semana.
Desculpem-me se tiver confuso, não pude revisar direito ou acertar algumas coisas. Avisem-me se ter ficado complicado para entender em alguma parte, ok?
Minha amiga havia sugerido que eu colocasse o nome desse capítulo de "Onde está Silena?", mas em dúvida, vou deixar os dois. O que vocês escolheriam?
Quero agradecer (novamente) a Leeh Spears pela recomendação. Obrigada mesmo!!!!!!(:
Espero que gostem.

Tempo Atual. — Acampamento meio-sangue.

-Ah, você vai nos ensinar amanhã? –a garotinha ruiva com sardas nas bochechas perguntou insistente. Seu semblante era firme e severo, apesar de ter apenas sete anos de idade, mas agora, ele estava suavizado em uma expressão suplicante.

Uma filha de Ares proclamada, esse era o seu primeiro ano do acampamento e tinham-na salvado em Londres quando era perseguida por um Gigante, junto com seu irmão menor a quem estava ao seu lado, segurando sua mão com os olhos brilhando de empolgação; tinha as mesmas características da irmã e manejava uma pequena adaga, que poderia lhe servir nas mãos pequenas de um garoto de seis anos.

Percy sorriu gentilmente, agachando-se para ficar a altura dos seis alunos pequenos dele, à sua frente.

Os seis haviam sido resgatados e era o primeiro ano de todos no acampamento. Tinham variadas idades, além dos dois de sete e seis. Havia uma de onze anos, a mais velha do grupo, com cabelos louros quase dourados que reluziam no sol, os olhos azuis; filha de Apolo. Assim como os gêmeos filhos de Hermes no canto, de nove anos; cabelos enrolados em cachos volumosos, sorrisos travessos e com grandes olhos escuros e espertos; eles gostavam de pregar peças, o que não era surpreendente, principalmente no Sr. D. Uma garotinha no fundo da sala se escondia por entre os colegas, os olhos coloridos mudando de cor a cada instante, alternando-se entre todas as cores do arco íris, naturalmente, e, além disso, mudava-se para os diversos outros tons do azul, verde, acrescentando-se o marrom, dourado e prateado; filha de Íris, a garota era a mais calma e vergonhosa do grupo, devia ter entre os dez anos, gostava de treinar suas habilidades apesar de ser bem tímida. Percy gostava dela, fazia de tudo para deixá-la confortável, fingia não notar quando ela se confundia nos golpes e ataques no qual era meio desajeitada, porém era boa em defesa; fazendo o oponente desconcentrar-se em seu olhar hipnotizante. Os cabelos eram longos e iam até os seus joelhos, tinham fios prateados misturando-se aos fios mais claros, de um louro pálido, cor de areia; o que intrigava a todos que a olhassem. Ela era obrigada a prender os longos cabelos sempre que treinavam, para que não a atrapalhassem nos golpes, apesar de ela conseguir lidar muito bem com eles em um ataque surpresa; Percy já havia visto quando os gêmeos quiseram pegá-la quando estava alheia a realidade.

Sendo o professor oficial de esgrima do acampamento, sua agenda era lotada com cada vez mais semideuses para ensinar, já estava escurecendo quando a última aula do dia acabou e estava ansioso para voltar e rever sua filha, Silena. Já conseguia imagina-la correndo aos seus braços, empolgada para dizer as novidades do dia. Percy, repentinamente, lembrou-se. Talvez ela não estivesse tão empolgada assim. Sentiu o coração pesar, como se o apertassem com as mãos frias e cruéis. Devia ter ficado com ela, recusando-se a obedecer a mesma que garantira que estava bem, mas não estava. Ficou pesaroso de repente. Queria tanto a abraçar e reconforta-la, conversar mais a respeito...

E além de tudo, queria colocar um sorriso naquele seu rostinho angelical.

Percy tinha resolvido contar-lhe sobre a verdade da mãe após tantas insistências da pequena. Ficara receoso com sua reação, sabia que devia ter-lhe contado antes, mas não a queria magoar nem a deixar sentindo-se culpada; conseguira até aquele momento desviar-se das perguntas da garota de como a mãe morrera, porém sentia que não conseguiria esconder mais. Tinha que contar a ela, assim era justo. O como a mãe partira desse mundo. Silena tinha se recusado a compreender, a princípio, mas depois de Percy ter-lhe dado a carta de que Annie fizera a ela anos atrás, ela cedeu. Ambos haviam ficado, praticamente, a manhã inteira no quarto, consolando um ao outro. Percy aninhara a filha no colo e acariciava as suas costas em tentativas de acalma-la. Depois de ter lido a carta, as palavras a tinham atingido de uma forma devastadora. Como se a tivesse apunhalado pelas costas. Percy tentava o máximo fazer a filha ficar melhor, mas era difícil para ele.

Como ajudar a sua pequena se ele mesmo estava sofrendo com aquilo? Ainda não conseguia superar a morte dela, mesmo depois de ter dito para Annie de que não ficaria se atormentando pelo passado. Sua Annie. Agora uma parte dela estava na filha. Na filha que ele amava mais do que a própria vida. Não sabia o que faria sem a pequena garota. Sabia que se tornaria uma grande e feroz adversária para os futuros oponentes que enfrentaria. Assim como a mãe.

Depois que passaram um bom tempo juntos, Silena afastara-se do colo do pai, fungou e limpou as lágrimas que desciam pela sua face refletindo tristeza e, dando um sorriso fraco ao pai, dissera que estava melhor, agradecendo por lhe ter dito a verdade. Havia feito Percy ir “trabalhar”, mesmo após ele ter protestado dizendo que queria ficar com ela por aquele dia; ela recusara-se a se render. Havia assegurado de que estava bem, e que ele tinha jovens semideuses para treinar e depois disso, voltara para a cama, abraçando a carta da mãe contra o peito.

Ele, hesitante, fez o que ela pedira. Sabia que a filha precisava de tempo. Ela era dura e teimosa, e apesar de tudo, não gostava de ver os outros ao seu redor mal. Não queria que o pai ficasse pior do que já estava vendo-a daquele jeito e era por essa razão de que tinha o certificado que estava bem e logo sairia para as aulas também.

Ele almoçara com ela, dissera palavras reconfortantes e a deixara um pouco mais leve. Mas sabia que a garota ainda pensava na mãe no modo como se dispersava e brincava com a comida ao invés de se alimentar. Ele compreendeu seu silêncio e ficou ao seu lado até o momento em que a hora de se separarem chegar. Percy a havia abraçado e dito para ela que logo estariam juntos no final da tarde para conversarem mais, beijara o topo da cabeça da pequena e aconselhou-a a ficar longe de perigos. Conseguira extrair apenas um riso dela, e depois Silena correra para longe de Percy, sorrindo e fingindo que estava bem. Ela sabia que o pai só queria o melhor para ela, ela o amava e não queria que ele ficasse triste. Torcia para que pudesse entender seus sentimentos.

Percy sacudiu a cabeça, espantando as memórias do que havia acontecido mais cedo; reconfortando a si mesmo de que em breve estaria com ela ao seu lado novamente. Porém agora tinha que cumprir as “ordens” de Silena e concentrar-se em seus alunos e em sua aula. Ou melhor, no final dela.

Os seis pequeninos a sua frente pareciam ter gostado do professor. Eles se empurravam para se aproximar dele que estava observando cada um, analisando o potencial do que poderiam se tornar quando crescerem. Ele estava bastante impressionado com todos, e não podia deixar de sentir um carinho por eles. Todos os seis pares de olhos estavam o encarando, esperando, impacientes, a resposta.

-Claro que vou ensinar vocês amanhã, crianças. –ele assegurou e riu quando eles festejaram; os gêmeos dando socos no ar, a filha de Ares abrindo um longo sorriso enigmático, o irmão levantando a adaga para cima, a tímida filha de Íris saltou animada, parecendo que iria explodir de felicidade, logo disfarçando e contendo a alegria, limitando-se a dar um sorriso de orelha a orelha e, por fim, a filha de Apolo correndo para dar um abraço em Percy, que ficou surpreso com o afeto.

-Obrigada, Percy! Nós não vamos decepciona-lo. –ela garantiu, se afastando, prostrando-se na frente do grupo, como se fosse a líder. Percy criou uma imagem na cabeça do próximo time do acampamento. Eles faziam ótimos parceiros juntos, apesar das eventuais brigas e discussões enquanto lutavam. Porém, ele não poderia esperar mais do que eles estavam demonstrando; na verdade, eles realmente o impressionaram. Ele sorriu carinhosamente.

-Eu tenho certeza que não. –disse, levantando-se e despenteando os cachos rebeldes dos gêmeos a sua frente. A menor de olhos exóticos parou no mesmo lugar, com o sorriso desaparecendo ao vê-lo despedir-se dos outros, e conforme os irmãos filhos de Ares, a garota loura, de Apolo, e os gêmeos de Hermes partiam para os seus respectivos chalés a fim de se prepararem para a hora da janta no Pavilhão, ela ficou o encarando com a cabeça inclinada para o lado.

Percy notou a garota observando-o, era a única que sobrara. Aproximou-se dela, ajoelhou a sua frente e pegou as mãos dela.

-Olá, Holly. –diz suavemente, acariciando o dorso da mão da garota, que corou levemente. –Está gostando das aulas? O que achou hoje? Fiquei muito admirado com o seu progresso, está cada vez melhor! Parabéns, estrela! –Estrela era o apelido que Percy a havia dado na primeira vez que a vira. Achava os cabelos prateados e a oscilação da cor dos olhos de Holly uma ótima forma de explicar o porquê do apelido.

A cor da íris de Holly mudou de azul anil para o violeta. Piscando sem parar os olhos ela esboçou um enorme sorriso de orgulho. Sentia-se feliz por ter sido elogiada. Além do mais por Percy que era seu instrutor favorito do acampamento, Quíron vinha logo atrás. Aparentemente também se sentia envergonhada quando recebia elogios, porque abaixou a cabeça, acanhada.

-Obrigada. –diz embaraçada, fazendo Percy rir. Depois se lembrando de que não devia demorar, continuou apressadamente: — Queria agradecer por você ter me ajudado hoje no treino, as dicas me ajudaram muito. –ergueu a cabeça para ver o seu instrutor assentindo, com um sorriso terno. Deduzindo corretamente de que a garota havia mais a contar, ele balançou novamente a cabeça incentivando-a a continuar. — E, ah, antes que eu esqueça. –Percy liberou suas mãos para que ela possa apanhar algo do bolso e estender a ele, para revelar uma tornozeleira prateada com um pingente encravado na corrente, de um tridente e uma coruja na frente com as asas abertas. –É da Silena, não é?

Percy franziu o cenho. Sua filha nunca se separava de sua tornozeleira. Sempre se certificava de que ela estava segura consigo. Afinal, era um presente de que seus avós, Atena e Poseidon, fizeram e presentearam a ela no dia em que nasceu; simbolizando a amizade entre ambos os deuses, pela junção de seus herdeiros.

-Sim, é dela. –ele anuiu, voltando-se a realidade, visualizando o par de enormes violetas o encarando. Perplexo ele o pegou de sua mão. –Obrigado, Holly. Mas como ela o perdeu?

A garota deu de ombros, evidentemente sem saber da resposta. Suspirou ao ouvir a corneta soar para avisar da hora do jantar. Então continuou apressada:

-Eu não sei. Adam, o filho de Hefesto, encontrou perto da Casa Grande e como não achou Silena, ele mandou a mim para que eu pudesse entregar a você para dar a sua filha. Ele não a tinha encontrado em lugar algum. –balançou a cabeça e segurou as mãos na frente do corpo. – Talvez ela tenha se descuidado e um dos filhos de Hermes a pegou desprevenida? –sugeriu hesitante tentando acalmar o professor.

Percy duvidava disso. Silena é atenta às coisas que a rodeavam e nunca deixaria um dos garotos de Hermes a pregar uma peça. Conseguia muito bem identificar quando a estavam seguindo ou armando algo contra ela, planejava rapidamente diversas maneiras de conseguir escapar, esquivar e revidar de qualquer coisa que enviavam a ela. Suas estratégias nunca falhavam, muito menos os seus sentidos. Jamais deixaria seu presente escorregar de suas mãos.

Embora pensasse em muitas coisas ao mesmo tempo, ele apenas sorriu amigavelmente a Holly e a mandou um olhar tranquilizador. Não queria a preocupar, talvez sua filha houvesse simplesmente se distraído naquele momento.

-Entendo. Talvez seja isso. Obrigado de qualquer jeito, estrela. Agora vá para o Pavilhão que já a devem estar procurando. Se Quíron perguntar, avise-o de que irei mais tarde. –ordenou-lhe delicadamente, dando tapinhas em suas costas enquanto ela se virava e disparava para longe, acenando para Percy. Logo após, Holly riu alegremente ao ver um dos seus irmãos, gesticulando a fim de avisar que estava juntando-se a ele.

Percy levantou-se com as mãos apoiadas no joelho. Acompanhou-a com o olhar até ela desaparecer de sua vista e finalmente se pôs a arrumar suas coisas para voltar ao chalé 3, onde normalmente achava sua corujinha.

Abaixou o olhar, examinando a tornozeleira de Silena. Passou os dedos pelos detalhes do pingente, imaginando como a filha estaria à procura dela. Provavelmente entraria em desespero quando descobrisse que estava sem, entrando em pânico ao correr por todo o acampamento em busca dele.

Resolveu seguir direto para o chalé depois de guardar os seus equipamentos; para se trocar. Disse a si mesmo que não se importariam por estar demorando a chegar para a janta. Pensou se a filha já se encontrava no Pavilhão.

Abriu uma brecha da porta e espiou lá dentro. Vazio. Silena não estava mais por ali e por isso ele supôs de que ela já estaria jantando. Suspirou, fechando a porta atrás de si ao entrar. Trocou a roupa já suada por ter treinado a tarde inteira por uma mais aconchegante e limpa. Estava prestes a sair quando viu a cama debaixo do beliche desarrumada. Tirou a mão da maçaneta e aproximou-se balançando a cabeça. Silena deve ter passado por ali e esquecido de arrumar antes de ir.

Ela gostava de ficar no chalé 3 com o pai quando iam visitar o acampamento. Porém, eventualmente, ela ia ao chalé 6 e acabava caindo no sono por lá. Nunca ficava em um só lugar. Mas pelo jeito, ela viera descansar enquanto ele estivera fora. Percy resolveu arrumar a bagunça que ela fizera, juntando os sapatos que Silena havia jogado em um canto, ajeitando o cobertor em cima da cama e tirando o travesseiro – provavelmente arremessado – que estava caído perto da porta e o colocando nas extremidades do colchão.

Assim que estava batendo o travesseiro para expulsar a poeira superficial uma folha caiu de dentro dela. Deslizando levemente no ar até pousar delicadamente no chão. Percy franziu a testa e se agachou, colocando o travesseiro de lado e agarrando a recém-descoberta carta.

Revirou-a nos dedos até que enfim lembrou-se. Era a carta de Annie. A que estava destinada a filha, no qual Percy havia guardado por tanto tempo e a entregado naquela manhã. Nunca a lera, realmente. Afinal, sua Annie o tinha feito prometer de que quem a leria seria apenas – exclusivamente – Silena. Ele cumpriu a promessa, até agora. Sempre tivera curiosidade do que havia escrito ali, mas com um suspiro de derrota decidiu não vê-lo. Afinal de contas, Annabeth não ficaria feliz se ele realizasse tão ato, e ele não queria desaponta-la. Já imaginava todo o sermão que daria a ele caso o visse em flagra lendo o que escrevera para a princesa dos dois.

Depositando a carta novamente no travesseiro, fez os últimos retoques na cama e entrou no ar frio do começo da noite. Olhou para os lados e seguiu até o Pavilhão, onde havia um alto som de conversas.

Ao estar perto o bastante de toda a agitação, varreu os olhos por todo o local a procura da filha; não a achando. Correu os dedos pelos cabelos, tentando descobrir onde ela poderia ter se metido. Nenhuma das mesas estava com um vestígio de que a pequena poderia ter passado por ali.

Frustrado, constatou que não estava mais com fome e foi para perto de Quíron a fim de tentar coletar informações de onde Silena poderia estar; se a tinha visto.

Ele estava perto de Sr. D, no qual resmungava e bebia vorazmente litros de sua Diet Coke, ignorou totalmente Percy quando este se aproximou. Quíron virou bruscamente a cabeça e saudou o velho herói com um amistoso sorriso.

-Percy! –depois notou seu rosto preocupado e sua expressão endureceu. –O que aconteceu?

Percy umedeceu os lábios, sem saber o que dizer. Olhou novamente para todos os cantos que sua vista poderia alcançar, tentando encontrar sua garotinha. Mas novamente, a busca não foi satisfatória.

-Quíron... por acaso você viu minha filha? Não estou a encontrando por aqui.

O centauro franziu a testa, confuso.

-Pensei que ela estivesse com você. Não a vi a tarde toda.

O moreno engoliu em seco, começando a se desesperar. ‘Calma, Percy. Ela pode estar se escondendo em algum outro lugar. Você ainda não procurou em outros chalés nem... a praia! Ela sempre vai lá quando fica triste’ – pensou com um novo ânimo trazendo-lhe energia para os membros entorpecidos.

-Obrigado, Quíron. –ele disparou para longe de todos, correndo rumo à praia com uma esperança vaga de que a encontraria sentada na areia, abraçando as pernas e deixando as águas marinhas lamberem a ponta de seus pés – como sempre a encontrava.

Porém, ao chegar lá, não avistou ninguém. Seus sapatos afundavam na areia enquanto corria ao longo da praia chamando seu nome cada vez mais alto; sem obter respostas. Onde você está? – pensava com um medo se infiltrando-se em seu peito.

Voltou-se para o início, sem sucesso. Deu uma última olhada para a praia calma e percebeu uma leve mudança mais ao longe, no mar. Não ligou muito para o fato de algo estranho poder estar acontecendo, a única coisa que dominava sua cabeça era encontrar a filha.

Partiu para a área dos chalés, vasculhou todos os cantos possíveis e impossíveis, perguntou para os campistas e todos os outros que entrassem em seu caminho. Ninguém a havia visto.

Parou, curvando-se sobre si com as mãos no joelho, arquejando e ofegando sem conseguir controlar a respiração rápida e instável. Seu coração batia com força no seu peito, ameaçando sair de dentro dele. Suas mãos tremiam, sem saber o que fazer. Não podia procurar no acampamento inteiro. Ela poderia estar em qualquer lugar.

Naquele tempo o jantar já havia terminado; assim como boa parte da noite também. No céu as estrelas emitiam a sua luz, fazendo o chalé 8 brilhar com a lua no alto despreocupada mostrando seu resplendor, ainda havia alguns semideuses que voltavam para os respectivos chalés, a maioria, mortos de cansaço pelo dia que se passara. Alguns o olhavam de esguelha, tentando decifrar o que se passava por ali. Porém, a grande parte desistia e seguia seu curso, pensando que não era da conta deles, ou melhor, exaustos demais para tentar raciocinar o que era; as mentes cansadas finalmente descansando ao deitar a cabeça na cama.

Percy subitamente lembrou-se do que Holly o havia dito. Sobre a tornozeleira. Adam o tinha encontrado perto da Casa Grande então ela poderia estar por ali perto.

Levantou-se, aprumando as costas e forçou-se a continuar até onde fora indicado pelo instinto procurar. Rodeou toda a Casa Grande e seus arredores. Ninguém. Depois adentrou sem bater na porta e encontrou Quíron com a cadeira de rodas lendo algum livro. O Sr. D não se encontrava no aposento.

-Percy... –Quíron imediatamente parou a leitura, colocando o livro de lado e aproximando-se dele, preocupado. –Achou Silena? Você pode me explicar o que está havendo?

Percy andou por todo o lugar, olhou atrás de cada fenda, chamou o nome da filha diversas vezes e cada vez ficava mais e mais aflito, agitado, frustrado, culpado, angustiado, inquieto, ansioso e exasperado, tudo se misturando em uma completa confusão. Sua cabeça rodava, girava sem parar. Estava impaciente para achar a filha. Estava em total pânico por não encontra-la. Tinha passado as últimas horas passando por todo o acampamento, procurando em cada lugarzinho que poderia servir como esconderijo, em cada provável abrigo que Silena poderia ter ido, e não tinha a achado. Mesmo com seus berros a chamar pela garota, ela não aparecia. Tinha chamado até mesmo Blackjack para ajuda-lo a achar sua pequena, e agora nesse instante ele sobrevoava o acampamento, em uma busca frenética pela garota perdida, tentando comunicar-se com ela.

Finalmente Percy deixou-se cair no sofá ali perto. Enterrou a cabeça nas mãos e deixou que as lágrimas amarguradas escorressem pela sua face. Quíron saiu da cadeira de rodas, mudando para sua forma de centauro. Foi até Percy e pousou sua mão nos ombros do rapaz, tentando transmitir-lhe calma e paz.

-Vamos lá, Percy. Diga-me. O que aconteceu? -perguntou com mansidão na voz. Não queria o pressionar, mas estava cada vez mais apreensivo com a resposta que receberia. Seria algo envolvendo a garota, Silena? E se sim, o que era?

Percy ergueu o rosto marcado pelas lágrimas de sofrimento. Quíron podia sentir sua angústia quando murmurou com a voz rouca de tanto tê-la usado, o som fraquejando a cada palavra proferida:

-Ela desapareceu, Quíron. Silena desapareceu.

Notas finais
É, esse é o Percy no tempo atual deles. Desculpa novamente se eu embaralhei algumas palavras, meu pai vai me matar se me descobrir aqui.
O próximo capítulo será o "corujinha em perigo", agora sim! E vai aparecer uma personagem especial...
PS: Estão dispostos a fazer a escolha? Qual vocês acham melhor para o título do capítulo?
-Desaparecida.
-Onde está Silena?
Eu mudo caso vocês não terem gostado desse. (:
Vejo vocês em breve! Obrigada a todos que estão acompanhando! Beijos.