O QUE EU QUERO E O QUE EU PENSO

1 Capítulo 2 — Distâncias que não apagam


Capítulo 2 — Distâncias que Não Apagam


Depois daquela primeira noite, eles continuaram conversando.

Às vezes todos os dias.

Às vezes só quando a saudade lembrava que existia.


Mas mesmo assim… continuavam.


Não havia encontros.

Não havia planos marcados que se realizavam.

A verdade é que eles moravam em cidades diferentes, rotinas diferentes, vidas que não se tocavam no concreto — só no invisível.


A conversa era o único lugar onde os dois se encontravam.


E o tempo passou.


Três anos.


Nesse intervalo, cada um viveu o que precisava viver.


S/N começou a ficar com um cara.

Teve suas descobertas, seus erros, suas primeiras certezas e suas primeiras quedas.

Ela riu, aprendeu, se feriu e se refez — tudo longe dele.


Ele também viveu a própria vida.

Namorou três vezes.

Se permitiu, errou, esqueceu, lembrou.

Amou e desamou.

Foi e voltou de si mesmo várias vezes.


Mas mesmo quando parecia que ambos tinham seguido caminhos completamente separados, havia sempre um ponto de retorno.


Uma notificação.

Uma conversa curta.

Uma foto que ela postava e ele via sem curtir.

Um áudio que chegava no meio da noite.

Uma lembrança que aparecia de repente, como se o tempo não tivesse passado.


E o mais estranho é que, mesmo longe, mesmo sem tocar, mesmo sem ver…


Nada apagou.


Era como se houvesse algo que continuava ali — não crescendo, não diminuindo — apenas esperando a hora certa.


Três anos sem encontro.

Três anos de rotas diferentes.

Três anos onde a vida parecia empurrar cada um para longe do outro.


Mas quando o reencontro finalmente aconteceu…

quando o capítulo 3 começou…


não houve surpresa.

Não houve estranhamento.

Não teve aquela sensação de “faz tempo.”


Foi como abrir uma porta que nunca tinha sido trancada.


E simplesmente entrar.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!