O Pífaro e a Sereia
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Escrevi isto há uns oito anos, talvez um pouco bobo, mas ainda assim tenho grande carinho por tais palavras. ^^
Onde tem um asterisco, são palavras inspiradas em Shakespeare e também num poema de Bruce Lee dedicado à sua esposa.
Ato I – O Pífaro e a Sereia
De um amor não correspondido tudo começou, ao ver as lágrimas da Sereia sua melodia cessou:– Como ainda choras, doce Thetys... Por alguém que não te dá valor?– Meu coração por ele sangra, mas ainda o amo com todo o fervor.Então o General Marina receoso, sua mão no ombro dela colocou. Sentindo-se amparada, em seus olhos, Thetys olhou:– Sorento, está na hora de eu partir... Embrenharei-me em meio a estas águas e com sorte morrerei.– Não quero que te vás, não sem antes a ti me declarar!Seus olhos verdes de tanto choro brilhavam, do nada rapidamente seu coração começou a palpitar:– Declarar? O que passa pela tua mente?!– Tanto em mente quanto no coração, querida Thetys! Há anos guardo isto comigo, e confesso que já não agüentava mais este martírio. – O jovem general de Poseidon sem temor pegou nas delicadas mãos da Sereia. – Amo-te há muito e não posso mais te ver sofrer por alguém que não merece o teu querer.Sem jeito e espantada ela lhe respondeu, seu interior então estremeceu:– Sorento, como podes amar alguém como eu? Justo eu, que durante anos atrás de um amor impossível correu...– O cupido não escolhe a quem sua flecha vai atingir, simplesmente atira, e este tiro certeiro atingiu o meu coração. Desde então vivo guardando isto para mim, rogando sempre para que este segredo chegue ao fim.Thetys profundamente respirou, ao invés de ouvir a razão, deu ouvidos ao que o coração lhe suplicou: para dar uma chance a quem um amor verdadeiro tanto tempo lhe reservou:– Não sei se à tua expectativa corresponderei, mas juro a ti que a chance de ser feliz finalmente aceitarei...Ele não deixou sequer que ela terminasse o que tinha para dizer:– Como posso acreditar, será que meus ouvidos uma peça estão a me pregar? Com a tua linda voz estás a me dizer que terei a chance de te provar o meu bem querer?– Nada precisas me provar, eu é quem te suplica, só este teu amor poderá fazer este coração despedaçado se agregar e cheio de alegria de viver como antes era, ficar!Não tinha mais nada a falar, Sorento num longo abraço a envolveu, e ela deixou-se levar por todo o encanto momentâneo, até que um beijo sincero e desesperado aconteceu... Tal beijo parecia ser o bálsamo para Thetys, retirando tudo de ruim que antes ela havia sentido. Ambos pareciam bailar, estavam cada vez mais envolvidos numa melodia que eles até então não conheciam, era perfeito o fragor das águas batendo nas rochas e o som das ondas que acompanhavam as espumas flutuantes, como era linda a canção do mar e unida com a do amor, parecia ser apreciada com ainda mais emoção... Os encontros após algum tempo eram freqüentes, todos os dias eles se viam após o crepúsculo. Numa bela noite que se iniciava, estavam mais uma vez juntos...– Amada Sereia, não existe nada mais belo do que mergulhar no infinito do mar de teus olhos verdes e sentir o calor de teus lábios doces e quentes.– Estes lábios suplicam por um beijo ardente e meu corpo já não resiste ao desejo de que compenetres em minha mais pura essência...Ato II – Uma Paixão Oceânica– Poderás tirar as escamas de meu corpo sacro e fazer com ele o que quiseres.Suas mãos tocarão a mais bela melodia, e meu corpo sentirá satisfação,assim como te darei todo o meu carinho. Os mares do Atlântico Sul banharão nossos corpos divinos...Enquanto fazemos amor incansavelmente.– A luz da lua será o único manto que nos envolverá esta noite,e as estrelas testemunhas de que quero ser somente tua. Nossos olhares se encontrarão e em seu silêncio vão expressar,as mais lindas palavras que não poderíamos proferir.Suavemente beijarei-te por inteiro, então após um beijo cálido, aos nossos ouvidos uma mágica melodia virá contagiar nossos corpos que, responderão com leves movimentos.Enquanto isto as límpidas águas do Oceano nos tocarão gentilmente.Seu cosmo se unirá ao meu, e como se fossem a mais forte e pura energia, alastrarão seu brilho sobre as águas translúcidas do mar,iluminando tudo à nossa volta com o amor mais lídimo que pode se sentir!Ato III – O julgamento de um amor e a pena por traiçãoCada um tinha a sua vez e isto Poseidon custou a entender, para ele era inadmissível deixar aquele amor acontecer. Sentado no trono estava imponente o soberano dos mares, esperava o general do pilar do Oceano Atlântico Sul, propositalmente, antes do encontro que já tinha sob seu conhecimento que Sorento teria com Thetys ao anoitecer.– Imperador Poseidon, em que posso lhe servir? – Perguntou Sorento após uma reverência.– Não tolero que te encontres com Thetys e nada do que disseres mudará a minha posição, sendo assim te digo o veredicto: Mate-a por traição!– Como o senhor pede isto a mim que a amo de alma e coração?
– Nada me importa, tampouco se a amas! Thetys pertence a mim, agora abaixe a cabeça e diga que acatarás minhas ordens.Poseidon sabia que o general lhe afrontaria e antes que este ousasse lhe desafiar, colocou o tridente em mãos e para Sorento apontou, seus olhos adquiriram uma cor ainda mais intensa, o semblante parecia agora ter uma sombra:– Sim senhor, eu matarei Thetys de Sereia!Ato IV – O canto da SereiaO pôr do sol majestoso anunciava o fim daquele dia, a bela Sereia esperava seu bem amado. Ao sentir a presença dele, sem hesitar correu até ele e o abraçou:– Meu amor... Pensei que não mais virias!Sorento desvencilhou-se daquele abraço e a empurrou, logo um olhar insano para ela lançou. Elevou sua flauta até os lábios e antes de tocar lhe falou, estava totalmente cego e dominado pelo poder de Poseidon:– Devo matá-la e não serei condolente. Mesmo que peças clemência, hei de ser impiedoso, porém não farei com que sofras muito, sua morte será bela, assim como a canção que te dedicarei. Conheça a Sinfonia Final da Morte!Thetys sabia o motivo daquele comportamento, não teve tempo sequer de pará-lo, ele começava a soprar o instrumento e ela ouvia tais acordes, resolvendo então acompanhar a melodia com sua bela voz:– Linda e suave canção, mas não tocada com o coração.Trazem sonhos e visões, meros punhados de ilusões.Entornam o esquecimento, mas ainda resta luz em meu pensamento.Soberana, gloriosa e injusta morte,porque tentas me levar na beleza de tais acordes?O doce sono sem sonhos não me assusta,se for para cair sem vida ao chão,antes verá em meu canto a tua salvação.A força de meu espírito e amor ainda existem.E mesmo que acredites que seja em vão,meu amor dominará novamente tua mente e coração.Sua sinfonia talvez possa provocar meu último alento,mas mesmo assim este não será o meu fim...Pare de tocar tal instrumento mortal e vinde em minha direção.Assistirás sim ao meu sofrimento, Contudo, lutarei até que meu cosmo possa se extinguir para livrar-te deste mal,Não será assim que nosso amor terá o seu final!Ato V – Um inicio perfeitoEstava perto da morte, mas Thetys não desistira de cantar, acreditava no poder de seu amor. Finalmente sua voz penetrava na mente de Sorento, conseguindo fazer sua melodia cessar. Este não sabia o que fizera, ao ver sua amada caída no chão correu até ela. Com jeito pegou-a no colo, apertou-a contra seu peito e logo, acariciou sua face alva. – Esteve prestes a sacrificar-te por mim, como fui tolo por acreditar que Poseidon permitiria este amor, por isso mesmo não te deixarei morrer!Thetys abriu os olhos lentamente, estava sem forças, sua cabeça latejava e a voz saia falha, mas disse a Sorento o que sentia:– Somos um só ser, de corpo e alma me entreguei a ti e mesmo que na imensidão que possa nos separar não entender-me, hoje te juro como sempre o farei... Serei eternamente tua, e se Poseidon duvidar, farei-o olhar para as estrelas e para o mar, e ele verá que nosso amor testemunhado está.– Quero que guardes as minhas palavras para sempre, se algum dia eu partir, eternamente viverei em teu coração. Thetys, podes duvidar de tudo...Do Sol, podes duvidar que ele se mova?*Das estrelas, duvide que elas detenham o sagrado fogo!Da verdade, eis que ela possa ser mentira...Entretanto, jamais duvide do meu amor. – Eu não duvido — disse ela emocionada. — Jamais seria capaz disto.– Ouvir isto me alegra! — Sorento exibiu seu sorriso perfeito — Agora venha comigo, vamos partir e ficaremos juntos para sempre... Acho que este será o final perfeito!Assim foi dito e assim aconteceu, Poseidon teve de aceitar o amor de ambos. O general pegou sua amada nos braços e carregou-a até um local seguro. O futuro de ambos seria com toda a certeza compartilhado, assim que o imperador teve sua memória apagada, Sorento voltou a ser um estudante fervoroso de música e Thetys seguiu este mesmo caminho:– Creio que devo corrigi-lo, meu amado músico... Disseste outrora que isto o que vivemos seria o final perfeito, todavia acho que, estamos vivendo agora o início perfeito!
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