O Príncipe de Lugar Nenhum
1 Um pai ausente e imprudente
Notas iniciais
Mas Brena, até onde você pretende ir? Nessa fanfic até a redenção de Vegeta na saga Boo e pós saga Boo. Agora se Goku me permitir irei com esse projeto até os capítulos atuais de Dragon Ball Super.
Capítulo 1 – Um pai ausente e imprudente
Vegeta estava imerso em seus pensamentos, eram tantos acontecimentos diante de seus olhos que era difícil de assimilar tudo de uma vez. Kakarotto havia se teletransportado com o monstro Cell para algum lugar, não conseguia sentir seu Ki, logo Piccolo confirmaria aquilo que tinha suspeitas desde o princípio, o imprestável do Kakarotto havia partido para um outro mundo, estava morto. Como sempre, o guerreiro de classe baixa conseguiu ser novamente o protagonista de um grande ato heroico.
“Um verdadeiro verme, um inútil, sou um inútil.” Esse foi um dos primeiros pensamentos que conseguira pôr em ordem, o Príncipe do Saiyajins havia sido desde o começo um peso morto para a batalha contra o Bio-Androide Cell. Afinal, o que ele fizera contra o inimigo a não ser atrapalhar aqueles que realmente podiam fazer alguma coisa? Era inacreditável admitir que foi apenas um telespectador de um terrível espetáculo e sabia ainda que se as coisas tiveram que chegar a esse ponto, a culpa era dele.
A elite sempre definiu a sua personalidade, era um privilegiado que nasceu para ser Rei e além disso ser o maior guerreiro do Universo. Mas podia ver agora, que seu título não servia para mais nada e que seus status de grande guerreiro eram agora inexistentes. Havia um enorme vazio em seu orgulho. A sua vida já não tinha mais uma definição certa, o que seria o agora?
Gohan estava há alguns metros de distância do saiyajin, ele chorava desesperadamente no chão. Batia suas mãos contra a terra seca, estava desolado. Gritava incessantemente o nome de seu pai. Vegeta olhava a cena em silêncio, sua face estava inerte diante daquele cenário. Foi quando um sentimento bateu no fundo de seu peito, um sentimento que já havia experimentado, aquele terrível sentimento que nunca mais esperava sentir e nem queria, aquele sentimento que o fez chorar diante do imperador Freeza: o de completa derrota e incapacidade.
Vegeta acordou de suas reflexões e observou o que acontecia ao seu redor.
Kuririn aproximava-se lentamente de Gohan e agachou-se ao seu lado.
_Acabou... Você e Goku conseguiram juntos. – Kuririn dizia de maneira branda a fim de consolar seu amigo.
—É tudo minha culpa. E-eu deveria ter acabado com ele quando o papai mandou, mas eu fui orgulhoso demais... – Lamentava Gohan.
—Mas a terra não teria sido salva sem você, não é? Vamos, vamos para casa. – Disse Kuririn, ajudando Gohan a se levantar.
Gohan enxugou suas lágrimas com suas mãos sujas de terra e se pôs de pé com o auxílio do melhor amigo de seu falecido pai.
Kuririn caminhou lentamente até a Android 18 que estava inconsciente no solo. E a pegou em seu colo. Os pensamentos de Vegeta desvaneceram rapidamente vendo aquela situação: “O que aquele imbecil pensa que está fazendo? Irá trazer mais problemas!”. Kuririn aproximou-se do Grupo, levando a ciborgue consigo. Yamcha, Tenshinhan, Piccolo e Trunks não pareceram se incomodar, estavam tristes demais para fazer qualquer comentário, suas vistas estavam desviadas para o nada. Vegeta era o único que estava acompanhando os passos de Kuririn, ele deu um longo suspiro, refez seu semblante de poucos amigos e sua postura de guerreiro imbatível, tentando disfarçar o que se passava dentro de si. Olhou fixamente para o careca.
— O que está fazendo com essa sucata?! Destrua-a se ainda estiver funcionando! – Disse grosseiramente em alto som.
—Mas ela é uma pessoa... – Kuririn falou olhando para o rosto lindo, calmo daquela mulher que não sabia como podiam chamar de aberração.
Vegeta revirou seus olhos e ficou enojado com atitude do anão. Era incrível como aqueles palermas conseguiam ser tão ingênuos, ficou mais irritado do que já se encontrava. E em milésimos de segundo, Vegeta mudou drasticamente sua expressão. Assim como todos os Guerreiros Z. Sentiu como se seu coração fosse parar, a sua pele bronzeada encontrava-se pálida naquele instante e podia sentir sua respiração descompassada. “Im-impossível, esse Ki. ESSE KI! Cell está vivo? Como?”. Repetia diversas vezes em sua mente esses pensamentos. E então o príncipe via-se novamente na antiga situação. A criatura dada como morta havia ressurgido do além.
—M-MAS O QUÊ!? – Gritou Piccolo olhando para trás.
Havia uma enorme poeira, seguida de raios de energias e fumaça. Parecia uma tempestade bem ruim, era como uma alucinação para os guerreiros, queriam muito que fosse, mas infelizmente não era.
—E-esse Ki... – Vegeta estava apavorado e nem percebeu que seus pensamentos deram lugar a sua voz.
—Não pode ser... – Trunks olhava assustado para aquilo, sem poder decifrar o que estava acontecendo de verdade.
—Não acredito... – murmurou Piccolo que agora olhava diretamente para aquele contexto, aterrorizado.
Subitamente uma linha de luz surgiu entre aquelas nuvens de poeira, uma poderosa rajada de energia seguiu direto para o peito de Trunks, levando para o fim de sua vida precocemente. Se Vegeta sentia que seu coração estava parando com a situação de alguns segundos atrás, ali, diante daquela cena, vendo seu filho cair como uma folha cai de uma árvore, podia ter a certeza que seu coração realmente havia parado de vez.
—Ha,ha,ha... Quem eu acertei?! Ah, Trunks. – Disse a voz dentro daquela bagunça.
Podia se ver diante dos olhos de todos. A figura daquela criatura verde. Estava intacto, sem nenhum arranhão. Cell estava com um meio sorriso em sua sinistra face e seguia com uma postura assustadora. Cell estava vivo e mais forte do que nunca.
—Como!? -Disse Yamcha, observando paralisado aquela cena.
—Como ele ainda está vivo?! – Perguntava Tenshinhan perplexo com aquele ser deplorável a sua frente.
—Parecem surpresos. – Cell falava tranquilamente.
—Eu também fiquei, admito. Tive muita sorte. Existe um pequeno processador nas células da minha cabeça. Ele compõe o meu “núcleo”. Se ele não for destruído meu corpo pode se regenerar mesmo que apenas partes microscópicas sobrevivam...
—Quando me autodestruí meu processador permaneceu intacto e refez o meu corpo. Não imaginava que fosse regenerar, foi muita sorte. E agora, mesmo sem a Nº18 em meu organismo, fiquei tão poderoso quanto Son Gohan!...
—Provavelmente devem ter sido as células saiyajins que aumentam o poder do usuário após uma experiência de quase morte. Até mesmo, aprendi o teletransporte de Son Goku. Por isso pude voltar aqui, mais perfeito do que antes. Son Goku não me derrotou, apenas me deixou ainda mais poderoso!
O coração do saiyajin de primeira classe lentamente voltava a bater, e levava não só sangue, mas também ódio e raiva para todo seu corpo. O que antes era um guerreiro sem ânimo de realizar grandes feitos, agora era um ser repleto de fúria e com uma sede incalculável de vingança.
—Trunks... – Olhava para o corpo sem vida de seu filho caído no chão.
Durante o tempo que passaram junto na Sala do Tempo, Vegeta e Trunks puderam conhecer um ao outro. Mesmo que tivesse sido difícil no começo para Trunks, a insistência foi a parte fundamental entre uma comunicação além de treinos. Sempre que estivera com ele naquele mundo branco, vazio pôde ver o quanto aquele garoto era uma cópia de sua mãe e ao mesmo tempo uma representação da personalidade de Gohan, e incrivelmente a sua. Era um menino calmo, paciente e extremamente inteligente. Era extrovertido mesmo com alguém como Vegeta, era assustador a aproximação que Trunks conseguira assim como Bulma em sua vida. Lembrava-se de cada momento com ele e principalmente de como o seu filho era surreal. Foi tempos complicados no início mas que depois se tornaram lembranças na qual Vegeta admitia a si mesmo ter muito carinho.
Lá descobriu sobre o passado de Trunks, sobre sua convivência com Gohan, sua vida mãe e filho com Bulma. Bulma... Lembrou-se de reconhecer seu afeto por ela graças ao seu filho do futuro.
***
Sala do Tempo— Treinamento de Vegeta e Trunks
Vegeta chutava o ar, golpeava o nada e mostrava o seu orgulho em pequenas ações. Trunks observava seu pai de longe, respirou fundo e voltou a treinar ao seu modo assim como aprendera com Gohan. Sempre que pensava em seu grande mestre e melhor amigo, sentia uma dor imensa em todo seu corpo, essa sensação era pior que qualquer golpe que já tinha recebido em sua vida. Sem perceber, parou e mirou o nada em busca de consolo. O que fez para merecer uma vida tão desgraçada?
De repente recebeu um soco na barriga e caiu a poucos metros de onde estava. Havia sido um golpe muito forte, levantou seu tronco caído ao chão e observou seu pai que estava a sua frente.
—Estava tão distraído assim seu imbecil? Volte a treinar, assim nunca irá se superar, só será um lixo, algo descartável durante a batalha com aquela coisa! – Gritou Vegeta, em seu modo Super Saiyajin, com um de seus punhos fechados para cima como se estivesse ameaçando de lhe dar mais um soco. Abaixou sua mão e a apoiou em seu quadril.
— Se bem que, não precisarei de nenhuma ajuda, darei conta do recado sozinho, pois sou Vegeta, O Príncipe do Saiyajins e agora um Super Saiyajin!
Trunks olhava para o homem a sua frente e não pode conter o seu olhar de repúdio, era esse seu pai? Era esse o homem que sua mãe teve uma paixão inconsequente, de quem ela tanto falava? Era essa pessoa que ele queria conhecer tanto? Vergonhoso.
Levantou-se lentamente, segurou sua barriga por alguns instantes, o golpe tinha sido repentino. Seus olhos não desgrudavam daquele homem que carregava uma feição de maldade e desprezo. Pensou em não dizer nada, mas por que? Apesar do respeito que sentia por ele ser seu pai era inadmissível o modo que ele agia, deveria dizer algo pois também tinha que impor a sua personalidade, seu posicionamento.
—Você não dará conta de nenhum recado. O senhor me chama de inútil, mas olhe para você, seu orgulho se baseia no nada. É um príncipe de um lugar que nem existe mais e adora se vangloriar por isso.
Vegeta estava espantado com tamanha insolência e ficou enfurecido, estava tentando processar aquelas palavras, uma por uma. Aquela personalidade era assustadora, pode perceber que realmente se tratava de sua cria, em sua frente.
O que Trunks não esperava era ver na face de seu pai um meio sorriso. Vegeta cruzou seus braços e começou a gargalhar da situação. Trunks tinha uma interrogação em seu rosto.
—Seu insolente... Não tenho que ficar aqui ouvindo essas baboseiras! Posso ser o príncipe de nada, meu planeta pode não existir mais, porém não preciso disso para continuar com meu título e meu orgulho. Mas olhe para você, é apenas um próprio coitado. Acha que tenho pena de você? Só porque tudo o que tem é um futuro sem perspectiva, uma vida falida, vive de lembranças pois o seu presente é inexistente. Você vive como animal indefeso, escondendo-se do seu inimigo e quando o encara coloca o rabo entre as pernas e corre como um cão que acabou de levar uma paulada.
Trunks estava sendo tomado pelo ódio, sentia o seu sangue correndo cada vez mais rápido em suas veias.
—O que você tem lá no futuro? A sua mamãe e mais o que? Ah, sim. Um lixo em forma de cidade. É uma pena que tenha morrido por lá, a única coisa que realmente prestava. Por isso sua personalidade é tão fraca! Foi com aquela mulherzinha de cabelos azuis que fez isso com você, aquele idiota do filho do Kakarotto que só sabe choramingar. Não teve a influência de nenhum ser superior ao seu lado. Não deveria ter voltado... Nunca foi útil!
—VOCÊ NUNCA MERECERÁ UM LUGAR NA TERRA! – Gritou Trunks que se transformara em Super Saiyajin devido aquele discurso odioso de seu pai. O garoto de cabelo lilás vou em direção a Vegeta e o acertou primeiramente com um soco na boca.
Vegeta voou longe com o golpe e ainda no ar foi massacrado por um Trunks perturbado. Trunks o chutou para o alto, e atirou contra seu pai diversas rajadas de Ki. Vegeta bloqueou os golpes e de maneira rápida e surpreende foi para cima de Trunks e assim que o mesmo bloqueou seu golpe, Vegeta foi para atrás de seu filho e o agarrou pela nuca e levitou com o mesmo pelo ar.
—Esse é seu poder Máximo? Patético! Você não merece carregar meu sangue. Puxou esse lado idiota dos terráqueos. Esse sentimentalismo, essa carência emocional. Só sabem falar de merdas como amor, carinho entre outras coisas imprestáveis e irrelevantes! – Vegeta chutou as costas de Trunks e o mesmo despencou até o grande chão branco. Caiu de barriga para cima. “Como ele pode estar tão forte?” perguntava-se. De imediato Trunks levantou-se com um pouco de dificuldade.
Vegeta havia pousado e estava em seu estado normal. Observava Trunks, odiava ter que compartilhar aquele lugar com ele.
—Se o senhor é príncipe, isso também faz de mim um. Estamos num mesmo nível, numa mesma classe, independente se sou metade humano ou metade saiyajin! – Gritou Trunks.
—Minha mãe me trouxe aqui para esse momento e todos que estão lá me esperando acreditam em mim. Irei superar todos os meus limites por eles! Por Gohan! Por Goku! POR TODOS EXCETO ESSE A QUEM RIDICULAMENTE CHAMO DE PAI! O senhor é um mero coadjuvante nessa batalha, nunca terá importância, sempre ficará por último, sempre será superado. Gohan foi o meu verdadeiro pai e você nunca terá esse título realmente para mim. Porém, não deixarei falar com respeito pois foi isso que aprendi com ele, apesar de tudo, me manterei firme. – Trunks virou as costas e voou para outro lado. Teria que conviver com aquela figura por alguns anos ao seu lado naquele mundo pacato, monocromático, denso e intenso graças a Vegeta.
Vegeta o olhava se afastando. E por um momento sorriu. Trunks era mesmo um saiyajin de elite e seu filho.
— Fim da primeira parte do Capítulo. -
Notas finais
Aguardo vocês no próximo capítulo que terá foco exclusivo no treinamento entre Vegeta e Mirai Trunks na Sala do tempo Terceiro capítulo trarei o desfecho da saga Cell e daremos continuidade a vida de Vegeta em 7 anos de paz.
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