O Príncipe e Eu
9 Capítulo 08
Notas iniciais
— Gente ontem nós fomos ao parque. Foi tão legal. Vocês tem que conhecer. — disse Rose enquanto estávamos limpando o Marina's. — Por que nós todos não vamos nesse parque hoje?
— Eu não sou muito de ir a parques de diversões — Eu disse enquanto passava um pano nas mesas. — além do mais você já viu que horas são?
— Então vamos na segunda. Todo mundo, incluindo o Ed. — Rose disse na maior empolgação.
Ed já trabalhava ali há algumas semanas e, indo contra todas as minhas expectativas, ele estava indo muito bem. Não tínhamos nos falado mais depois do dia do freezer, além do básico.
Se o Ed estava dentro eu estava fora. Por algum motivo eu não ia com a cara dele.
— Eu topo. — Ed disse.
— Eu não vou. Tenho que-
— Estudar. Sim, todo mundo sabe. Olha Lizzy você precisa se divertir mais sabia? — rose disse olhando feio pra mim.
— Isso é programada de criança. — Eu disse fazendo uma careta.
— Essa é a parte divertida, deixamos os moleques se borrando de medo. É verdade Lizzy. Vamos para o parque, tomamos umas cervejas e andamos nos brinquedos. Eu sei que você vai gostar. Além do mais, também tem adultos como nós lá — Até Paul estava querendo me dar lição de moral.
Não respondi mais nada.
...
Segunda chegou e esse era o único dia que o Marina's não abria. Mesmo contra a minha vontade fui arrastada para o maldito parque. Somente Kate foi esperta e conseguiu dar uma desculpa.
Admito que foi legal até chegar na roda-gigante. Eu não era fã de altura, não tinha grande problema, mas mesmo assim não gostava. Como Rose e Paul eram um casal ou eu tinha que ir no mesmo banco com um velhinho com cara de tarado que estava na minha frente ou ir com o Ed. Admito que fiquei realmente tentada em ir com o velhinho tarado.
Sentamos no banco e, antes de chegar no topo, a roda-gigante parou e ficamos ali. Eu estava totalmente desconfortável.
Desde o primeiro dia que vi o Ed eu sentia que ele seria problema e eu não estava errada, foi problema no meu trabalho e estava começando a ser problema na minha vida.
—Está frio não é? — ele disse.
— Hum.
Ficamos em silêncio. Eu só queria que aquela roda gigante parasse logo para que eu pudesse sair de uma vez.
— Rose disse que você não é de Nova York.
— Não sou.
Silencio de novo. Impressão ou ele estava tentando puxar assunto?
Quando finalmente saímos dali encontramos com os outros e eles foram comprar comida enquanto ficamos sentados esperando.
— Você é sempre tão calada? — ele disse sorrindo.
Apenas olhei pra ele sem responder.
— Eu gosto das caladas. — crispei os olhos quando ouvi suas palavras e antes que pudesse lhe dar uma resposta, Rose e Paul chegaram.
O descarado estava dando em cima de mim na cara de pau, assim como fazia com as clientes do Marina's. Depois de tudo ainda tenho que lidar com uma versão de Dom Juan barata.
Comemos e fomos embora. Ed não olhou mais pra mim e eu agradeci por isso.
...
No outro dia fui para a faculdade. Eu estava terminando o primeiro ano e estava ficando tudo mais complicado, os prazos de entrega estavam cada vez mais curtos. Mas, desistir não era opção.
Quando as aulas daquele dia terminaram fui direto ao Marina's. O lugar estava abarrotado de gente e todos tiveram que se desdobrar para conseguir atender todas as pessoas. Quando terminou o expediente estávamos exaustos, incluindo John.
Enquanto limpava uma mesa, John me chamou:
— Lizzy você pode ir lá no depósito pegar o açúcar para amanha?
— Claro. — eu respondi respirando fundo. O dia estava sendo cansativo demais e eu já estava no meu limite.
O depósito era uma grande sala que ficava depois da nossa sala dos fundos. Era escura e gelada. Peguei a lanterna e comecei a procurar o açúcar quando ouvi passos atrás de mim, virei e vi Ed perto da porta, foquei a lanterna em seu rosto.
— Ah, é você. — eu disse antes de continuar a procurar.
— Sim, sou eu querida. John disse para pegar uma garrafa de Ketchup. Pelo visto vocês na América não sabem comer sem essa coisa.
— Essa coisa? — perguntei rindo, sem me controlar.
— É. Não me leve a mal, eu não acho ruim. Só não entendo por que vocês colocam isso em todo tipo de comida. Outro dia eu vi uma mulher colocando isso na salada.
— Que engraçado. — respondi rindo do seu jeito. — As pessoas gostam. Dá um sabor diferente. De onde você vem não tem Ketchup?
— Claro que tem, mas não usamos como aqui. Na Áustria as comidas são diferentes.
— Então você vem da Áustria?
— Sim. — respondeu meio indeciso.
— E onde fica isso? Não sabia que existe um país com esse nome. — Perguntei enquanto continuava a procurar o açúcar.
— Claro que existe.
— E por que veio para Nova York? — Ele olhou pra mim meio indeciso. Veio andando bem divagar olhando fundo em meus olhos. Senti a respiração começar a falhar enquanto ele se aproximava mais e mais de mim. Quando percebi ele estendeu o braço atrás de mim.
— Aqui esta o Ketchup. — ele disse pegando uma grande garrafa vermelha.
Mesmo pegando Ketchup ele não se afastou. Ficou olhando em meus olhos e veio chegando mais perto.
Já podia sentir sua respiração batendo no meu rosto. Sério mesmo que ele iria me beijar? Seus lábios tocaram os meus e antes que pudesse realmente se tornar um beijo tomei impulso e dei uma joelhada entre suas pernas.
Ele gritou de dor e eu rapidamente fugi da prisão de seus braços. Sai correndo do depósito e me enfiei na sala dos fundos.
Tentei acalmar meu coração e a respiração. Eu não acredito que ele realmente tinha tentado me beijar. A raiva começou a subir pelas minhas veias. Aquele imbecil queria me transformar na mais nova conquista dele. Eu nunca deveria ter sido legal com ele e nem ter feito perguntas a respeito de onde ele vinha. Como eu sou idiota.
Mas eu tinha que ser sincera comigo mesmo, eu estava com raiva sim por ele ter tentado me beijar, mas estava com mais raiva ainda por que não fiquei com medo, ao contrário, uma parte de mim queria que ele me beijasse, queria que ele chegasse mais perto. Como eu era estúpida, não podia ter sentimentos por ele, eu sabia o seu jeito. Trabalhava com ele todos os dias e via como ele se portava, flertando com todas as garotas. E eu era apenas mais um flerte, mas se ele acha que comigo ele pode brincar, estava muito enganado.
Eu nunca me envolveria com o Ed.
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